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justsmile

15
Out18

São as minhas escolhas, não as tuas!

 

(Imagem retirada daqui)

 

     Quando decidi mudar de emprego, praticamente de um dia para o outro, depois da resposta deste novo emprego ter sido positiva, que muita gente questionou a minha opção. Aliás, ainda consigo notar no rosto de algumas pessoas a dúvida sobre tal decisão da minha parte. Durante mais de dois anos e meio trabalhei como administrativa numa empresa na minha terra de residência. Acordava às 8h20 para entrar ao trabalho às 9h, conduzia (literalmente) apenas dois minutos para chegar ao emprego, tinha uma hora de almoço em que ia a casa almoçar e saia todos os dias às 19h. O trabalho não era pesado, longe disso. A minha função era dar apoio à contabilidade, verificar pagamentos de clientes, entrar em contacto com alguns clientes e fazer o controlo de bens de escritório e mais umas quantas pequenas coisas, tinha praticamente uma posição de "faz de tudo um pouco". O ambiente com os colegas de escritório era muito bom, dávamo-nos super bem e o ordenado não era tão mau assim para a realidade que há lá fora (apesar de o meu ser praticamente um dos mais baixos da empresa...), que era compensado pelo facto de o trabalho ser realmente perto de casa. Aos ouvidos de muita gente este parecia ser o emprego de sonho, o paraíso na terra. Mas... Mas para mim não foi e percebi pouco tempo depois de lá estar, coisa que só foi piorando com o tempo. 

       Ao iniciar o emprego de administrativa muitas foram as promessas que me fizeram, funções que exigiram da minha intelectualidade, novas aprendizagens e responsabilidades e até um aumento ao fim de algum tempo. Foi pouco tempo depois que comecei a compreender que nada disso aconteceria, não por maldade, mas simplesmente porque nunca iria acontecer e que a minha função nunca iria passar daquilo. O tempo foi passando, o receio em encontrar um emprego ainda pior mantinha a minha posição ali, mas em mim começou a nascer a necessidade de mudar. O casamento e a casa mantiveram a minha mente ocupada durante um bom tempo, mas sabia que depois de passar esses dois eventos a minha mente iria entrar em decadência. Estava cansada de fazer sempre o mesmo trabalho automático, estava frustrada por ter cada vez menos trabalho e, principalmente, por sentir que não estava a utilizar as minhas capacidades todas. O maior factor que me fez querer mudar, além de sonhar em voltar a ser terapeuta da fala, foi realmente o facto de o trabalho que fazia não exigir qualquer parte do meu intelecto e isso estava-me a matar por dentro. Sentia-me a estagnar e sem conseguir perceber como iria sair dali. 

       Até que surgiu este novo emprego, a mais de quarenta quilómetros de casa, a receber menos do que recebia perto de casa, com muito mais responsabilidades e exigências, mas na minha área de formação. Para alguns foi uma loucura deixar um emprego que era certo, perto de casa e com um ordenado mais ou menos para ir para mais longe e para ao final do mês tirar menos dinheiro. Afinal a quem cabe na cabeça mudar de emprego para receber menos? A muitos esta mudança demonstrou ser estranha, afinal agora casada e a querer construir uma casa é que ia mudar de emprego? Absolutamente ridículo! Mas para mim foi uma das melhores decisões da minha vida. É verdade que tenho muito mais trabalho, tenho horários mais preenchidos e até os quilómetros ao final da semana pesam no corpo, mas estou completamente feliz. Finalmente me sinto concretizada num emprego e a verdade é que não existem empregos perfeitos e a distância acaba por compensar apenas porque faço o que gosto. Para uns esta decisão foi uma loucura, para mim foi uma das melhores decisões que já tomei (mesmo com todos os seus 'ses').

