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justsmile

20
Abr18

Tirar o melhor partido das coisas

(Imagem retirada daqui)

 

       A vida surpreende-nos muitas vezes, umas vezes de uma forma positiva e outras de forma negativa. A vida nunca é 100% aquilo que planeámos, por muito que tracemos planos, que definamos objectivos e até que nos foquemos apenas neles, há sempre forma de a vida nos dar a volta. Nunca temos o controlo total sobre a nossa vida. É cheia de imprevistos, pequenas coisas que nos alteram o percurso e que fazem com que de uma forma ou outra tenhamos de nos adaptar às novas circunstâncias. Umas vezes a adaptação é fácil, rápida e imediata. Não é necessário processar a informação, lidar com sentimentos ou complicar. Outras vezes essa adaptação é mais demorada, é necessário incutir na nossa cabeça que o percurso foi alterado, sem saber a razão, motivo ou consequência, apenas sabemos que é necessário traçar um novo percurso e começar tudo do zero. E são estas alterações de percurso mais profundas, mais complexas que demoram mais a serem aceites, até porque muitas vezes, durante uma vida inteira, tentamos criar a passadeira para percorrer um único caminho para atingir um objectivo. Não é fácil mudar o caminho, é terrivelmente complicado perceber que encontramos um muro no meio e que não temos altura suficiente para o subirmos, dói perceber que temos de voltar para trás e procurar um caminho alternativo. Por vezes até é necessário fazer o luto daquele objectivo ou até mudá-lo de forma tão drástica que ao vê-lo já nem é o mesmo que um dia foi. Mas a vida é assim mesmo e o que digo para mim, acredito que cada um de vocês também poderá ter passado por algo assim. Acredito que nenhuma das vidas com que me cruzo na rua seja exactamente aquilo que um dia foi planeado.

      É simplesmente o conceito de é a vida. Uns adoram esta imprevisibilidade, outros odeiam não conseguirem ter o controlo das suas vidas ou das suas opções, eu encontro-me no meio termo. O ideal é aprendermos a lidar da melhor forma com esta imprevisibilidade que a vida nos dá. Parece tudo muito idílico e poético, falar em aceitar a vida quando esta só parece complicar-se, quando esta parece estar rodeada de ondas de azar ou até quando a queda é tão grande que se torna difícil de levantar. Eu sei, eu compreendo tudo isso, já passei por lá, mais que uma vez até, mas tenho desenvolvido em mim uma coisa que há uns anos não conseguia fazer, aceitar e lidar com as coisas de frente. Se me dissessem aos 12 anos que os meus pais iriam fechar o negócio que mantinham há mais de 20 anos, se me dissessem que o meu pai iria imigrar ou que seria a última pessoa a ver a minha avó paterna viva, eu nunca iria acreditar. Se me dissessem que um dia iria trabalhar 9h por dia sentada a uma secretária em frente a um computador eu iria negar tal possibilidade e diria que estariam loucos. Mas a vida aconteceu, deu-me tantas voltas e aqui estou eu, com todas essas coisas ultrapassadas e se na altura não consegui, agora consigo atribuir lições a cada um destes acontecimentos na minha vida, acontecimentos que me fizeram cair, que me fizeram questionar, mas que no fundo me deram muitas lições e que me trouxeram à pessoa que sou hoje. Foi a vida. Não tenho a quem culpar, talvez um bocadinho da má sorte, mas hoje tenho a capacidade de compreender que de coisas terríveis, difíceis ou até de simples imprevistos conseguimos sempre tirar o melhor de cada acontecimento.

