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justsmile

11
Ago16

Vamos desmitificar Tolstoi?

(Imagem retirada daqui)

 

Há vários anos que desejava ler os livros de Tolstoi, mais para matar a curiosidade das várias referências aos livros do autor em filme e reportagens do que outra coisa qualquer. A curiosidade aguçou-se mais um bocadinho quando vi o filme ‘A última estação’, uma espécie de biografia do autor. A gota de água foi definitivamente o filme que saiu em 2012 de Anna Karénina, o qual me fez apaixonar imediatamente pela história. Assim que tive oportunidade numa promoção comprei o livro.

A palavra ‘Tolstoi’ por si só impõe respeito, pensa-se logo em palavreado complicado, cheio de analogias e conversas filosóficas. Pelo menos era o que tal me surgia. O grande escritor Russo, reconhecido a nível mundial como um dos melhores autores de sempre com o livro ‘Guerra e Paz’, sempre me impôs um certo receio. Arrepiava-me só de pensar que um dia que pegasse no livro não o conseguisse ler e me fosse sentir a maior das ignorantes. Adiei a sua leitura, até que cai na tentação.

De modo a atenuar os receios decidi não começar pela sua maior obra, mas sim por um romance, a paixão por Anna Karénina já estava presente por isso era a leitura ideal. Li, devorei e adorei o livro. Tudo o que imaginava de complicação a ler Tolstoi desapareceu assim que me perdi nas páginas daquele romance, negro, doentio e apaixonante. A critica à sociedade, os circunlóquios filosóficos sobre um mundo ideal, estiveram sempre presentes, mas nada disso complicou a minha leitura do livro. Aliás, o maior problema foi mesmo entrar no ritmo de leitura do livro devido a tantos nomes e locais semelhantes, tirando isso o vocabulário não é demasiado complexo e é bem mais simples que o de Saramago.

Depois de perdido o receio em 2015 decidi aventurar-me na leitura de Guerra e Paz I e II. Admito que foi ligeiramente mais complicado entrar no seu ritmo, não sei se pelos nomes, ou se pelo maior número de personagens e situações familiares, mas tirando isso depois de entrar no contexto foi difícil de o largar. As críticas dos finais do século XIX eram adequadas para a época, mas nunca deixaram de ser actuais. Os seus ideais de evolução ainda estão presentes no nosso dia-a-dia, apesar de não serem os utilizados e os idealizados para uma sociedade corrupta. É claro que as críticas mantiveram-se nas suas palavras, mas surgiram também soluções que nunca foram colocadas em prática e que poderiam ter melhorado tanto a nossa qualidade de vida.

Hoje, ao saberem que li Tolstoi perguntam-me se realmente é tão difícil quanto o dizem ser e nego. Nego plenamente a afirmação, não é difícil é simplesmente necessário ter-se gosto, nada mais. Conheço muitas pessoas que não o leram pelos mesmos receios que eu tinha (comprar livros caros e ainda por cima não vir a conseguir lê-los é dose!), mas aqui estou eu a desmitificar Tolstoi e a sua complexidade de leitura. Tolstoi é de ideias complexas, avançadas para a época em que estava e de uma mente tão genial como não me lembro de ler, mas não é difícil de ler. É acessível a quem estiver disponível a entrar no seu mundo de romance, nobreza, guerra e idealismos.

Quem ficou agora curioso em ler Tolstoi?

 

04
Mar16

Guerra e Paz II (5/25)

(Imagem retirada da Internet)

 

Depois de ter lido o volume I de Guerra e Paz fui obrigada a esperar pelo II volume, perdi-me um bocado a ganhar novamente o ritmo da leitura de Tolstoi e voltei a demorar a avançar no livro. Talvez porque as partes sobre a Guerra eram demasiado intensas, descritivas e demasiado palavreado técnico sobre estratégias de que nada percebo. Talvez porque a dramatização da Natacha me tenha irritado, ou a parvoíce de Pierre se meter num campo de batalha que não lhe dizia respeito. Ou até porque o ego de Napoleão era realmente uma coisa demasiado grandiosa. Não sei, mas a verdade é que demorei a agarrar-me no livro, mas depois de agarrar foi sempre a devorar. O mais giro? Enquanto lia acompanhava na RTP1 a série Guerra e Paz da BBC.

Este é um livro muito mais intenso, se o compararmos com Anna Karénina que é do mesmo autor. Há romance, há enredo, mas há também uma maior necessidade de critica ao czar, ao imperador e a todos os 'manda-chuvas' de uma guerra orgulhosa que ninguém consegue compreender. Uma guerra que parece apenas uma discussão entre dois miúdos mimados que se acham no poder de invadir o terreno um do outro, apenas porque houve um disse que disse mal interpretado. Paz e confiança não existem até ao final do livro, em que tudo é desconfiança, em que tudo é ganância e apenas a imagem de se ser importante é que chama a atenção.