 

20
Ago18

Tudo irá mudar, há que acreditar

(Imagens retiradas daqui)

 

       Sou terapeuta da fala. Apesar de neste momento trabalhar como administrativa numa empresa que nada tem a haver com a minha área, sou terapeuta da fala. Mas também sou administrativa, sem formação, mas com quase tanta experiência como ser terapeuta da fala. A minha vida profissional não tem sido a mais brilhante, apesar de todos os locais por onde passei admirarem a minha responsabilidade, saudarem a minha assiduidade e me elogiarem a alguns níveis, a verdade é que a sorte nunca esteve bem do meu lado. O meu percurso profissional não tem sido o desejado e este ano decidi que seria o ano, depois do casamento, depois das mudanças, de começar a focar-me em alterar esta minha condição laboral (relembrar-me: uma coisa de cada vez, agora é a vida profissional). Tenho tentado fazê-lo, nunca parei de o fazer, de procurar mais e melhor, dentro e fora da área, mas parece que não me enquadro em nenhum quadro empresarial, parece que o meu currículo ou a minha fotografia não estão a ser atractivos para ser uma candidata apelativa.  Decidi que 2018 seria o ano de fazer um esforço ainda maior para encontrar o meu lugar ao sol, mas parece que estou no meio de dois mundos completamente diferentes e que me encontro numa espécie de limbo. Quero mudar, quero crescer profissionalmente, mas parece que não consigo mexer-me, que não me dão oportunidade de demonstrar as minhas verdadeiras capacidades, já nem digo na minha área de formação, mas até fora dela.

         Encontro-me numa situação que não sei muito bem como lhe pegar. Eu sei o que gosto, sei o que quero, mas também ao que estou disposta a aceitar ou a tentar. Para encontrar emprego minimamente estável na minha área de formação (algo que para mim é essencial, estabilidade financeira), era preciso um milagre, mas um milagre daqueles enormes. E por ter consciência da realidade do mundo laboral, estou disposta a aceitar empregos fora da minha área de formação e naquela que tenho experiência neste momento, mas parece que o factor de não ter formação profissional tem-me deixado para o fundo da lista dos candidatos. Eu bem que quero investir em formação, eu bem que quero crescer e não sei bem para onde me virar, até porque os meus horários são de loucos e em momento nenhum consigo encaixar uma formação. E mesmo que conseguisse? O que iria tirar? Uma pós-graduação, uma formação profissional que equivale a um décimo segundo ano, uma nova licenciatura ou até um mestrado na área de administração (será sequer que tal coisa seria possível?)? Já há algum tempo que me tenho sentido sufocar profissionalmente, tento evitar pensar no assunto, continuo a responder quase diariamente a anúncios para as duas áreas, mas a verdade é que nada tem acontecido. Sei que até ao casamento evitei pensar no assunto, encontrar soluções e focar-me nos objectivos do momento, mas agora que quero começar a mexer-me, começar a mudar esta minha sorte, parece que me sinto presa e sem saber como me mexer.

        Tento acreditar diariamente que esta minha sorte vai mudar. Levanto-me todos os dias, vou trabalhar e não é tão mau assim, apenas me sinto desmotivada. Levo o dia normalmente, com boa disposição, mas é quando paro para pensar nesta minha situação que me sinto entristecer. Todos os dias espero que surja a oportunidade da mudança, que me faça sorrir e que me faça evoluir profissionalmente, mas parece não surgir. Sei que a solução passa apenas por um lado, continuar a lutar, tal como a M* referiu no post dela sobre algo tão semelhante à minha vida profissional. Sei que não posso perder a esperança, sei que é necessário acreditar e continuarei a fazê-lo, mas a verdade é que a cada dia que passa parece ser mais difícil lidar com a desmotivação. O que me vale? Os colegas próximos de trabalho, se não fosse isso acho que já teria enlouquecido. Até encontrar essa oportunidade que tanto desejo, vou aproveitar esta companhia, mas uma certeza tenho, as coisas hão de mudar, pois estagnar não é opção.

 

22
Fev18

Não tenho muita sorte profissional...

(Imagem retirada daqui)

 

       Dei por mim no outro dia a pensar sobre o meu percurso profissional. Terminei a minha licenciatura há quase cinco anos e apercebi-me que tenho uma vasta experiência em situações absurdas, em entrevistas ridículas e em azar profissional. Estou perita nestas três competências e com a capacidade para escrever um bom livro sobre as temáticas. Ora vejamos, no meu primeiro emprego, como terapeuta da fala fiquei extremamente iludida por ter conseguido encontrar uma vaga de trabalho ao fim de cinco currículos. Ingénua na altura, não compreendi o quão desastroso isso poderia um dia ser. Trabalhei cinco meses num gabinete que me manteve ilegal durante o tempo todo, com uma promessa impossível de estágio profissional. Trabalhava a 1h10 de casa, gastava imenso em gasóleo e por estradas bastante escuras. Choramingava pelo meu ordenado, pois o patrão adorava demorar-se a pagar-me fosse o que fosse e ainda tive direito a uma inspecção do trabalho enquanto lá trabalhava. Este foi o momento ideal para sair e acreditei que iria conseguir um emprego com tanta facilidade como tinha encontrado o primeiro. Mas nem tudo foi mau, consegui fazer amizades com quem ainda hoje mantenho o contacto e com um horário de 40h consegui ganhar imensa experiência e preparar inúmeros materiais que ainda hoje me dão imenso jeito.

