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justsmile

20
Nov17

Como sair frustrada de uma consulta

(Imagem retirada daqui)

 

      Como já vos falei sou uma pessoa com uma pele extremamente sensível. Existem vários produtos no supermercado que me fazem ter reacções alérgicas, desde comichão na pele, vermelhões, pequenos pontos sebáceos, nada grave, mas sempre bastante incomodativo. Sou a pessoa que não pode usar um creme qualquer que tem logo algum tipo de reacção, sou a pessoa que faz reacção às giletes e que até a alguns tipo de sabonete. Desde que comecei a trabalhar que decidi que só colocaria no meu rosto, parte mais sensível, produtos aconselhados pelo dermatologista. A minha primeira consulta foi há quatro anos e desde então que tinha mantido o mesmo creme e a mesma solução de lavagem, no entanto nos últimos tempos notei que a eficácia do creme estava a diminuir e que a minha pele ficava ao fim de algumas horas muito (e quando digo muito é mesmo muito, ao ponto dos óculos me escorregarem pelo nariz) oleosa. Com o creme a terminar decidi marcar consulta no privado utilizando o meu plano de saúde e obtendo a consulta a 50% do seu valor cobrado. No ano passado tinha repetido a proeza porque queria fazer um tratamento medicamentoso para diminuir a oleosidade da pele, mas como o meu primeiro médico não tinha compatibilidade de horários, decidi escolher outro médico e este ano pedi a consulta para este segundo médico. Na última vez que tinha estado com ele pediu-me para manter os cremes e apenas fiz o tratamento de três meses do qual fiquei minimamente satisfeita (notei alguns efeitos, mas nada de especial).

      Assim, num destes dias depois do trabalho voltei a ver o médico que há um ano me tinha atendido. Lá perguntou o que queria e respondi que o meu creme hidratante já não estava a surtir efeito e que se calhar precisava de mudar. Questionou se queria fazer novamente o tratamento do ano anterior, o qual declinei devido a andar a fazer a depilação a laser (um milagre há muito desejado!). Olhou para mim, aproximou-se da minha pele e apenas disse:

      - Vai deixar de usar os produtos. - Ok, até aqui percebi, afinal tinha sido para isso que lá tinha ido.

      - Sim, e agora o que vou fazer? 

      - Usa maquilhagem? - questionou-me, ao que respondi que não. Que tinha tanto receio de ter reacções aos produtos que raramente usava maquilhagem. - É uma pena, mas vou receitar-lhe um fixador. O ideal é usar por cima da maquilhagem.

      - Mas eu não uso maquilhagem... - a primeira coisa que me passou pela cabeça é que realmente sou muito feia, para ele insistir tanto para ter de usar maquilhagem.

      - Não tem mal, pode usar mesmo sem maquilhagem. Mas o ideal era com maquilhagem. - insiste ele novamente.

      - Mas deixo de usar a solução de lavagem e o hidratante? - volto novamente a questionar, não fosse ele não ter percebido a minha insistência à primeira.

      - Deixa tudo, lava só com água o rosto e coloca o fixador. É suficiente para hidratar a sua pele. - fiquei calada, a olhar para ele com ar de quem pensa 'não acredito nisto!' - Tem mais alguma pergunta? - Levantei-me e comecei a preparar-me para sair.

      - Não, obrigada. Boa noite!

    Saí da consulta sem saber o que se tinha passado. Ok, não sou dermatologista e nem sequer percebo nada de maquilhagem, mas aquela consulta parecia-me simplesmente surreal. O que só piorou quando fui pagar a maldita e me informaram que as consultas tinham aumentado o preço em Maio! Frustrada, irritada e com a carteira bem mais leve, a caminho de casa parei na Farmácia e expliquei da forma mais sincera possível a minha última consulta, pedindo no fim a opinião da farmacêutica. Naquele momento, depois de ter gasto uma pequena fortuna numa consulta da treta de dez minutos, não me apetecia nada gastar o mesmo valor num produto que não serviria para nada. 

      - E não deu nenhum creme? - nego mostrando a receita médica. - E mandou retirar a solução de lavagem? - volto a confirmar. - Eu não quero ir contra ao que o médico disse, mas realmente não consigo compreender, principalmente se não usa maquilhagem. - volta a olhar para mim e a confirmar a minha cara de incrédula.

      - Se estivesse no meu caso que produtos sugeria? - E lá foi ela mostrar-me uns quantos produtos e explicou-me tudo sobre cada um deles e porque seriam adequados. Indicou-me o preço e referiu as palavras que queria ouvir, à base de produtos naturais para eu não ter reacções alérgicas. Depois de uma consulta que me custou uma fortuna, depois de dez minutos de frustração com um dermatologista que me pareceu pouco interessado em resolver o meu problema, saí da Farmácia com nada do que ele me receitou. Saí com um champô e um Sérum hidratante num valor inferior ao da consulta e hoje, ao fim de quase um mês de utilização dos produtos, estou bastante satisfeita com o resultado. Finalmente o meu cabelo parece estar a secar. Finalmente o Sérum parece ser o indicado para a minha pele e sabem que mais? A solução de lavagem manteve-se e estou realmente satisfeita com o produto. Fui gastar 45€ numa consulta, que sem plano de saúde seria 90€, para rigorosamente NADA. Cheguei a casa frustrada, irritada, mas pelo menos até agora pareço ter encontrado a solução para os meus problemas, apenas não no dermatologista, mas na Farmácia.

       Ai que dinheirinho mais mal gasto! Ai os meus 45€! Quem mais já teve destas situações?

10
Ago16

Livros, a medicação para a mente

(Imagem retirada daqui)

 

Este fim-de-semana, prestes a terminar o quarto livro de 'As Brumas de Avalon', olhei para a minha estante e apercebi-me que não tinha mais nenhum livro para ler (coisas de poupanças). Entrei realmente em alvoroço, comecei imediatamente a pesquisar livros em que estava interessada, em segunda mão, e a contactar possíveis vendedores. Andei a averiguar nos sites as promoções e ainda a ver algumas sugestões. O pânico instalou-se quando me apercebi que por muito que encomendasse os livros em segunda mão ou em livrarias, estes nunca chegariam esta semana a casa (o correio azul faria com que a poupança fosse nenhuma), ainda assim encomendei dois online e outro decidi comprar numa livraria perto de mim, não fosse no próximo fim-de-semana não ter livros para me acompanharem para a piscina.

Chego a casa todo contente e informo a minha mãe de que chegarão nos próximos dias dois livros pelo correio, pois costuma ser ela a receber o senhor.

- Foste à farmácia. - interpretei isto como uma pergunta e não como uma afirmação.

- Não, não tinhas pedido nada da farmácia. - respondo eu a imaginar que já me tinha esquecido de algum recado (coisa perfeitamente normal!).

- Não, tu foste à tua farmácia buscar a tua medicação. - e eu ainda confusa.

- Mas eu não preciso de nada...

- Não rapariga, foste à tua farmácia buscar livros. Bem que é uma farmácia mais saudável.

E nisto ri-me que nem uma perdida, por não ter percebido a conversa, mas principalmente por em tão poucas palavras a minha mãe ter resumido tão bem a importância dos livros para mim. Os livros são realmente como uma medicação para a minha sanidade mental, as livrarias são sem dúvida a minha farmácia. E que tratamentos tão saudáveis e tão completos que me dão!

 

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