Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

justsmile

05
Jun18

A despedida de Solteira

      Com a promessa de um mês de Junho cheio de trabalho, pedi à minha irmã e madrinha de casamento, que a minha despedida de solteira fosse logo no início do mês. Ele iria para a despedida de solteira dele durante um fim-de-semana inteiro e eu aproveitava e fazia a minha também. Não tinha expectativas, não sabia bem o que me esperava e a verdade é que nem me preocupei com o assunto, simplesmente decidi que nesse dia me deixaria guiar por todas as mulheres que iriam participar na despedida de solteira. De manhã decidi ir ver a festa de Finalistas do Jardim de Infância do meu sobrinho (arre que o pirralho está grande!) que durou mais do que esperado e levou-me a uma corrida contra o tempo para conseguir chegar a casa a tempo de almoçar e preparar o meu saco da piscina, tal como pedido pela minha irmã. 

IMG_20180602_163527.jpg 

       Depois do almoço lá nos metemos num carro com as minhas primas, irmã e tia, sem saber bem para onde íamos, já sabia que pelo menos seria para um Spa, quando me apercebi que seria para o Porto Vila Galé Hotel. Sorri de orelha a orelha, depois da semana complicada que tinha tido o que mais me apetecia era relaxar, desligar o cérebro e deixar os músculos relaxarem. Adorei! O Spa falhou com a falta de jactos na água e com a água mais fria que morna, mas de resto foi fantástico. O jacuzzi era perfeito, a sauna também e a piscina permitia dar umas boas braçadas. Foi o início de uma despedida de solteira perfeita, com uma vista invejável sobre a cidade do Porto e com o ambiente perfeito para relaxar, e só eu sei o quanto estava a precisar disso. Conversámos, rimo-nos e relaxamos, tal como o planeado.

34266663_2115936721768967_2508213527374725120_n.jp

       Quando saímos do Hotel, já relaxadinhas e cheirosas, não fazia a menor ideia do que me esperava. Deixei-me novamente guiar por todas elas quando compreendi que estávamos a chegar ao Parque da Cidade do Porto e que a minha despedida de solteira iria ser um piquenique. Elas incorporaram o meu casamento de sonho na minha despedida de solteira de sonho, a ideia partiu da minha irmã e é a ela que tenho de agradecer todos os pormenores, todas as ideias e todo o trabalho desta despedida de solteira. O Cantinho para onde me levaram estava enfeitado a preceito, cheio de balões, plaquinhas e pequenas coisas que tornavam tudo super giro. A minha irmã até ao trabalho de colar etiquetas nos copos de plástico se deu com a informação 'A Hora da Despedida da Just'.

_DSC00802.JPG

       Estava tudo tão giro e tão perfeito que imaginei logo o que ali faltaria, estava a faltar a parte parva do dia. Digamos que a minha família tem uma tendência para a parvoíce (sempre no bom sentido) e para a brincadeira e foi quando me alertaram para uma prenda compreendi que ali deveria estar a parte mais divertida da festa. Dentro de uma caixa toda gira estavam quatro rolos de papel higiénico, o objectivo? Fazer o meu vestido de noiva. Para completar, ainda me arranjaram os tão falados sapatos vermelhos que falei durante toda a minha vida. Além do bouquet que estava integrado num rolo de papel higiénico (ups, não tenho fotos do maravilhoso vestido sem se ver a minha cara...). Já vestida a preceito comi, bebi e diverti-me com algumas das pessoas mais importantes da vida, entre amigas que tinham estado à nossa espera, e a minha família. Ainda me fizeram um jogo com perguntas que Lhe tinham feito e em que o objectivo era ver em quantas acertávamos. Falhar realmente falhámos em duas, isto porque depois vi o filme em que Ele dava as respostas, "Quem é mais teimoso?" eu respondi que obviamente era Ele e Ele respondeu que ambos, vá, talvez tenha sido mais sincero. A seguinte foi a questão que realmente discordei, era óbvio que eu conduzia melhor e não Ele, mas Ele discordou. De resto estivemos imenso em sintonia e acertámos em quase todas as questões.

