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justsmile

08
Ago18

Perdida por terras Mexicanas... #2

       Já vos tinha admito que inicialmente não estava muitas expectativas para a minha viagem ao México, mas as coisas foram mudando um bocadinho com o tempo. Assim que a lua-de-mel foi adquirida oficialmente, decidi começar a minha investigação dos locais que queria visitar. É claro que era a lua-de-mel, é claro que queria descansar dos meses extremamente cansativos que tinha tido nos últimos tempos, mas também queria conhecer um bocadinho da cultura. Afinal, não ia fazer nove horas e meia de viagem apenas para ficar fechada no hotel! Desta forma iniciei as minhas pesquisas pelo Pinterest e o entusiasmo com a viagem começou a crescer. As cenotes pareciam ser locais fantásticos e as ruínas pareciam ser locais com história e essência. Logo, antes ainda da nossa partida para o México já sabia os locais que queria visitar e aquilo que não poderia faltar experimentar na viagem, afinal ir ao México e não ver a Chichén Itza seria a mesma coisa que ir a Paris e não ver a Torre Eiffel.

       Logo no primeiro dia no hotel decidimos marcar as excursões, já ia com a ideia dos valores que me tinham proposto em Portugal através de email e assim teria a oportunidade de compreender se as excursões do hotel seriam mais ou menos vantajosas. A verdade? As excursões no México são caríssimas, mas nós decidimos não arriscar em irmos sozinhos fosse a onde fosse, o contexto é completamente diferente do que estamos habituados e tudo o que valia a pena ver ainda ficava a algumas horas do hotel. Comparando preços, as excursões do próprio hotel ficavam ao mesmo preço do que nos tinham proposto em Portugal e decidimos optar por aquela em que o seguro que tínhamos seria válido. A primeira excursão: Chichén Itza, ruínas de Ek Balam e Cenote Las Palomitas

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        A primeira excursão que fizemos ocupou-nos por um dia inteiro e começou bem cedo, ainda mal os olhos aguentavam abertos, mas foi um dia cheio de cultura e novas experiências. A primeira paragem foi em Chichén Itza, uma das sete maravilhas do mundo. A pirâmide Maia que impressiona pelo seu simbolismo, misticismo e a sua história. A sua grandeza histórica não se compara ao seu tamanho físico, trinta metros de altura são insignificantes nos dias de hoje, mas se formos a tentar contextualizar a época em que foi construida e o seu significado é de uma tamanha grandeza que apenas nos sentimos meros espectadores de um espectáculo criado por mentes sábias. O povo Maia era um povo cheio de simbolismo, nada era feito por acaso e tudo tinha a sua explicação. Os degraus não foram colocados à sorte, as serpentes não foram apenas para enfeitar e muito menos a altura da pirâmide. E é tudo isso que torna o povo Maia num povo de tanta sabedoria! O espaço em que se encontra a Chichén Itza está cheio de história e sente-se logo ao entrar, no momento em que nos vemos rodeados de ruínas. É uma sensação inexplicável estar ali, no momento em que história aconteceu. O que me passou pela cabeça? O quanto deveríamos ter aprendido com o povo Maia em vez de algures no tempo os termos considerados 'adoradores do diabo', se calhar se tivéssemos aprendido um bocadinho da sua sabedoria seriamos pessoas mais evoluídas e cultas.

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      De um local tão mágico fomos para outro, que apesar de mais pequeno, tinha uma beleza crescente. Apesar de não ser tão grandioso como Chichén Itza, Ek Balam pareceu-me ser mais bonito, talvez por estar mais rodeada pela floresta, talvez por simplesmente ser mais próximo ou até por ser uma das poucas pirâmides que se pode subir até ao topo. Ek Balam são ruínas Maias, em português, o Templo do Jaguar Negro. O Jaguar era para o povo Maia um Deus, tal como a Serpente e este templo é assim conhecido porque no topo da sua pirâmide, onde o Rei tinha o seu trono, o que envolve a sua entrada é a boca do Jaguar. É um templo fantástico e pela primeira vez subimos à pirâmide. Tenho vertigens, mas nunca deixei de fazer fosse o que fosse por causa disso, então subi os trinta e dois metros de altura, em escadas estreitas, escorregadias e consegui alcançar a magnífica vista do parque. Uma vista que vale a pena, uma vista rodeada de floresta e ruínas e só por isso já compensa enfrentar todos os medos e mais alguns. Adorei visitar este parque, diferente de Chichén Itza, mas com uma envolvente fantástica que não se consegue sentir noutro sítio. Fiquei extremamente surpreendida com estas ruínas e adorei cada minuto que lá passei. 

