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justsmile

24
Out17

Aceitar as oportunidades que a vida nos dá

(Imagem retirada daqui)

 

      Sempre fui uma pessoa sonhadora e um tanto ou quanto idílica. Inevitavelmente definia os meus objectivos por idades, sabendo que chegando àquela data gostaria de ter conquistado isto ou aquilo. Ainda hoje o faço com as coisas mais básicas que possam imaginar. Traço para mim os meus objectivos a curto e longo prazo, muitas vezes não os escrevo e outras tantas nem sequer falo deles. Traço-os apenas para mim e de uma forma inconsciente acabo por abafá-los na minha mente, acreditando que com o silêncio eles se poderão tornar reais. Não é algo de agora, é algo que sempre fiz. "Ok, quando tiver 18 anos tenho mesmo de tirar a carta.", "Até aos 31 quero mesmo pisar solo americano e ir a Nova Iorque.". Faço dos meus objectivos planos para o futuro, sejam eles pessoais ou com Ele. No entanto, desde que me considero adulta (isto é, maior de idade, pois ainda me sinto uma miúda) que tenho aprendido que a vida nos dá as voltas. Aos 26 anos não me imaginava aqui, já me imaginava independente, a trabalhar naquilo que adoro e a fazer a minha vida na cidade do Porto. Nunca, por momento algum, pensei que seria administrativa, que me iria apaixonar por um vizinho e que me iria casar antes dos 30 anos. Nunca me passou pela cabeça não trabalhar na minha área de formação, nunca me passou pela cabeça casar da forma que o vou fazer e nem tão pouco imaginei que iria ter nesta altura um terreno para construir uma casa. A vida trocou-me as voltas, o que não foi mau.

       Ao traçar os planos para o futuro acabo por entrar sempre numa fase lutadora e quando os tenho que reestruturar, porque a vida assim mo obriga, há sempre uma pequena fase de frustração. É inevitável não me sentir desiludida com não ter emprego na minha área. É inevitável ao olhar para trás e aperceber-me de que não me imaginava de todo nesta situação. No entanto, à medida que cresço tenho aprendido a lidar melhor com estas alterações de vida. Tenho aprendido a aceitar o que a vida me dá, a aceitar e a continuar a lutar pelos meus sonhos. Parece tão fácil, não é? Pois, fica apenas pelo parecer, apesar de com o tempo se tornar cada vez mais fácil. Tudo o que a vida me tem dado tenho olhado como uma oportunidade, seja bom ou mau. Claro que não são todos os dias assim, faço questão de dizer que nem tudo é cor-de-rosa, mas na maioria dos dias aceito estas mudanças, estas alterações de planos e apenas me tento adaptar a elas. E o que faço para conseguir lidar com as alterações de planos? O que faço quando sou obrigada a lidar com a desilusão?

       Mantenho os meus sonhos principais, mesmo que os sonhos não tenham sido realizados quando imaginava, mesmo que agora me pareçam longínquos nunca deixam de ser sonhos. Mantenho-os na minha lista, mesmo que os tenha de mandar para o fundo das minhas prioridades acabo por os deixar ali, por vezes em 'stand-by' outras vezes apenas ficam ali, para quem sabe um dia. Nunca elimino os sonhos, ficam lá, quem sabe um dia!

       Não deixo de aceitar oportunidades apenas porque não está a ir ao caminho de um dos meus sonhos. Sou composta por vários sonhos, de diversas áreas, pessoais, profissionais, de saúde, e não deixo de aceitar uma oportunidade que me permite realizar alguns sonhos. Aliás, o emprego em que me encontro é exactamente uma dessas situações. Não é o meu sonho profissional, mas permitiu-me dar andamento a outros sonhos. Continuo com o sonho de voltar a ser Terapeuta da Fala a tempo inteiro (apesar de o ver cada vez mais por um canudo), mas está cá. 

       Não deixo de lutar por um sonho. Nunca! Lá por os meus planos terem sido alterados, lá por terem sido adiados e reestruturados nunca deixo de lutar por um sonho. Posso não esgotar todas as minhas energias para o alcançar, mas nunca o tiro do pensamento e nunca deixo de tentar. Por muito difícil que pareça de o alcançar, por muito cansativo que seja ouvir 'não', por muito frustrante que seja tentar e tentar, nunca, mas nunca desisto. Pode não estar no topo das minhas prioridades, posso até deixar passar algumas oportunidades pequenas e ter mesmo de dizer que 'não' se isso não se enquadrar no que eu preciso agora, mas nunca deixo de lutar por um lugar ao sol.

      Reestruturar os sonhos e as prioridades, é algo que vou fazendo quando vejo que não consigo alcançar alguma coisa. Paro, penso e volto a redefinir as minhas prioridades. Acredito que se as coisas não correram como desejava é por algum motivo maior, posso não saber porquê, mas acredito que há alguma razão mais profunda para isso e aceito-o. Isto foi algo que apenas fui adquirindo com a maturidade, com as dificuldades da vida e deixei de procurar um porquê para tudo (ainda há dias falava disso aqui no blog).

       Não fico 'cega' por um único objectivo. A vida é feita de sonhos, mas não vivo para apenas um. É impossível viver apenas para um único sonho, seria mais fácil para focar, mas a frustração da sua não concretização seria muito maior. Acredito que é importante termos sonhos, lutarmos por eles, mas não nos podemos apenas focar numa área. É mais fácil lidar com tudo quando temos vários desejos, várias coisas. Quando um não dá, volta-se a organizar tudo e volta-se à luta.