_DSC0134.JPG

       Sendo um dos elementos mais novos da minha família directa, ainda cedo muitas das mulheres tiveram de ir embora por terem filhos à espera, no entanto as minhas amigas ficaram e decidiram levar-me até ao cinema. O filme foi do mais parvo que vi, no entanto, foi a partilha do tempo delas comigo, foi a tentativa de marcar o meu dia que mais me tocou. Sem dúvida que esta despedida superou todas as minhas expectativas, sem dúvida que tinha tudo a haver comigo e não falhou nada. Não há nada que mudasse desse dia e só tenho a agradecer a todas as pessoas que fizeram parte dele. Naquele dia, naquela despedida ainda um quanto ou tanto precoce, percebi o quanto sou amada por quem me rodeia. Foi a melhor despedida de solteira de sempre!

 

P.S.: Fotografias de Just Smile.

22
Mai18

E o que os outros pensam?

(Imagem retirada daqui)

 

       Desde pequena que os meus pais me incutiram valores e ideais que ainda hoje agradeço por aquilo que me ensinaram, pela educação que me deram. Durante grande parte da minha vida não me apercebi disso, mas foi com a maturidade, com a convivência com outras pessoas que me comecei a aperceber que talvez a educação que os meus pais me deram não foi assim tão semelhante à maioria das pessoas. Sempre vivi numa aldeia, ainda hoje é aonde permaneço e aonde quero construir a minha casa, e quando refiro que vivo numa aldeia as pessoas assumem imediatamente que toda a gente se conhece e que a galinha da vizinha é a mais cobiçada ou até, simplesmente, começam a falar da mentalidade antiga que ainda existe. Acredito que tal coisa aconteça na terra onde vivo, não o nego, mas a verdade é que tudo me passa ao lado. Se se ouve falar da vida de outras pessoas? Claro, como também vemos nos jornais e nas revistas, mas não acredito que seja diferente de outro qualquer lado. A diferença é que na aldeia há uma maior proximidade que na cidade, daí talvez existirem essas ideias pré-concebidas. É óbvio que sei que algures no tempo o meu nome foi falado por este ou por aquele, é claro que sei que a minha família já foi falada, assim como sei que há quem fale bem e quem fale mal, mas não é mesmo assim a nossa sociedade? Falarmos uns dos outros? Não vejo grande problema nisso, não me preocupa e muito menos vivo a minha vida a pensar no que os outros dizem dela, e é aqui que me apercebi que esta minha mentalidade vem da educação que os meus pais me deram.

       Lembro-me de ser pequena e a minha mãe apoiar a diferença, nunca quis que eu simplesmente fosse como os outros. Lembro-me bem dos meus irmãos incentivarem o pensamento próprio, a minha própria personalidade e não simplesmente ir atrás de alguém apenas porque diziam para ir. Ensinaram-me a questionar isto e aquilo, ensinaram-me a viver a minha própria vida sem viver da influência dos outros nela. E esse foi um dos maiores valores que a minha família me deu e só hoje o consigo compreender. Choca-me pessoas adultas, independentes e sem terem que se justificar seja a quem for utilizarem frases como Andam aí a dizer na terra... Não fica bem fazeres isto ou aquilo... E o que os outros vão pensar? Fico sempre com um ar surpreso quando alguém utiliza tais frases e inicialmente nunca sei bem como reagir porque tais argumentos nunca tiveram qualquer peso nas minhas decisões, nas minhas crenças nos meus pensamentos e não o digo simplesmente para ficar bem, digo-o porque é verdade, porque foi assim que cresci. Os meus pais sempre me ensinaram que devia tomar as decisões de acordo com a minha consciência, com os meus valores e seguindo aquilo em que acredito, em momento algum me disseram Olha o que os outros vão pensar! Inclusive, quando a vida esteve mais difícil, quando o meu pai emigrou, nunca vi neles qualquer tipo de pensamento sobre o que os outros iriam dizer ou sobre o que se iria falar na terra sobre eles, apenas vi nos seus rostos o peso de uma decisão difícil e nunca os ouvi lamentarem sobre o assunto. Recordo-me de que quando comecei a conviver com as pessoas da terra, inclusive Ele, em que todos pensavam que a minha família estava bem, e essa nunca foi uma imagem que tentamos passar em tempos difíceis, mas era sim aquilo em que queríamos acreditar, que do pior nos estávamos a safar e apenas tínhamos de agradecer pelo que tínhamos. Os meus pais nunca quiseram viver num faz de conta, nunca quiseram parecer a família perfeita, mas também nunca quiseram viver preocupados com a aparência e nunca se preocuparam com a imagem ou com aquilo que diziam deles. Apenas quiseram viver de bem com a consciência e quando tal não acontecia, fazer o melhor para resolverem a situação, sem nunca pensarem nos outros, apenas neles e na sua família. E agradeço tanto isso aos meus pais, agradeço tanto este ensinamento, pois vejo que assim vivo mais feliz, vivo melhor comigo própria.