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       A última paragem de um dia tão intenso foi na Cenote Las Palomitas, em português Cenote das Pipocas. As cenotes são uma espécie de grutas em que podemos nadar, cavidades na terra que eram consideradas sagradas pelos Maias e que serviam para alguns rituais de sacrifícios (mas o que não servia para sacrifícios para os Maias?). As cenotes eram uma das minhas maiores expectativas na ida ao México e sem dúvida que cumpriram com as mesmas. As cenotes são locais maravilhosos, lindos e cheios de encanto. Existe nelas uma natureza natural que é incomparável à mão humana, a sua profundidade, a sua água límpida e transparente cruza-se com as estalagmites e estalactites que se encontram sobre nós. A água? Apesar da sua beleza é do mais gelada que há e só entrei nela porque seria ridículo não o fazer, porque admito que a vontade de entrar numa água tão fria não era muita. Apesar de tudo, toda a envolvente tornou o cenário perfeito e valeu cada segundo que lá passei.

      Ainda tivemos a oportunidade de passar por duas cidades mais tradicionais Mexicanas, sabem aquelas que vêem nos filmes e nas novelas? Precisamente aquilo que vi em Valladolid, uma cidade cheia de casinhas baixas, cheias de cor e com um pequeno mercado que dá vida à cidade. As referências católicas estão por todo o lado e as igrejas ainda do tempo da invasão dos espanhóis encontram-se ainda de pé e com pessoas por perto. Uma cidade completamente encantada e cheia daquela imagem que tanto tinha do México e dos Mexicanos.

      Nesta excursão o almoço estava incluído e adorei porque tive a oportunidade de experimentar comidas mais tradicionais Mexicanas (aqui a je estava com tanta fome na altura que nem se lembrou de tirar fotografias). Provei a Sopa Tradicional de Yucatan, região onde se encontrava a Cenote, que era simplesmente maravilhosa, uma espécie de canja com pimentos e lima. Experimentei um guacamole caseiro que era mil vezes melhor que o do hotel, comi tortillas e ainda um taco típico da zona. É bom podermos sair um bocadinho do hotel e ver a realidade do país. É claro que nem tudo é perfeito, ainda se vê muita pobreza entre os Mexicanos, mas segundo nos indicou a guia, muitos deles querem viver aquele tipo de vida, pois vivem conforme os seus ideais. Muitos ainda são os Maias que vivem em casas de terra batida, com os telhados de palha, mas não são pessoas tristes, são simpáticos e com boa disposição e se é uma questão de opção e ideais, quem somos nós para o questionar?

         Esta foi sem dúvida uma viagem cheia de surpresas, cheia de cultura e que valeu mais do que a pena. A primeira parte da viagem está por aqui.

 

P.S.1: Imagens de Just Smile e d'Ele.

P.S.2: Li há alguns anos O Orgulho Asteca e o Sangue Asteca e com esses livros fui para o México a saber mais sobre a sua história do que alguma vez poderia imaginar. Os livros dão mais conhecimento do que uma guia, mas é a experiência que nos faz interiorizar os seus conceitos.

23
Abr18

Os livros da minha vida

(Imagem retirada daqui)

 

       Ao longo da minha vida os livros foram ganhando uma relevância cada vez maior. Quando aprendi a ler, lembro-me de ao domingo querer ver logo a parte infantil da revista da minha mãe para ver as suas histórias. Mais tarde, quando o meu irmão me ofereceu À Procura do Mercador de Areia, lembro-me da confusão que aquela história me fez, mas do sabor doce que me deixou nos lábios. Aquele livro tão estranho, sobre um homem que procura uma areia para poder dormi, deixou em mim a vontade de conhecer outros mundos, de conhecer outras histórias. Dei então por mim aos 7 anos a pedir livros como prenda, todo o tipo de livros, com desenhos, sem desenhos e tudo começou porque um dia o meu irmão se lembrou de me trazer um livro da faculdade. E assim começou a minha relação com os livros, uma pequena paixão que viria a crescer com o tempo e que viria a tornar-se no meu maior refúgio. Sem dar pela coisa, ao longo da minha vida, os livros tornaram-se também parte da minha história. Este foi apenas o início.

