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justsmile

22
Mai18

E o que os outros pensam?

(Imagem retirada daqui)

 

       Desde pequena que os meus pais me incutiram valores e ideais que ainda hoje agradeço por aquilo que me ensinaram, pela educação que me deram. Durante grande parte da minha vida não me apercebi disso, mas foi com a maturidade, com a convivência com outras pessoas que me comecei a aperceber que talvez a educação que os meus pais me deram não foi assim tão semelhante à maioria das pessoas. Sempre vivi numa aldeia, ainda hoje é aonde permaneço e aonde quero construir a minha casa, e quando refiro que vivo numa aldeia as pessoas assumem imediatamente que toda a gente se conhece e que a galinha da vizinha é a mais cobiçada ou até, simplesmente, começam a falar da mentalidade antiga que ainda existe. Acredito que tal coisa aconteça na terra onde vivo, não o nego, mas a verdade é que tudo me passa ao lado. Se se ouve falar da vida de outras pessoas? Claro, como também vemos nos jornais e nas revistas, mas não acredito que seja diferente de outro qualquer lado. A diferença é que na aldeia há uma maior proximidade que na cidade, daí talvez existirem essas ideias pré-concebidas. É óbvio que sei que algures no tempo o meu nome foi falado por este ou por aquele, é claro que sei que a minha família já foi falada, assim como sei que há quem fale bem e quem fale mal, mas não é mesmo assim a nossa sociedade? Falarmos uns dos outros? Não vejo grande problema nisso, não me preocupa e muito menos vivo a minha vida a pensar no que os outros dizem dela, e é aqui que me apercebi que esta minha mentalidade vem da educação que os meus pais me deram.

       Lembro-me de ser pequena e a minha mãe apoiar a diferença, nunca quis que eu simplesmente fosse como os outros. Lembro-me bem dos meus irmãos incentivarem o pensamento próprio, a minha própria personalidade e não simplesmente ir atrás de alguém apenas porque diziam para ir. Ensinaram-me a questionar isto e aquilo, ensinaram-me a viver a minha própria vida sem viver da influência dos outros nela. E esse foi um dos maiores valores que a minha família me deu e só hoje o consigo compreender. Choca-me pessoas adultas, independentes e sem terem que se justificar seja a quem for utilizarem frases como Andam aí a dizer na terra... Não fica bem fazeres isto ou aquilo... E o que os outros vão pensar? Fico sempre com um ar surpreso quando alguém utiliza tais frases e inicialmente nunca sei bem como reagir porque tais argumentos nunca tiveram qualquer peso nas minhas decisões, nas minhas crenças nos meus pensamentos e não o digo simplesmente para ficar bem, digo-o porque é verdade, porque foi assim que cresci. Os meus pais sempre me ensinaram que devia tomar as decisões de acordo com a minha consciência, com os meus valores e seguindo aquilo em que acredito, em momento algum me disseram Olha o que os outros vão pensar! Inclusive, quando a vida esteve mais difícil, quando o meu pai emigrou, nunca vi neles qualquer tipo de pensamento sobre o que os outros iriam dizer ou sobre o que se iria falar na terra sobre eles, apenas vi nos seus rostos o peso de uma decisão difícil e nunca os ouvi lamentarem sobre o assunto. Recordo-me de que quando comecei a conviver com as pessoas da terra, inclusive Ele, em que todos pensavam que a minha família estava bem, e essa nunca foi uma imagem que tentamos passar em tempos difíceis, mas era sim aquilo em que queríamos acreditar, que do pior nos estávamos a safar e apenas tínhamos de agradecer pelo que tínhamos. Os meus pais nunca quiseram viver num faz de conta, nunca quiseram parecer a família perfeita, mas também nunca quiseram viver preocupados com a aparência e nunca se preocuparam com a imagem ou com aquilo que diziam deles. Apenas quiseram viver de bem com a consciência e quando tal não acontecia, fazer o melhor para resolverem a situação, sem nunca pensarem nos outros, apenas neles e na sua família. E agradeço tanto isso aos meus pais, agradeço tanto este ensinamento, pois vejo que assim vivo mais feliz, vivo melhor comigo própria.

