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justsmile

14
Jun18

Relativizar

(Imagem retirada daqui)

 

       A vida tem-nos obrigado a esta correria constante. A rotina do dia-a-dia prende-nos e não deixa o pensamento libertar-se. Parece que se encontra fechado, selado a quatro paredes e não consegue parar de processar a mesma informação, vezes e vezes sem conta. Estamos tão empenhados nos nossos problemas, em encontrar ou não soluções para eles, que por vezes simplesmente nos esquecemos de parar, de não sentir, de relaxar. Ontem, após o jantar, o sol ainda se punha por trás dos montes e das casas e por momentos parei para observar, para sentir os últimos raios de sol na pele. Nesse pequeno momento, nesse instante o meu cérebro parou de racionalizar fosse o que fosse, desligou-se. Fiquei a olhar para aquele jogo de cores no céu e simplesmente senti a tranquilidade invadir o meu corpo. Desliguei-me do mundo. Não havia nada naquele momento que fosse mais importante do que estar ali, nada era mais importante do que observar o céu. O sol começou a desaparecer e voltei a sentir-me voltar à realidade, mas foi ali que compreendi, é preciso relativizar.

        Não nos podemos deixar absorver pelos problemas. Não podemos deixar de nos desligar e às vezes não é preciso nada de complexo para o fazer. Ontem, em breves minutos, sem sequer estar a contar, tive a capacidade de desligar de tudo. Do mundo. Do que me rodeava. Dos pensamentos. Desliguei-me. Quando acordei para a realidade tudo me pareceu mais fácil. Os problemas menos problemáticos. O tempo menos escasso. O trabalho menos custoso e até a felicidade me conseguiu invadir de uma forma saborosa, quase perfeita.

          Afinal, tudo o que estava a precisar era de relativizar.

 

11
Jun18

O que não abdico com a chegada do Minimalismo

(Imagem retirada daqui)

 

       Já perdi a conta às vezes que vos falei de como o Minimalismo me tem trazido alguma tranquilidade à vida. Inúmeras foram as vezes que partilhei com vocês as vantagens e desvantagens do Minimalismo e até já partilhei com vocês o meu conceito de Minimalismo, mas surgiu-me recentemente a ideia de partilhar com vocês aquilo que realmente decidi não seguir do Minimalismo ou pelo menos das dicas que tenho visto em alguns sites. O que eu adoro no Minimalismo é a sua essência, de menos é mais, de trazer a felicidade para as nossas vidas e adoro a forma como é adaptado à forma de vida de cada pessoa. Podemos considerar-nos minimalistas sem ser necessário contermos apenas uma mala de coisas, podemos considerar-nos minimalistas mesmo com um armário de roupa de várias cores ou, até mesmo, podemos considerar-nos minimalistas com uma incrível colecção de selos. O Minimalismo não é um conceito ou um estilo de vida restrito, um estilo de vida que tenha regras rigorosas, é simplesmente um conceito que nos ensina a procurar aquilo que realmente nos dá felicidade e que nos obriga a consciencializar de que nem sempre os bens materiais são a fonte da nossa felicidade.

        Tenho aprendido imenso com o Minimalismo, mais do que me separar das coisas tenho aprendido a conhecer-me melhor, tenho aprendido a compreender as fontes da minha felicidade e a redefinir as minhas prioridades. O Minimalismo tem-me obrigado a parar, algo que nos dias de hoje parece quase impossível, seja pela imposição social, pelos media ou até pela vida profissional que nos rouba cada vez mais horas. O Minimalismo tem-me obrigado a repensar em todas as verdades que tinha como adquiridas na vida e a avalia-las novamente e isso, essa consciencialização, essa forma de mudar o meu pensamento, é que tem-me dado a tranquilidade que tanto quis durante a minha vida. Aprendi realmente que ter menos coisas me dá felicidade, aprendi realmente que não é ao ter o último telemóvel topo de gama que sou feliz, mas sim com as pequenas coisas, com o tempo livre que consigo reservar em cada dia para mim. O Minimalismo ensinou-me tudo isso, mas ajudou-me também a conhecer-me melhor. Hoje estou convicta do que quero para a minha vida e do que realmente me faz feliz.