      O diário de Anne Frank entrou na minha vida no início da adolescência, com 12 anos, e foi ela que me fez apaixonar por uma parte da história mundial que ainda pouco conhecia. Lembro-me de sentir a empatia por ela, com as suas palavras, com o seu diário, eu que escrevia também um diário desde os 7 anos e que 'sofria' as causas normais de alguém da idade, tal como ela. Ganhei um amor inestimável àquele livro, que já tinha sido das minhas tias e O diário de Anne Frank foi o livro que mais vezes li. Li quando precisava de relembrar o quão boa pode ser a vida, li quando voltei a precisar de me lembrar que há muito mal na humanidade, mas também há sempre alguém de bem. O diário de Anne Frank foi aquele livro que deu início a uma nova paixão pelos livros, os livros de história, os livros baseados em factos reais e os livros sobre a II Guerra Mundial que eu tanto gosto de ler.

       O tempo foi passando e houve uma altura da vida em que me senti perdida. Estava no pico da adolescência, 16/17 anos e com tantos problemas familiares perdi-me em mim mesma. Não lia muito na altura, o hábito tinha-se perdido algures no tempo, no cansaço, na rotina e nos problemas e foi quando me deparei com A Rapariga que Roubava Livros. Foi este livro sobre o refúgio de uma rapariga nas palavras dos outros que me trouxe de novo uma paixão que estava apenas adormecida. Ao ler as suas palavras, a forma como os livros lhe mexiam com os sentimentos e como a faziam viajar que me lembrei porque precisava tanto dos livros na minha vida. Para mim própria, os livros eram o meu refúgio, apenas me tinha esquecido, apenas tinha deixado adormecido este gosto que tão bem me fazia. Este livro fez simplesmente lembrar-me de que os livros eram a minha tábua de salvação.

       A vida vai tendo os seus altos e baixos, as rotinas vão mudando, as prioridades também e quando andei na universidade a vida estava tanto do avesso que o tempo para os livros tinha-se dissipado. Estava demasiado focada em tirar um curso que tudo o resto à minha volta se tinha perdido, inclusive eu mesma. Em 2012 senti o meu fundo emocional. Entrei num modo automático e que só me dava para chorar. Era muita a pressão, imposta pelos outros e por mim mesma, era muito o trabalho, eram muitos os problemas em casa e fui descendo, descendo até me sentir num lugar escuro. Foi Quando Estiveres Triste Sonha que surgiu na minha vida, um presente da minha irmã, pela altura dos meus anos. Um livro de bolso que me começou a acompanhar nas viagens de comboio e que me trouxe à realidade. Outro livro sobre a II Guerra Mundial que me fez lembrar que a vida é muito mais que tristeza, que a vida tem coisas boas, por muito negras que pareçam, e que vamos sempre a tempo de sonhar. Com este romance tão simples, tão doce, relembrei-me de que posso sonhar. Foi então aí que a minha vida começou a mudar, que senti a mudança na minha pele, que senti a necessidade de ser quem sempre queria ter sido. De uma forma tão simples, um livro fez-me lembrar que a vida é aquilo que queremos fazer dela. E a partir daí nunca mais abandonei os livros. A partir deste momento compreendi que os livros iriam sempre ser a minha terapia, a minha salvação e o meu refúgio neste mundo de loucos.

       Neste dia mundial do livro penso na importância que estes simples livros tiveram na minha vida. Não são livros de grandes autores, alguns nem estão no topo dos melhores livros do mundo, mas foram todos eles que me revelaram a importância de ler na minha vida. Foram todos eles que me fizeram compreender como os livros são a melhor forma de lidar com a vida, a melhor forma de aprender a viver. Estes são realmente os livros da minha vida, da minha própria história. E que livros fazem parte da vossa história?