       Este é também um pensamento que tenho tentado meter na minha cabeça. Não costumo fazer-me de vítima perante os outros, não gosto de demonstrar o quão em baixo algumas situações da vida me deixam, mas mentalmente (durante muito tempo) senti-me injustiçada, afinal nunca tinha feito tanto mal para receber tudo aquilo. Lidei com todas as situações de uma forma diferente, mas agora compreendo que aprendi com todas elas e que todas elas me ensinaram coisas que ficarão comigo para o resto da vida. É possível tirarmos algo bom das quedas, nem que seja para nos conhecermos melhor, para demonstrar o quão forte e corajosos conseguimos ser. Eu, a maior lição que tirei de todas as quedas que já dei, de todas as alterações que tive de fazer ao longo do caminho é que sou mais resiliente do que alguma vez pensei ser. Sou mais forte do que aquilo que pensava ser. Sou mais corajosa e desenrascada do que aquilo que transmito ser. Não é fácil, mas também nunca nos disseram que a vida é fácil e apesar de todos os percalços nunca tive a capacidade para dizer sou infeliz. E isso faz-me sentir orgulhosa, não só consegui ultrapassar a dor, o luto, o cansaço e a frustração, como consegui sempre encontrar algo de bom na minha vida. Vejo-me como uma pessoa com pouca sorte em alguns aspectos da minha vida, mas vejo-me como uma pessoa feliz. Nunca consegui deixar de sorrir, mesmo que o sorriso tivesse dias mais fracos e sobreposto com algumas lágrimas. Nunca deixei de ter um bocadinho de esperança em mim, por muito fraca que fosse. E nunca, mas nunca deixei de acreditar que tudo iria passar, mesmo que por vezes os dias parecessem infinitos.

       Acredito que conseguimos criar a nossa própria felicidade, sou apologista da crença que só não somos felizes porque não queremos e acho que tirar o melhor de cada situação que a vida nos dá é o melhor caminho para a felicidade. É claro que nem sempre é fácil, é óbvio que há dias em que as forças nos faltam e que precisamos apenas de nos deixar cair, mas é quando nos decidimos levantar, quando deixamos a poeira assentar que conseguimos ver com maior clareza que apesar de tudo há sempre algo para estarmos gratos. A vida tem-me ensinado que podemos sempre aprender o melhor das piores situações possíveis. A vida tem-me ensinado que quando caímos, conseguimos sempre levantarmo-nos, mesmo que não seja da forma que idealizamos. A vida tem-me ensinado que aprender com ela é meio caminho andado para a felicidade.      

16
Abr18

Aprender: uma coisa de cada vez

 

       Sempre fui uma pessoa lutadora. Tudo o que tenho na vida foi às minhas custas e apenas adquirido com o meu esforço, nada me foi oferecido de mão beijada e se consegui alguma coisa foi porque me esforcei o máximo para o alcançar. Também não sou uma pessoa com a sorte do meu lado, mas batalho para criar a minha própria sorte e, umas vezes piores outras melhores, tenho conseguido alcançar tudo aquilo que desejo. No entanto, não sei se é da idade, se é a pressão de estar tão próxima dos 30, que sinto que quero tudo para agora, para já. Algo que até aqui não me tinha acontecido. Quero a casa, quero o casamento, quero voltar aos estudos, quero mudar de emprego. E custa-me pensar a longo prazo, custa-me pensar que depois dos 27 anos talvez ainda vá tirar uma outra licenciatura ou uma outra formação qualquer. Custa-me pensar que a casa ainda poderá demorar a ser construida. Custa-me pensar que Ele tem mais cinco anos em cima e que também preciso de compreender as suas necessidades e os seus objectivos. Mas custa-me ainda mais ter de, aos pouquinhos, adiar cada um dos objectivos e de reorganizar as minhas prioridades. Na minha cabeça sei que tenho de fazer uma coisa de cada vez, agora é o casamento e as obras para uma casa temporária, depois começar a construção da nossa casa para ainda conseguirmos um bom crédito no início e não no fim da casa dos 30, e só depois me poderei focar em estudar e em decidir o caminho profissional. Mas já não será essa a altura de pensar em filhos? Pelo menos é o que todos me tentam incutir, é o que todos me querem fazer lembrar, depois da casa são os filhos. Filhos que ainda nem sei dizer a 100% se terei coragem de os ter. Sei, conscientemente, que tem de ser uma coisa de cada vez, não porque não queira tudo ao mesmo tempo, não porque não tenha coragem de avançar com tudo e nem é por falta de força e vontade, é apenas pelo aspecto financeiro. Financeiramente sinto-me limitada em tudo e mais alguma coisa, sei que não sou a única, mas questiono-me muitas vezes como é que tanta gente consegue estudar, comprar casa e ainda preparar um casamento, tudo ao mesmo tempo. Eu sei que nas minhas posses não o consigo fazer, não tenho apoios financeiros que me auxiliem e tudo tem de ser adquirido com o meu trabalho, o meu suor e o meu esforço (e acreditem que faço muito). A minha batalha nos últimos meses foi mentalizar-me que preciso de fazer uma coisa de casa vez. Uma coisa de cada vez.

