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justsmile

10
Ago20

Férias caseiras, mas apreciadas

        Durante as últimas três semanas andei desaparecida, surgiram as tão ansiadas férias e decidi que seria um óptimo momento para fazer uma pausa neste cantinho. Precisava de me desligar do computador que tanto me acompanhou durante este último período lectivo e foi realmente necessário para voltar a reestabelecer energias.

       Este ano as férias foram diferentes do inicialmente planeado e até dos últimos anos, a roadtrip por Itália foi cancelada devido à pandemia e a verdade é que não tivemos coragem de marcar outro sítio qualquer para férias. Admito aqui que fomos dois medricas que este ano preferiram passar as três semanas de férias por casa, do que a ir para um sítio qualquer em que nos tivéssemos de cruzar com muitas pessoas. Poucas foram as saídas para locais com muitas pessoas, decidimos manter-nos resguardados, mas a verdade é que no fim destas três semanas sinto-me bastante tranquila.

  IMG_20200719_210112_263.jpgIMG_20200804_193231_690.jpg                                   IMG_20200726_170726_167.jpgIMG_20200730_184101_104.jpg

        Durante estas três semanas consegui concluir toda a minha lista de tarefas, todas as tarefas domésticas foram colocadas em dia, as coisas para a construção da nossa casa começaram verdadeiramente a avançar e ainda conseguimos aproveitar para descansar, mas o que fiz mais durante estas férias foi mesmo DORMIR. Dormi como já não me lembrava de dormir, poucos foram os dias em que tivemos de cumprir um horário o que permitiu quebrarmos a rotina e descansar conforme nos apetecesse.

        O primeiro fim-de-semana foi passado em família no Diverlanhoso com os sobrinhos envolvidos em desportos radicais e com uma piscina praticamente para nós, sem corrermos riscos e qualquer tipo de receios. Depois a primeira semana foi de volta de tarefas, recados e pequenas coisas que não conseguimos colocar em dia durante o resto do ano. Preencher documentos, assinar papéis para a casa e outros tantos pequenos afins. Foi na segunda semana que começamos a aproveitar o bom tempo e a praia, tivemos dias sensacionais de praia, até começar o mês de Agosto que foi quando o vento e o pior tempo chegaram. No entanto, ainda deu para amorenar a pele, ler o novo livro do Joël Dicker e até molhar os pés no mar.

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          As férias foram passadas maioritariamente em casa, com as tardes passadas na praia, mas as refeições feitas em casa. Cozinhei com amor e tempo, não saímos para bares nem esplanadas mas deliciamo-nos com Mojitos, Caipirinhas e Gins. Namoramos muito. Vimos Peaky Blinders e ficamos viciados. Enchemo-nos de gelados e comida boa, mesmo em casa e apenas com um terminar de férias num restaurante. Partilhamos momentos com a família. Li imenso. Visitamos o Porto mais que um vez e até tivemos tempo de conhecer a capela do Senhor da Pedra na praia de Miramar e as férias terminaram com a visita ao Porto Legends.

          Admito que me fizeram alguma falta os dias de não ter de cozinhar, não ter de arrumar o quarto e apenas dormir, comer e praia ou piscina. Admito que senti falta de sair durante uns dias de casa e deixar as responsabilidades para trás, faz bem desligarmo-nos do nosso mundo. Admito até que me sinto um bocadinho arrependida de não termos ido pelo menos dois dias para um hotel. Mas a verdade? A verdade é que nunca tive um regresso ao trabalho tão tranquilo, sinto-me calma e com a sensação de energias renovadas. Esta pandemia veio condicionar todos os nossos planos para este verão e até os nossos receios virem transformar as nossas férias, mas pelo menos tive um sabor delicioso a férias. Foram umas férias caseiras, mas bastante apreciadas.

13
Jul20

Bodas de Algodão

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(Imagem de Just Smile)

        Faz hoje dois anos que o encontrei no altar. Faz hoje dois anos que o vi mais nervoso do que nunca. Faz hoje dois anos que trocamos alianças e que nos unimos como sendo um. Faz hoje dois anos que demos o nó.

         Se nas nossas Bodas de Papel dizia que o nosso primeiro ano de casados tinha sido um turbilhão de problemas e acontecimentos, finalmente tivemos direito ao nosso ano de lua-de-mel. Finalmente, entrou nas nossas vidas algum nível de tranquilidade e conseguimos dedicarmo-nos mais um ao outro, ao nosso casamento. Por vezes distraímo-nos e deixamo-nos cair na rotina, na correria do dia-a-dia e deixamo-nos apenas ficar agarrados aos nossos pensamentos. Outras vezes tentamos sair da nossa zona de conforto e saímos, voltamos a ir a parques e esplanadas (tirando em época de covid...), fazemos jantares saborosos dedicados a nós próprios. Este ano tivemos mais domingos nossos, de ficarmos a namorar no sofá ou simplesmente a ver televisão. Conversamos mais, sonhamos mais. Acertamos melhor os nossos horários. Começamos a concretizar o sonho de construir a nossa casa. Este foi sem dúvida o nosso ano, a força que ficou do primeiro poderá permanecer, o resto poderá ser para esquecer.