        As fases são fáceis, sempre contínuas e nunca com um objectivo final, alias, apenas com um objectivo e não uma meta, a melhoria na qualidade de vida e a felicidade. Comecei por me separar de coisas que já não usava, depois passei a conseguir separar-me da maioria das minhas memórias que não me traziam energias positivas e ainda cheguei à fase de fazer uma selecção na minha vida social (isso inclui nos meios virtuais). Foram fases, passos que tive de dar para chegar aonde estou, mas quem entra na minha casa, no meu quarto, na minha sala, na minha nova cozinha, não vê o vazio que tantas vezes caracteriza o Minimalismo. Tenho um guarda roupa cápsula, mas não é só em tons brancos e cinzentos. Tenho os armários arrumados, mas não tenho apenas dois pares de calças. E tenho objectos decorativos pela casa, poucos é verdade, mas todos contêm a sua história. E é esta versatilidade, esta adaptação que me faz adorar o Minimalismo. Sigo-o e quero continuar a seguir, mas sei que (pelo menos para já) há coisas das quais não me irei separar, nomeadamente:

        - Os meus livros. Sou incapaz de me imaginar a vender os meus livros ou a separar-me deles, mesmo neste momento eles estando encaixotados à espera da casa que ainda não está a ser planeada. Os livros são a minha perdição, são os meus objectos mais preciosos e aqueles que me trazem todos os tipos de sentimentos e sou incapaz de os ver partir. Parte-me o coração saber que neste momento estão todos em caixas, quanto mais levá-los para qualquer lugar ou dá-los a outras pessoas. Os livros que leio (sim, porque todos os que tenho já os li) fazem parte de mim, da minha história e não é ao ficar com eles que deixo de gostar do Minimalismo.

        - As fotografias impressas. Cada vez mais gosto de ver as fotografias no seu estado físico, tenho a plena consciência que posso ver mais vezes as fotografias quando as tenho numa caixa do que numa pasta no computador. Não as imprimo todas, imprimo apenas as que realmente gosto e guardo-as numa caixa de madeira para mais tarde as rever. Sei que a maioria dos Minimalistas diz para as guardarmos em formato digital, mas eu gosto de tornar as coisas especiais em minhas, algo que possa tocar e por isso sou incapaz de seguir com esta regra. Mas se as minhas fotografias me trazem felicidade é porque é algo que devo permanecer na minha vida.

       - A minha roupa com cores. Tenho um armário cápsula por estação, apercebi-me quando fiz um portefólio daquilo que tenho no armário, cumpro o número de 33 peças (se excluirmos a roupa interior), mas não tenho roupa apenas em tons cinzentos e brancos, algo que se vê muito por aí quando o assunto é armário cápsula. Adoro vermelho, verdes e azuis e não vou apenas mudar porque a maioria das bloggers o aconselha porque é mais fácil de combinar com outras peças. Eu sigo a essência do armário cápsula mantendo o número de peças que uso com regularidade, fazendo girar todas as roupas ao longo do mês, mas não me peçam para tirar a cor da minha vida.

      - Não me peçam para ter dois copos, dois pratos e por aí fora. É impensável fazê-lo principalmente para quem utiliza a máquina da louça ou para quem gosta de receber pessoas em casa, que é o nosso caso. Ocupa espaço, é verdade que não é utilizado com muita regularidade, mas é necessário e não posso ter um número tão limitado de louças. Não tenho a casa atolada de coisas, são todas práticas e utilizadas, algumas com menos frequência que outras, mas são realmente bens necessários para bem receber.

        São algumas coisas que vemos serem eliminadas na maioria dos Minimalistas. São quatro coisas que nos aconselham a fazer a eliminação física na nossa vida, mas a verdade é que para mim são importantes e por isso sei que devem estar presentes na minha vida. E se deixo de ser Minimalista? Não. Não existe um culminar do Minimalismo, apenas conceitos diferentes para cada pessoa e isso é a essência do Minimalismo. O meu conceito de Minimalismo poder ser diferente do teu, mas nunca deixará de ser Minimalismo. É esta abertura, esta busca pela felicidade em cada um de nós que me faz andar tão encantada com o Minimalismo.

08
Jun18

Mais que Reciclar, É Preciso Reduzir!

