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justsmile

15
Nov19

Desafio de Escrita dos Pássaros #10

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(Imagem retirada daqui)

Já chegamos? Já chegamos?

         Clementina, a sonhadora. A mulher que que tinha nascido para ser dona de casa, ser mãe e tantos outros afins, mas que se via condicionada à necessidade de trabalhar para pagar as contas e que ainda nem sequer tinha arranjado um namorado. Ela apenas queria a casa com o jardim, o cão a comer as flores e as crianças a andarem de baloiço. Era simples, ela não se importaria de passar camisas a ferro, limpar o pó todos os dias e até de se encarregar de cozinhar e limpar a cozinha duas ou três vezes ao dia, era apenas isso que queria. Ser a mãe, esposa e dona de casa perfeita.

         “- Clementina, como te amo! Queres casar comigo? – o seu coração começou a bater a mil à hora e ela nem sabia bem o que fazer. Abraçou-se àquele homem meio rechonchudinho que estava à sua frente e beijou-o dezenas de vezes.

       De repente Clementina já estava vestida de noiva, de flores na mão e a caminho do altar. Tropeçou ligeiramente no enorme vestido de princesa, mas isso não a impediu de ir parar aos braços do seu apaixonado. E em apenas alguns segundos estava grávida, com uma barriga enorme e um ser novo dentro de si. Daí até ter a casa com a cerca branca, a relva perfeitamente cortada e os cães a correrem pelo relvado…” E então Clementina acordou. Olhou à sua volta e questionou:

          - Já chegamos? Já chegamos?

          - Aonde menina? – a senhora de cabelos brancos, sentada ao seu lado no autocarro não tinha percebido.

          - Já chegamos aos Aliados?

         - Não menina, pode voltar a dormir… - Mas o que a Clementina queria mesmo era já ter chegado ao futuro.

08
Nov19

Desafio de Escrita dos Pássaros #9

Acordaste nu, sem te recordar de nada, numa ilha deserta

        Alguma coisa tinha corrido mal. Muito mal. Disso não tinha dúvida alguma, algo tinha corrido muito mal. Mas o quê?

     Quando deu por si, Mariana acordou com uma brutal dor de cabeça e um calor intenso no corpo. Passou a mão no rosto e apercebeu-se de que as suas mãos estavam ásperas, quase como areia.

     - Mas que raio? – olhou à sua volta e apenas viu areia, mar e vegetação, daquela verdejante, linda, se fosse apreciada numa situação mais ‘normal’. Olhou para o corpo e verificou que o calor que sentia era o início de um potencial escaldão, afinal estava com a roupa que Deus lhe havia dado.

       Mariana deu um salto, entrou em pânico, gritou, saltou, mas ninguém a ouvia. O raio da dor de cabeça teimava em martelar-lhe os pensamentos e sinceramente não conseguia pensar. Olhava, olhava e só via a densa florestação, o mar e a areia.

       - Raios! Mas como é que vim aqui parar, o que é que foi que eu fiz ontem à noite? – Lembrava-se bem de ter um vestido branco no corpo e de calçar as sandálias, lembrava-se também de pelo menos ter a lingerie no corpo que nem agora sabia onde tinha ido parar. – Ok, eu saí de casa vestida, disso tenho a certeza. – Pensou tentando-se tapar de uma forma ridícula como se alguém a estivesse a observar. - Pronto, mas para onde ia eu? – batia com a mão na cabeça para tentar avivar as recordações da noite passada. – Hummm… já sei! Ia para a despedida de solteira da Filipa. E onde raio era isso?

         Voltou a pensar, a gesticular. Sabia que tinha saído de casa, que a despedida de solteira da Filipa era… era num barco! É isso! Mas e depois? Depois… Depois bebeu um bocado, e havia algures por lá o jeitoso de um empregado que servia um champanhe delicioso, daqueles que nunca mais iria beber na vida. Ora, lembrava-se bem de beber uns quantos copos, mas quantos? Não fazia a menor ideia… Andava de um lado para o outro, sobre a areia quente e a única resposta que encontrava é que o barco se tinha afundado e que ela era a única sobrevivente, só podia! Mas de repente, lembrou-se!  Ela não ouvia rigorosamente nada, NADA! Colocou a mão sobre a orelha, pegou no aparelho auditivo, abriu-o e voltou a pô-lo a funcionar. Foi então que ouviu. Ao longe, mas não tão longe assim, ouvia zumba. Zumba numa ilha deserta? Impossível! Seguiu um bocadinho por entre o arvoredo a música até que um guarda a encontra:

        - Menina, não pode estar nesta praia. Esta praia é a do Resort e não de nudistas, a que quer é mais lá para o fundo. – disse ele apontando para a esquerda, enquanto a Mariana ficava vermelha que nem um pimento.

04
Nov19

A vingança

Um amor proibido

        Desde que me lembro de ser gente que gosto de doces. Praticamente qualquer doce, sou uma gulosa de primeira. Adoro rabanadas, leite creme, aletria, bolos de chocolate e afins. Adoro tudo o que adoce a minha alma, tudo o que tenha açúcar é bem vindo para aconchegar os dias maus e para celebrar os dias bons. Adoro sentir o cheirinho pela casa de um bolo acabadinho de sair do forno. Sou apaixonada por crepes com compota, chocolate ou simplesmente açúcar e canela. Nos dias em que me sinto mais em baixo é nas coisas doces que me refugio, não como feita maluca, mas dificilmente me escapo de comer qualquer coisa docinha durante o dia. Até que o horror surgiu na minha vida, ‘intolerância à lactose’, este nome pomposo surgiu na minha vida há alguns anos e os doces passaram a ser o meu amor proibido, pelo menos tudo o que é confecionado fora de casa. Tenho saudades de comer um bom éclair, cheio de chocolate e creme, morro um bocadinho por dentro de cada vez que vejo bolachas amanteigadas e que não as posso acompanhar com o chá. E os gelados? Tenho tantas saudades de um Magnum Double de Caramelo! Sei que há substitutos, a maioria das coisas confeciono em casa, ainda assim? Não é a mesma coisa, o que eu queria mesmo era neste momento ir a uma pastelaria, com um bom livro e comer o belo de um éclair acompanhado com uma chávena de chá. Desde alguns anos que vejo os doces nas pastelarias como um amor proibido, um amor que me quer matar de cada vez que é provado e por isso, só por isso, morro de amores por algo que não posso ter. É tão triste haver estes amor proibidos…

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