             Ao fim destes dois anos continuo com a mesma certeza que tinha no dia em que me casei, casei com o meu melhor amigo. Casei com a pessoa com quem mais quero falar, com quem mais quero estar, com quem mais quero partilhar. Casei-me com a pessoa que mais quero ver feliz, que mais quero ver bem. Casei-me com a pessoa por quem faço tudo para ver sorrir. Casei-me com a pessoa que me completa. Temos as nossas brigas, as nossas chatices, as nossas quedas na rotina. Temos a nossa necessidade de sermos abanados, temos a necessidade de sermos acordados, mas somos nós. Aqui há tempos perguntei-lhe como definiria o nosso casamento, respondeu-me "Como nosso", a resposta na altura não me satisfez, senti-a como incompleta e pouco reflectida. Hoje faz-me todo o sentido. É impossível comparar o nosso casamento, é impossível definir o nosso casamento, porque simplesmente é nosso. Hoje, este nosso completa dois anos e que venham muitos mais ao teu lado.

                   Juntos, para o infinito e mais além.

18
Jun20

"E o bebé, quando vem?"

(Imagem retirada daqui)

         Num destes dias estava à conversa com a minha irmã sobre bebés. Ela espera pelo segundo filho e eu comentava com ela como ter filhos ainda me assusta. À minha volta estão bebés por todo o lado ou grávidas, vejo as minhas amigas de infância terem filhos e fico muito feliz por elas, mas ainda não me consigo ver como mãe ou como grávida e esta é a pergunta que mais me fazem nos últimos tempos. Quase a fazer dois anos de casada a primeira pergunta que me fazem quando me vêem passado algum tempo ou até pela primeira vez, é: para quando o bebé. Prontamente respondo "primeiro tenho de dar à luz uma casa e depois logo se verá", claro que isto pode ter dois tipos de caminhos, iniciar uma série de argumentações em como a nossa casa é pequena e mal dá para nós ou em como não devemos esperar muito tempo e blá blás. Ultimamente não tenho tipo hipóteses em conseguir fugir a este tipo de questões, mas a verdade é que não é só a casa que me impede de ter filhos neste momento (apesar de, acreditem, é um dos principais motivos), mas é também a sensação de imaturidade e até mesmo (quem sabe) de algum egocentrismo.

       Ser mãe sempre foi uma das coisas que desejei e continuo a desejar, não me interpretem mal, mas sinto que ainda não fiz tudo o que queria fazer antes de avançar para essa nova fase da minha vida. Sinto que neste momento sinto-me tão plena na vida que tenho e no meu corpo que alterar tudo isso torna-se, ligeiramente, assustador. Gosto da minha liberdade, gosto da minha capacidade financeira para pensar numas férias, gosto de ter os meus momentos sozinha com o meu livro ou uma boa série, adoro manter a casa arrumada e gosto da nossa relação, a dois. Por muito que queira acreditar que algumas das coisas se mantêm depois de ter um filho, eu não consigo acreditar que a transformação não será mais que gigante e que a minha vida será totalmente diferente e dedicada ao trabalho e a um ser pequenino. Receio perder o meu espaço, o meu momento e até toda a tranquilidade interna que fui conquistando ao longo dos anos. E é aqui que vejo o meu egocentrismo, ainda não fiz o mestrado que queria, ainda não visitei Nova Iorque como imaginava e ainda não fui capaz de fazer aquela Roadtrip por Itália que teve de ser adiada. E sinto que ao ter filhos estou a adiar indefinidamente os meus projectos pessoais.

         Sei e tenho a certeza que se vier a ser mãe sem tais conquistas isso não me fará confusão e que amarei qualquer ser vindo de mim, mas neste momento sinto que corro contra o tempo e que este não está a meu favor. Ele quer filhos, eu quero aventura, quero crescimento e só depois os filhos. Temporalmente as coisas parecem não ter qualquer tipo de congruência e sei o que vão dizer "mas vais poder fazer tudo isso com filhos" e até acredito que sim, mas sei que tudo será muito mais complicado, muito mais sofrido e não sei até que ponto é que não desistirei desses objectivos com o intuito de ser uma boa mãe.  E o meu corpo? Finalmente me sinto confortável na minha pele, pela primeira vez estou como sempre desejei e sinto que ao ter filhos o meu à-vontade irá desaparecer. Sei que poderá ser tudo da minha cabeça, mas a verdade é que com a chegada de um bebé a minha vida mudará para sempre.

        E estou cansada da pergunta "e o bebé quando vem? Não deixem para muito tarde que depois são só problemas e já não vão ter paciência", pois em mim a resposta nunca é tão simples como a que dou a entender, inicia-se sempre uma batalha argumentativa dentro da minha cabeça em que só me apetece parar o tempo e deixar correr. Quero filhos, só gostava de ter mais meia dúzia de anos para os ter.

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