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justsmile

07
Set18

Vale a pena acreditar e lutar

(Imagem retirada daqui)

 

       Sou um tanto ou quanto céptica. Só acredito que as coisas acontecem depois de as ver, depois de as experimentar. No espaço de uma semana deixei o meu antigo emprego e ingressei novamente na minha área de formação. Tudo muito rápido o que fez com que durante algum tempo duvidasse de tal mudança, de tal notícia boa. A minha sorte nunca foi muita e dentro de mim o receio ia crescendo de dia para dia, já tinha feito a carta de despedimento, já tinha começado a preparar toda a passagem do meu trabalho, mas dentro de mim tinha uma campainha ridícula que apenas me dizia para dar um passo de cada vez. Um receio que me deixava de pé atrás e que não me permitia comemorar tal notícia. A verdade? A verdade é que só o fiz depois do segundo dia de trabalho, quando finalmente consegui acreditar que tinha encontrado a oportunidade certa para mim.

          Durante muito tempo em mim a esperança adormeceu, afinal foram quase três anos sem trabalhar na minha área a tempo inteiro, no entanto, nunca parei, nunca deixei de procurar e nunca desisti de encontrar aquilo que desejava. É verdade que houve momentos em que me apeteceu parar, definitivamente, houve momentos em que pensei que nunca mais voltaria à minha área de formação e por isso comecei a traçar um plano B mentalmente. A esperança estava parcialmente desaparecida, a vontade de mudar aumentava, mas as respostas, as condições e tudo o mais condicionavam qualquer mudança na minha vida. 

          Apesar do cansaço, da frustração nunca baixei os braços e acho que essa foi a chave para encontrar a minha oportunidade. Foi duro, demorou três anos, mas finalmente consegui algo que me enche as medidas. Isto tudo para provar que vale a pena lutar, que vale a pena continuar a insistir e a procurar, que vale a pena acreditar, mesmo que seja no mais intimo de nós, um bocadinho. Vale a pena não parar. Eu sei que não é fácil, quem por aqui me acompanhou percebeu isso, mas no fim virá algum tipo de recompensa. Tudo acontece por uma razão e cada vez mais acredito nisso.

         Quanto ao novo trabalho? Está a correr bem, ando mais sorridente, mais entusiasmada e cheia de vontade de começaro ano lectivo. Tudo parece ser fantástico, desde a equipa ao projecto em si, mas agora? Um passo de cada vez.

24
Out17

Aceitar as oportunidades que a vida nos dá

(Imagem retirada daqui)

 

      Sempre fui uma pessoa sonhadora e um tanto ou quanto idílica. Inevitavelmente definia os meus objectivos por idades, sabendo que chegando àquela data gostaria de ter conquistado isto ou aquilo. Ainda hoje o faço com as coisas mais básicas que possam imaginar. Traço para mim os meus objectivos a curto e longo prazo, muitas vezes não os escrevo e outras tantas nem sequer falo deles. Traço-os apenas para mim e de uma forma inconsciente acabo por abafá-los na minha mente, acreditando que com o silêncio eles se poderão tornar reais. Não é algo de agora, é algo que sempre fiz. "Ok, quando tiver 18 anos tenho mesmo de tirar a carta.", "Até aos 31 quero mesmo pisar solo americano e ir a Nova Iorque.". Faço dos meus objectivos planos para o futuro, sejam eles pessoais ou com Ele. No entanto, desde que me considero adulta (isto é, maior de idade, pois ainda me sinto uma miúda) que tenho aprendido que a vida nos dá as voltas. Aos 26 anos não me imaginava aqui, já me imaginava independente, a trabalhar naquilo que adoro e a fazer a minha vida na cidade do Porto. Nunca, por momento algum, pensei que seria administrativa, que me iria apaixonar por um vizinho e que me iria casar antes dos 30 anos. Nunca me passou pela cabeça não trabalhar na minha área de formação, nunca me passou pela cabeça casar da forma que o vou fazer e nem tão pouco imaginei que iria ter nesta altura um terreno para construir uma casa. A vida trocou-me as voltas, o que não foi mau.

