Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

justsmile

21
Mai18

E se não quiser ser Empreendedora?

(Imagem retirada daqui)

 

       Empreendedorismo é uma palavra cada vez mais utilizada no mundo profissional moderno. Com os incentivos do estado e dos bancos ouvimos que é necessário criarmos o nosso emprego, que é necessário arriscar para um futuro profissional brilhante. Hoje, se não tens uma mente empreendedora é porque vives no século passado, se não queres ser o teu próprio patrão é porque não percebes as maravilhas das coisas e se não queres arriscar é porque simplesmente és um medricas, ou afinal, não queres tanto assim trabalhar. Quando me deparei com o primeiro desemprego fiz notá-lo aos meus antigos professores, a pessoas da minha área de trabalho, de forma a espalhar a palavra de que procurava trabalho como terapeuta da fala, o que não esperava é que todas as respostas viessem aliadas às palavras inovador, empreendedorismo, negócio. Sem conhecerem o histórico profissional da minha família todos me diziam para arriscar a abrir um gabinete meu, um negócio próprio e que isso seria o meu futuro. Sem excepção, todos os que me ensinaram a profissão, e até quem não me ensinou, proclamavam a alta voz que a minha geração precisa é de ser inovadora, de empreendedores para criarmos o nosso próprio emprego neste mundo profissional tão instável. De forma a não me tornar num ser desagradável dizia sempre que iria pensar, mas no fundo toda aquela conversa irritava-me profundamente, como ainda hoje o faz.

      Adoro a capacidade da minha geração de criar pequenas empresas, adoro as ideias inovadoras que surgem em restaurantes e lojas e até fico pasmada como está de uma forma emergente o aparecimento de produtos completamente inovadores e que são realmente boas ideias. Admiro imenso todos esses empreendedores, essas pessoas que tiveram ideias brilhantes e que decidiram arriscar, fosse com incentivos do estado, com o próprio dinheiro ou até com o que não lhes pertencia. A sério que admiro imenso todo este dinamismo, admiro quem tem a coragem de abrir um restaurante ao lado de outros dez ou até uma nova pastelaria ao lado de outras vinte. Acho que a minha geração é a que mais teve de arriscar, dinamizar e até criar, mas a verdade é que não somos todos iguais e eu não quero ser empreendedora (ui que cai o Carmo e a Trindade, como não queres ser empreendedora? Que ridículo!).

        Como já referi anteriormente, os meus pais durante muitos anos tiveram um negócio próprio que, devido à situação económica do país fechou. Toda a minha infância e adolescência, lembro-me do negócio dos meus pais, da preocupação, do constante contar de dinheiro, dos telefonemas infinitos dos clientes a qualquer hora do dia (inclusive 7h00 da manhã e 23h00 da noite). Durante anos vi o stress de manter um negócio para manter uma família, um negócio em que os clientes não cumpriam com a sua parte, um negócio que não dava descanso e apenas preocupações. Esta foi a minha infância, é verdade que a sorte pode não ter estado do lado dos meus pais, mas esta foi a realidade que tive durante toda a minha vida sobre o que era ter um negócio próprio, o ser-se empreendedor. E nem sempre precisamos de aprender com os nossos erros, por vezes aprendemos com os dos outros. Nem sempre precisamos de experimentar para compreender que não é aquela a vida que queremos e é por isso que não quero ser uma empreendedora. Não só não quero, como tenho medo, receio o que não traria vantagem nenhuma para qualquer tipo de ideia que eu tivesse para um negócio próprio, nem para criar um gabinete privado de terapia da fala. Eu sinto que não nasci para ser empreendedora e isso nos dias de hoje é (quase) visto como um factor de falta de inteligência, afinal quem não quer ser o seu próprio patrão? Afinal quem não quer criar os próprios horários? Afinal quem não quer definir o próprio ordenado e ficar com os lucros? Eu. Eu não quero nada disso.

       Trabalhar a recibos verdes, a inconstância de trabalho dos mesmos, fez com que lhes ganhasse pavor e o mesmo acontece com um negócio próprio. Não consigo ser feliz, descansada, eu própria ao viver na inconstância de um salário, não consigo viver sabendo que no próximo mês posso ter uma afluência menor no negócio e não consigo viver com as contas da vida pessoal e da vida profissional. Eu não consigo viver nessa inconstância. Esse tipo de vida deixaria-me em sobressalto diariamente, não conseguiria lidar com esse tipo de stress e por isso admiro imenso quem o faz. Congratulo quem tem a coragem para o fazer, congratulo essas mentes geniais que andam por aí, apenas peço que não me digam para ser uma delas. O medo de reviver o passado no presente é demasiado grande e sei que não seria feliz com isso. Não digam que todos temos de ser empreendedores, não o devemos e nem podemos, eu prefiro ser a funcionária de alguém assim e enquanto isso não acontece continuo a enviar currículos, continuo a lutar por um bom emprego, mas não me peçam para ser empreendedora.

