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justsmile

19
Nov18

Hoje apetece-me... #38

     

       ... Ficar na caminha enrolada nos lençóis. Ele hoje está em casa, de folga e ficou na cama e só me apetecia desligar o despertador, virar-me para o outro lado e ficar ali enrolada na cama.

       ... Fazer um bolinho caseiro. Há algum tempo que não faço bolo caseiro, aquele de chocolate que sabe tão bem com um chá quente. Hoje caia mesmo bem.

        E um serão de Netlflix, vá... Uma tarde talvez ou talvez um dia inteiro. Começamos ontem a ver o Narcos (vá, Ele começou, porque eu já tinha visto um episódio enquanto Ele dormitava) e sabia bem fazer um serão nonstop da série.

       Eu sei que este programa para os próximos tempos é bastante irrealista. As nossas agendas não estão compatíveis e os eventos e trabalho têm-nos ocupado o tempo todo, mas uma pessoa pode sonhar, certo?

16
Nov18

Como 'desorientar' a minha semana

(Imagem retirada daqui)

      Sou uma pessoa que gosta de planos. Ao sábado, depois do trabalho ou até durante a aula tento olhar para a minha agenda e organizar a minha semana. Ver se dá para ir à piscina, perceber que reuniões vou ter, se há algumas sessões que tenha de preparar com maior antecedência e até se há tarefas concretas a realizar. Gosto de planos, gosto de cumprir horários (ok, admito até que sou um bocadinho paranóica em chegar a horas ao trabalho e em sair a horas, a última raramente acontece), mas há uma forma de descambar uma semana inteira de forma muito fácil. Existe uma fórmula muito simples para sentir que a minha semana vai ser, toda ela, caótica: Não dormir no fim-semana.

       Sou uma pessoa que sente imenso a necessidade de descansar. Antes, quando não trabalhava ao sábado, aproveitava o fim-de-semana para dormir, descansar e dedicar as horas extras a repor o sono que a semana me consegue tirar. Agora, que trabalho ao sábado ou tenho aulas o dia todo, acabo por ver o fim-de-semana (vá, vamos reduzir isto ao sábado à noite e ao domingo) como a oportunidade para fazer aquilo que não faço durante a semana, estar com amigos, família, organizar a vida doméstica e até fazer as compras. E o que fica descurado? O descanso. E quando não há descanso sinto que a semana vai ser caótica, o que acaba normalmente por se concretizar... O meu corpo exige que descanse, exige que durma pelo menos 8h por noite para me manter bem disposta ao longo do dia e não andar sempre a queixar-me que ando cansada, ao fim-de-semana o meu corpo adora ter pelo menos mais uma hora extra de sono, 9h. E o que não tem acontecido? Nem uma coisa, nem a outra. Resultado: Semanas caóticas.

       Esta semana virei a caneca do pequeno-almoço pela mesa toda que consequentemente me fez chegar atrasada ao trabalho. Esqueci-me de material necessário para o trabalho em casa. A casa não se tem mantido tão arrumada, porque ando cansada. As reuniões e actividades continuam a exigir de mim. Vê-lo e estar com Ele tem sido uma questão de, literalmente, minutos por dia. O resultado do meu cansaço não poderia ser mais desastroso e porquê? Porque no fim-de-semana não consegui sequer repor as horas de sono, mal consegui dormir as horas habituais, quanto mais repor. A maioria das pessoas, incluindo Ele, não percebem a minha necessidade de dormir, às vezes nem eu compreendo, mas sei que me dá saúde, boa disposição e a estimulação necessária para aguentar uma semana inteira de trabalho. Quando tal não acontece é o caos. Chegando ao domingo à noite e percebendo que as horas de sono do fim-de-semana foram poucas, já dou como certo que a semana vai ser caótica. Serei só eu assim?

15
Nov18

Um dia apostei em mim

(Imagem retirada daqui)

        Acordei numa manhã de Inverno e olhei-me ao espelho, já mal me reconhecia. Aquela que estava do outro lado do espelho já não era quem um dia eu tinha sido. Era estranho aperceber-me de que me tinha perdido algures no tempo, nas vontades dos outros, nas culpas que a vida me impunha e até nas tarefas do dia-a-dia. Foi estranho simplesmente acordar e não me reconhecer. Afinal onde estava a miúda sonhadora e lutadora, que tinha sempre mil e quinhentas coisas para fazer? Onde estava os sonhos daquela adolescente que um dia se deitava na relva e ficava a olhar para as nuvens e que sonhava em conquistar o mundo? Sem compreender bem como, ela foi desaparecendo gradualmente de dentro de mim, estava apagada por uma tonelada de problemas, de trabalhos e de pressões. Olhei novamente para o espelho e até as feições pareciam ter mudado, estavam mais pesadas, mais sombrias. O cansaço de uma vida pesada estava a levar o melhor de mim e de uma forma disfarçada tinha mudado a pessoa que um dia tinha sido e que queria realmente ser. Os sonhos estavam apagados, a luta tinha sido travada pelo cansaço e só o trabalho ocupava a minha mente, como uma espécie de robô. Acordava, fazia o que tinha a fazer e dormia, sem prazeres, sem felicidade, num automatismo que a vida me tinha imposto.

       Chega! Disse um dia, de mim para mim. Chegava de sentir essa culpa que invadia a minha alma. Chegava de sentir a pressão de todos os lados, chegava de tentar viver de acordo com os outros e fazer com que todo o meu ser fosse apagado no meio da multidão. Chegava dessas sensações negativas que me diminuíam a auto-estima, que me destruíam os sonhos e que me levavam à inércia. Essa não era quem eu queria ser, não era a pessoa que um dia tinha sonhado ser! Bastaram-me as palavras Estou farta! Para compreender que a minha mudança tinha de começar, queria voltar a ser quem tinha sido, queria ser ainda melhor do que algum dia tinha sido. Assim, simples. De um dia para o outro percebi que a mudança tinha de ser feita e começou a ser, de uma forma gradual as mudanças começaram a acontecer na minha vida. Passinho a passinho fui mudando e voltando a ser quem eu sempre tinha desejado ser, mais livre, mais sonhadora, mais objectiva (contrariamente ao sonhadora, mas ambas as coisas são precisas na minha vida), com menos pressões e até com menos pessoas tóxicas à minha volta. 

         Este momento, esta epifania, aconteceu há cerca de seis anos e desde aí que cada vez mais me tenho tornado na pessoa que desejava ser. A caminhada tem sido longa, tive de reconstruir muitos aspectos de mim mesma, mas tenho vencido as minhas batalhas, tenho conquistado os meus sonhos e objectivos. Também bati com a cabeça na parede algumas vezes, mas a resiliência fez de mim uma pessoa mais forte, as quedas na vida fizeram-me levantar mais forte e fui obrigada a lidar com a frustração. Precisei de apostar em mim, de pensar em mim, de reflectir no que me tinha tornado. Apostar em mim foi a melhor aposta que já fiz. E por vezes? Por vezes preciso de me lembrar da minha caminhada simplesmente para não voltar a cair nos mesmos erros, para não voltar a perder-me de mim.

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