       Cada vez mais a idade é uma questão relativa e é isso que tenho tentado consciencializar-me. Para fazer um crédito habitação mais de 30 anos já é visto como uma grande desvantagem, no entanto para estudar é algo perfeitamente normal encontrar alguém, já depois dos 30, a fazer uma licenciatura ou a tirar um mestrado. E é isso que tenho tentado incutir na minha cabeça, que não preciso de ter tudo ao mesmo tempo, por muito que queira necessito de ter consciência das minhas fragilidades, dos pontos menos vantajosos de cada um dos meus objectivos e necessito de compreender que não estou a atrasar objectivos, estou a moldá-los, a adaptá-los à minha vida e aos tempos que correm. Não é fácil para quem tinha a vida, mentalmente, mais ou menos orientada ter de se adaptar a novas realidades, esta nova profissão que o diga, mas tenho-me adaptado e cada vez aceito melhor (sempre com uns dias melhores e outros piores) aquilo que a vida me tem dado. Uma coisa de cada vez. Tenho tentado manter o foco nos objectivos que são para agora, a casa e o casamento. O dinheiro que junto é para isso e para mais nada. As 50h de trabalho semanais são sempre feitas com estes objectivos na cabeça, dão-me força, dão me motivação para continuar e saber que daqui a alguns meses serão concretizados. Depois? Depois, mais tarde, sei que terei de fazer o mesmo com cada um dos objectivos que se seguem. Tudo tem apenas uma dependência, o aspecto financeiro (afinal nem eu, nem Ele recebemos qualquer tipo de fortuna, ou nada que se lhe pareça), mas é o dinheiro que faz o mundo girar e é também ele que nos irá permitir conquistar cada um desses objectivos, só precisamos de manter o foco. Ele já trabalha na área em que se formou e faz realmente o que gosta, nota-se quando fala do trabalho, mesmo que tantas vezes chegue a casa só a pensar nos problemas do trabalho. Sei que para mim isso ainda não acontece, mas antes de acontecer ainda tenho outros passos para dar na vida. E volto a pensar: Uma coisa de cada vez.

       Não é fácil, mas tenho tentado lidar com este pensamento da melhor maneira possível e a verdade é que tem sido cada vez mais fácil pensar assim. A idade faz-me questionar, mas basta-me tirar essa parte da equação que me vejo a alcançar tudo o que desejo. Afinal os novos 20 são os 30, certo? Uma coisa de cada vez. Este mantra tem-me ajudado a ultrapassar as minhas dúvidas existênciais no que diz respeito ao meu lado profissional e com isso tenho-me sentido mais leve. Uma coisa de cada vez e eu irei conquistar o meu mundo.

 

21
Dez17

O que aprendi em 2017?

(Imagem retirada daqui)

 

      A reflexão sobre 2017 ainda está para chegar, no entanto, ainda antes de ter chegado a Dezembro de 2017 dei por mim a pensar nas lições que retiro de 2017. Foi um bom ano, sem dúvida que sim, se o formos comparar com os últimos dois anos, no entanto apercebi-me que também não foi propriamente um ano fácil. Apesar de ter conseguido concretizar alguns sonhos, apesar de ter começado a realizar os meus próprios desejos, dou por mim a verificar que foi um ano de luta, um ano de aprendizagens, de auto-conhecimento e de reflexão. Apercebo-me agora, mesmo no final do ano, que este foi um ano de muitas lições.

