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justsmile

11
Fev19

The True Cost

(Imagem retirada daqui)

         Já há muito que sabia da exploração que o mercado do vestuário cria por todo o mundo e até da escravidão. Sabia até que as nossas roupas são cada vez mais poluentes e cada vez menos 'saudáveis', mas uma coisa é termos uma noção superficial sobre esses factos e outra completamente diferente é vê-los no mundo. Durante a minha gripe, graças à companhia milagrosa da Netflix que cada vez mais vale o dinheiro que pago, consegui ver este documentário que me abriu ainda mais os olhos para o mundo.

        The True Cost é um documentário que nos faz ver a realidade do mercado de produção de vestuário de grandes marcas mundiais, desde Zara a Primark e até marcas mais dispendiosas. É um documentário sobre como essas roupas são confeccionadas e por quem e com que custos. A maioria das roupas que vemos nessas lojas são produzidas no Bangladesh, mas são confeccionadas em condições desumanas, com ordenados irrisórios e por pessoas que não encontram outras alternativas para sobreviverem. E nós? Nós compramos essa roupa a 5€ e achamos um fenómeno, não vemos e nem pensamos é nos rostos das pessoas que nos coseram essa roupa. E esses? Esses são rostos infelizes, esgotados da vida e a quem não dão as mínimas condições de trabalho.

       Desde que me dediquei ao minimalismo e ao zero desperdício (que ainda estou longe de alcançar os objectivos deste último) que a minha forma de ver a roupa mudou drasticamente. O meu armário é limitado, não é um tradicional armário cápsula e nem tem só tons neutros, mas tem funcionado para mim e para as minhas necessidades. Neste meu armário só entra roupa nova quando é para substituir alguma peça de roupa ou algo que ainda não esteja bem abastecido às minhas necessidades, tirando isso não entra roupa nova neste armário. Algo que mudou nos últimos dois anos na minha forma de comprar roupa? A qualidade, evito comprar roupa descartável que me durará menos de um ano, como tenho comprado menos roupa tenho estado disposta a pagar mais por essa roupa, o que eleva a qualidade e diminui o meu desperdício, pois umas calças em vez de durarem um ano, duram-me três ou quatro. E nisto tenho sido transversal, as blusas, as camisas, as calças e até os soutiens têm sido comprados com uma maior consciencialização de qualidade-durabilidade. Claro que o lado financeiro pesa e só perdi a cabeça com a carteira da Bimba Y Lola, mas como a quantidade que compro é maior, ao fazer contas, os gastos em roupa têm compensado pela durabilidade que têm tido. Também comecei há uns tempos a ver a composição da roupa, mas nesse aspecto ainda não consegui melhorar, muitas vezes o preço não me traz as sensação de durabilidade e acabo por não comprar nada mais ecológico. O que ainda não me tinha preocupado? O local de confecção das roupas. No entanto, depois de ver as reais condições dos trabalhadores têxteis de onde vem a maioria da nossa roupa há algo mais que me irá preocupar, o local de confecção. Não posso compactuar com um mundo tão cruel onde as grandes marcas de roupa têm cada vez mais margem de lucro e que não o usam para com os seus trabalhadores. Eu torno-me também numa criminosa ao comprar roupas feitas por crianças e com condições desumanas. Todos nós, acabamos por ser culpados por toda esta desgraça que a fast-fashion tem criado nos últimos anos e isso não tira a culpabilidade de cima dos nossos ombros.

       A partir daquele documentário, não prometo não comprar, mas prometo estar mais consciente para esta realidade que é o mundo da confecção das nossas roupas e evitar ao máximo comprar roupas confeccionadas em países que não protegem o ser humano. Preciso de estar atenta ao preço da roupa, mas também ao às vidas que na produção dela estiveram implicadas. E vocês tinham noção desta realidade tão cruel?