17
Nov17

O início

   

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    Lembro-me bem daquele dia. Tinha sido nomeada para uma Comissão de Festas e sabendo-me com pouco tempo estava preparada para me 'despachar', afinal tinha acabado de dar início ao meu primeiro estágio de fim de curso. Cheguei, sentei-me nas escadas da entrada, de rabo-de-cavalo, jeans gastos e um casaco azul com aquela t-shirt de espanta-espíritos que tanto gostava. Sentei, deixei-me ouvir e fui vendo os restantes nomeados chegarem um a um. Apresentamo-nos e ouvimos a disponibilidade e vontade de cada um para tamanha tarefa. Ele chegou acompanhado por um dos meus amigos de infância, o meu primeiro beijo, daqueles que todos os miúdos de cinco anos têm. A Ele tinha-o visto toda a vida pelas ruas da terra, morava perto de uma antiga amiga minha e a cerca de 300 metros de mim, mas não me lembrava de alguma vez termos falado, o seu ar de menino betinho, com o carro de um lado para o outro numa altura em que ainda andava de mochila às costas e vinha da escola a pé, surgiu-me na mente quando o vi naquele dia. Aquele seu ar de nariz no ar, de pessoa importante nunca me tinha chamado à atenção e aquele dia em que realmente nos cruzamos não mudou isso.O seu discurso foi muito semelhante ao meu "Não contem muito comigo que tenho pouca disponibilidade", achei-o desinteressado e imaginei que seria daquelas pessoas que pouco trabalharia. No entanto, sem eu sequer algum dia imaginar este foi o início da nossa história. Na altura Ele tinha uma relação de longa data e eu também (como quem me segue há muito tempo sabe), por isso nada previa que o nosso futuro a dois algum dia se cruzasse.

        O ano de 2012 e 2013 foi mais trabalhoso do que viria a imaginar. Apesar de ter usado o fim do curso como argumento para a minha falta de disponibilidade a verdade é que estava presente em todas as reuniões, em todas as tarefas e quando dei por mim era uma das 'principais' colaboradoras da situação. De doze pessoas, sete eram as que mais trabalhavam e que faziam aquele projecto andar para a frente. Para minha surpresa Ele demonstrou ter exactamente a mesma atitude que eu, sempre presente, sempre pronto a trabalhar e sempre disposto a avançar com este projecto comum. Sem dar pela coisa formamos ali um grupo de amigos grande mas que nos fazia ter longas noitadas de trabalho, mas também de animação. Além de partilharmos um objectivo, partilhávamos também uma amizade. Foram muitas as noites que ficámos a trabalhar, a discutir, mas também a rir e a dizer asneiras atrás de asneiras. Ele continuou a passar-me despercebido. Um amigo divertido, trabalhador, mas com uma noção de responsabilidade fantástica. Sempre disposto a ajudar e sempre focado no objectivo, mas nunca mais que um amigo. Um amigo que imaginaria a afastar-se depois daquele projecto, mas era algo que não me preocupava. Ao fim de algum tempo os rumores de que éramos um casal na freguesia começaram a surgir, mas riamo-nos do ridículo que eram, pois apenas surgiam porque andávamos muitas vezes juntos por sermos da mesma zona, coisa que acontecia com os restantes colegas. Era simplesmente a forma de nos gerirmos e organizarmos, cada um tratava da sua zona. Riamo-nos desses rumores, gozávamos com eles e até aos nossos namorados contávamos.

      Assim, 2013 foi um ano cheio de trabalho. Aprendi a dormir sete horas por dia no máximo, aprendi a desdobrar-me em mil tarefas, mas com toda a correria redescobri-me. A Just que se havia perdido com o passar dos anos regressou mais forte, mais focada e mais decidida o que levou a uma transformação enorme na minha vida. A decisão tinha sido tomada e para meu próprio bem uma relação de anos terminou, precisava de focar em mim e voltar a ser quem sempre queria ter sido. Não foi fácil, mas foi a decisão acertada. A Comissão acabou, o curso ficou concluido, tinha voltado a ser solteira e tinha encontrado o meu primeiro emprego. Apesar do fim do projecto que tinhamos em comum a amizade dos amigos da Comissão manteve-se e começamos a sair todas as semanas, aquele grupinho tinha-se tornado numa segunda família. Foi aí que algo me começou a chamar à atenção, Ele estava sempre presente. Ele insistia para me dar boleia e para se sentar ao meu lado. Ele, mais do que ninguém mandava-me sms todos os dias. Em mim soou uma espécie de voz a dizer que talvez houvesse ali alguma coisa, mas como eu estava bem e nunca imaginaria o 'betinho de nariz empinado', que já não o era, com alguém como eu, abafei aquela voz. Até ao dia em que decidi enviar uma sms a perguntar (por estas mesmas palavras) 'É impressão minha ou andas a fazer-te ao piso?', o tom era de brincadeira, mas ao mesmo tempo de curiosidade. A resposta foi positiva, não com o tipo de palavras banais a que recorri, mas uma resposta sincera e ao mesmo tempo estranha. Inicialmente não sabia como reagir, nunca tal me tinha passado pela cabeça e achava que a nossa relação era puramente amizade e nada mais, até considerei que após terminar o ano de trabalho em comum nos acabássemos por afastar devido às situações da vida. Enganei-me redondamente. A partir daquele momentos as palavras dele entraram na minha cabeça e tornaram-na num turbilhão de pensamentos estranhos e que pareciam não obter resposta. Era mesmo verdade? Eu era o género dele? Mas como é que ao fim de mais de um ano Ele estava interessado em mim? Todo o tipo de questões me percorreram à frente dos olhos. Aquela declaração tinha aberto portas para questões e sentimentos que desconhecia ter.

