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justsmile

15
Jul19

Bodas de Papel

IMG_2495.JPG

(Imagem de Just Smile)

       Um ano passou desde que demos o nó. Gostaria de falar de um mundo cor-de-rosa, de um ano dedicado apenas e exclusivamente um ao outro. Poderia até dizer que nos encaixamos que nem luvas assim que começamos a viver juntos ou até que nunca discutimos e que este foi sem dúvida o melhor ano da minha vida. Estaria a mentir. Um ano passou e se por um lado tenho a sensação que apenas passaram alguns dias desde o dia do nosso casamento, por outro parece que já se passaram vários anos desde que vivemos juntos. O que tinha idealizado para o nosso primeiro ano de casados não se concretizou, tinha imaginado uma vida dedicada um ao outro, uns fins-de-semana fora e até tempo de qualidade, saiu tudo ao lado. Os problemas surgiram pouco depois de casarmos, não entre nós, mas fora daquela bolinha em que apenas existíamos nós. É claro que tivemos as nossas brigas sobre as sapatilhas desarrumadas, sobre a porta aberta e a minha necessidade de ter sempre tudo arrumado, mas essas pequenas coisas foram as mais fáceis de lidar. Ao fim de alguns meses de casados, já tínhamos a nossa rotina, assentada sobre um número infinito de tarefas, sobre mudanças de emprego e novas actividades voluntárias, até as tarefas já estavam bem divididas e cada um sabia bem a sua função. O problema foram as questões externas, aquelas coisas que não estão nas nossas mãos e que nos abalaram pessoalmente, o cansaço foi extremo e existiram momentos em que a impotência nos bateu de frente. No entanto, se o último ano foi tão conturbado e com tantas questões que nos levaram à exaustão, a verdade é que também foi um ano de crescimento e de provas de amor.

        O primeiro ano de casados não foi fácil, longe disso, mas foi também a maior prova e a maior certeza de que casar com Ele foi a melhor decisão que tomei na minha vida. Ao longo do último ano crescemos juntos, apoiamo-nos mutuamente, com momentos de mais ou menos paciência, com mais ou menos discussões, mas com um amor que foi reforçado com tudo o que foi vivido, com todas as dificuldades e adversidades que nos foram surgindo pelo caminho. Em cada momento do último ano apercebi-me do quão certos somos um para o outro, de que tudo faz sentido para estarmos juntos, de como nos encaixamos um no outro. É no final de cada dia, ao regressar à nossa casa que sinto o coração aconchegado, é nos momentos em que nos cruzamos no sofá, abraçados um ao outro, que sinto que tudo faz sentido. Este primeiro ano de casamento não foram só maravilhas, mas sinto que foi um ano de provas de amor, de crescimento em conjunto e de provar que fomos feitos um para o outro.

          Juntos será para o infinito e mais além, que este seja apenas o nosso início.

05
Jul19

Amar por inteiro

(Imagem retirada daqui)

       O amor de conto de fadas parece supérfluo, aquela troca de olhares, aquela timidez, aqueles sorrisinhos ao fim de dois minutos parece um amor simples, mas pouco profundo. Necessário numa fase inicial do amor, mas que não promete o "felizes para sempre" que tanto promove. Amar é muito mais do que os sorrisinhos, do que os beijos e as promessas. Para se amar de verdade é necessário amar-se por inteiro. E amar-se por inteiro é amar cada pedacinho do outro, até as manias mais estranhas têm de ser amadas para se amar de verdade. Tenho aprendido isso ao longo do tempo, que o amor é muito mais do que as borboletas no estômago, muito mais do que a atracção física ou do que a troca de promessas de amor eterno. 

         No outro dia, já sentada ao seu lado no sofá, apercebi-me exactamente disso. Nem eu nem Ele somos perfeitos, muito longe disso, mas ali, naquele momento apercebi-me que somos perfeitos um para o outro. Tenho as minhas pancas, fico meia infantilizada quanto estou com sono, gosto de acordar de manhã e de ver o sofá da sala arrumado, a minha paranóia em ter os comandos por ordem decrescente de tamanho e nem sequer consigo deixar a cozinha por arrumar. Ele lá tem as coisas d'Ele, a porta do armário da roupa parece ter um enigma para ser fechada, não se importa de passar o dia às escuras, a pasta dos dentes nunca vai para o sítio certo e a hora de ir para a cama raramente é a mesma que a minha. Apesar de todas estas pequenas coisas que temos, e mais umas quantas, a verdade é que no final do dia sinto o amor que há entre nós, mesmo quando até podemos estar embirrados um com o outro. Sinto que isso sim, é amar por inteiro. Sinto-me amada por inteiro, por aquilo que sou e não mais, nem menos que isso. Sinto que o amo como é, mesmo com todas as suas manias e pancas. Não sinto a necessidade de mudar por Ele, não sinto a necessidade de ser alguém que não sou ao seu lado. Ao seu lado posso ser eu própria, com todos os meus defeitos, ideias e parvoíces e é nesses momentos que me apercebo que Ele ama-me por inteiro e que eu o amo por inteiro.