       No meu segundo emprego fui fazer a substituição de uma grávida, pela primeira vez trabalhei a recibos verdes e compreendi o absurdo da situação. Perdia quase duas horas no trânsito por dia, mas admito que não me custava nadinha, ganhava misérias (se tirei algum mês mais de 700€ já foi uma fortuna rara! E nem estou a falar das despesas associadas...), perdia hora de trabalho quando algum doente decidia faltar e ainda tinha uma coordenadora fantástica (ou não). Esta coordenadora tinha a excelente competência de começar a berrar com as pessoas às 8h30 da manhã quando a sala de espera estava cheia e com os bombeiros a trazerem os respectivos doentes. No entanto, adorava realmente o que fazia, trabalhar com idosos e crianças ao mesmo tempo foi dos trabalhos mais gratificantes que tive até hoje. De resto era tudo muito estranho, durante quase um ano não aprofundei o meu conhecimento com ninguém na clínica, almoçando sozinha e tendo os meus livros como companhia. No início custou-me bastante não fazer amizades, depois compreendi que foi uma espécie de bênção. Quando vim embora, gostariam que eu ficasse a ganhar experiência sem salário o que realmente me deu uma vontade imensa de rir, como se dois anos de experiência não fossem o suficientes.

       O terceiro emprego, apesar de não ter sido como terapeuta da fala, foi o melhorzinho. Trabalhei numa famosa empresa de distribuição, em horário part-time que pouco contacto me obrigava a manter com o pessoal. Entrava a correr e saia a correr. Excessivamente cansativo fisicamente, mas libertador de certa forma. O ordenado não era uma fortuna, nem lá perto, mas ajudou-me a manter a sanidade mental após uma altura demasiado extensa de desemprego.

       O quarto emprego, e actual, desta vez como administrativa, também não tem sido o fundo do arco-irís (imagino que percebam porque não irei dar mais pormenores). Eu sei que nenhum emprego o é, tenho bem experiência disso, mas acreditem que aqui existem coisas que nunca vi na minha vida e isso deixa-me frustrada. Quem me conhece, mas pouco sabe sobre o local onde trabalho, acham que me saiu uma espécie de euromilhões. Aos olhos dos outros é uma sorte grande estar a ganhar o que ganho, não literalmente, mas quase, à porta de casa, com a possibilidade de ir almoçar todos os dias a casa e ainda com a vantagem de gastar pouco em combustível e em tempo. No entanto, ninguém percebe a minha frustração e nunca hão de entender por uma simples, não são eles que estão no meu lugar. A nossa vida aos olhos dos outros é sempre muito melhor, temos sempre mais sorte que os próprios, a questão é que não sabem os sacrifícios que fazemos (também sei que isto tem o outro lado da moeda). Eu não gosto de me queixar sobre o meu trabalho, nunca o fiz, mesmo com todos os contratempos que tive em todos os meus empregos anteriores. Sou a pessoa de dizer que 'sim, está tudo bem, tem as suas vantagens e desvantagens', mas não aprofundo para simplesmente não pensar no assunto e para não ser uma queixinhas. São poucas as pessoas que realmente sabem o que se passa na minha vida profissional, Ele e os meus pais, tirando isso mais ninguém precisa de o saber, mas irrita-me que me achem dotada de uma sorte que não existe. Por vezes penso que até hoje, a nível profissional, o erro foi sempre meu ou se sou demasiado exigente, outras penso que é simplesmente a minha 'má sorte'.

       Agradeço aos céus o facto de ter um emprego. Estou grata por ter fugido do desemprego que tanto me atormentou a alma, mas a verdade seja dita: Estou mesmo a precisar de mudar a minha sorte a nível profissional.

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