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justsmile

09
Jul20

A Gorda (9/12)

(Imagem retirada daqui)

       Há algum tempo que tinha este livro na lista das leituras desejadas, por conselhos de bloggers e amigas. Há alguns meses que estava ali na estante e decidi pegar-lhe depois do fiasco de ler A última palavra. Não sei porquê, mas considerei que o livro iria ter a leveza que precisava após um livro tão aborrecido. My mistake. Este é um livro sobre uma mulher que toda a vida teve complexos com o seu corpo, com o seu tamanho e em que o amor lhe surgiu uma única vez na vida. Até aqui tudo bem, o meu problema foi em criar uma relação empática com a personagem. Apesar de ser uma mulher que se comporta, quase sempre, de forma adequada para com a sociedade vi nela um egocentrismo demasiado grande para conseguir gostar da personagem. A Maria Luísa simplesmente me pareceu uma mulher amargurada com a vida e que nunca vez mais do que queixar-se e deitar a culta a tudo e a todos pela sua amargura, conformando-se com isso. Sei que nasceu numa outra geração, mas nunca lidei muito bem com personagens que gostam do 'coitadinha' e que evitam transformar a sua vida.

        Apesar do livro não ter sido do meu agrado, por isso mesmo demorei tanto tempo a lê-lo, gostei da viagem que fez no tempo. Nascida em África e filha de pais retornados, a perspectiva da vida de Maria Luísa era diferente de qualquer outra pessoa. A sua casa mostrava as heranças do país onde tinha nascido e de tudo o que a mãe tinha conseguido trazer do seu velho lar. A mudança, a transformação nas suas vidas e uma nova vida foram temas abordados ao longo do livro e, para mim, das partes mais interessantes do mesmo. Acho que o facto de não ter conseguido criar uma relação de proximidade com a personagem fez com que este livro fosse lido, apenas para ser lido. 

         Sorry Magda e Alexandra!

29
Jun20

A última palavra (8/12)

         Comecei a ler este livro com um bom ritmo, prendeu-me nas primeiras páginas. Um aspirante a escritor que aceitou a proposta de escrever a biografia de um autor aclamado do seu tempo. Este começo tinha tudo para dar certo, mas perdi-me. Harry mudou-se para casa de Mamoon para experienciar as vivências do autor tão conhecido e premiado em alguma altura da sua vida, mas a verdade é que foi conhecer um homem altivo, com mais filosofia para dar do que deveria e cheio de moral onde toda a sua história não tem um pingo de moral. Não gostei do livro.

       Acho que a tentativa de Mamoom manter a sua vida secreta, a sua história e a sua conduta com base em frases filosóficas e reivindicativas fez com que a personagem me irritasse e que fosse perdendo o interesse no livro. Além disso, a história parece um novelo de lã, Mamoom vive com a sua segunda esposa, que tem um amor cego por um autor aclamado e não pelo próprio Mamoom. Um amor tão cego que a sua vida anda em roda de um autor que não escreve nada há anos e que pouca empatia acaba por ter por ela. A sua esposa acaba também por se perder no enredo ao ter um amor cego, sem qualquer tipo de auto-estima, na tentativa de proteger um génio de feitio impossível e que acabou por ser esquecido pelo tempo. Harry quer dar a volta a isso e deixa a cidade para conseguir compenetrar-se na vida de Mamoom, alguém que o despreza e que o mantém no escuro o livro todo.

       O livro não foi realmente uma boa escolha, dá uma imagem sobre escritores aclamados que se penduram no sucesso de um bom livro para tentar manter a sua glória. Dá a imagem de que os escritores premiados são pessoas facilmente odiadas e que se acham superiores a todos os outros seres vivos e isso acabou por fazer com que não apreciasse nem um bocadinho o livro. Sem dúvida que este livro não foi uma boa leitura, há de ficar na estante a ganhar pó o resto da sua eternidade. Já alguém leu?

 

07
Mai20

A História de uma Serva (7/12)

(Imagem retirada daqui)

       Já devem ter reparado por aqui e pelo instagram que as leituras têm sido um dos meus melhores passatempos nos últimos meses. A leitura tem-me feito viajar, já que não posso sair de casa, pelo menos levo a minha mente para outro sítio. A verdade é que tem sido um bom escape e tenho aproveitado para adquirir novos livros e ler os poucos que restavam na estante.

       Já há algum tempo que desejava ler "A história de uma serva", admito que só soube da existência do livro depois dos prémios que a série conseguiu arrecadar. Mas como sou uma pessoa mais de livros, do que de séries (apesar de as adorar), decidi que não a iria ver sem primeiro ler o livro. O meu maior erro? Encomendar o primeiro livro, sem o segundo, porque agora estou ansiosa que a Wook faça mais uma promoção para conseguir adquirir o livro.

      Nos últimos anos tenho lido alguns livros sobre utopias, não um lugar perfeito em que o mundo se viria a tornar, mas até assustador. Em todos esses livros, Admirável Mundo Novo e Fahrenheit 451, fiquei surpreendida com a proximidade que a sociedade está dessas utopias, imagens de um futuro brilhante (visto dos olhos de alguém), mas que da minha perspectiva é simplesmente aterrador. É-me impossível conseguir imaginar tal mundo, mas ao mesmo tempo vejo cada vez mais pessoas a acreditarem em valores totalmente dispares dos meus e aproximarem-se de realidades que parecem apenas ficção. "A história de uma serva" é mais um desses livros em que a realidade parece não existir no livro, mas que ao mesmo tempo me faz questionar se um dia não existirá a possibilidade de tal acontecer.

        Este é um livro em que o mundo ideal nos leva para o século passado, mas num formato ligeiramente mais assustador, em que as mulheres voltam a não ter opinião, e a serem empregadas, criadoras e barrigas de aluguer. Onde liberdade não é uma palavra permitida, onde os livros voltaram a desaparecer e a ser inacessíveis e onde a infertilidade é um problema para os altos estatutos. Este é um livro assustador, como todos os outros que nos fazem abrir os olhos para continuar a lutar pela nossa liberdade, mas que nos faz questionar o quão real é esta mentalidade na cabeça de algumas pessoas. Pois garanto-vos, existem pessoas por aí em que o descrito neste livro seria a idealização de um novo mundo e basta olharmos para os meios políticos para nos apercebermos disso.

         "A história de uma serva" foi sem dúvida um óptimo livro e estou desejosa de ter o segundo nas minhas mãos.

 

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