03
Jul19

E meio ano de 2019 já passou

(Imagem retirada daqui)

         Meio ano de 2019 já passou e sinto como se a minha vida desde Janeiro fosse como uma espécie de acidente em cadeia, em que um carro bate atrás do outro, numa espécie de fila gigantesca. Assim tem sido a minha vida nos últimos tempos, como uma espécie de pequenos acidentes em cadeia, em que um acontece e logo a seguir surge outro. Sinto-me, claramente, cansada e esgotada, mesmo que a minha forma de lidar com os problemas tenha mudado de perspectiva. Contudo, o cansaço físico tem-me abalado e a falta de momentos para mim mesma me tem impedido de aproveitar a vida, da forma que desejava. Ainda no sábado passado, pela primeira vez em muito, muito tempo, não marquei consultas para a parte da tarde e nem sequer tive aula, ia aproveitar para sair com amigos (algo que não acontece há mais de meio ano, ou será até mais?) divertir-me, sair de casa e libertar-me um bocadinho e o que acontece? Um outro acidente desta cadeia desastrosa que tem sido a minha vida. Não sei se é o cansaço que me tem feito ver tudo como espécie de "azar" ou se já é este sentimento que teima em dizer que isto já começa a ser demais. Sinceramente, nunca pensei que este ano fosse ser tão cansativo, mas como dizemos cá por casa "se sobrevivermos a este, sobrevivemos a todos".

        Apesar de toda a confusão que anda há minha volta preciso de parar e reflectir sobre o que me falta fazer para o que resta deste ano. Tenho a sensação que não fiz sequer metade do que realmente queria ter feito, voltando aos meus objectivos de 2019 apercebo-me que as coisas não estão tão más quanto isso. Apercebo-me no início de Julho que os meus objectivos estão bem encaminhados e eu é que me tenho esquecido de focar só nas coisas boas (raio, às vezes é tão difícil focar-nos nas coisas boas quando estamos tão cansados...). Para 2019 desejava:

         - Ler 12 livros, a coisa não está tão mal como seria de esperar, estou neste momento a ler o 5º livro do ano. Sei que já deveria ter lido mais um bocadinho, mas a coisa não tem estado fácil e tenho lido livros gigantescos.

         - Poupar para a casa nova, ao contrário do que Ele achava (as contas vieram à dias comprová-lo) as coisas não estão tão más assim. É verdade que gostávamos de ter consigo poupar mais algum, mas têm surgido imprevistos dos quais não conseguimos fugir e só o dinheiro que gastei em saúde nos primeiros meses do ano foi um descambo na carteira.

         - Umas férias boas de verão, ainda não aconteceram, mas já estão programadas. Espero que até lá mais nenhum desastre aconteça e que estas férias se concretizem, estamos os dois desesperadamente a necessitar de descanso.

         - Terminar a pós-graduação, mais uns dias e este item fica concluído na minha lista.

         - Fazer um workshop de culinária, nem sei se este vai acontecer ao longo deste ano. Vamos ver no que dá.

         - Voltar à piscina com regularidade, não vai acontecer, mas fui algumas vezes a aulas num ginásio e espero conseguir criar uma rotina. Neste momento o trabalho impede-me de o fazer, mas acredito que mais algum tempo e já consigo criar este hábito. Vamos ver como corre até ao final do ano.

        - Fazer pelo menos duas escapadinhas por Portugal, já fomos a Lisboa em Janeiro (o ano tem sido tão longo que até tenho a sensação que esse passeio foi à mais tempo) agora ando a planear um fim-de-semana a dois, ainda sem nada definido, mas para aproveitar o voucher que a Passarada nos ofereceu de prenda de casamento (sim, vamos usar mais de um ano depois...).

         O ano só agora passou de meio e está na altura de me focar nas coisinhas boas, naquelas que já consegui e naquelas que estou a caminho de conseguir. Há que esquecer as sensações negativas, há que deixar de me queixar do cansaço e começar a aproveitar as pequenas coisas boas que têm surgido na minha vida.

 

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