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justsmile

26
Jun18

Porquê destralhar?

(Imagem retirada daqui)

 

       A palavra destralhar entrou no meu vocabulário e parece não querer sair. Agora que a casa começa a ficar arrumadinha e com as coisas no seu lugar tenho compreendido que apesar de muito pequenina, 40 a 45m2 de casa, ainda me sobram espaços vazios. Os armários não estão sobre-lotados e parecemos ter tudo o necessário. O guarda fatos aguentou com toda a minha roupa numa só porta e a de inverno coube perfeitamente em apenas duas gavetas debaixo da cama. A falta de espaço que imaginava numa casa tão pequena parece não estar a acontecer e isso deixa-me feliz, sinto que o minimalismo está finalmente a enraizar-se em mim. Destralhar a minha vida foi uma das melhores coisas que fiz, fosse em que aspecto fosse, até no social.

         E porque comecei a destralhar?

      Como já referi, senti que a minha vida estava num caos, apesar de ainda continuar, mas pelo menos não na minha casa. Senti-me atolada de coisas, de afazeres e chegar a casa apenas parecia mais um momento para ter coisas para fazer e não para descansar. A cadeira do quarto estava sempre cheia de roupa, a mesa tinha sempre uma tralha espalhada aqui e ali e até as gavetas estavam cheias de recibos e papeís importantes sem terem um local adequado. Sentia que o trabalho que não me preenchia não era bom, mas que chegando a casa a confusão em mim continuava. O trabalho? Esse nunca mudou, continuo a sentir que não é o meu lugar, mas pelo menos a minha casa começou a ser o lugar onde me isolo do mundo e onde me consigo desligar (vá, quase, que ainda tenho umas quantas coisas para arrumar e definir os seus locais). E era esse ambiente que queria criar em minha casa, um local seguro, de refugio do mundo, onde me sentisse bem. Foi então quando comecei a procurar formas de mudar a minha vida e me deparei com o minimalismo. A primeira coisa que me sugeria o minimalismo era o destralhar.

       E o que é destralhar?

       Nada mais simples do que dar, reciclar ou deixar para o lixo tudo aquilo que não usamos. Quantas vezes não temos em casa aquele três pares de calças para utilizarmos naqueles dias em que ficamos o dia todo em casa? Mas será que são mesmo precisos três pares desses? E então aquele electrodoméstico XPTO que faz tudo e mais alguma coisa, mas que nunca usamos porque dá demasiado trabalho? E aquela caixa com recordações que só nos apetecem chorar? E as VHS que temos lá arrumadas que já nem conseguimos ver porque não temos um leitor de VHS? Pois, acho que todos nós temos dessas coisas em nossa casa em algum momento da vida e o destralhar é a consciencialização disso e a vontade de criar uma separação dessas coisas que realmente não usamos. Foram inúmeros os brincos que deitei ao lixo ou que dei, foram inúmeras as peças de roupa que tinha para aqueles dias de ficar em casa, mas que nunca usava até porque nunca passava mais de um dia seguido em casa. E as recordações? Ui, nem se fala, agarrava-me demasiado a papéis e papelinhos que nada serviam e que até más memórias me traziam. Decidi deixar tudo para trás, decidi que nesta minha mudança de vida elas não seriam incluídas e realmente não o foram. Separei-me delas. 

       E as vantagens de destralhar?

      A sensação de leveza. O espaço que fica para novas recordações, para coisas mais bonitas e para as coisas realmente importantes. A arrumação. O espaço. A sensação de limpeza. A organização externa que traz a tranquilidade interna. Ter sempre tudo arrumado, ter espaço para tudo e mais alguma coisa é uma das melhores sensações que o minimalismo me trouxe. Tudo começou com o passo de destralhar e a verdade é que esse foi um dos momentos mais fulcrais deste processo, que nunca deixei de me envolver. Separar-me das coisas físicas que apenas preenchiam espaço e a mente, fizeram sentir que afinal ter tanta coisa não traz felicidade, apenas confusão, desorganização. Afinal não preciso de cinco pares de calças de andar em casa, afinal não preciso de cinco pares de sapatilhas velhos e nem preciso de ter o armário cheio para saber o que vestir. Destralhar fez-me organizar as minhas prioridades e compreender o que realmente quero para a minha felicidade e isso trouxe-me uma tranquilidade interior que não sabia possível de adquirir.

      Destralhar foi o primeiro passo para uma grande mudança em mim. Destralhar foi o primeiro passo para conseguir reorganizar os meus pensamentos, os meus objectivos e a minha vida. Hoje tenho a certeza que nunca quero atolar a minha vida de coisas, quero manter a simplicidade e o minimalismo na minha vida. Quero manter esta tranquilidade que a tanto gosto de ter dentro de mim.

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