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justsmile

18
Jan19

Vamos lá reorganizar a vida!

(Imagem retirada daqui)

       O conceito de Minimalismo não se prende unicamente com a organização física das coisas e nem só com o número de coisas que possuimos. Para mim o minimalismo acaba por ser uma espécie de estado mental para aceitarmos a vida e conseguirmos tirar o melhor proveito dela. É verdade que manter um método de arrumação e manter o menor número de coisas possível acaba por simplificar a nossa vida e dar-nos mais tempo para as coisas boas que ela nos dá. O exemplo mais básico que posso dar e o mais perceptível é: imaginem o balcão de uma cozinha cheia de coisas, máquina do café, fruteira, cápsulas do café, torradeira e um sem número de coisas à vista, é claro que a limpeza desse balcão será mais demorada do que um balcão que apenas tenha a máquina do café e a fruteira (imaginemos, mas por acaso é a realidade da minha casa), logo teremos mais tempo para fazer outras que coisas que não sejam limpar. Tudo isso é verdade no minimalismo, mas é muito mais que isso, é uma capacidade de nos organizarmos para sermos mais felizes e conseguirmos definir as nossas prioridades.

       No início do ano passado consegui atingir um bom nível de equilíbrio nesse aspecto. Conseguia cumprir todas as minhas obrigações e ainda conseguia ter meia hora por dia dedicada a mim mesma, fosse um livro, fosse a escrever no blog ou até a ver uma série só minha. Contudo, desde que mudei de emprego (nem é desde que casei, é desde que mudei de emprego) que ainda não consegui atingir esse equilíbrio. A vida de casa já se conseguiu equilibrar nos últimos meses, eu e Ele já criamos a nossa rotina e já temos conseguido estar mais tempo um com o outro, o que aqui há uns meses parecia ser extremamente complicado. O que ainda não consegui implementar na minha rotina foi o meu momento, aqueles minutos só para mim, o que até se torna ridículo visto existirem quase quatro noites por semana em que Ele chega mais tarde que eu. Ou seja, o problema não está em abdicar de tempo a dois para ter o meu momento, mas sim, em organizar o meu tempo quando estou só. Apercebi-me então que está na altura de reorganizar e rentabilizar o meu tempo, aquele que tenho quando estou sozinha em casa ou até mesmo na hora de almoço. E como me vou reorganizar?

       - Ver os horários já definidos: 7h00 levantar da cama e às 18h30 é suposto estar a chegar a casa, isto de segunda a sexta-feira (o que não acontece assim com tanta frequência). Definir os meus horários habituais é importante para conseguir compreender onde posso encaixar o tempo para mim mesma, para as minhas pequenas coisas.

      - Verificar o horário disponível para o 'me time': depois de verificar o meu horário definido, aquele que não há muito por onde escapar, preciso de verificar o bocadinho de tempo disponível para concentrar-me nas coisas que me fazem bem. 

       - Utilizar esse tempo como se fosse um horário obrigatório: tal como tenho um horário todos os dias para me levantar, tal como tenho a obrigatoriedade de entrar ao trabalho todos os dias às 8h30, é necessário ver este horário do 'me time' como um horário que só em caso extremo não poderá ser cumprido (a previsão para a semana é de só ter um desses dias para o 'me time'). É necessário definir-me como uma prioridade e é necessário reorganizar o meu tempo para as cosias que me fazem bem.

     - Manter a casa organizada para me sobrar mais tempo: quando chego a casa é o momento de arrumar lancheiras e de as preparar para o dia seguinte, de arrumar roupa e de arrumar o sofá que normalmente tem as mantas espalhadas e até o calçado que fica um aqui e outro ali. O objectivo neste momento vai ser evitar este momento, ao manter sempre as coisas arrumadas, assim, quando chego a casa vai ser mais fácil de organizar aquilo que realmente não tem outra possibilidade de horário.

       Esta reorganização de horários irá ter aplicação imediata, é claro que sábado e domingo são excepções e as sextas-feiras com aulas também o serão, até talvez o dia de ir à piscina complique o meu horário, mas durante a última semana de Janeiro irei tentar aplicar este horário de uma forma minuciosa. Só não começa já na próxima semana porque tenho formação três dias à noite, senão a coisa já seria melhor ponderada. Tenho de me colocar como prioridade na minha vida e se há alguém que tem sido colocada para canto sou eu mesma, por isso está na altura de me reorganizar!