       Quando ouço a frase e o que os outros pensam? digo vigorosamente que pouco me importa, apenas eu posso viver a minha vida, apenas eu posso tomar as minhas decisões e o que os outros pensam pouco me importa. Importo-me sim com a minha família e com a sua opinião, próxima e um pouco mais alargada, preocupo-me com a opinião dos meus amigos, mas não quer dizer que tome decisões apenas baseadas nos seus argumentos e preocupo-me comigo, com a minha consciência e com o meu bem estar. E os outros? Os outros estão fora desta bolha em que vivo e pouco me importa o que pensam, o que dizem ou o que fazem. Podem dizer o que quiserem, pois só eu sei a verdade da minha vida. Se todos vivessemos assim, apenas com o pensamento em nós próprios e nos nossos, não seriamos uma sociedade mais feliz?

 

04
Mai18

Aquela coisa chamada 'Sessão de Solteiros'

(Imagem retirada daqui)

 

       Eu e Ele sempre tivemos a noção, desde a primeira fotografia, que nem um nem outro tinham jeito para a coisa. Quando tentamos tirar uma selfie ou até uma fotografia normal, Ele acha sempre que ficou mal e eu chego ao ponto de dizer que está excelente apenas para não ter de tirar outra. Ora, uma pessoa perfeccionista e a outra sem paciência, juntas dá uma junção de pouquíssimas fotografias juntos. Aliás, no geral, aproveitamos tão bem o tempo que estamos juntos, seja em viagens ou até numa simples saída a dois, que nunca nos lembramos de tirar fotografias. É algo rotineiro dizer 'raios, queria fazer um post no blog para falar sobre este restaurante, mas agora já comemos tudo', ou (ainda pior), 'oh, devíamos ter tirado uma fotografia naquele sítio que era tão giro'. Além de não nos considerarmos as pessoas mais fotogénicas à face da terra, ainda temos a falta do gene de tirar fotografias.

      Assim, procurar fotógrafo foi um dos processos mais complicados na preparação do casamento até agora. Tínhamos receio das poses, de não ficarmos bem, de não termos paciência para a coisa e até do jeito da própria equipa que nos acompanharia no próprio dia. Até que ao fim de muita discussão entre um e outro, de muita argumentação, de muitos orçamentos e depois de termos visto imeeeeensos casamentos decidimos por um que nos enchia as medidas (lembram-se disto?). Queríamos algo divertido, tipo fotoreportagem e sem as habituais poses e, principalmente, bonito e de bom gosto que não nos levasse a carteira e a conta bancária (ainda assim nunca pensei dar tanto por um fotógrafo, agora imaginem que foi dos mais baratos que gostamos...). Quando finalmente tomámos a decisão fomos então tratar do pack e optamos por um que incluía a sessão de solteiros, algo que até ao momento de ficar noiva não sabia que existia. Na altura achei estranho, porque raio haveria eu de querer fazer uma sessão de solteiros se não gosto sequer de tirar fotografias? E é aqui que se iniciou a nossa argumentação, a sessão de solteiros serviria para:

        - Conhecer melhor os fotógrafos e sentirmo-nos mais à vontade com eles para o dia do casamento;

        - Para nos habituarmos a ter alguém a tirar-nos fotografias;

        - Para compreendermos o que realmente é tirar fotografias.