30
Jul18

Regressar à vida real

(Imagem retirada daqui)

 

       Voltar à vida real depois de quase três semanas ausente é quase doloroso. Aliás, não é quase, é realmente doloroso. É fisicamente doloroso fazer o corpo entrar ao trabalho às 9h00 da manhã. É o corpo que já não está habituado a levantar-se cedo, é a consciência que está receosa que o alarme não toque e é o psicológico que começa a lançar o alerta de que o melhor mesmo era continuar de férias. E quando esse regresso vem com uma mudança de vida nas duas últimas semanas, tudo se torna ainda mais doloroso. Mas estou viva! Cheia de novidades para vos contar sobre o casamento e sobre a lua-de-mel, sobre a casinha nova e as mudanças todas de vida. Venho cheia de vontade de vos contar mil e umas coisas, mas só de olhar para a agenda do trabalho já sinto o tempo escassear e o cansaço a infiltrar-se mais rapidamente do que seria esperado. 

        Contudo, venho com um sorriso de orelha a orelha, o casamento foi absolutamente lindo e tudo correu muito melhor do que esperado. A lua-de-mel foi uma surpresa e fiquei mais encantada pelo México do que alguma vez esperaria. E regressar? Regressar para a nossa casa foi bom, com a casa de pernas para o ar e tudo para arrumar, mas foi bom. Melhor ainda foi regressar a este cantinho, onde me esperava um miminho da Passarada. Um miminho que já tinha lido, mas que me aqueceu o coração e que juro, me sensibilizou a alma. A Passarada, um grupo improvável de pessoas que se cruzou no meio da blogosfera e que poucos se conhecem pessoalmente, mas que se apoiam mutuamente para a parvoíce e para a tristeza, para a alegria e para a galhofa. Eles encheram-me o coração no dia após o casamento (vá, eu sei que isto foi no dia do casamento) com os gestos e as palavras que partilharam comigo, aqui agradeço tudo. A prendinha, as palavras e o carinho que partilharam comigo ao longo de toda esta aventura que foi preparar um casamento e uma casa, agradeço as vezes que me 'ouviram' resmungar e que me ajudaram a rir nas alturas de maior stress. Graças a eles sou uma pessoa mais feliz e com mais amigos e hoje, neste regresso que graças a eles ainda me aquece mais o coração, deixo-vos aqui as palavras que eles partilharam nos seus cantinhos no dia 13 de julho às 14h00, precisamente à hora em que entrava na igreja para me casar: MagdaDrama QueenAlexandraCaracolFatiaMula e Silent Man. Um grupo improvável que entrou na minha vida sem querer, mas que já não sei ver-me sem eles. Um enorme obrigada a todos, do coração

        Agora? Agora vou voltar para o meio da papelada que estava sobre a minha secretária, vou tentar organizar os posts que tenho tanta coisa para vos contar e ainda tentar criar uma nova rotina nesta nova vida de casada.

           Voltar à realidade é realmente doloroso, mas assim, rodeada de tanta gente que me quer bem, sabe tão bem!

06
Jun18

A fantasia e a realidade

 

       Sempre vi os filmes e as séries como uma espécie de mundo da fantasia. Raras são as excepções em que se baseiam em factos reais, ainda assim temos sempre de contar com um bocadinho de ficção senão certamente não passaria para os grandes ecrãs. Sempre vi os programas televisivos como momentos de lazer, mesmo sendo documentários é necessários questionar-nos até que ponto tudo o que é visto faz 100% parte da realidade. Até nos programas puramente informativos, como telejornais, é necessário questionar-nos sobre a veracidade daquilo que vemos. Aquela caixinha mágica que se tornou no centro das atenções nas salas de tantas famílias sempre me pareceu misturar a fantasia com a realidade, mas também é isso que a torna tão aliciante, tão distractiva, tão boa para aprendermos sobre ambos os lados.