       Aprendi a aceitar as oportunidades que a vida me dá, medindo-as, ponderando-as, mas aceitando a vida como é. Pode não ser aquilo com que imaginei, pode até não ser a melhor coisa do mundo, mas sei que com isso posso sempre adquirir novas aprendizagens, novas capacidades e crescer. Não só aumentou a minha capacidade de resiliência, luta e ponderação, como também me permitiu colocar em prioridade outros sonhos que estavam em 'stand-by'. A vida nem sempre é justa, mas a verdade é que precisamos de aprender a aceitar o que ela nos dá. Nunca nos desligando do que queremos, de quem somos e porque estamos aqui, mas aceitando isso.

       Aceitar o que a vida nos dá, só nos permite avançar. E quem sabe mais lá para a frente as coisas não voltem a mudar?

 

16
Out17

Procurar uma razão? Talvez não.

(Imagem retirada daqui)

 

      Em tempos fui uma pessoa de procurar os 'porquês'. Porque não tinha sorte? Porque não consegui aquele emprego? Porque deixou de ser meu amigo? Porque estou triste? Porque não consigo concretizar aquele sonho? Sempre procurei as respostas nos momentos mais difíceis da vida. Sempre procurei respostas para o comportamento das pessoas. Simplesmente, queria encontrar uma razão para todas as situações e mais algumas. Porque trata aquela pessoa mal o cão? Porquê tanta irracionalidade nas redes sociais? Porquê tanta tristeza e frustração? Esta minha procura constante em respostas só me cansava, só me deixava mais frustrada por não lhes encontrar o fundamento. Ao fim de 26 anos comecei a compreender que há coisas que simplesmente não têm resposta. Aprendi que o "porquê" que surge tantas vezes no nosso caminho não tem um objectivo óbvio, não tem uma resposta com palavras profundas cheias de sabedoria e nem sequer há uma explicação complexa em que Y é igual a qualquer coisa que nos soe bem aos ouvidos. Aprendi simplesmente que há coisas sem resposta.

      Apercebi-me, ao olhar para a minha vida até hoje que muitas vezes fiz essa pergunta. Maioritariamente em momentos de má sorte, a última vez até terá sido em 2015, naquele terrível ano. Mas cada vez mais acredito que não há uma resposta para tudo. A vida simplesmente acontece de uma forma aleatória que por vezes dá resposta às nossas necessidades e que outras nos faz cair. Acredito que se calhar até temos um propósito neste mundo, uma função, algo que necessita da nossa existência, mas que no fundo nunca o saberemos de uma forma explicita. No fundo acredito que nós criamos essa razão e a atribuímos às coisas boas que nos surgem no caminho. Acredito que eu e Ele nos cruzámos no momento certo da vida, já crescidos, com objectivos definidos e com uma maturidade adquirida, mas porque o amo assim tanto? Não o consigo explicar, apenas sinto que o amo. Acredito que tudo o que tudo o que vivi no meu passado definiu a minha personalidade no presente, definiu as minhas prioridades, porque foi assim? Não faço a menor ideia, gostava de ter tido uma vida mais facilitada, mas no fundo foi isto que me calhou e hoje estou orgulhosa de quem sou. Poderia ter nascido a querer sair da aldeia, querer viver na cidade e decidida a ser modelo, mas não, porquê? Não sei. Não sei tanta coisa sobre a essência da vida e muito menos sobre os seus porquês, penso que há Alguém que nos guia, que vê o nosso caminho e que acha uma certa graça atirar-nos com algumas coisas, boas ou más, mas que nunca nos dá mais do que aquilo que podemos aguentar. Isso acredito, acredito porque já pensei muitas vezes que ia ao fundo e tal coisa nunca aconteceu. Quando achava que estava no meu limite, lá me safava. Porquê? Não sei. Há tanta coisa que não sei!

      Hoje não me importo de não saber todos esses porquês. Um dia quis saber tudo, quis encontrar um motivo para todo este mundo. Para tanta parvoíce. Para tanta violência. Para tanto cansaço. Mas percebi que esta luta constante em saber o "porquê" das coisas era uma luta extenuante, uma luta sem fim, que apenas me gastava as energias e me impedia de viver. Por isso, aos poucos compreendi que não precisamos de encontrar uma razão para tudo, uma justificação, o ideal é deixar-nos levar. Aprender a aceitar o que nos surge e lidar com isso da melhor maneira possível. Talvez seja um tanto ao quanto poético, mas cada vez mais me tenho deixado de questionar os "porquês" da vida. Sei quem sou, sei porque quero o que quero, sei mil justificações para muitas coisas, mas na verdade não sei para tantas outras e cada vez mais me conformo com isso. Sei que a nossa essência enquanto seres humanos é encontrar uma resposta para tudo, no entanto, acredito cada vez mais nesta sensação de "não sei e não quero saber". Hoje já não sinto a necessidade de ter uma explicação para tudo. Gosto de usar argumentos, não gosto de respostas "porque sim" quando têm de haver justificações, mas para o sentido da vida? Para o "porquê" de tudo o que me acontece? Cada vez mais prefiro deixar de procurar tais respostas que só me levam ao cansaço, à comparação com os outros e, inevitavelmente, à frustração.

      Não me importo de não encontrar um porquê para a minha vida, o que quero é viver.

 

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