      Aprendi que nem sempre a sinceridade é boa aliada. Fui sincera e perdi uma amizade. Não fui desagradável, simplesmente expus totalmente a minha situação, os meus sentimentos e como não fui compreendida perdi uma amizade. Acho que se tivesse dado uma desculpa esfarrapada para declinar um convite, penso que se tivesse inventado algo, hoje manteria essa amizade. Em vez disso optei por ser 100% sincera, mostrar o meu lado da situação e isso fez-me perder uma amizade. Aprendi uma lição, não sei se irei voltar a repetir, pois sou apologista da sinceridade acima de tudo, mas aprendi que nem sempre a sinceridade funciona.

      Aprendi que não vale a pena fazer fretes. Deixei-me totalmente de me colocar em posições que me são desconfortáveis, que não se adequam a quem sou e que não valem a pena. Desisti de tentar sorrir a quem não merece e comecei a dizer mais vezes 'não'.

      Re-aprendi que as verdadeiras amizades são para sempre. Aqueles amigos que um dia achei perdidos estiveram ainda mais presentes este ano. Foram jantares, foram conversas, foram boas horas tentadas encaixar em horários e tarefas de loucos, mas conseguimos sempre, por muito que fosse adiado.

      Aprendi a lutar por mim, a defender-me. Voltei a pensar em mim, ainda mais um bocadinho. Voltei a encontrar tempo para as coisas que gosto. Voltei a cuidar mais de mim. Voltei a defender-me quando necessário e a mostrar as minhas garras. Não foi fácil, não foi agradável, mas foi necessário. Venci batalhas e soube muito bem. Agora olho para trás e penso como consegui, mas a verdade? A verdade é que realmente estou aqui e sou a prova viva de que vale a pena lutar.

       Aprendi a lutar ainda mais. Não só por mim, mas pelos meus sonhos. Continuei a tentar lutar por um sonho profissional, mas também aprendi que há limites nessa luta e já defini um. Preciso desse limite psicologicamente, mas isso nunca me impediu de durante os últimos dois anos ter lutado por um sonho.

       Aprendi a poupar e a organizar-me ainda mais. Aprendi a ser mais minimalista e a reflectir. A prova viva disso é este blog. Eu sou a prova viva desta mudança que tão bem me tem feito. Mudei, aprendi muito, mas aprendi para meu bem. Aprendi para saber lidar com o stress, com os horários loucos, com a rotina cansativa e até com a frustração. Até aprendi a organizar o blog mensalmente, a definir objectivos, a focar-me ainda mais no que realmente quero! Cresci com estas aprendizagens todas e espero continuar a crescer com tudo isto.

       Aprendi que tudo o que é bom custa, que tudo tem de ter o seu esforço para saber bem. Aprendi que sou uma pessoa que não tem nada de mão beijada, que tenho sempre de lutar mais que alguns, menos que outros. Aprendi que tenho mesmo de ser persistente para chegar aonde quero. E com isso aprendi que sou mais forte do que pensava, mais resiliente do que imaginava. Porra, começo mesmo a orgulhar-me de quem sou. Ao olhar-me ao espelho vejo realmente quem sempre quis ver e isso faz-me bem, faz-me sentir em paz e tranquila.

      Aprendi a encontrar mais paciência. Aprendi a calar-me mais, a desligar-me mais e melhor. Não foi fácil, houve discussões na mesma, mas tenho aprendido cada vez mais a engolir, a respirar e a deixar passar. Tenho aprendido a meter-me onde não devo, a ignorar o que deve ser ignorado, seja a nível profissional como pessoal. Custa, é verdade, mas tem sido mais fácil lidar com o dia-a-dia dessa forma.

       Durante 2017 foram muito as lições que aprendi, algumas simplesmente melhorei, mas olho para trás e consigo ver que cresci. Parece que a miúda que por aqui escrevi há alguns anos está agora mais crescida, com as ideias mais definidas e com os sonhos mais organizados. Vejo ao espelho uma nova pessoa, com uma nova forma de estar, de ser, de lidar e este ano contribuiu muito para esse crescimento. Existiram muitos desafios, muitos momentos de frustração e isso obrigou à mudança. Foi essa necessidade de mudança que fez com que decidisse realmente mudar. Surgiu assim o crescimento, as lições que foram sendo retiradas ao longo do ano. 2017 foi um bom ano para aprender. 2017 foi um bom ano para crescer.

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