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justsmile

29
Nov18

Ele não é minimalista

(Imagem retirada daqui)

       Quando decidimos casar eu já sabia que Ele era desarrumado. Já sabia que Ele tinha mais roupa que eu. Já sabia que organização não era o seu ponto forte e até sabia que as migalhas do pão ficavam espalhadas na mesa quando fazia o lanche. Sabia perfeitamente que Ele não se preocupava com o vinco da toalha torta, mas que o vinco das camisas tinha de ser perfeito. E ainda sabia que tarefas domésticas e cozinhar não eram com Ele. Até já sabia que Ele não tinha nada, rigorosamente nada, de minimalista. Sabia tudo isso e ainda assim decidi casar com Ele, porque o amava (e hoje amo ainda mais). Em quase cinco meses de união Ele mudou muito, o sábado é o dia das tarefas domésticas para Ele enquanto eu trabalho e orgulho-me da forma como Ele assume isso como sendo uma tarefa d'Ele. Já é capaz de cozinhar para além de grelhados e até tem uma boa mão para a coisa. É Ele que lidera a máquina de lavar louça e até quem se preocupa em dar um jeito aos vidros (coisa que realmente me passa ao lado).  No entanto, Ele não é minimalista.

       Viver juntos foi no início uma verdadeira aventura e só há pouco tempo é que as coisas começaram a entrar nos eixos e que rotinas começaram a ser instaladas. Admito que nunca pensei que demorássemos tanto tempo a conseguir estabelecermos uma rotina confortável, logo eu que adoro rotinas, mas as nossas vidas sofreram tantas mudanças, para além do casamento em si, que é compreensível que fosse difícil de conciliar tudo e mais alguma coisa. No espaço de três meses casamos, começamos a viver juntos, mudei de emprego, Ele tornou-se treinador de futebol e eu comecei a estudar, mesmo continuando a trabalhar ao sábado. Num espaço tão curto de tempo tudo nas nossas vidas mudou e isso levou a que demorássemos a criar rotinas nas nossas vidas. Admito que inicialmente não foi fácil, mal nos cruzávamos, poucas vezes jantávamos juntos e que não tínhamos propriamente horas de jantar e de realizar as tarefas domésticas. Admito até que me foi bastante custoso a nível emocional, porque para além de todas as mudanças os hábitos pessoais de cada um começaram a chocar e foi necessária muita conversa, muita cedência e até muito planeamento.

       O facto de Ele não ser minimalista mexeu um bocadinho comigo, não pela quantidade de coisas que tem, que apesar de não ser semelhante à minha, aceito e respeito, mas pela falta de arrumação e de organização d'Ele. Eu, que ao longo do último ano, tinha batalhado comigo mesma a ser mais organizada, mais arrumada e com alguns métodos para a manutenção do minimalismo na minha vida, vi-me de repente rodeada de coisas espalhadas e de tudo menos minimalismo. Inicialmente fui aceitando, mas chegou a um ponto (claro que num momento de maior cansaço físico e emocional) que tudo me pareceu transformar-se num bicho de sete cabeças e que me senti sufocada por toda aquela confusão em casa. Não foi fácil, Ele aceitar os meus hábitos e eu aceitar os d'Ele, mas após algumas conversas e até discussões, conseguimos chegar a um meio termo e desde então que as coisas têm corrido bem. As rotinas aos poucos têm sido implementadas e estamos a chegar a um ponto confortável da vida em comum, quanto à nossa relação? Cada vez mais forte, sem dúvida alguma. Ele não virou minimalista, mas aceita mais as minhas opiniões e começou a compreender que deixar a roupa espalhada pela casa e até o calçado que não dá, nem traz qualquer tipo de conforto (até porque sou sempre a primeira a sair e normalmente, a última a chegar). Ele começou a compreender que a arrumação diária é necessária para manter uma casa organizada e sempre com um aspecto bonito, confortável e até aconchegante. Eu comecei a aceitar as pequenas coisas que me faziam confusão, afinal tive também de compreender que somos diferentes e que é no nosso equilíbrio que nos complementamos.

        A chave para tudo isto? A comunicação, desde que fomos abertos um com o outro, sobre o que necessitávamos de mudar que as coisas foram melhorando, não que algum dia tenham sido terríveis, mas simplesmente melhoraram. Aos poucos, de uma forma quase inconsciente, a rotina foi-se instalando, uma rotina em que ambos estamos confortáveis e em que ambos conseguimos ser nós próprios. Afinal, Ele não é minimalista, mas também não precisa de o ser para sermos felizes juntos.

 

P.S.: Ninguém me venha dizer que os primeiros tempos a viver com uma pessoa são só um mar de rosas!

15
Mai17

São 9 anos de Just Smile

(Imagem retirada daqui)

 

Quando comecei a escrever por estes lados nunca pensei no sentido que este cantinho viria a ter na minha vida. Nunca pensei que com ele fizesse amizades. Nunca pensei que com ele acabasse por escrever a minha própria história. Nunca pensei que com ele aprendesse tanto. Nunca pensei que com ele me sentisse tão completa. Muito menos pensei que seria a Just Smile durante 9 anos. É quase uma década de Just Smile. É quase metade da minha vida a ser a Just Smile. É quase uma década a pertencer ao Sapo, a esta enorme família que cresce de dia para dia. São 9 anos a conhecer blogs, a vê-los crescerem, mas também desaparecerem. São 9 anos de mim mesma. 

Quando cá cheguei não sabia bem o que esperar. Aliás, talvez o soubesse e nunca esperasse nada. Escrever era o meu modo de lidar com a vida e de desabafar. Hoje este cantinho deu uma volta que nunca imaginei. Nunca imaginei que se torna-se uma parte de mim, nunca pensei que um dia me viria a apresentar como a Just Smile, nunca pensei que as pessoas que um dia foram virtuais também o passassem a ser reais para mim. São 9 anos de muitas lágrimas, muitos sorrisos, muito companheirismo, mas principalmente de mim, Just Smile. São 9 anos a conhecer-me a mim própria, a tomar consciência daquilo que sou e daquilo que quero ser. São 9 anos de auto-reflexão, de novos capítulos da minha vida e de novas aventuras.

São 9 anos de Just Smile!

 

 

 

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