       Quando comecei a ver a série 13 Reans Why vi do ponto de vista crítico, gostei da série, gostei da história, mas simplesmente achei as personagens parvas e com a incapacidade de fugirem a um destino ainda mais parvo. Quem não reconheceu alguma história dos tempos de escola naquela série? Quem não se identificou com um momento da série? É normal que tal aconteça, por muita ficção que seja, há factos que surgem que aconteceram na vida de todos os adolescentes. No entanto, a história tem de ser mais dramática, mais forte para conseguir captar a atenção de tantos espectadores. Vi a série, gostei, percebi que demonstra alguns aspectos da realidade, mas também percebi que aquilo não passa de fantasia, de uma história que apenas tinha alguns paralelos com a realidade. O que não compreendo é como um programa televisivo influência tanto as pessoas que a vêm, não compreendo como um programa (seja ele qual for) é visto como uma ameaça à sociedade.

        Desde pequena que me lembro do meu pai adorar filmes de acção. O meu pai continua a adorar cenas de pancadaria, cenas de guerra e de heróis que salvam toda a gente e desde sempre que vi esses filmes acompanhada por ele. Sempre vi séries de assassinos em série, de seres sobrenaturais e guerras apocalípticas, assim como séries sobre príncipes encantados ou filmes com as melhores histórias de amor. Ainda assim, agora com 27 anos, nunca me tornei numa assassina, continuo a não acreditar em vampiros e não acredito que o mundo terminará amanhã, até nem acredito que o príncipe ricalhaço se vá tropeçar aos meus pés, nem que a vida é toda ela perfeita e cor-de-rosa. Porquê? Porque sempre aprendi a distinguir a realidade da fantasia. O problema não está nos programas, está na sociedade.

       O lançamento da nova temporada de 13 Reasons Why teve de ser adiada por considerarem que incentiva ao suicídio, que promove comportamentos de risco e outros tantos afins, seja para os adolescentes como para pessoas adultas. E é isto que não consigo compreender, como é que algo que vemos na televisão se torna num risco para a sociedade. Eu tenho noção que temos neste momento uma sociedade doente, mas nunca me lembrei que o grave problema estava em saber separar a realidade da fantasia. Temos adultos que não sabem distinguir programas televisivos da realidade o que leva a adolescentes que ainda têm mais dificuldades nessa tarefa. O problema não está no tipo de programas, porque os existe para todos os gostos, não está na proibição da idade para os visualizar, porque isso é facilmente ultrapassável, o problema está realmente numa sociedade que parece viver numa ilusão, numa sociedade que não consegue viver com o mundo real. Eu sei que existem pessoas doentes, pessoas com problemas psicológicos e aí são as pessoas que os rodeiam e profissionais que precisam de os trazer para a realidade, mas será que a percentagem de pessoas com doenças psicológicas é assim tão grande ou será apenas que as pessoas saudáveis mentalmente já começam a ser uma excepção?

        A realidade é sempre diferente da fantasia. Às vezes a realidade pode ser muito menos problemática do que a fantasia (basta ver as novelas), outras vezes a realidade não é tão perfeita como a fantasia, mas a verdade é que a realidade é aquilo com que vivemos e com que temos de aprender a lidar e não nos basearmos em personagens que trabalham durante um ano para aquele papel e que depois desaparecem para sempre. Tenho imensa dificuldade em compreender este tipo de atitude e cada vez mais acho que a frase que li no Fahrenheit 451 se tornará numa realidade (- As pessoas de cor não gostam de Little Black Sambo. Queima-se. As pessoas não se sentem bem com Uncle Tom's Cabin. Queima-se. Alguém escreveu um livro sobre o tabaco e o cancro dos pulmões? Os fumadores estão a chorar? Queima-se o livro.), queremos tanto proteger uma sociedade doente que nos tornaremos cordeiros para proteger as minorias que se sentem ameaçadas com tudo e mais alguma coisa

          Em que é que nos estamos a tornar como sociedade?

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