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justsmile

11
Set17

Como nos afastarmos do que faz mal?

(Imagem retirada daqui)

 

       Há alguns anos era uma mulher diferente. Consequência da imaturidade, consequência de tentar agradar a todos, consequência de tentar ser sempre agradável, consequência da pouco auto-estima e até da falta de prioridades na minha vida. Um dia, cansada de ser calcada pelos outros que queriam subir às minhas custas, cansada de sentir a culpa em mim e cansada de me dar com pessoas que só me traziam negativismo, desisti. Um dia, quase do nada, acordei e disse que estava cansada, era hora de mudar. Como uma espécie de epifania voltei a ser a Just da adolescência que tinha desaparecido temporariamente. Voltei a falar, voltei a defender-me, mas acima de tudo, voltei a acreditar em mim. Talvez os anos de injustiças, os anos de pressões tenham tido um efeito culminante e tenha desistido de tudo o que me fazia mal. Não foi um corte repentino, não foi do dia para a noite, mas simplesmente um dia decidi olhar um bocadinho mais por mim. Voltei a discutir o que fosse preciso, voltei a dizer mais nãos e deixei-me rodear apenas por pessoas de bem. Deixei os sorrisos falsos de lado, deixei as palavras hipócritas e até deixei o contacto com aqueles que não mereciam as minhas palavras. A minha vida pessoal foi mudando para melhor, de forma gradual, e a minha auto-estima foi crescendo. Hoje, apenas tento ter na minha vida pessoal as pessoas que me fazem bem, as pessoas que gostam de mim tal como sou e as pessoas com quem me consigo relacionar. Deixei-me simplesmente de fazer de conta, já basta ao que somos obrigados profissionalmente, fazê-lo na vida pessoal foi apenas uma questão de opção. Hoje sou mais feliz, mais leve, menos hipócrita e se com uns fiz um corte radical, com outros foi simplesmente acontecendo. E como o fiz? Se ontem não tinha consciência de como as coisas tinham acontecido, hoje sei que fiz tudo de forma consciente mesmo sem o saber.

      1. Deixar de relacionar com pessoas negativas, tinha alguns colegas que a única coisa que sabiam fazer da vida era queixar-se. Queixar-se do tempo. Queixar-se da falta de dinheiro. Queixar-se do trabalho e da falta dele. Simplesmente tinham o dom de se lamuriar de tudo e mais alguma coisa, sem nunca fazerem nada, sem lutarem para melhorar. Sempre que estava com eles sentia-me cansada, saía de lá com um peso, esgotada e ficava a pensar que a minha vida era demasiado complicada. Um dia comecei a dizer não, dando pequenas desculpas, comecei a evitar estar com eles. Assim começou a fase de afastamento de que ainda hoje não me arrependo.

      2. Aprender a dizer não, este era um dos meus maiores problemas, dizia que sim a tudo. Era a jantares, era a cafés e a convívios, com pessoas que pouco me diziam. Surgia com um sorriso falso, tinha de utilizar demasiado a minha paciência e fingia que estava tudo bem. Um dia comecei a usar o não. Não posso. Não dá. Já tenho compromissos. Nem sempre foi fácil, recentemente tive uma situação bastante dura em que usei um não tendo consciência que poderia terminar com uma amizade, mas tive de o dizer. Não me sentia sequer bem em dizer que sim, apenas por educação. De uma forma um pouco egoísta, que também é necessário, comecei a usar o não nas situações que me deixavam desconfortável.

      3. A família são os mais presentes, aprendi que a família será sempre aquela com quem gosto mais de partilhar o meu tempo. Todos já tivemos desilusões no que diz respeito a amizades, eu considero que já tive a minha cota parte de desilusões e comecei a valorizar quem está na minha vida. Tenho bons amigos, mas ainda tenho uma família melhor. Uma mãe e uma irmã que são as minhas melhores amigas e que com o passar do tempo tenho-me apercebido que são as pessoas com quem mais gosto de estar, sair e pedir opinião seja sobre o que for. A família é aquele meio em que não precisamos de sorrisos falsos, que não precisamos de fingir quem somos, independentemente do que acontecer sei que estarão sempre comigo.