      Lá nos consciencializamos de que o ideal seria mesmo fazer uma sessão fotográfica de solteiros, apenas para nos adaptarmos a essa coisa chamada 'fotografia'. No entanto, não sendo a Just e Ele pessoas propriamente normais, decidimos que mais que uma sessão de solteiros, queríamos também fazer algo com alguns amigos e família, no fundo uma espécie de brincadeira para dinamizar um bocadinho a coisa. Por proposta do fotógrafo, de manhã tiraríamos apenas eu e Ele fotografias juntos e de tarde juntar-nos-íamos aos amigos. E assim foi, no dia 1 de Maio de manhã eu e Ele fomos para a Marina da Afurada (apesar do fotógrafo achar que aquilo se chamava Freixo e andarmos desencontrados por uma quantidade estranha de quilómetros) e tirámos umas quantas fotografias. Admito que inicialmente foi bastante estranho, eu e Ele não percebíamos bem o que estávamos ali a fazer, nem como nos deveríamos comportar e posicionar, no entanto o fotógrafo deu-nos uma ou outra dica, principalmente 'brinquem um com o outro, divirtam-se e nós só fotografámos', o que acabou por acontecer. Começamos a brincar um com o outro, basicamente a dizer parvoíces uma atrás da outra (tão típico nosso!) e só assim começamos a sentir-nos à vontade. Não foi tão difícil como tinha imaginado e apesar de ter sido um nadinha constrangedor no início, a verdade é que esse sentimento passou e facilmente nos divertimos com a situação e aproveitamos o momento. Parámos ainda um bocadinho no Cais de Gaia para mais algumas fotografias com a minha cidade e digirmo-nos para uma tarde divertida no Parque da Cidade do Porto. 

        A tarde com os amigos e com a família foi super divertida e correu melhor do que alguma vez poderia ter imaginado. Divertimo-nos um com os outros, brincamos e ficamos com imagens fantásticas. Éramos mesmo nós naquelas fotografias? Admito que este pensamento percorreu imensas vezes a minha cabeça, cada vez que o fotógrafo nos mostrava algumas imagens parecia que estava a ver outras pessoas, alguém habituado a câmaras, habituado a flashes e que faziam sessões fotográficas diariamente. Foi nesse momento, no final desse dia de família, amigos e muito amor que me apercebi que fazer a sessão de solteiros foi uma das melhores decisões que tomamos. Não só ficamos a conhecer melhor os fotógrafos, como eles a nós, como ficamos de tal forma à vontade que as fotografias tiveram a capacidade de captar a nossa essência, aquilo que realmente somos, e não pretendíamos mais que isso. Percebemos que os fotógrafos eram tão loucos como nós e eles perceberam que os nossos amigos ainda conseguem ser mais.

       No final deste longo dia, mas realmente memorável, já deitados no sofá comentamos um com o outro "Hoje demos mais beijos em público do que alguma vez tínhamos dado em tantos anos de namoro, hoje demonstramos aquele romantismo que até nós desconfiávamos ter". Rimos um com o outro, mas ambos de coração cheio e orgulhosos, não só das nossas escolhas, mas das pessoas que temos na nossa vida.

Sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Segue-me ainda em...


Justsmile91's book recommendations, liked quotes, book clubs, book trivia, book lists (read shelf)
Revista Inominável

Nas páginas de...

2018 Reading Challenge

2018 Reading Challenge
Justsmile91 has read 0 books toward her goal of 12 books.
hide

Parcerias

Emprego em Portugal