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15
Nov19

Desafio de Escrita dos Pássaros #10

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(Imagem retirada daqui)

Já chegamos? Já chegamos?

         Clementina, a sonhadora. A mulher que que tinha nascido para ser dona de casa, ser mãe e tantos outros afins, mas que se via condicionada à necessidade de trabalhar para pagar as contas e que ainda nem sequer tinha arranjado um namorado. Ela apenas queria a casa com o jardim, o cão a comer as flores e as crianças a andarem de baloiço. Era simples, ela não se importaria de passar camisas a ferro, limpar o pó todos os dias e até de se encarregar de cozinhar e limpar a cozinha duas ou três vezes ao dia, era apenas isso que queria. Ser a mãe, esposa e dona de casa perfeita.

         “- Clementina, como te amo! Queres casar comigo? – o seu coração começou a bater a mil à hora e ela nem sabia bem o que fazer. Abraçou-se àquele homem meio rechonchudinho que estava à sua frente e beijou-o dezenas de vezes.

       De repente Clementina já estava vestida de noiva, de flores na mão e a caminho do altar. Tropeçou ligeiramente no enorme vestido de princesa, mas isso não a impediu de ir parar aos braços do seu apaixonado. E em apenas alguns segundos estava grávida, com uma barriga enorme e um ser novo dentro de si. Daí até ter a casa com a cerca branca, a relva perfeitamente cortada e os cães a correrem pelo relvado…” E então Clementina acordou. Olhou à sua volta e questionou:

          - Já chegamos? Já chegamos?

          - Aonde menina? – a senhora de cabelos brancos, sentada ao seu lado no autocarro não tinha percebido.

          - Já chegamos aos Aliados?

         - Não menina, pode voltar a dormir… - Mas o que a Clementina queria mesmo era já ter chegado ao futuro.

25
Out19

Desafio de Escrita dos Pássaros #7

A Constança precisa duma máscara capilar, mas o teu patrão só quer que vendas compotas de abóbora com amêndoa. Convence-a a escolher a compota para usar.

- Constança, que se passa com o teu cabelo? Está tão estranho! - disse ao vê-la chegar ao café.

- Nem digas nada, as férias no Taiti deram cabo do meu cabelo, já fui a duas cabeleireiras que me queriam vender produtos a valer balúrdios, mas a verdade é que encomendei um creme com leite de cavalo e ainda está a demorar a chegar. – Disse ela passando a mão pelo cabelo enquanto se sentava, como se isso disfarçasse o desastre que ia naquele cabelo.

De repente, fez-se luz na minha cabeça! Andava há meses com umas compotas de abóbora e amêndoa na mala do carro que o patrão teimava em que vendesse. Eu já não conseguia pensar em comer aquilo, só de imaginar o cheiro já ficava com enjoos de tanto que enchi o bandulho com aquilo, o que iria fazer com os últimos três frascos? A Constança não era a pessoa mais sensível do mundo e adorava gabar-se de tudo e mais alguma coisa, do marido que era cirurgião no hospital XPTO, mas pelo qual ela não estava minimamente apaixonada. Do amante que era Personal Trainner e que fazia mais do que a treinar. Do lanche em Londres e das compras em Nova Iorque. Sinceramente? Nem eu sabia porque raio ainda me dava ao trabalho de ir tomar café com ela, quando na verdade já não tinha a mínima paciência para a ouvir. E a luz que deu na minha cabeça fez-me querer ‘matar dois coelhos de uma cajadada só’, primeiro livrar-me dos frascos de compota para receber o prémio de 100€ (o que um pobre faz por uns míseros 100€) e depois despachar-me da Constança que já só me irritava.

- Olha por acaso eu tenho conseguido tratar do meu cabelo de uma forma tão fácil e tão básica que nem vais acreditar, mas tenho a certeza que não vais querer. – Tentei aguçar-lhe a curiosidade, como se tivesse descoberto a pólvora.

- A sério? E como? É que eu já não aguento este cabelo assim!

- Oh, é simples. Há algum tempo li na Vogue que os produtos há base de abóbora são muito bons para o cabelo, experimentei então uma compota maravilhosa de abóbora e amêndoa que tinha lá para casa. Milagre! Aliás, acabei de ir comprar 5 frascos para usar no cabelo!

- Não acredito, é tão simples assim? – Ela olhava maravilhada para o meu cabelo, com um aspeto sedoso e brilhante. – Por acaso não me queres dar? Eu até te pago!

- Claro – ainda me tentei de fazer de difícil, mas já nem quis tentar mais. Fui ao carro, despachei-lhe os três frascos e o resultado? Nunca mais vi a Constança, mas os 100€ ficaram deste lado!

 

11
Out19

Desafio de Escrita dos Pássaros #5

(Imagem retirada daqui)

 

       Estás na fila para o purgatório e Hitler está à tua frente. Ninguém o quer aceitar e a fila não anda. Escreve a tua intervenção para convencer um dos lados a aceitá-lo.

       - Mas a fila não anda porquê? – questiono a tentar perceber porque raio a fila do purgatório estava parada.

     - Oh, é o Hitler, ninguém o quer. Nem o céu nem o inferno, estamos há anos nisto, de vez em quando lá o mandam esperar para deixar entrar algumas pessoas e depois recomeça a discussão. É que nem o Diabo o quer por lá! – respondeu-me um ex-futebolista que estava com a cabeça e a perna em mau estado.

     Farta de estar há dias naquela fila, decidi pegar em toda a minha coragem e falar com os principais responsáveis. Ao fim de 17km consegui chegar ao pé de S. Pedro, que tinha a chave pendurada ao pescoço, e ao pé do Diabo, que até tinha melhor figura do que tinha imaginado. Hitler estava entre os dois, pelos vistos a argumentação de para onde ele deveria ir já se tinha iniciado há horas.

     - Por favor, Lucifer, já sabes que não aceito assassinos que matam em massa. – gesticulava S. Pedro como se tivesse uma pistola na não.

    - Mas ele não matou, S. Pedro, ele simplesmente mandou. Estamos aqui a elaborar uma discussão que não faz sentido, ele MANDOU, não matou. – Hitler olhava para aqueles dois como quem observa uma partida de ping-pong. Pelo que me tinham dito já tinha deixado de intervir na discussão havia também anos.

     - Cof, cof… Não acham que esta discussão já se prolongou demasiado? – disse baixinho tentando intrometer-me do meio daqueles dois que pareciam dois políticos, atirando areia para os olhos um do outro. Ambos me olharam e S. Pedro lá decidiu questionar:

     - Olha lá e tu quem és? Ainda não te tinha visto.

     - Naturalmente, estou aqui há quase duas semanas e a fila com mais de 17km só andou 1km. Sou a Just e morri engasgada com um chocolate e sinceramente estou cansada de estar à espera, eu e todas estas pessoas. – apontei para a fila onde o horizonte era confundido com as nuvens. – Eu sei que temos todo o tempo do mundo, mas estarmos aqui à espera só dá vontade de voltar a morrer outra vez. É que a paciência tem limites! – Olharam-me como se fosse uma espécie de ET e entreolharam-se, Hitler, esse, coçava o bigode e nem abria o bico.

      - Nunca ninguém nos tinha dito isso. – Lúcifer olhou para a cara do S. Pedro, como se pela primeira vez se tivesse feito luz naqueles chifres. – Pronto, a moça tem razão. Deixa que eu fico com o Hitler, pelo menos fica mais quentinho e reencontra alguns amigos, e vamos dar vazão a isto para ver se ainda consigo ter algumas férias!

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