 

23
Mar18

Pais, não façam isso aos vossos filhos!

(Imagem retirada daqui)

 

       Começo este post com o texto da praxe que muitas vezes sensibiliza pais e que demais: Não sou mãe, não tenho filhos, mas tenho uma opinião muito formada sobre o assunto porque trabalho com crianças, vejo as suas reacções e conheço-lhes os comportamentos. Tenho sobrinhos que adoro, tenho primos que estimo e adoro trabalhar com crianças na minha área de formação. Isto tudo porquê? Porque gostaria de fazer um apelo a todos os pais que por aqui passam, um momento de leitura e de sensibilização para alguns comportamentos que os pais têm perante os filhos que, inconscientemente, prejudicam uma criança.

       A chegada da Páscoa é também sempre altura de receber as notas de mais um período lectivo, não sou professora, até podia nem ser terapeuta, mas apercebo-me disso por uma simples razão, o Facebook enche-se de pais orgulhosos dos seus filhos e que partilham fotografias das notas das crianças. É claro que não vemos nenhum Satisfaz, nenhum Suficiente, mas sim Excelentes e Muitos Bons espalhados por toda a Rede Social. Eu sei que é um motivo de orgulho, até eu gosto de saber que há bons alunos por aí, sei que deve preencher o coração de um pai saber que o esforço do filhos está a ser recompensado, mas já tentaram pensar nas consequências desse comportamento de partilha? Cada vez mais me apercebo que os pais querem filhos com excelentes notas, com muito bons a tudo e mais alguma coisa, coisa que eles próprios nem um dia foram. A escola e os próprios pais estão cada vez mais exigentes, basta ver que inúmeras são as crianças que procuram um explicador ainda no ensino primário. Ao partilharem as notas dos vossos filhos nas redes sociais não só estão a mostrar o vosso orgulho, que nada de mal tem, mas estão a criar nas vossas crianças uma pressão totalmente desnecessária. É a pressão da perfeição que tanto estraga a auto-estima, a auto-confiança e a cada possível falha a uma descredibilização de si próprio. Eu sei que o fazem inconscientemente, que nunca sequer tinham pensado nas consequências de um acto tão banal como esse, mas a verdade é que tem repercussões negativas nos vossos filhos. É óptimo dar-lhes os reforços positivos, mas a família toda, o vizinho e até o gato não precisam de o saber. As nossas crianças já passam demasiado tempo na escola, já têm pouco tempo para brincar e até para estarem com os pais, não precisam de mais uma pressão em cima delas. Eu sei, eu sei, alguns estão aí a dizer que sou uma exagerada, que as crianças até ficam contentes de verem as notas no Facebook e que pode servir como o falado estímulo positivo, mas e depois? E quando a coisa descamba? É que não me parece que queiram colocar um Suficiente como capa de perfil ou até um Suficiente Mais. E depois as crianças vão  sempre tentar atingir aquele número perfeito que a mãe ou o pai publicaram no primeiro ano da primária e que nunca mais atingiram. As crianças vão tentar sempre agradarem, lutarem por aquele lugar, se para uns serve como motivação, para outros o descer de nível, de valorização só trará frustração e falta de confiança.

        Eu sei que não sou mãe, mas já vi estes casos com os meus próprios olhos e acreditem que tenho pena das crianças, pela pressão que têm aos seus ombros em serem os filhos perfeitos, em terem as notas perfeitas, apenas para serem iguais aos meninos cujos pais publicaram as notas no Facebook. É uma pressão colocada sobre as crianças totalmente desnecessária, que apenas surge na cabeça dos adultos como algo simples e sem valor, mas que fazem questão de partilhar com o mundo. Eu, tia, terapeuta e prima digo: Não façam isso aos vossos filhos, nada de bom vos trará.

22
Fev18

Não tenho muita sorte profissional...

