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justsmile

05
Abr18

Os altos e baixos do Minimalismo

(Imagem retirada daqui)

 

       Durante o último ano deixei-me entregar ao Minimalismo, mas desde o início que soube que este conceito era uma caminhada e não um destino. Não me aproximo, nem de perto nem de longe, do apogeu do Minimalismo e nem tenho como objectivo tal coisa. Não quero vender as minhas coisas todas, não imagino a minha vida sem uma casa e até adoro ter as fotografias impressas e os meus livros a enfeitar as paredes. No entanto, ao longo desta caminhada aprendi a sensação de libertação que é passarmos a ser possuidores de pouca coisa, a sensação de leveza de ter sempre uma casa arrumada, de ter um armário organizado e até a forma como a vida se começa a compor. Nem sempre é fácil, é preciso tempo, paciência e não desistir. É necessário destralhar uma e outra vez, e mais do que isso, é necessário compreender a nossa ligação emocional a determinados objectos. É necessária enfrentar uma realidade que tentamos ocultar durante anos, é necessário um confronto com as nossas memórias e até com a nossa própria história. Não é um processo fácil, não é fácil quebrar ligações, desligar-nos de sentimentos negativos que já estavam entranhados na pele, mas é possível. O Minimalismo ensinou-me que numa sociedade em que o stress é uma imposição, é possível encontrar um bocadinho de tranquilidade dentro de nós próprios. Ensinou-me também que, mais do que alguma vez imaginei, o exterior, tudo o que nos rodeia, influência os nossos sentimentos e até os nossos pensamentos. O Minimalismo ensinou-me que a felicidade, o viver em paz connosco próprios é algo possível e acessível, desde que se deseje.

       No entanto, nem tudo é um mar de rosas. Ainda não tive realmente uma má experiência no que diz respeito ao Minimalismo, até porque sou uma pessoa que gosta de equilíbrio. Não houve em algum momento nenhum objecto em que tenha dado ou mandado para o lixo que me faça falta (como vi acontecer com algumas pessoas), nunca senti a falta de nenhuma das memórias que decidi apagar e nem senti que estava a perder a minha identidade enquanto pessoa, pelo contrário, senti-me crescer e tornar numa pessoa mais calma. Como sempre disse, não é um percurso fácil e não há um destino concreto, depende de cada um e do conceito de felicidade de cada qual. No entanto, tudo o que tenho lutado, aprendido e alcançado na temática Minimalismo nos últimos meses pareceu desaparecer em mim, de um dia para o outro, quando as obras começaram. Toda a tranquilidade, toda a leveza que fui alcançando aos bocadinhos nos últimos meses parece ter desaparecido assim que comecei a empacotar coisas e a verdade é que não tenho conseguido adaptar-me ao caos em que está a minha casa e a minha vida. Eu sei que é apenas uma situação temoprária, mas não tenho conseguido lidar com estas mudanças de uma forma tranquila, simplesmente sinto-me caótica, sinto em mim uma pressão que não consigo explicar.

       O caos instalou-se há quase um mês. Começou por empacotar toda a minha vida, mesmo as obras só estando a durar há menos de duas semanas, e depois espalhar pela casa toda os meus pertences e dos meus pais, não existindo o mínimo espaço de manobra e arrumação. Até o almoço de Páscoa foi no meio de caixas e caixinhas, de coisas espalhadas por aqui e por ali. É temporário, tento relembrar-me destas palavras a todo o momento, mas com o Minimalismo adquiri de tal forma uma paz com a arrumação e a organização, que neste momento, ao ver-me rodeada do caos, sinto-me uma bomba relógico. Sinto-me stressada, mesmo tendo o trabalho organizado e com as mesmas horas laborais. Sinto-me irritada de cada vez que vou dormir para a casa do vizinho e me esqueço de algo, como meias ou o carregador do telemóvel, na minha própria casa. Fico chateada de cada vez que tenho de abrir um armário e arrastar uma caixa para o lado. Em mim, sinto uma espécie de peso do qual não me estou a conseguir ver livre, nem a saber muito bem como lidar. É temporário, volto a relembrar-me, mas está a prolongar-se por mais tempo do que desejava e a chuva só tem atrasado ainda mais o progresso das obras. Neste momento, sinto-me como uma bomba relógio, prestes a explodir e a começar a gritar disparates. Tenho-me controlado, tento recordar-me que é para meu bem, para o nosso futuro, mas agarrei-me de tal forma à organização e à arrumação, encontrei de tal forma nelas a minha paz interior que o caos está a deixar-me num total desiquilibro. E o Minimalismo? Em nenhum aspecto me tem ensinado a lidar com tudo isto. Está bem, tenho menos coisas o que torna o processo um nadinha mais fácil, mas a verdade é que o Minimalismo não me ensina a lidar com a mudança, ensina a mudar para melhor, mas não propriamente a lidar com as mudanças que não conseguimos controlar. Ensinou-me de tal forma a conseguir encontrar a tranquilidade que agora necessito dela para o meu equilibrio, o que tem sido impossível nos últimos tempos.

        Alguém tem uma dica para eu poder lidar melhor com tudo isto?

 

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