       Ao traçar os planos para o futuro acabo por entrar sempre numa fase lutadora e quando os tenho que reestruturar, porque a vida assim mo obriga, há sempre uma pequena fase de frustração. É inevitável não me sentir desiludida com não ter emprego na minha área. É inevitável ao olhar para trás e aperceber-me de que não me imaginava de todo nesta situação. No entanto, à medida que cresço tenho aprendido a lidar melhor com estas alterações de vida. Tenho aprendido a aceitar o que a vida me dá, a aceitar e a continuar a lutar pelos meus sonhos. Parece tão fácil, não é? Pois, fica apenas pelo parecer, apesar de com o tempo se tornar cada vez mais fácil. Tudo o que a vida me tem dado tenho olhado como uma oportunidade, seja bom ou mau. Claro que não são todos os dias assim, faço questão de dizer que nem tudo é cor-de-rosa, mas na maioria dos dias aceito estas mudanças, estas alterações de planos e apenas me tento adaptar a elas. E o que faço para conseguir lidar com as alterações de planos? O que faço quando sou obrigada a lidar com a desilusão?

       Mantenho os meus sonhos principais, mesmo que os sonhos não tenham sido realizados quando imaginava, mesmo que agora me pareçam longínquos nunca deixam de ser sonhos. Mantenho-os na minha lista, mesmo que os tenha de mandar para o fundo das minhas prioridades acabo por os deixar ali, por vezes em 'stand-by' outras vezes apenas ficam ali, para quem sabe um dia. Nunca elimino os sonhos, ficam lá, quem sabe um dia!

       Não deixo de aceitar oportunidades apenas porque não está a ir ao caminho de um dos meus sonhos. Sou composta por vários sonhos, de diversas áreas, pessoais, profissionais, de saúde, e não deixo de aceitar uma oportunidade que me permite realizar alguns sonhos. Aliás, o emprego em que me encontro é exactamente uma dessas situações. Não é o meu sonho profissional, mas permitiu-me dar andamento a outros sonhos. Continuo com o sonho de voltar a ser Terapeuta da Fala a tempo inteiro (apesar de o ver cada vez mais por um canudo), mas está cá. 

       Não deixo de lutar por um sonho. Nunca! Lá por os meus planos terem sido alterados, lá por terem sido adiados e reestruturados nunca deixo de lutar por um sonho. Posso não esgotar todas as minhas energias para o alcançar, mas nunca o tiro do pensamento e nunca deixo de tentar. Por muito difícil que pareça de o alcançar, por muito cansativo que seja ouvir 'não', por muito frustrante que seja tentar e tentar, nunca, mas nunca desisto. Pode não estar no topo das minhas prioridades, posso até deixar passar algumas oportunidades pequenas e ter mesmo de dizer que 'não' se isso não se enquadrar no que eu preciso agora, mas nunca deixo de lutar por um lugar ao sol.

      Reestruturar os sonhos e as prioridades, é algo que vou fazendo quando vejo que não consigo alcançar alguma coisa. Paro, penso e volto a redefinir as minhas prioridades. Acredito que se as coisas não correram como desejava é por algum motivo maior, posso não saber porquê, mas acredito que há alguma razão mais profunda para isso e aceito-o. Isto foi algo que apenas fui adquirindo com a maturidade, com as dificuldades da vida e deixei de procurar um porquê para tudo (ainda há dias falava disso aqui no blog).

       Não fico 'cega' por um único objectivo. A vida é feita de sonhos, mas não vivo para apenas um. É impossível viver apenas para um único sonho, seria mais fácil para focar, mas a frustração da sua não concretização seria muito maior. Acredito que é importante termos sonhos, lutarmos por eles, mas não nos podemos apenas focar numa área. É mais fácil lidar com tudo quando temos vários desejos, várias coisas. Quando um não dá, volta-se a organizar tudo e volta-se à luta.

       Aprendi a aceitar as oportunidades que a vida me dá, medindo-as, ponderando-as, mas aceitando a vida como é. Pode não ser aquilo com que imaginei, pode até não ser a melhor coisa do mundo, mas sei que com isso posso sempre adquirir novas aprendizagens, novas capacidades e crescer. Não só aumentou a minha capacidade de resiliência, luta e ponderação, como também me permitiu colocar em prioridade outros sonhos que estavam em 'stand-by'. A vida nem sempre é justa, mas a verdade é que precisamos de aprender a aceitar o que ela nos dá. Nunca nos desligando do que queremos, de quem somos e porque estamos aqui, mas aceitando isso.

       Aceitar o que a vida nos dá, só nos permite avançar. E quem sabe mais lá para a frente as coisas não voltem a mudar?

 

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