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justsmile

21
Ago17

Quando falo em casamento, falam-me em divórcio

(Imagem retirada daqui)

 

"- Vais casar? 

- Sim vou, no próximo ano.

- Ah que bom! Pena depois tantos casamentos darem em divórcio."

 

Não foi a primeira. Não foi a segunda e nem a terceira vez que me fizeram um comentário destes. Aposto com vocês que até ao casamento ainda ouvirei mais vezes este tipo de comentário. Ultimamente têm-me perguntado se realmente vou casar, não percebo muito bem a admiração com que olham para mim quando respondo que sim, que me vou casar. Definitivamente não é uma coisa rara, até porque tenho visto centenas e centenas de casais a casarem-se (até pela dificuldade em que tivemos em procurar quinta), mas pelos vistos pouca gente acha que tenho cara de noiva. A admiração é a primeira fase com que me deparo quando respondo a tal pergunta, a segunda fase é aquele 'parabéns' acompanhado de um sorriso, meio surpreendido e meio sincero, e depois vem a terceira fase, a palavra divórcio. Sim, divórcio é uma palavra muito associada à palavra casamento e nem na costureira do vestido me livrei de ouvir tamanho discurso sobre o casamento e o divórcio.

 

" - É uma pena haverem tantos divórcios hoje em dia, mas ainda bem que há ainda quem se case. Mas nunca se sabe o futuro! Oh e hoje a juventude não aguenta aquilo que nós e os nossos pais aguentaram, têm menos paciência e depois vem logo o divórcio."

 

São frases como estas que tenho ouvido, como se o 'aguentar' fosse uma vitória e algo extremamente positivo para se manter um casamento. Respondo imediatamente um "Ainda bem que não se aguenta" e reforço ainda a ideia de que quero realmente casar, não pela festa, não pelo papel, mas pela necessidade de bênção. Normalmente olham-me com uma espécie de olhos piedosos, outros de puro orgulho, como se ainda fosse das poucas pessoas à face da terra que percebe o conceito de casamento. Depois vêm os outros, aqueles mais negativos, aqueles mais pessimistas e que gostam de partilhar a tua teoria sobre o casamento que vai dar em divórcio. Entro numa espécie de debate e sem saber bem porquê sinto a necessidade de defender os meus ideais e os meus valores. De uma forma, talvez, um tanto ou quanto ridícula defendo-me dizendo que para mim o casamento não é a festa, não é o vestido e muito menos o bolo, que eu até queria uma festa mais pequena, pois o que quero mesmo é casar-me com Ele e sentir aquela força superior proteger-nos. Prometer-me a Ele. E depois vem o comentário:

 

"É tudo muito bonito até vir o divórcio."

 

E lá vou eu em minha defesa. Sou uma mulher bastante racional, tenho os pés bem assentes na terra e por isso sei no que me vou meter, aliás, sei no que me quero meter. Sei que nada é perfeito, sei que eu e Ele vamos discutir, vou queixar-me da sua desarrumação e Ele comigo pela minha mania da arrumação. Sei até que vamos ser preguiçosos para fazer o jantar. Sei que vou ter de aprender a lidar com o atraso matinal d'Ele (admito que é o que mais receio) e até que Ele vai queixar-se por ser tão controladora com as horas. Mas também sei que vamos aprender um com o outro, que apesar de nos conhecermos um ao outro e de nos completarmos, sei que vamos ter de aprender a ceder. Eu sei tudo isso, não acredito sequer em mares de rosas. Eu e Ele até falamos e rimo-nos com as discussões que teremos num futuro próximo. Isto porque estamos cientes da personalidade de cada um, sabemos os defeitos e as virtudes, mas acima de tudo sabemos que queremos viver o resto dos nossos dias juntos. Se penso em divórcio? É óbvio que não, senão nem daria o passo de me querer casar, mas sei que nunca sabemos o nosso futuro. Não conheço o dia de amanhã e não posso usar a expressão 'nunca' juntamente com a palavra divórcio, mas posso simplesmente deixa-la de fora do meu vocabulário e só deixa-la entrar SE um dia for necessário. Nem eu nem Ele somos perfeitos, sabemos o que um casamento implica, afinal já não temos 18 anos, mas também sabemos que queremos ficar juntos para um sempre. Se haverá ou não? Nem eu nem Ele sabemos, nem os outros saberão, mas sabemos que vamos fazer para que isso aconteça.

Por isso apenas peço, quando souberem que alguém vai casar não falem logo em divórcio, é horrível a conotação atribuída a uma situação tão boa. É uma descredibilização de quem se vai casar e apenas faz com que as pessoas se sintam, não inseguras, mas tristes por quem fala não acreditar no amor.

O casamento é uma coisa boa, para quem nele acredita, vamos deixar o futuro dizer o resto.