(Imagem retirada daqui)

 

       Dei por mim no outro dia a pensar sobre o meu percurso profissional. Terminei a minha licenciatura há quase cinco anos e apercebi-me que tenho uma vasta experiência em situações absurdas, em entrevistas ridículas e em azar profissional. Estou perita nestas três competências e com a capacidade para escrever um bom livro sobre as temáticas. Ora vejamos, no meu primeiro emprego, como terapeuta da fala fiquei extremamente iludida por ter conseguido encontrar uma vaga de trabalho ao fim de cinco currículos. Ingénua na altura, não compreendi o quão desastroso isso poderia um dia ser. Trabalhei cinco meses num gabinete que me manteve ilegal durante o tempo todo, com uma promessa impossível de estágio profissional. Trabalhava a 1h10 de casa, gastava imenso em gasóleo e por estradas bastante escuras. Choramingava pelo meu ordenado, pois o patrão adorava demorar-se a pagar-me fosse o que fosse e ainda tive direito a uma inspecção do trabalho enquanto lá trabalhava. Este foi o momento ideal para sair e acreditei que iria conseguir um emprego com tanta facilidade como tinha encontrado o primeiro. Mas nem tudo foi mau, consegui fazer amizades com quem ainda hoje mantenho o contacto e com um horário de 40h consegui ganhar imensa experiência e preparar inúmeros materiais que ainda hoje me dão imenso jeito.

       No meu segundo emprego fui fazer a substituição de uma grávida, pela primeira vez trabalhei a recibos verdes e compreendi o absurdo da situação. Perdia quase duas horas no trânsito por dia, mas admito que não me custava nadinha, ganhava misérias (se tirei algum mês mais de 700€ já foi uma fortuna rara! E nem estou a falar das despesas associadas...), perdia hora de trabalho quando algum doente decidia faltar e ainda tinha uma coordenadora fantástica (ou não). Esta coordenadora tinha a excelente competência de começar a berrar com as pessoas às 8h30 da manhã quando a sala de espera estava cheia e com os bombeiros a trazerem os respectivos doentes. No entanto, adorava realmente o que fazia, trabalhar com idosos e crianças ao mesmo tempo foi dos trabalhos mais gratificantes que tive até hoje. De resto era tudo muito estranho, durante quase um ano não aprofundei o meu conhecimento com ninguém na clínica, almoçando sozinha e tendo os meus livros como companhia. No início custou-me bastante não fazer amizades, depois compreendi que foi uma espécie de bênção. Quando vim embora, gostariam que eu ficasse a ganhar experiência sem salário o que realmente me deu uma vontade imensa de rir, como se dois anos de experiência não fossem o suficientes.

       O terceiro emprego, apesar de não ter sido como terapeuta da fala, foi o melhorzinho. Trabalhei numa famosa empresa de distribuição, em horário part-time que pouco contacto me obrigava a manter com o pessoal. Entrava a correr e saia a correr. Excessivamente cansativo fisicamente, mas libertador de certa forma. O ordenado não era uma fortuna, nem lá perto, mas ajudou-me a manter a sanidade mental após uma altura demasiado extensa de desemprego.

       O quarto emprego, e actual, desta vez como administrativa, também não tem sido o fundo do arco-irís (imagino que percebam porque não irei dar mais pormenores). Eu sei que nenhum emprego o é, tenho bem experiência disso, mas acreditem que aqui existem coisas que nunca vi na minha vida e isso deixa-me frustrada. Quem me conhece, mas pouco sabe sobre o local onde trabalho, acham que me saiu uma espécie de euromilhões. Aos olhos dos outros é uma sorte grande estar a ganhar o que ganho, não literalmente, mas quase, à porta de casa, com a possibilidade de ir almoçar todos os dias a casa e ainda com a vantagem de gastar pouco em combustível e em tempo. No entanto, ninguém percebe a minha frustração e nunca hão de entender por uma simples, não são eles que estão no meu lugar. A nossa vida aos olhos dos outros é sempre muito melhor, temos sempre mais sorte que os próprios, a questão é que não sabem os sacrifícios que fazemos (também sei que isto tem o outro lado da moeda). Eu não gosto de me queixar sobre o meu trabalho, nunca o fiz, mesmo com todos os contratempos que tive em todos os meus empregos anteriores. Sou a pessoa de dizer que 'sim, está tudo bem, tem as suas vantagens e desvantagens', mas não aprofundo para simplesmente não pensar no assunto e para não ser uma queixinhas. São poucas as pessoas que realmente sabem o que se passa na minha vida profissional, Ele e os meus pais, tirando isso mais ninguém precisa de o saber, mas irrita-me que me achem dotada de uma sorte que não existe. Por vezes penso que até hoje, a nível profissional, o erro foi sempre meu ou se sou demasiado exigente, outras penso que é simplesmente a minha 'má sorte'.

       Agradeço aos céus o facto de ter um emprego. Estou grata por ter fugido do desemprego que tanto me atormentou a alma, mas a verdade seja dita: Estou mesmo a precisar de mudar a minha sorte a nível profissional.

Sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Segue-me ainda em...


Justsmile91's book recommendations, liked quotes, book clubs, book trivia, book lists (read shelf)
Revista Inominável

Nas páginas de...

2018 Reading Challenge

2018 Reading Challenge
Justsmile91 has read 0 books toward her goal of 12 books.
hide

Parcerias

Emprego em Portugal