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justsmile

18
Jun20

"E o bebé, quando vem?"

(Imagem retirada daqui)

         Num destes dias estava à conversa com a minha irmã sobre bebés. Ela espera pelo segundo filho e eu comentava com ela como ter filhos ainda me assusta. À minha volta estão bebés por todo o lado ou grávidas, vejo as minhas amigas de infância terem filhos e fico muito feliz por elas, mas ainda não me consigo ver como mãe ou como grávida e esta é a pergunta que mais me fazem nos últimos tempos. Quase a fazer dois anos de casada a primeira pergunta que me fazem quando me vêem passado algum tempo ou até pela primeira vez, é: para quando o bebé. Prontamente respondo "primeiro tenho de dar à luz uma casa e depois logo se verá", claro que isto pode ter dois tipos de caminhos, iniciar uma série de argumentações em como a nossa casa é pequena e mal dá para nós ou em como não devemos esperar muito tempo e blá blás. Ultimamente não tenho tipo hipóteses em conseguir fugir a este tipo de questões, mas a verdade é que não é só a casa que me impede de ter filhos neste momento (apesar de, acreditem, é um dos principais motivos), mas é também a sensação de imaturidade e até mesmo (quem sabe) de algum egocentrismo.

       Ser mãe sempre foi uma das coisas que desejei e continuo a desejar, não me interpretem mal, mas sinto que ainda não fiz tudo o que queria fazer antes de avançar para essa nova fase da minha vida. Sinto que neste momento sinto-me tão plena na vida que tenho e no meu corpo que alterar tudo isso torna-se, ligeiramente, assustador. Gosto da minha liberdade, gosto da minha capacidade financeira para pensar numas férias, gosto de ter os meus momentos sozinha com o meu livro ou uma boa série, adoro manter a casa arrumada e gosto da nossa relação, a dois. Por muito que queira acreditar que algumas das coisas se mantêm depois de ter um filho, eu não consigo acreditar que a transformação não será mais que gigante e que a minha vida será totalmente diferente e dedicada ao trabalho e a um ser pequenino. Receio perder o meu espaço, o meu momento e até toda a tranquilidade interna que fui conquistando ao longo dos anos. E é aqui que vejo o meu egocentrismo, ainda não fiz o mestrado que queria, ainda não visitei Nova Iorque como imaginava e ainda não fui capaz de fazer aquela Roadtrip por Itália que teve de ser adiada. E sinto que ao ter filhos estou a adiar indefinidamente os meus projectos pessoais.

         Sei e tenho a certeza que se vier a ser mãe sem tais conquistas isso não me fará confusão e que amarei qualquer ser vindo de mim, mas neste momento sinto que corro contra o tempo e que este não está a meu favor. Ele quer filhos, eu quero aventura, quero crescimento e só depois os filhos. Temporalmente as coisas parecem não ter qualquer tipo de congruência e sei o que vão dizer "mas vais poder fazer tudo isso com filhos" e até acredito que sim, mas sei que tudo será muito mais complicado, muito mais sofrido e não sei até que ponto é que não desistirei desses objectivos com o intuito de ser uma boa mãe.  E o meu corpo? Finalmente me sinto confortável na minha pele, pela primeira vez estou como sempre desejei e sinto que ao ter filhos o meu à-vontade irá desaparecer. Sei que poderá ser tudo da minha cabeça, mas a verdade é que com a chegada de um bebé a minha vida mudará para sempre.

        E estou cansada da pergunta "e o bebé quando vem? Não deixem para muito tarde que depois são só problemas e já não vão ter paciência", pois em mim a resposta nunca é tão simples como a que dou a entender, inicia-se sempre uma batalha argumentativa dentro da minha cabeça em que só me apetece parar o tempo e deixar correr. Quero filhos, só gostava de ter mais meia dúzia de anos para os ter.

18
Jul08

'Tá lá?

- Quem fala? - perguntei quando atendi o telemóvel.

- Já nem me conheces? Que rica amiga fui arranjar. - responderam-me do outro lado.

- A.?

- 'Tava a ver que não!

- Oh tempo rapariga! Que é feito de ti? - perguntei com alguma nostalgia.

- É pá, nada de novo. Já sabes como sou, sempre a mesma maluca. - respondeu ela rindo-se.

Já nem me lembrava da última vez que tinha falado com esta maluca e ontem ela decidiu telefonar-me.

- Então e o que há de novo? - questionei.

- É... telefonei-te para dar uma noticia, 'tou grávida!

- O quê??? Não me gozes A.!

- Não 'tou a gozar, juro! Mas pronto, é só para saberes que vais ser 'titi'!

- Tu sabes o que são preservativos? Sabes o que é a pílula? - Claro, como do costume tive de dar a minha lição de moral.

Fiquei parva! Há quase quatro anos que não falava com ela e quando ela me telefona é para dizer que está grávida. Ela tinha sido uma das minhas melhores amigas quando era pequena, daquelas com quem brincamos às casinhas e fazemos piqueniques, daquelas amigas com quem fazemos planos para o resto da vida. Imaginavamo-nos com 30anos e ainda amigas como sempre fomos, mas ela foi para fora do país e só de longe a longe é que trocavamos alguns mails e quando ela vinha aqui à terra (o que era muito raro) é que punhamos a conversa em dia. Tinhamos tantos planos para o futuro...

- E agora o que vais fazer A?

- Vou ter a criança e vou morar para casa do meu namorado, sabes J. não é assim tão mau quanto parece...

- Então e a Universidade?

- Esse sonho já era miga, quando cá cheguei e reprovei duas vezes desisti da ideia só queria era acabar o ensino obrigatório que finalmente acabei.

Estava mesmo incrédula... As coisas mudam mesmo de um momento para o outro e tudo por um descuido não me imagino nem quero imaginar a ser mãe numa altura destas, seria uma irresponsabilidade total e todos os meus sonhos estariam terminados.

Estivemos duas horas ao telemóvel a falar de tudo, e no final da conversa até acabei por aceitar a ideia, mas também não me restavam muitas alternativas. Vou mesmo ser 'Titi' como ela disse. Desejei-lhe toda a sorte do mundo e espero que ela seja muito feliz pois bem merece.

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