       Parecia-me certo, eu e Ele éramos parecidos, tínhamos o mesmo tipo de personalidade (apesar das diferenças, a base era a mesma), conhecíamo-nos em todo o tipo de contextos (trabalho, lazer, bons e maus momentos) e Ele tinha visto o melhor e o pior de mim. Continuamos a falar como sempre falamos, mas começou a ser mais regular. Comecei a olhar para o telemóvel como nunca tinha olhado, tinha-o sempre à minha beira para ver quando recebia uma mensagem dele. Comecei a sentir-me uma verdadeira miúda de 12 anos, agarrada ao telemóvel e sempre com um friozinho na barriga para ver quando tinha notícias dele (informo que até ao momento eu nunca tinha sido assim). A primeira vez que nos encontramos após a 'declaração' era suposto ser estranha, meia constrangedora por nos conhecermos há tanto tempo e sabermos que só agora os sentimentos tinham mudando, mas a situação surpreendeu-nos, tanto a mim como a Ele. Não houve nada de constrangedor, éramos nós sem qualquer tipo de alteração, se calhar com trocas de olhares mais intensas e demoradas, mas o comportamento e a essência era a mesma. Um dia, quando Ele me foi levar a casa, parou o carro e disse-me para ir para os seus braços e lá fiquei eu abraçada a Ele a conversar sobre tudo e mais alguma coisa, quando no meio do silêncio me apercebi que nunca me tinha sentido confortável no meio de tanto silêncio com alguém, foi então que me lembrei de uma frase 'quando o silêncio entre duas pessoas não é estranho, é porque elas foram feitas uma para a outra' (ou qualquer coisa assim). Essas paragens perto de minha casa depois dos cafés com os amigos tornaram-se mais frequentes até que um dia, já abraçada a Ele e no meio do silêncio Ele olha para mim, coloca a mão no meu queixo e sussurra 'Já não aguento mais.' Foi então o primeiro beijo, leve, suave mas que me fez perder completamente as minhas forças, não senti as pernas e senti-me ligeiramente tonta, nem conseguia acreditar que nos tínhamos beijado.

      Desde aquele beijo já se passaram alguns anos. Já vivemos muitas aventuras juntos. Já muita coisa mudou num e no outro, os sonhos tornaram-se comuns, os objectivos têm sido traçados juntos e estamos a pouco menos de oito meses do nosso grande dia. Desde aquele primeiro beijo que me deixou de coração derretido que o nosso amor tem crescido. Sinto que hoje o amo mais que ontem, que hoje o desejo mais que ontem e que só quero passar com Ele o resto dos meus dias. Desde aquele beijo que me sinto uma nova pessoa, uma pessoa feliz e muito se deve a Ele, a este amor incondicional que me dá, às nossas parvoíces, às nossas aventuras, ao nosso sonho. Hoje temos um terreno, temos um projecto em comum e contamos os dias para o casamento. Tudo começou de uma forma simples, natural e assim se pode descrever a nossa relação, simples, natural e cheia de amor, de conforto um no outro, de carinho, de gargalhadas e de companheirismo. Não há dia que não pense no nosso amor, na nossa história. E tudo começou numa Comissão. Tudo começou numa festa religiosa. Tudo começou numa frase parva. Tudo começou com um simples beijo. E hoje, esse 'tudo' é a nossa história, é a história do nosso amor.

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