Um livro em que vemos grandes famílias começarem vitoriosas, como os Rostov, mas que ao longo do livro se vão degradando e acabam na miséria. Um livro em que, por incrível que pareça, a personagem menos bonita é amada por um grande guerreiro e bonito e que terminam unidos. Um livro em que a personagem que comecei por odiar, depois amar, morre de forma parva, quase como um suicídio em plena batalha. Um livro em que mulheres se deixaram levar por uma desgraça criada por si próprias. Um livro em que as mulheres não deixam de ser a fragilidade dos tempos, mas que no fim se vêem a agarrar a vida e a lutar por ela. Um livro cheio de momentos, criticas e mil e um enredos, bem do jeito de Tolstoi.

Se gostei do livro? Não posso dizer que não, mas gostei mais de Anna Karénina. Compreendo que são livros totalmente diferentes, com visões da sociedade diferente, mas que no fundo se acabam por complementar e criar uma imagem completa de uma sociedade baseada na futilidade e na posição social. As críticas são fortes, fortíssimas e é tão fácil ainda as vermos nos dias de hoje. Por isso gosto tanto de Tolstoi, um visionário nos seus tempos, mas também um futurista dos tempos em que vivemos. No fundo nada mudou na nossa sociedade, muito pelo contrário, continuamos futéis e preocupados pela posição social. A diferença? Há mais gente a lutar contra a maré.

Um livro para quem gosta de sociologia, de livros complexos e que nos fazem pensar. Um livro que que vale a pena ler para se saber falar da sociedade.

 

"Espalhou-se imediatamente por Petersburgo o rumor, não de que Helena pretendia divorciar-se do marido (semelhante rumor teria levantado demasiada gente contra a intenção tão ilegal), mas muito simplesmente de que a infeliz, a interessante Helena perguntava a si mesma, perplexa, com qual dos dois devia casar-se. A questão não residia em saber em que medida isso era possível, mas somente em determinar qual dos dois partidos era mais interessante e como encararia a corte o assunto."

15
Dez15

Guerra e Paz I (23/15)

(Imagem retirada da Internet)

 

Depois de desmitificar a escrita de Lev Tolstoi ao ler Anna Karénina, decidi ler a sua obra prima Guerra e Paz, contudo ainda me falta o volume II. Demorei mais de um mês a ler este livro, não só porque é uma leitura intensa para a qual é necessário prestar a máxima atenção, mas também porque ao início não consegui ficar tão agarrada ao enredo como tinha ficado com Anna Karénina. Apesar disso, mais para meio do livro agarrei-me a ele com unhas e dentes e aí sim, relembrei-me porque gostava tanto de Tolstoi.

Guerra e Paz retrata a época de Guerra entre a Rússia e Napoleão no início do século XIX e as suas maiores criticas andam em volta de uma guerra absolutamente caprichosa e burguesa em que nada quer saber do verdadeiro povo. Tolstoi passa a vida a criticar os grandes senhores que preparam a guerra, que preparam os seus avanços, mas como ele próprio diz 'é muito fácil mandar, quando não se está à frente do batalhão.' Inúmeras são as personagens que glorificam os seus comportamentos durante batalhas, mas que na verdade se esconderam a traz de uma árvore ou se fingiram de mortos quando a coisa apertou, mas para a sociedade de Moscovo eles são os verdadeiros heróis. E é esta hipocrisia, este exagero dos acontecimentos durante uma guerra com base no orgulho, que Tolstoi tanto critica e tão bem representa a sociedade. Não só existe um jogo de palavras que admiro imenso em Tolstoi, como também ele próprio ridiculariza as suas personagens e os seus comportamentos fazendo-os heróis no início e anti-heróis ao longo da história. Mas sendo este um romance, teria de haver histórias de amor, mais que uma aliás. É este enredo de personagens, sem no fundo existir uma principal, que tanto me agrada na escrita deste grande senhor. Os amores fazem parte da história de forma completa, amores por dinheiro, por nome, por título e até amores apaixonantes, mas também os ridículos e os infantilizados que evoluem de uma forma dramática, em que as damas em mais nada pensam que não o 'amor poético'.

É engraçado, como um livro tão complexo e tão denso, se torna não leve e tão actual passados 150 anos. E só por isso digo, vale a pena ler, vale a pena conhecer este grande escritor que mudou o percurso da literatura.

 

"Que parvoíces são todas as coisas que conto, como se isso tivesse algum interesse. - pensava um velho diplomata, olhando para o rosto feliz dos apaixonado. - Aqui sim, é felicidade."

 

P.S.: Momento giro, aquando a minha viagem a Paris fiquei perto da Gare de Austerlitz, batalha que li no livro entre a Rússia e Napoleão no aeroporto no caminho de regresso a Portugal. Este livro de certeza que ficará marcado com a ligação a esta viagem. 

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