16
Jan19

Não digas: Nunca

(Imagem retirada daqui)

       Lembro-me de ser estudante universitária e de ver os meus professores sempre atarefados. Trabalho aqui, trabalho ali, aulas acolá, doutoramento além. Uma vida de correria que me fazia uma confusão imensa tendo eles já filhos e companheiros. Aquela falta de tempo constante, aquela correria imensa para quem já não era um estudante fazia-me confusão, para quem já tinha alcançado algo na vida e continuava sempre cheio de trabalho e com uma falta de tempo tremenda. Na altura, compreendia que a minha vida fosse uma correria simplesmente pela razão de que eu TINHA de terminar o curso, não existia outra alternativa. E ao olhar para eles questionava-me "não seria melhor perder uns quantos euros e poder estar mais tempo com as suas famílias?", "com tanto trabalho não seria mais fácil dizer simplesmente que não a um e ter uma melhor qualidade de vida?". Fazia-me uma confusão tremenda ver aquelas pessoas a viverem só para o trabalho, para a profissão, pelo menos era isso que nos transmitiam todos os dias. Olhava para eles e dizia "Não! Eu nunca irei ser assim!". E realmente não queria. Não queria ter mais que um emprego, não queria estar atolada de trabalho e adorava conseguir ter todo o tempo do mundo para estudar. Achava que num futuro, não ele muito longínquo, iria conseguir fazer tudo na maior das calmas e ainda ter imenso tempo para viver bem.

       Hoje olho para mim e vejo que engoli cada palavra que disse. Hoje trabalho a tempo inteiro, trabalho ao sábado, estou a estudar e ainda faço parte de actividades na minha comunidade, assim como integro uma associação. Deparo-me por vezes a compreender que, ingenuamente, aquilo que dizia nunca vir a fazer faz agora parte da minha realidade. Trabalho muito, menos horas do que há um ano atrás, mas com bastante desgaste físico e psicológico (maldito trânsito...). E ainda consigo ser aquele tipo de pessoa que gosta de fazer as coisas andarem, em vez de dizer que simplesmente não acontecem. Para colocar a cereja no topo do bolo ainda me meti a tirar uma pós-graduação. É então, hoje, que me sinto na pele daqueles professores que não me pareciam ter vida para além de todos os trabalhos e trabalhinhos. É hoje que sinto que a agenda está sempre cheia e que até tenho de pedir um tempo para respirar ou até que entre todas estas coisas e as reuniões sociais com amigos e família, não encontro tempo para mim. Vejo-me ao espelho e engulo todas as palavras que algum dia disse ou pensei.

       E sabem a pior parte? Custa-me horrores negar trabalho remunerado, mas tenho-me obrigado a pôr um travão "Peço desculpa, mas já não tenho vaga.", "Lamento, eu não sou daqui e não consigo fazer domicílios, mas posso recomendar-lhe alguém". Estive tanto tempo longe da minha área de formação, estive tanto tempo a sonhar com algo que me parecia impossível, que agora negar trabalho me dá um aperto no coração. Sinto-me uma espécie de pessoa ingrata que não aproveita todas as oportunidades que lhe dão. Mas engulo, e evito dizer que sim a tudo, "Não pode ser Just, não aguentas ainda mais trabalho.", "Mais vale dizeres que não, do que ires gastar dinheiro na farmácia.", "Já tens demasiadas coisas para fazer, não podes comprometer-te com mais.", "Vá Just, também precisas de descansar.", estes são todos os argumentos que me auto-obrigo a proclamar de cada vez que tenho de dizer um "não". É então que penso em como a vida é irónica, há um ano atrás nem trabalho tinha na minha área, um ano depois nem sei bem para onde me irei de virar... E com tudo isto tiro uma enorme lição "nunca digas nunca", pois a possibilidade de engolires essas palavras é enorme.

07
Jan19

Sou a favor!

(Imagem retirada daqui)

       Da mudança e do sorriso fácil. Da tarde no sofá com a manta sobre as pernas. Da chávena de chá a acompanhar um romance qualquer nas noites frias de inverno. Sou a favor da amizade, mas só da verdadeira. Da boa disposição e do "bom dia" logo pela manhã. Sou a favor da alimentação saudável, mas também da francesinha cheia de molho. Sou a favor das noites de convívio, mas sou tão a favor de dormir!!! Das caminhadas à beira mar ou simplesmente do copo sentada na esplanada. Sou a favor das mãos dadas e dos beijos roubados. Da cozinha feita com amor. Dos doces e dos salgados. Da mão marota que leva a outras coisas e até do beijo na testa. Sou a favor da traquinice dos miúdos, mas também da boa educação. Do exercício, mas também da preguiça. Sou a favor dos dias de sol. Do calor do verão e das noites estreladas. Do livro que não queremos que acabe. Do livro que nos arrebata os sentimentos quando termina. Sou a favor do amor e da separação, quando é para o bem próprio. Sou a favor do egoísmo e do altruísmo, tudo na medida certa. Da agenda cheia, mas com o dia vazio para respirar. Das aventuras, mas também da rotina. Sou a favor do vinho e da caipirinha. Da bolacha de chocolate e da de água e sal. Das viagens e do regresso a casa. Sou a favor do equilíbrio. Sou a favor da felicidade.

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