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justsmile

13
Dez18

Nada mais tenho a comentar...

       Após esta notícia compreendo que o Governo Português defende a existência dos Portugueses de 1ª e de 2ª categoria, claro que quem está no privado são os de 2ª categoria. Sobre este assunto nada mais tenho a comentar. A ideia do Governo está vincada e apesar da minha ignorância em compreender tais razões, apenas consigo assimilar a prevalência de um país em que a igualdade não é um direito (nunca o foi).

10
Dez18

Um homem chamado Ove (9/12)

(Imagem retirada daqui)

       Demorei eternidades a ler este livro. Não porque fosse aborrecido. Não porque estivesse mal escrito. E muito menos porque não gostasse. A verdade é que o tempo me escasseou desde que mudei de emprego e a coisa tornou-se complicada, mas na semana passada, enquanto esperava pela consulta no dentista, terminei de ler este livro fantástico.

       Ao ler Um Homem Chamado Ove, lembrei-me de muitas pessoas que fui conhecendo ao longo da vida. Um tio, um dos vizinhos da rua, um dos pacientes na antiga clínica que trabalhei e até um ou outro conhecido. Ove no fundo, deu-me a conhecer muito sobre o tipo de homens que nunca consegui compreender, os literais que não conseguem estar parados, que não conseguem demonstrar sentimentos e que apenas se queixam de tudo e de nada. Ove ensinou-me que por vezes esse tipo de homens nem se apercebe que é assim e que no fundo têm um grande coração, apenas resmungam porque não sabem fazer outra coisa. Este foi um dos melhores livros que li nos últimos tempos. A história em si, as personagens e o enredo são demasiado bons para serem esquecidos. Ove, um homem solitário e visto como o resmungão do bairro é no fundo a melhor das pessoas que podemos um dia vir a conhecer.

       Este é um livro inesperado, completamente diferente daquilo que estava habituada e esse é o seu encanto. A história toma um rumo inesperado, une personagens que jamais imaginaríamos juntos e torna uma personagem odiada na mais querida do livro inteiro. É difícil de descrever a grandiosidade deste livro, apenas posso dizer LEIAM UM HOMEM CHAMADO OVE.

 

       "«Amar alguém é como mudar de casa.», costumava Sonja dizer. «A princípio, apaixonamo-no por todas as coisas novas, todas as manhãs nos espantamos por aquilo tudo nos pertencer, como se receássemos que de repente alguém nos entrasse a correr porta adentro a dizer que tinha sido cometido um erro terrível e que, na verdade, não deveríamos estar a viver num lugar tão maravilhoso. Depois, ao longo dos anos, as paredes desgastam-se, as madeiras racham aqui e ali e começamos a amar a casa, não tanto por toda a sua perfeição, mas pelas suas imperfeições. Aprendemos a conhcer todos os seus recantos. A evitar esquecer a chave na fechadura quando quando está frio na rua. Qual a tábua do soalho que cede ligeiramente quando a pisamos ou a maneira exata de abrir a porta do guarda-roupa sem a fazer ranger. São estes os pequenos segredos que fazem dela a nossa casa."

22
Nov18

A Presidente do Conselho Nacional de Educação

(Notícia lida aqui)

      Não sei se estão a par do ensino em Portugal, eu vou estando, principalmente nesta fase da vida em que trabalho em contexto escolar com alunos que tenham dificuldades ao nível da Leitura e Escrita, assim como de Fonologia. A realidade que vejo no 1º ciclo é que muitos são os miúdos que passam para o 2º ano sem saberem ainda associar o som à letra. A realidade que vejo no terreno é que os alunos chegam ao 4º ano sem saberem escrever um texto com sentido. A realidade é que no 1º ciclo a dificuldade em reprovar um aluno é enorme, aliás, é impossível pois alunos do 1º ano não podem reprovar e os restantes evita-se ao máximo por causa da idade, por causa de estatísticas ou até do conselho directivo. Reprovar é cada vez mais uma ilusão, por muito que um aluno não adquira conhecimentos não reprova e temos miúdos que transitam para o 5º ano sem saber ler e escrever minimamente em condições. Com jeitinho, chegarão ao 12º ano sem saberem conjugar verbos, sem saberem escrever palavras que não fazem parte do seu quotidiano ou até sem saberem interpretar um texto. Esta é a minha realidade, o meu dia-a-dia e a culpa não é sempre (só mesmo às vezes) dos professores. Nota-se o desespero deles quando os miúdos não conseguem aprender, nota-se as dificuldades que têm ao tentar proporcionar-lhes os devidos apoios, ao tentarem fazer-lhes chegar a aprendizagem. E as reprovações? Como podemos passar os alunos senão sabem ler nem escrever? Como se pode validar a passagem de um aluno que não adquire conhecimentos? Muitas vezes nada tem a haver com problemas de saúde ou psicológicos, mas sim com a falta de trabalho, de maturidade, de regras e de motivação. A escola é cada vez mais desvalorizada em alguns meios e com todo o facilitismo que tem existido cada vez menos as crianças vão compreender que os seus actos têm consequências, cada vez menos vão ter de lidar com a frustração e de compreender que a vida não é sempre como querem.

         Não estou a falar só da minha opinião, estou a argumentar com a minha experiência no campo, com aquilo que vejo todos os dias nos locais por onde trabalho. Assusta-me a forma como o ensino está a ser desvalorizado, assusta-me a forma como estamos a ensinar uma sociedade que não se precisa de esforçar para alcançar qualquer tipo de objectivos realistas (lamento, mas todos os meus miúdos do sexo masculino não poderão ser futebolistas). Esta é a realidade que vejo lá fora. Se o ensino fosse diferente? Talvez realmente as reprovações não fossem a melhor opção, talvez cada aluno deveria ter um currículo diferente, de acordo com as suas capacidades depois de ter aprendido o Ensino Básico, talvez o ideal era conseguirmos ter um ensino autónomo e com base na experiência. No entanto, o ensino nacional, não sendo o melhor e estando longe disso, é como é e deteorá-lo, facilitá-lo só irá impedir de formarmos uma sociedade com responsabilidade, com bom senso e com o mínimo de Educação. Se queremos mudar o ensino, algo que estou a favor, temos de começar pela base e não saltar degraus em busca dos números e do famoso "sucesso escolar" que não passa de estatísticas ilusórias. 

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