Hoje apeteceu-me escrever um bocadinho, mas como não tenho muito tempo reli o que já tinha escrito e como sei que algumas de vocês já estão curiosas com a nova história,
vou-vos deixar só um cheirinho para matar essa curiosidade.
Quero a vossa opinião^^
A noite estava negra e por entre a escuridão pequenos feixes de luzes atravessavam as espessas nuvens que teimavam em tapar a lua cheia de uma noite de Outono. O frio passava por entre o cachecol que lhe tapava a boca para não sentir o ar gélido encher os seus pulmões. Tentou tirar as chaves da carteira pendurada ao seu ombro o mais depressa possível para não sentir o gelo entranhar-se na pele.
- Cheguei! - Disse ela entrando rapidamente e sentindo no rosto uma lufada de ar quente. Olhou em sua volta com os seus profundos olhos azuis, a casa estava vazia e mais uma vez ele se tinha esquecido de desligar as luzes antes de sair.
Passo após passo subiu as escadas de madeira negra até ao seu quarto, o seu único refúgio naquele lugar. Era o único sítio na terra onde se sentia segura, onde podia demonstrar quem era sem que ninguém a julgasse ou a recriminasse, podia ser quem quisesse. Podia ser dona e rainha do seu mundo, ser a princesa perfeita que espera pela chegada do seu príncipe encantado, podia ser a bruxa má que muitos a faziam parecer e até mesmo ser a mais doces de todas as mulheres.
As pessoas não a conheciam, ela não queria que a conhecessem. Não queria que as pessoas a vissem como o ser fraco e triste que era, não queria que soubessem que ela era um ser humano sofrido e amargurado. Gostava de se manter no seu canto, mostrar aos outros que tudo o que a rodeava lhe era indiferente, mas a verdade é que ela por dentro era vazia. Sentia-se mais do que vazia. Sentia que não podia ser ela própria que não podia dar a conhecer a sua verdadeira personalidade ao mundo, pois o sofrimento era tanto que não lho permitia ser quem ela desejava ser. Mas nem sempre havia sido assim, ela já tinha sido uma rapariga normal. Tinha tido uma família, não normal, mas era a sua família. Tinha sido uma jovem com garra e com sonhos para alcançar, tinha tido uma vida muito mais alegre, mas essa parte de si tinha partido juntamente com tudo o resto. Só quando chegava a noite é que aquela bela rapariga podia mostrar o seu verdadeiro sofrimento, só quando a escuridão envolvia o céu e o tornava negro é que Serena conseguia fechar os olhos e fazer tudo com que sempre sonhara. Os seus sonhos levavam-na mais além.
Chegou ao seu quarto e deitou-se na cama como quem se deixa cair sobre um monte de algodão. Olhou em sua volta e o quarto estava no seu estado mais desarrumado, folhas estavam espalhadas pelo chão, roupa amontoada a um canto numa cadeira e o computador sempre ligado, apenas para gastar energia. Fechou os olhos e imagens começaram a surgir na sua mente, ‘Estou aqui.’ uma voz distante e distorcida dizia. Aquela imagem surgia-lhe sempre que tentava fechar os olhos, era uma imagem um quanto ou tanto surreal. ‘Estarei sempre aqui’, o dono daquela voz sorria-lhe e Serena acabava por esboçar nos seus lábios um leve sorriso como se fosse a coisa mais comum do mundo, sorrir para alguém que só existia quando ela fechava os olhos.