      4. Não valorizar o que os outros dizem. Desde pequena que a minha mãe e o meu pai transmitiram aos três filhos um ensinamento que ainda hoje praticam, pouco importa o que os outros dizem. Somos de uma aldeia pequena e sempre existem aqueles zum-zuns, os meus pais nunca lhes ligaram e sempre me ensinaram a fazer o mesmo. Pouco importa o que dizem ou deixam de dizer, seja bom ou mal, o importante é seguirmos os nossos ideais, sermos respeitadores e fazer as coisas como achamos melhor. O que dizem ou deixam de dizer em nada pode influenciar a nossa conduta, nunca devemos fazer algo a pensar no que os outros poderão dizer. Sempre segui esse ensinamento e ainda hoje o ponho em prática e é tão importante como termos uma boa auto-estima.

      5. Porque nos fazem mal? Esta é uma questão importante para compreendermos porque nos afastamos de determinadas situações, sejam por serem desconfortáveis, seja porque não estão de acordo com os nossos ideais ou simplesmente porque não gostamos. A razão do porquê melhorará a nossa consciência e a nossa inconsciência ficará tranquila. Há noite quando nos formos a deitar, se soubermos a explicação de porque nos precisamos de afastar e essas razões forem aceitáveis, iremos dormir tranquilamente sem qualquer tipo de problema.

      6. Um bocadinho de egoísmo faz bem, não podemos estar a fazer sempre as coisas em prol dos outros. É verdade que há situações e situações, mas não podemos estar sempre a seguir o que os outros querem ou desejam, é necessário pensar um bocadinho em nós. É necessário também pensarmos no nosso bem estar e naquilo que nos faz bem, não seguir sempre aquilo que é melhor para os outros. Nem sempre é fácil, mas também advém de aprendermos a dizer o não.

      7. Chega de conformismo. Por vezes aceitamos as situações apenas por conformismo, porque temos medo de ficar sozinhos, por medo de perdermos uma amizade ou até por termos receio de não nos adaptarmos a mais ninguém. A verdade é que se algo não nos faz bem não faz sentido mantê-lo na nossa vida. A melhor opção? Ganhar coragem e deixar os receios de lado. Medir realmente o quão importante pode ser essa relação.

      Sei que parecem ser coisas básicas, mas nem sempre é fácil cumprir com estes critérios. A mim têm-me ajudado a seleccionar as situações e as pessoas que são importantes na minha vida. Nos últimos anos tenho-me afastado daquilo que não me traz nada de positivo. Deixei-me de situações em que posso optar por me afastar, situações constrangedoras, desconfortáveis e em que nada aumentam o meu bem estar. Sei que o grupo de amigos se tem vindo a reduzir de forma gradual, sei que cada vez menos são aqueles que confio, mas acredito que aprender a seleccionar quem nos faz bem faz parte do crescer e da maturidade. A idade (assim até pareço uma velha a falar) deixa-nos aqueles que realmente gostam de nós por aquilo que somos e não por aquilo que fingimos ser.

      Há que ganhar amor próprio, coragem e deixar partir o que em nada nos faz bem. Há que praticar o desapego.

 

      

 

22
Jan16

E pronto, chegou o seu fim!

page.jpg

Lembram-se deste post? Pois bem, ontem, ao fim de 8 dias a dar-me dores de cabeça perdi a paciência com o meu telemóvel (quem me acompanha no facebook facilmente se apercebeu disso).

Depois de não conseguir receber mensagens, porque o telemóvel encravou no dia 25 de novembro às 5h40 da manhã desisti dele e só não o espetei no chão porque a relação que tive com ele durante dois anos foi muito boa. Contudo, estes seus últimos comportamentos de me desligar chamadas a meio, de me obrigar sempre a dizer 'olha, desculpa, sei que me enviaste uma sms, mas não a consigo ler que o telemóvel está tolinho.', fizeram com que desistisse de uma boa relação até ali. Deixei a nossa relação ir ao fundo e abandonei-a completamente. Há limites para a minha paciência e ver sms a entrar e não as conseguir ler é realmente frustrante!