       Quando ouço a frase e o que os outros pensam? digo vigorosamente que pouco me importa, apenas eu posso viver a minha vida, apenas eu posso tomar as minhas decisões e o que os outros pensam pouco me importa. Importo-me sim com a minha família e com a sua opinião, próxima e um pouco mais alargada, preocupo-me com a opinião dos meus amigos, mas não quer dizer que tome decisões apenas baseadas nos seus argumentos e preocupo-me comigo, com a minha consciência e com o meu bem estar. E os outros? Os outros estão fora desta bolha em que vivo e pouco me importa o que pensam, o que dizem ou o que fazem. Podem dizer o que quiserem, pois só eu sei a verdade da minha vida. Se todos vivessemos assim, apenas com o pensamento em nós próprios e nos nossos, não seriamos uma sociedade mais feliz?

 

11
Set17

Como nos afastarmos do que faz mal?

(Imagem retirada daqui)

 

       Há alguns anos era uma mulher diferente. Consequência da imaturidade, consequência de tentar agradar a todos, consequência de tentar ser sempre agradável, consequência da pouco auto-estima e até da falta de prioridades na minha vida. Um dia, cansada de ser calcada pelos outros que queriam subir às minhas custas, cansada de sentir a culpa em mim e cansada de me dar com pessoas que só me traziam negativismo, desisti. Um dia, quase do nada, acordei e disse que estava cansada, era hora de mudar. Como uma espécie de epifania voltei a ser a Just da adolescência que tinha desaparecido temporariamente. Voltei a falar, voltei a defender-me, mas acima de tudo, voltei a acreditar em mim. Talvez os anos de injustiças, os anos de pressões tenham tido um efeito culminante e tenha desistido de tudo o que me fazia mal. Não foi um corte repentino, não foi do dia para a noite, mas simplesmente um dia decidi olhar um bocadinho mais por mim. Voltei a discutir o que fosse preciso, voltei a dizer mais nãos e deixei-me rodear apenas por pessoas de bem. Deixei os sorrisos falsos de lado, deixei as palavras hipócritas e até deixei o contacto com aqueles que não mereciam as minhas palavras. A minha vida pessoal foi mudando para melhor, de forma gradual, e a minha auto-estima foi crescendo. Hoje, apenas tento ter na minha vida pessoal as pessoas que me fazem bem, as pessoas que gostam de mim tal como sou e as pessoas com quem me consigo relacionar. Deixei-me simplesmente de fazer de conta, já basta ao que somos obrigados profissionalmente, fazê-lo na vida pessoal foi apenas uma questão de opção. Hoje sou mais feliz, mais leve, menos hipócrita e se com uns fiz um corte radical, com outros foi simplesmente acontecendo. E como o fiz? Se ontem não tinha consciência de como as coisas tinham acontecido, hoje sei que fiz tudo de forma consciente mesmo sem o saber.

      1. Deixar de relacionar com pessoas negativas, tinha alguns colegas que a única coisa que sabiam fazer da vida era queixar-se. Queixar-se do tempo. Queixar-se da falta de dinheiro. Queixar-se do trabalho e da falta dele. Simplesmente tinham o dom de se lamuriar de tudo e mais alguma coisa, sem nunca fazerem nada, sem lutarem para melhorar. Sempre que estava com eles sentia-me cansada, saía de lá com um peso, esgotada e ficava a pensar que a minha vida era demasiado complicada. Um dia comecei a dizer não, dando pequenas desculpas, comecei a evitar estar com eles. Assim começou a fase de afastamento de que ainda hoje não me arrependo.

      2. Aprender a dizer não, este era um dos meus maiores problemas, dizia que sim a tudo. Era a jantares, era a cafés e a convívios, com pessoas que pouco me diziam. Surgia com um sorriso falso, tinha de utilizar demasiado a minha paciência e fingia que estava tudo bem. Um dia comecei a usar o não. Não posso. Não dá. Já tenho compromissos. Nem sempre foi fácil, recentemente tive uma situação bastante dura em que usei um não tendo consciência que poderia terminar com uma amizade, mas tive de o dizer. Não me sentia sequer bem em dizer que sim, apenas por educação. De uma forma um pouco egoísta, que também é necessário, comecei a usar o não nas situações que me deixavam desconfortável.

