Selva na estrada

(Imagem retirada da Internet)
Conduzo há pouco tempo, há menos de um ano e a verdade é que por conduzir todos os dias parece que conduzo desde sempre. E desde então acho que me tornei numa condutora um bocado resmungona, em que comento tudo o que se passa à minha volta. Vá, eu evito fazê-lo quando tenho companhia porque sei que é chato, mas quando estou sozinha até chego mesmo a praguejar contra os outros condutores. A verdade é que em tão pouco tempo de condução já me aconteceu praticamente de tudo, já tive um acidente, já fiquei parada no meio da estrada à espera do reboque, já furei um pneu, já saí do carro para após uma pequena esmurradela mandar o homem que me bateu para casa, já consegui evitar acidentes e até já vi a minha vida passar-me à frente dos olhos. Também já me perdi e descobri o caminho, já fui gozada por um homem numa bomba de gasolina por estar a pôr gasolina no carro (sim, porque o velho devia achar que por ser mulher não sabia pôr gasolina...), realmente já me aconteceu praticamente de tudo. Apesar de já ter tido muitas aventuras com o meu bolinhas, há ainda coisas na estrada que me irritam profundamente.
Tal como na rua, cada vez menos as pessoas dão o favor de se arrumarem para as outras passarem (obrigando o outro a sair do passeio ou até mesmo a ser obrigado de esperar que a madame ou o cavalheiro passe), na estrada acontece o mesmo. Odeio quando vou numa estrada principal e um carro que vem de uma rua perpendicular mete o 'focinho' todo na estrada para que simplesmente sejamos obrigados a deixá-los passar, e o pior é que depois fazem aquele sorriso parvo de quem acha que tem razão! Muitas vezes, metem-se à nossa frente cheios de pressa e passados 50 metros param no meio da estrada ou viram na rua seguinte. Depois são os velhos, sim os velhos, aqueles de cabelos brancos e rugas no rosto que já deviam há muito ter deixado de conduzir e que vão na estrada a 40 km/h e que não nos deixam ultrapassar porque vão no meio da estrada. Normalmente até tenho receio deles, não dão piscas, por norma travam cada vez que vêem um camião a vir na direcção deles e muitas vezes metem-se sem olhar para os lados. Ou seja, quando vejo um velho num carro tenho a minha cautela mais que duplicada, não vá ele lembrar-se de me bater.
Piscas! Outra coisa que me deixa irritada e que ao mesmo tempo indignada. Quantas vezes estou eu num cruzamento à espera de uma vaga para avançar e vejo dezenas de carros a virarem e sem darem os piscas, não me dando oportunidade de avançar? Sim, porque ainda não sou bruxa para ler os pensamentos dos condutores e também não compreendo o que custa ligar o pisca, eu sei que o barulhinho é chato, mas são apenas dez segundos, qual a necessidade de ficarmos parados num cruzamento durante meia hora porque o outro não usa pisca? Acho que é um mistério que morrerá com a humanidade, o porquê de todos não usarem uma luzinha que pisca quando viram.
Mas não são só os velhos, a falta de piscas e os que metem o 'focinho' no meio da estrada que me irritam, os que ultrapassam na via contrária. Sim, aqueles que quando têm um carro estacionado na sua via e vêem que vimos de frente e que já estamos perto, mas insistem em ultrapassar. E lá vamos nós a carregar a fundo no travão para que não haja nenhum acidente! Este pessoal parece que não sabe esperar...
A estrada está cada vez mais parecida com uma selva, onde os animais lutam pela sobrevivência, a única diferença é que não sei o que substitui a sobrevivência na estrada, será a pressa? Ou o pensamento de 'o outro que se arranje'? O meu pai tem razão, para quem anda na estrada e não quer ter acidentes temos sempre que pensar que quem nos rodeia é um calhau com dois olhos que não sabe conduzir, senão um dia acabamos por ser uma vitima desses animais selvagens que fazem de conta que sabem conduzir.
Para quem conduz, CUIDADO E OLHA PARA OS OUTROS E PARA TI!
P.S.: Estarei mesmo assim tão resmungona ou a sociedade é que está cada vez pior?




