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justsmile

06
Out23

Será um regresso?

        Nos últimos tempos tenho dado por mim a pensar neste espaço, nas saudades que tenho em escrever, nas saudades que tenho de conseguir exteriorizar os meus pensamentos, as minhas emoções. Na sequência para o regresso entra na equação o tempo, a mente, o espaço e até a capacidade para voltar a conseguir escrever.

        O tempo continua escasso, com um mestrado em mãos, um bebé em casa e um trabalho a tempo inteiro (entre escola e clínica) esse teimoso continua a tentar escapar, entra numa espiral que não pára e parece que nunca consigo arranjar o tempo para conseguir escrever seja o que for (para além de relatórios, emails e coisas da tese). Montes de tarefas acabam por se sobrepor e os momentos livres tento desligar o cérebro e deixar o corpo vegetar um bocadinho.

       A mente tem também divagado mais facilmente, ser mãe diminuiu a minha capacidade de atenção e concentração (apesar de estar melhor desde que comecei a trabalhar), mas pareço ter uma constante lista de coisas a fazer a pairar sobre os meus ombros, impedindo-me de avançar de forma efectiva. A mente está também cansada e pede imensas vezes o "turn off", acabando por deixar coisas que gosto de fazer para trás, como ler, escrever e ver filmes.

      O espaço é também uma velha questão, quando me lembro de escrever ou até parece que tenho algo para dizer, estou sentada no sofá e não quero ir buscar o computador. Sou da velha guarda e não consigo escrever longos textos no telemóvel, será uma questão de espaço ou de vontade? Agora fiquei na dúvida, se calhar a mente aqui também é metida ao barulho e acaba por ter um maior peso na decisão do que propriamente o espaço.

       E por último, a capacidade de voltar a escrever. Sinto que as palavras me fugiram, que os temas que me pairam pela cabeça não têm interesse, que a maioria são coisas corriqueiras do dia-a-dia ou desta minha nova vida de ser mãe. Sinto que a minha capacidade para escrever, para ser eloquente tem desaparecido gradualmente e que faço um esforço enorme para me conseguir exprimir da forma correta ou adequada. Não sei se foi o cérebro que "encolheu", se foi o cansaço ou o facto de ainda não conseguir fazer tudo aquilo que quero incluir na minha rotina.

        Isto tudo para dizer que tenho tido vontade de regressar a este espaço, de voltar a escrever mais do que o mero banal para a vida profissional. Não sei se hoje será o primeiro passo para o meu regresso ou não, mas aqui fica o meu registo de como desejo cá voltar.

19
Fev20

5 anos depois, voltamos a estar aqui...

          Já cinco anos passaram desde a última vez que decidi enviar uma carta para o meu Futuro Eu. Na segunda-feira, no dia em que completei 29 anos, recebi as palavras que escrevi em 2015. É uma espécie de sensação surreal, ler algo com tanto tempo, com tantas perguntas e dirigido à minha pessoa. Vejo que o tempo me trouxe algumas respostas, muitas concretizações, mas foi ao ler a carta que escrevi a mim própria em 2015 que me apercebo de tudo o que alcancei. O tempo passou rápido, demasiado rápido, e vejo quanto tudo mudou e quanto consegui concretizar.

      "Mas e que é feito de ti? Se há cinco anos atrás pretendias acabar o curso, que pretendes tu daqui a cinco anos? Será que te casaste com o Ele, como planeavas? E a casa? Ficaste com a da tua avó, ou tiveste mesmo de fazer obras na casa dele? Filhos? Tens conseguido escapar-te disso? E o trabalho? Conseguiste alguma vez trabalhar numa escola como querias, ou ainda andas de clínica em clínica e gabinete em gabinete? E o mestrado? Ainda andas a adiar esse objectivo por causa das condições financeiras? Viagens, quantas fizeste? A última que fizeste foi a Madrid em 2014. Diz-me apenas que saíste de casa e que te casaste, diz-me apenas isso e já me dou por feliz."