      3. A família são os mais presentes, aprendi que a família será sempre aquela com quem gosto mais de partilhar o meu tempo. Todos já tivemos desilusões no que diz respeito a amizades, eu considero que já tive a minha cota parte de desilusões e comecei a valorizar quem está na minha vida. Tenho bons amigos, mas ainda tenho uma família melhor. Uma mãe e uma irmã que são as minhas melhores amigas e que com o passar do tempo tenho-me apercebido que são as pessoas com quem mais gosto de estar, sair e pedir opinião seja sobre o que for. A família é aquele meio em que não precisamos de sorrisos falsos, que não precisamos de fingir quem somos, independentemente do que acontecer sei que estarão sempre comigo.

      4. Não valorizar o que os outros dizem. Desde pequena que a minha mãe e o meu pai transmitiram aos três filhos um ensinamento que ainda hoje praticam, pouco importa o que os outros dizem. Somos de uma aldeia pequena e sempre existem aqueles zum-zuns, os meus pais nunca lhes ligaram e sempre me ensinaram a fazer o mesmo. Pouco importa o que dizem ou deixam de dizer, seja bom ou mal, o importante é seguirmos os nossos ideais, sermos respeitadores e fazer as coisas como achamos melhor. O que dizem ou deixam de dizer em nada pode influenciar a nossa conduta, nunca devemos fazer algo a pensar no que os outros poderão dizer. Sempre segui esse ensinamento e ainda hoje o ponho em prática e é tão importante como termos uma boa auto-estima.

      5. Porque nos fazem mal? Esta é uma questão importante para compreendermos porque nos afastamos de determinadas situações, sejam por serem desconfortáveis, seja porque não estão de acordo com os nossos ideais ou simplesmente porque não gostamos. A razão do porquê melhorará a nossa consciência e a nossa inconsciência ficará tranquila. Há noite quando nos formos a deitar, se soubermos a explicação de porque nos precisamos de afastar e essas razões forem aceitáveis, iremos dormir tranquilamente sem qualquer tipo de problema.

      6. Um bocadinho de egoísmo faz bem, não podemos estar a fazer sempre as coisas em prol dos outros. É verdade que há situações e situações, mas não podemos estar sempre a seguir o que os outros querem ou desejam, é necessário pensar um bocadinho em nós. É necessário também pensarmos no nosso bem estar e naquilo que nos faz bem, não seguir sempre aquilo que é melhor para os outros. Nem sempre é fácil, mas também advém de aprendermos a dizer o não.

      7. Chega de conformismo. Por vezes aceitamos as situações apenas por conformismo, porque temos medo de ficar sozinhos, por medo de perdermos uma amizade ou até por termos receio de não nos adaptarmos a mais ninguém. A verdade é que se algo não nos faz bem não faz sentido mantê-lo na nossa vida. A melhor opção? Ganhar coragem e deixar os receios de lado. Medir realmente o quão importante pode ser essa relação.

      Sei que parecem ser coisas básicas, mas nem sempre é fácil cumprir com estes critérios. A mim têm-me ajudado a seleccionar as situações e as pessoas que são importantes na minha vida. Nos últimos anos tenho-me afastado daquilo que não me traz nada de positivo. Deixei-me de situações em que posso optar por me afastar, situações constrangedoras, desconfortáveis e em que nada aumentam o meu bem estar. Sei que o grupo de amigos se tem vindo a reduzir de forma gradual, sei que cada vez menos são aqueles que confio, mas acredito que aprender a seleccionar quem nos faz bem faz parte do crescer e da maturidade. A idade (assim até pareço uma velha a falar) deixa-nos aqueles que realmente gostam de nós por aquilo que somos e não por aquilo que fingimos ser.

      Há que ganhar amor próprio, coragem e deixar partir o que em nada nos faz bem. Há que praticar o desapego.

 

      

 