(Imagem retirada daqui)

 

      Durante muito tempo achei que fazia a minha parte no que dizia respeito ao meio ambiente. Sempre fiz a reciclagem, sempre fiz a compostagem e até sempre tentei reutilizar o máximo possível de coisas até as ter de enviar para o lixo. Sempre considerei que a reciclagem, aquilo que durante os anos escolares nos tentaram incutir, era o caminho para um mundo mais saudável, com menos lixo e com menos desperdício. No entanto, nas últimas notícias parece que me enganei redondamente. O alarme em volta do plástico tem sido tão grande que decidi pesquisar, afinal se eu enviava todo o plástico para a reciclagem como era possível haver tanto plástico espalhado pelos oceanos e pelas praias? Ingenuamente, sempre considerei que a reciclagem seria a solução para todos os problemas, até ter aprendido que afinal grande parte dos plásticos não são recicláveis.

       A última premissa abanou totalmente o ser ecológico que tenho dentro de mim. Admito que fiquei verdadeiramente chocada e assustada. Mas então que raio acontece ao plástico que não é reciclável? Mas afinal que ando eu a usar que não é reciclável? Mais do que alguma vez poderia imaginar. Tudo aquilo que sempre me ensinaram sobre ecologia, hoje parece-me insuficiente, parece-me calunioso e extremamente incompleto. Desde pequena que me diziam que reciclar era ajudar o ambiente, que reciclar era o mais importante, mas nunca me disseram que grande parte do lixo que envio para a reciclagem não é realmente reciclável e que quando não o é ou vai parar a aterros ou ao oceano. Fiquei parva com as inúmeras coisas que uso no dia-a-dia e que envio para a reciclagem e que de nada serve. Cada vez mais tenho a consciência que é necessário reciclar, mas mais do que isso é necessário reduzir.

      Não sei se serei a única ignorante sobre estas coisas, mas desde que me dediquei um bocadinho ao Zero Desperdício que tenho vindo a pesquisar mais e mais sobre o assunto. Não me quero tornar numa extremista, mas quero realmente ajudar o ambiente e diminuir a minha pegada ecológica, sinto-me responsável pelo lixo que faço e cada vez mais tenho noção disso. Quero ajudar o ambiente, mantendo uma vida confortável, mas consciente e com informação, o que acho que acaba por faltar a muita gente. Se só agora que me dediquei a pesquisas sobre o assunto aprendi inúmeras coisas, imagino as pessoas que passaram por ignorantes (como eu) mesmo querendo ajudar o ambiente. Este último fim-de-semana foi também um grande abrir de olhos para mim, começamos a arrumar o enxoval e a lavar as louças que adquirimos ao longo dos últimos anos (altura em que ainda não me tinha consciencializado para este tipo de acções e situações) e fiquei assustada com a quantidade de papel e plástico que tenho para reciclar que envolvia todos os materiais. Tenho no meio da minha cozinha uma caixa enorme que transportou as nossas cadeiras cheia de papel e outro saco gigante com os plásticos de todas as embalagens. É realmente assustadora a quantidade de lixo que produzimos de forma inconsciente.

      Nesta minha saga de pesquisas sobre como diminuir o plástico e ter consciência sobre o plástico que não é reciclável aprendi que ainda tenho um longo caminho a percorrer. Já recuso os sacos, já reutilizo há anos as garrafas de água, utilizo fósforos e raramente utilizo palhinhas. Contudo, nestas mudanças de casa e nestas novas aprendizagem aprendi que preciso de encontrar alternativas aos discos de algodão, às cotonetes de plástico, às palhinhas e às esponjas da louça. Claro que não vou mudar da noite para o dia, é óbvio que não posso gastar enormes quantias de dinheiro de uma só vez e é claro que não vou desperdiçar o que ainda tenho em stock, mas a verdade é que nunca mais quero comprar estes produtos de forma descartável. São produtos que não são recicláveis e que facilmente vão parar a aterros ou aos oceanos e se posso evitar contribuir para essa quantidade de lixo absurdo, prefiro fazê-lo. É verdade que só até à pouco tempo descobri o perigo destes materiais, mas quero mudar assim que possível, sinto essa necessidade. A minha saga pelo Zero Desperdício e pela diminuição do plástico está apenas no início, sinto que esta irá ser uma longa caminhada. Mais do que reciclar, precisamos de reduzir.

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