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justsmile

19
Mai17

Podemos apagar esta semana do calendário?

(Imagem retirada daqui)

 

Há semanas que são um verdadeiro tormento. Esta semana não me trouxe nada de bom. Houve chatices quase diariamente, fosse no trabalho fosse por causa do terreno que adquirimos (esta história ainda vai ter muitos capítulos, aposto!). O mau humor na empresa propagou-se como um vírus e esse dia da semana foi um verdadeiro pesadelo. Todos os dias foram coisas aborrecidas que apesar de terem surgido no próprio dia já deveriam estar prontas 'ontem'. Foi a esperança que morreu na praia. Foi a dentista que só me quis despachar e não fez o serviço bem feito (eu que já não gostava de dentistas, ontem passei a odiá-los). Foram problemas e problemazinhos, de manhã à noite que apenas deram dores de cabeça e pouca solução tiveram. Esta semana poderia perfeitamente ser apagada do meu calendário e da minha memória. Não sentiria a falta dela e com ela não aprendi rigorosamente nada. Hoje sinto-me cansada, esgotada. Sinto-me irritadiça, desiludida e chateada.

Esta semana poderia desaparecer que seria mais feliz.

26
Abr17

Não comprei um terreno, comprei uma selva

(Imagem retirada daqui e representativa)

 

Compramos o terreno em Fevereiro e desde então que Ele anda desejoso por ver aquilo limpo, precisamos ainda de tirar as medidas e dividi-lo com os nossos vizinhos. Sabem aqueles terrenos planos que só têm erva? Definitivamente não é o nosso. Nós não compramos exactamente um terreno, compramos sim uma espécie de selva cheia de lixo. Compramos um emaranhado de silvas, troncos a apodrecer, árvores e mais árvores de troncos grossos que contam com décadas e décadas, compramos buracos, desníveis, socalcos e ainda lixo. Toneladas e toneladas de lixo. Garrafas de vinho, assadeiras, latas de spray e até de Pronto, latas de tinta, lavatórios, sanitas, esfregões, partes de armários, mármore, chapas, cds e outros tantos afins que nunca imaginaria perdidos no meio das silvas. 'Com jeitinho, de juntássemos este entulho todo já tínhamos o enxoval feito e até podíamos começar a construção da casa.', dizia eu de cada vez que me apareciam coisas estranhas. No último mês, enquanto eu trabalhava ao sábado, Ele  dedicava-se a cortar árvores, limpar lenha e arrumar aquilo que podia do terreno com dois amigos. Podem ter passado pouco tempo lá, mas a verdade é que no primeiro dia já se notou a diferença e a paisagem que passei a ver foi fenomenal. Já não via só árvores e silvas, mas passei também a ver o monte à nossa frente. Apesar de todo o esforço d'Ele e dos amigos a verdade é que continuávamos a ter pouca percepção do que seria o nosso terreno, as silvas eram em demasia e sabíamos que precisávamos de ajuda. De forma a conseguirmos a poupar alguns trocos decidimos que com a ajuda da minha família e dos amigos d'Ele o 25 de Abril seria a data ideal para uma reunião familiar para limpar o terreno. Assim, ontem fomos para o terreno, sem saber bem o que nos esperava, armados com luvas, máquinas de cortar erva, trator, serras, motosserras, ansinhos e umas Minis na geladeira para dar de beber a tanto homem. Eu, a única mulher lá perdida no meio, bebi a águazinha e fiquei feliz.

Não foi um dia fácil, desde as 9h da manhã até às 18h que foi sempre a carregar lenha, cortar silvas, apanhar lixo, fazer montes de lixo e ervas. As minhas pernas, de tão arranhadas que estão, são a prova viva de que não foi uma tarefa fácil. As minha costas são aprovava viva de que trabalhei arduamente, de tão doridas que estão. Todos os que participaram neste aventura pelo meio de um monte que, dizem os vizinhos, nunca tinha sido limpo sentiram na pele o cansaço. A tarefa não ficou terminada, nem lá perto, mas estou tão orgulhosa da família que tenho, daquilo que fizeram por nós, por terem deixado de lado um feriado para conseguirem ajudar. Sei que a feijoada e o lanche são sempre um reforço, mas estou extremamente orgulhosa daquilo que conseguimos.

Ontem, apesar de todo o cansaço, apesar do trabalho que ainda temos para fazer, deixamos de ter uma selva e temos um terreno. Sinto-me orgulhosa de nós!

 

P.S.: Orgulhosa, mas terrivelmente dorida, nossa!

20
Abr17

Às vezes penso que somos loucos

(Imagem retirada daqui)

 

Às vezes paro para pensar e pondero se eu e Ele estaremos realmente loucos. No ano de 2016 eu estive desempregada 5 meses, Ele quase 4 meses. No início de 2017 comprámos o terreno, decidimos casar no ano de 2018 e começar as obras na nossa casa temporária. Antes de nos metermos nestas aventuras fizemos contas à vida, sinceramente ainda as continuamos a fazer, mas pareceu ser tudo concretizável. No entanto, à medida que o tempo tem passado tenho ganho um certo receio a tanta despesa junta. O preço das cozinhas são aterradoras, na quinta vamos investir uma pequena fortuna e na lua-de-mel nem vale a pena pensar porque não sabemos se teremos dinheiro para tal coisa. Se por um lado ando ligeiramente aterrorizada com estas contas todas (Ele anda verdadeiramente aterrorizado, mas diga-se de passagem que sou o ser mais racional nesta relação), por outro lado sinto-me tão orgulhosa como nunca me senti. Tudo, mas tudo o que temos conseguido tem sido às nossas custas e com o nosso sacrifício. Infelizmente, não podemos contar com a ajuda de ninguém para este tipo de despesas, mas talvez isso ainda me faça sentir mais orgulhosa. Se ponderar bem, no pouco que trabalhei em 2016 consegui chegar a Janeiro com 5/6 daquilo que ganhei, conseguimos pagar todas as despesas do terreno e das escrituras, conseguimos ir a Amesterdão, conseguimos pagar a entrada na quinta e ainda temos dinheiro na conta para todas as despesas das obras. Ele entra em pânico ao ouvir todo este tipo de argumentação, pensa, re-pensa e volta a pensar e a fazer contas, e diz que tudo é possível, mas quase sem confiança na voz. Eu, que sou tãooo ponderada a nível financeiro acredito que conseguimos, temos tido provas de que conseguimos. Claro que não fazemos tudo o que queremos, jantamos fora menos vezes, os bens-materiais são ponderados ao comprar e os passeios têm sido mais reduzidos, mas tudo porque temos objectivos demasiado grandes para atingir em pouco tempo. Temos conseguido manter a nossa palavra, temos conseguido ter os cuidados necessários e cada vez que Ele diz 'Não sei se vamos ter dinheiro para tudo', eu apenas respondo que as contas foram feitas, estamos nos parâmetros esperados nesta altura do campeonato e a verdade é que se eu não tivesse a certeza de que iríamos conseguir, nunca me teria metido nestas aventuras. Ele mantém-se mais receoso que eu, eu cada vez que tenho de pagar grande despesas tremo um bocadinho, mas depois assento os pés e apenas sorrio porque me sinto orgulhosa de nós e do que estamos a conquistar juntos.

Será que estou mesmo louca ao termo-nos metido nisto tudo ao mesmo tempo?

 

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