Esperei então que Ele me trouxesse um telemóvel substituto e logo ali à sua frente troquei-o. Já chegava desta relação abusiva! Troquei-o, mas por um telemóvel que ainda me tira a paciência, mas desta vez a escrever sms. Nossa senhora! É horrível escrever sms no Wiko e demoro imenso tempo por de ter de estar sempre a corrigir as palavras que assume automaticamente. A minha ignorância é tal em telemóveis que ainda não descobri como se desliga tamanha opção.

Auxílio, alguém me sugere um telemóvel baratinho e de fácil funcionamento?

 

Pedaços da minha relação abusiva, nos últimos tempos, com o meu nokia:

'Rezem pelo meu telemóvel que parece estar possuído! Desliga-se e liga-se por meios encantados e ainda me diz que são 18h20 do dia 21 de novembro!' dia 14.01 às 18h42.

 

'Com certeza que o mês de Novembro foi importantíssimo para o meu telemóvel, ele teima em se reiniciar nesse mês (hoje dia 25) e ainda diz que são 05:47! Parece que o meu tijolo não me conhece, como se algum dia eu estivesse acordada a essa hora!' dia 19.01 às 19h22.

 

'Ok! É oficial! O meu tijolo vai ser atirado à parede, já que gostou muito do casamento da Magda Pais e se decidiu ficar por aquela data, não consigo receber mensagens! Arre para o tijolo!' 21.01 às 19h35.

08
Out14

People Do Change

 (Imagem retirada da Internet)

 

Nos últimos tempos tenho pensado no quanto as pessoas mudam, variadíssimas situações me levam a pensar na distância que se cria entre pessoas que durante anos foram tão próximas. Surge o desconforto presencialmente, a ignoração virtualmente e as memórias vão começando a desaparecer gradualmente. A dúvida fica sempre, para quem repara nessa transformação, no 'porquê?'. Se numas situações consigo identificar as suas razões, noutras são-me totalmente desconhecidas, e é nessas que mais me custa aceitar essas alterações de relação. Dou voltas e voltas à cabeça e não consigo encontrar uma resposta fundamentada. 

Sou pessoa de reflectir mil vezes sobre essas situações e tentar sempre ver o ponto de vista do outro, mas tem-me sido tão difícil encontrar justificações que acabo por as atribuir à vida. O distanciamento dói e como odeio ser sempre eu a pessoa dar o primeiro passo para o quebrar, seja pessoal ou virtualmente, acabo por me contentar com estas situações. Noutras vezes sedo, mando o orgulho dar uma volta (ainda que isso me custe) e penso 'Já não falo com ele/a há um tempo, deixa ver se está online'. A conversa pouco se desenrola e de pessoal pouco tem. Depois pessoalmente (que já são raras as vezes) ainda é pior que virtualmente e acabo por entrar no jogo de ignoração que fazem comigo, fica-se pelo 'Tudo bem' e mais nenhuma sabe bem o que fazer. As relações humanas são tão complexas que por vezes sinto que o caminho mais fácil é mesmo não contrariar a corrente e comportar-me como os outros como se comportam comigo.

Sei que faz parte da vida a transformação, sei que faz parte as relações pessoais modificarem-se, sei que é necessária a mudança para se continuar a crescer, mas o porquê de algumas pessoas se afastarem sem aviso prévio? Porquê o desconforto que se cria entre duas pessoas sem existir um motivo aparente? Não sei dar uma resposta, sei que o que compensa são as pessoas que mudam, mas ajudam as suas relações pessoais a crescer também com quem sempre lá esteve.

Um enorme obrigada a esses amigos, que são tão poucos, mas que existem! 

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