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justsmile

31
Mar20

Os últimos dias dos nossos pais (4/12)

(Imagem retirada daqui)

       Joël Dicker nunca desilude. Sou realmente fã do autor, desde A verdade sobre o caso Harry Quebert e tenho acompanhado todos os seus livros, na lista ainda faltava este que finalmente entrou cá em casa numa excelente promoção. E, novamente, Joël Dicker não desilude. Este foi mais um livro envolvente, que nos levou a viajar pelo passado, para a II Guerra Mundial o que tornou tudo bastante mais entusiasmante.

       Este é um livro sobre espiões, mais do que espiões, sobre um grupo de desconhecidos que passam imensas adversidades e que acabam por se transformar numa verdadeira família. O livro anda em torno, na maioria do tempo, dos campos de treino para espiões e da importância que estes tiveram durante a II Guerra Mundial e como conseguiram auxiliar na vitória dos Aliados. Um livro que em que no meio da guerra acaba por surgir o amor, tinha de acontecer, e que nos envolve de forma plena. Adorei o livro, adorei a envolvência, adorei a escrita e a história. O fim surpreende qualquer leitora, não é aquilo de que estamos à espera, mas é algo que o autor consegue sempre fazer, surpreender o leitor.

        Os últimos dias dos nossos pais é um excelente livro para quem gosta de acção e de um livro que nos faz prender do início ao fim.

21
Fev20

Os Jantares das Terças (3/12)

(Imagem retirada daqui)

         Na Feira do Livro deparei-me com este livro a bom preço, 5€, uma ninharia. Estava a precisar de um livro levezinho, um daqueles romances domingueiros para equilibrar as minhas leituras e lá veio este para casa. Este livro foi sem dúvida uma óptima aposta. Comprei o livro a pensar que iria ser um daqueles romances básicos que, simplesmente, nos aconchega o coração, mas Os Jantares das Terças, deu-me muito mais que isso. Este livro obrigou-me a ponderar, a reflectir e até a imaginar a vida daquelas cinco mulheres que se ligaram por algo tão simples como um curso de Francês. Contudo, a verdadeira aventura destas amigas não começou com o curso, a amizade prolongou-se mais anos que o curso.

          Tudo começa com a viuvez de Judith, em que esta decide que apenas ultrapassará a dor da morte do marido fazendo o caminho a pé até ao Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, em França. As amigas apoiam-na e iniciam essa caminhada, a seu lado, a partir do momento em que o diário do marido de Judith termina. Mas a caminhada transforma-se num caminho de conhecimento, descobertas e aventuras. Torna-se num processo de auto-reflexão em que cada uma se questiona sobre a vida, sobre os seus objectivos e o porquê de ali estar. A fé é chamada ao barulho e a estranheza de Judith também, o que faz com que os acontecimentos se comecem a desenrolar e a demonstrar que nem tudo é aquilo que parece.

       Este é um óptimo livro que fala sobre a amizade, sobre segredos, mas principalmente sobre a necessidade de nos auto-descobrirmos e até de nos reinventarmos para conseguirmos ser alguém melhor. Este é um livro que demonstra a necessidade de reflectirmos sobre a nossa vida para a podermos mudar e até sobre quem está à nossa volta. Este livro foi tudo, menos um simples romance.

10
Fev20

O Tatuador de Auschwitz (2/12)

       Há muito tempo que não lia um livro tão rapidamente. Nos últimos meses tenho lido alguns bons livros, mas nenhum me chocou tanto, mexeu tanto com as emoções como O Tatuador de Auschwitz. Este é um livro, baseado em factos reais, que nos faz lembrar os horrores dos campos de concentração Alemães. Onde viver ao lado da morte iminente, da fome e das doenças é já uma naturalidade. Onde o instinto da sobrevivência se sobrepõe a tudo o resto, mesmo que seja para fazer de conta que se ajudam os Alemães a matar mais uns quantos judeus. Esta história chamou-me à atenção pelos dilemas éticos que a própria personagem principal tem, desde da repugnância que sente ao invadir o corpo das pessoas com um número, até ao momento em que isso passa a ser algo normal, da sua rotina diária. Lale chegou ao campo como qualquer outro prisioneiro, mas quis as estrelas que no meio de toda aquela desgraça ele conseguisse ter alguns privilégios ao tornar-se o tatuador dos demoníacos números. Usa os seus privilégios para se ajudar, mas também para auxiliar os amigos e até os conhecidos, dando um pouco mais de comida ou conseguindo algum tipo de medicação. Coisas simples, mas que para quem vive no terror iminente da morte, é essencial. 

         É no meio de tanta desgraça, num dos locais mais assustadores do mundo, que Lale se apaixona por Gita. É esse amor que os faz manter o instinto de sobrevivência até ao fim, a necessidade um do outro serve de escape, por mero minutos, para um mundo longe dali, em que existe a palavra 'futuro'. O livro conta a história de sobrevivência de Lale e de Gita que, contrariamente a tantas outras histórias sobre esta guerra, encontra um final feliz, talvez por destino, talvez por algum tipo de intervenção divina, mas que nos faz sorrir. A história de Lale e Gita perdura uma vida inteira e faz-nos acreditar que o amor é a chave para a nossa sobrevivência.

       Adorei o livro, simples, mas poderoso. É de leitura leve, mas que nos faz questionar a todo o momento sobre como algo tão horrível conseguiu existir na nossa humanidade. Faz-nos também reflectir para onde vamos, mas faz-nos ainda mais desejar que nada do que aconteceu nesta época se volte a repetir.

 

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