 

03
Ago17

Terapia da Fala por um canudo

Sei que temos de ter esperança, sempre, mas também sou uma pessoa de ter os pés assentes na terra e à medida que o tempo passa apercebo-me que voltar a ser terapeuta da fala a tempo inteiro é cada vez mais uma ilusão. Todos os recentes terapeutas e colegas de curso começam a passar-me a perna. Começam a ter pós-graduações, mestrados e mais anos de experiência que eu e é o que mais me deixa de pé atrás quando me candidato a uma proposta de emprego em terapia, pois sei que estou a ficar para trás. Acabo por sentir dentro de mim uma incapacidade de lutar pelo meu sonho profissional, outras vezes penso que a minha condição, esta necessidade de ter mudado de área profissional, se deva unicamente a mim. Pensando de uma forma racional, sei perfeitamente que fiz de tudo para me empregar como terapeuta da fala, pelo menos tudo que me estava ao alcance. Trabalhei a 50 km de casa, trabalhei a 30 km de casa, com horários complicados, no primeiro emprego com estradas manhosas e no segundo em que tinha de aguentar o trânsito da Ponte da Arrábida todos os dias, mas nem isso me importava. Sei que fiz sacrifícios quando comecei a trabalhar na minha área, chegava já tarde a casa e ainda tinha de preparar sessões. Passava o sábado a preparar actividades e tive problemas com todos os meus patrões ou superiores. Racionalmente sei que fiz de tudo para depois destas experiências me empregar na área, fui a mil e quinhentas entrevistas absolutamente absurdas, mandei propostas para entidades privadas, concorri a concursos para escolas mesmo sabendo que não tinha a mínima hipótese e até para Municípios mandei propostas de actividades com crianças para um projecto de prevenção. Racionalmente sei que fiz o que podia fazer e se não fiz mais foi porque não sabia ou não podia. No entanto (é este mas que me mata aos bocadinhos), tenho dias em que se passa algo na minha cabeça e sinto que não fiz o suficiente. Se calhar devia ter aceitado aquela proposta absurda para ganhar experiência. Se calhar devia despedir-me e voltar para recibos verdes para ganhar experiência. Se calhar devia ter procurado mais um pouco na minha área. Tenho dentro de mim esta sensação de incapacidade, de falhanço de qualquer coisa que nem sei explicar, mas que parece fazer-me culpabilizar pelo facto de estar onde estou e não onde queria estar. Sei que todas as decisões que tomei foram sempre na procura de estabilidade financeira, de retorno financeiro que muitas das ofertas que me faziam não davam. Conscientemente, vim aqui parar na procura de uma estabilidade financeira que nunca me tinham oferecido e só assim consegui dar andamento a projectos pessoais que começaram a ganhar vida. Consciente e financeiramente sei que tomei a atitude certa, pois não tenho pais que me possam ajudar com as despesas, pois sei que preciso de dinheiro para viver e para conseguir ter uma vida a dois e até sei que este emprego tão perto de casa me trouxe muitas vantagens. Mas dentro de mim, tenho sempre esta perda de um sonho que parece nunca ser possível alcançar. Cada vez que penso no assunto fico com um vazio dentro de mim, um pequeno desgosto que me dá a sensação de perda de um sonho. Gostava de ter um bocadinho mais de esperança quanto a isso, mas ao olhar em frente sei que não quero voltar à instabilidade de recibos verdes, como sei que agora não posso estar a investir numa formação que não me é útil. E assim, sem dar bem pela coisa entro num ciclo vicioso em que nunca vou arranjar emprego como terapeuta porque não posso arriscar a minha vida financeira. Nunca vou investir em algo que neste momento não me serve para nada no dia-a-dia. E assim, volto ao início do círculo em que começo a ficar para trás porque não tenho experiência, nem formações após a licenciatura.

Se a minha vida fosse mais fácil ou o mundo mais justo, a proposta com um salário aceitável viria. Não teria problemas em mudar, em avançar se fosse ganhar o salário que está na lei e nenhuma destas questões se levantaria, mas como o mundo só funciona com escravidão, com quem aceita menos para trabalhar eu nunca sairei deste ciclo vicioso. Não sairei porque já passei muitas dificuldades financeiras e não as quero voltar a passar. E no fundo, lá bem no fundo, acho que acabo por não ter muita sorte e por isso só me surgem propostas ridículas e a essas sou obrigada a dizer que não. Ao fim de 26 anos, dou por mim a escolher a estabilidade financeira, em vez de seguir o sonho profissional e talvez seja isso que me faça deitar uma lágrima cada vez que penso neste assunto. Sinto que por todas as razões e mais algumas eu sou a 'culpada' de não seguir os meus sonhos ou que pelo menos a vida me condiciona dessa forma.

Cada vez mais acredito que não se pode ser feliz em todos os campos da vida, cada vez mais acredito que terapia da fala está longe de mim e se afasta cada vez mais.

 

P.S.: Volto a dizer, não me arrependo das minhas escolhas, não sou infeliz, mas há sempre este 'mas' que por vezes me entra no pensamento. Acho que é a única questão na minha vida que me faz levantar muitos 'ses', logo eu que nem sou dada a 'ses'.

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