03
Ago17

Terapia da Fala por um canudo

Sei que temos de ter esperança, sempre, mas também sou uma pessoa de ter os pés assentes na terra e à medida que o tempo passa apercebo-me que voltar a ser terapeuta da fala a tempo inteiro é cada vez mais uma ilusão. Todos os recentes terapeutas e colegas de curso começam a passar-me a perna. Começam a ter pós-graduações, mestrados e mais anos de experiência que eu e é o que mais me deixa de pé atrás quando me candidato a uma proposta de emprego em terapia, pois sei que estou a ficar para trás. Acabo por sentir dentro de mim uma incapacidade de lutar pelo meu sonho profissional, outras vezes penso que a minha condição, esta necessidade de ter mudado de área profissional, se deva unicamente a mim. Pensando de uma forma racional, sei perfeitamente que fiz de tudo para me empregar como terapeuta da fala, pelo menos tudo que me estava ao alcance. Trabalhei a 50 km de casa, trabalhei a 30 km de casa, com horários complicados, no primeiro emprego com estradas manhosas e no segundo em que tinha de aguentar o trânsito da Ponte da Arrábida todos os dias, mas nem isso me importava. Sei que fiz sacrifícios quando comecei a trabalhar na minha área, chegava já tarde a casa e ainda tinha de preparar sessões. Passava o sábado a preparar actividades e tive problemas com todos os meus patrões ou superiores. Racionalmente sei que fiz de tudo para depois destas experiências me empregar na área, fui a mil e quinhentas entrevistas absolutamente absurdas, mandei propostas para entidades privadas, concorri a concursos para escolas mesmo sabendo que não tinha a mínima hipótese e até para Municípios mandei propostas de actividades com crianças para um projecto de prevenção. Racionalmente sei que fiz o que podia fazer e se não fiz mais foi porque não sabia ou não podia. No entanto (é este mas que me mata aos bocadinhos), tenho dias em que se passa algo na minha cabeça e sinto que não fiz o suficiente. Se calhar devia ter aceitado aquela proposta absurda para ganhar experiência. Se calhar devia despedir-me e voltar para recibos verdes para ganhar experiência. Se calhar devia ter procurado mais um pouco na minha área. Tenho dentro de mim esta sensação de incapacidade, de falhanço de qualquer coisa que nem sei explicar, mas que parece fazer-me culpabilizar pelo facto de estar onde estou e não onde queria estar. Sei que todas as decisões que tomei foram sempre na procura de estabilidade financeira, de retorno financeiro que muitas das ofertas que me faziam não davam. Conscientemente, vim aqui parar na procura de uma estabilidade financeira que nunca me tinham oferecido e só assim consegui dar andamento a projectos pessoais que começaram a ganhar vida. Consciente e financeiramente sei que tomei a atitude certa, pois não tenho pais que me possam ajudar com as despesas, pois sei que preciso de dinheiro para viver e para conseguir ter uma vida a dois e até sei que este emprego tão perto de casa me trouxe muitas vantagens. Mas dentro de mim, tenho sempre esta perda de um sonho que parece nunca ser possível alcançar. Cada vez que penso no assunto fico com um vazio dentro de mim, um pequeno desgosto que me dá a sensação de perda de um sonho. Gostava de ter um bocadinho mais de esperança quanto a isso, mas ao olhar em frente sei que não quero voltar à instabilidade de recibos verdes, como sei que agora não posso estar a investir numa formação que não me é útil. E assim, sem dar bem pela coisa entro num ciclo vicioso em que nunca vou arranjar emprego como terapeuta porque não posso arriscar a minha vida financeira. Nunca vou investir em algo que neste momento não me serve para nada no dia-a-dia. E assim, volto ao início do círculo em que começo a ficar para trás porque não tenho experiência, nem formações após a licenciatura.

Se a minha vida fosse mais fácil ou o mundo mais justo, a proposta com um salário aceitável viria. Não teria problemas em mudar, em avançar se fosse ganhar o salário que está na lei e nenhuma destas questões se levantaria, mas como o mundo só funciona com escravidão, com quem aceita menos para trabalhar eu nunca sairei deste ciclo vicioso. Não sairei porque já passei muitas dificuldades financeiras e não as quero voltar a passar. E no fundo, lá bem no fundo, acho que acabo por não ter muita sorte e por isso só me surgem propostas ridículas e a essas sou obrigada a dizer que não. Ao fim de 26 anos, dou por mim a escolher a estabilidade financeira, em vez de seguir o sonho profissional e talvez seja isso que me faça deitar uma lágrima cada vez que penso neste assunto. Sinto que por todas as razões e mais algumas eu sou a 'culpada' de não seguir os meus sonhos ou que pelo menos a vida me condiciona dessa forma.

Cada vez mais acredito que não se pode ser feliz em todos os campos da vida, cada vez mais acredito que terapia da fala está longe de mim e se afasta cada vez mais.

 

P.S.: Volto a dizer, não me arrependo das minhas escolhas, não sou infeliz, mas há sempre este 'mas' que por vezes me entra no pensamento. Acho que é a única questão na minha vida que me faz levantar muitos 'ses', logo eu que nem sou dada a 'ses'.

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