          A vida mudou realmente nos últimos cinco anos, coisas que nem eu sabia que estavam tão bem definidas na minha cabeça foram alcançadas e outras totalmente alteradas. Casei-me com Ele, não fiquei com a casa da minha avó mas em alternativa compramos um terreno e não fizemos obras na casa da mãe d'Ele. Filhos, ainda me consigo escapar (não com tanta facilidade, mas consigo) e sim, consegui trabalhar em escolas, tal como sempre desejei. Passei alguns tormentos antes, mas estou nas escolas como há cinco anos achava que não era possível. O mestrado continua a ser indefinidamente adiado, mas pelo menos já visitei a França, Holanda, México e Marrocos! Saí de casa e estou casada, por isso alcancei dois dos meus grandes objectivos nos últimos cinco anos.

      "Agora estás completamente apaixonada por Ele e só queres passar todo o tempo com ele, não o admites facilmente, mas realmente não consegues imaginar uma vida sem ele de tanto que é o teu amor por ele. " E nada disso mudou, continuo a não o admitir com leveza, mas continuo sem imaginar a minha vida sem Ele e entre nós nada e tudo mudou, mas tudo para melhor.

        "E os teus irmãos? Já te deram mais sobrinhos? De momento tens três, que daqui a 5 anos devem estar enormes! E ainda tens o Polo de 98? E o computador? É aquele branquinho do ano em que começaste a trabalhar em Gaia? A M. já tem mais que um filho? Que estranho que é ter estes pensamentos agora… E amigos? Com quem convives mais agora? É ainda a S. e a R., ou ainda estás mais isolada do que neste momento?" Continuo a ter três sobrinhos e estão realmente enormes. O Polinho de 98 continua e que dure muito tempo! E sim, o computador continua a ser o Branquinho e a M. já tem mais um bebé. A S. saiu da minha vida desde o dia em que não foi ao meu casamento e a R. continua na minha vida, mas com menos frequência do que gostava. As coisas alteraram, os grupos de amigos foi-se alterando gradualmente, sem dramas, mas a vida proporcionou essas transformações.

        "Espero que continues a apreciar as pequenas coisas como o tens feito até agora, acredita que é isso que não te deixa ir a baixo em momentos difíceis e que te traz felicidade (isso e Ele, claro!). Não te alteres por ninguém, cresce mas sempre para melhor." E continuei, nem sempre foi fácil, mas aprendi ainda mais a gostar das coisas simples e dos momentos para mim mesma. Cresci, imenso, e sinto-me orgulhosa por isso. Estes cinco anos passaram a voar, tanta coisa se transformou, tantos sítios por onde passei e tantas pessoas que entraram e sairam da minha vida. Mas sorrio, imenso, a estes últimos cinco anos e ao ler esta carta, apercebi-me que conquistei tanta coisa que desejava e nem me tinha apercebido disso. Pelo menos até hoje. Hoje estou grata por esta carta.

P.S.: A última carta que recebi foi em 2015 e aqui está ela.

03
Jan20

Desafio de Escrita dos Pássaros #16

(Imagem retirada daqui)

Sobre a vida adulta: Ainda não entendi o que é para fazer

         A vida é demasiado complicada para conseguir entender o que realmente andamos por aqui a fazer. E ser-se adulto? Que raio de coisa é essa mesmo sabendo que todos iremos ter o mesmo destino final? É que desse não nos escapamos! Andamos por cá sem saber bem o que procurar, sem saber bem o que precisamos de fazer neste mundo, como uma espécie de baratas tontas com tanto para fazer e sem perceber a sua razão de ser. Estas introspeções todas não são fáceis, trazem-nos dúvidas, questões às quais muitas vezes não conseguimos obter respostas. Isto de ser adulto tem muito que se lhe diga! Giro, giro era quando ainda eramos crianças e a inocência da vida nos invadia, agora? Agora parece tudo bem mais complicado e parece que não sabemos o que andamos por aqui a fazer. Mas também acredito que é tudo uma questão de fases. Às vezes parece que já projetamos toda a nossa vida e que sabemos o que realmente queremos fazer com a nossa vida. Outras vezes damos por nós sem saber que caminho tomar, sem saber o que andamos cá a fazer e para o que estamos predestinados. São fases… Por isso, saber o que andamos ou não a fazer por aqui? Tudo depende de fases…

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