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justsmile

06
Mar18

Mas como consegues fazer tudo?

(Imagem retirada daqui)

 

       Sempre fui uma pessoa bastante activa. Lembro-me quando andava no ensino básico de pertencer ao clube de inglês, ao deporto, ao teatro e à dança contemporânea. No entanto, a partir do momento em que entrei no secundário, apesar de já estar ligada à associação da terrinha, o meu número de actividades decresceu imenso, a situação familiar e económica não estava muito bem e gastar dinheiro em fosse o que fosse estava fora de questão (mesmo para deslocações). Na faculdade, então, foi sempre a descer, pelo menos nos primeiros anos. Nessa altura apenas fazia parte do conselho de curso e era delegada de turma e já pouco tempo me sobrava. Contudo, no último ano do curso surgiu o convite para fazer parte de uma comissão de festas, mantendo ainda o meu lugar no conselho de curso e como delegada de turma, para além de estar em estágio e de ter um projecto de investigação para desenvolver. Apesar do pouco tempo com que fiquei entre 2012/2013 foi quando me apercebi que estava a voltar à minha zona de conforto, a pro-actividade, a participação na minha comunidade e os inúmeros projectos em que estava envolvida e me faziam sorrir. Não foi fácil, mas sentia-me mais do que realizada, sentia-me feliz por fazer parte de tanta coisa que me ajudou a um crescimento pessoal enorme e, principalmente, que me levou ao meu próprio reencontro.

       Quando ingressei no mercado do trabalho tinha decidido que iria continuar a participar na comunidade, mas que iria tentar diminuir a carga horária a que me dispunha para fazer as coisas e durante, pelo menos dois anos, assim o foi. No entanto, no último ano tenho aumentado o meu envolvimento em actividades e a coisa começou a tornar-se mais difícil de gerir, são demasiadas actividades para alguém que trabalha tanto e que tem tanta coisa a acontecer na vida pessoal. Neste momento ao longo da semana trabalho 45h como administrativa, mais 5/6h ao sábado como terapeuta da fala e como se ainda não bastasse juntei-lhe actividades, nomeadamente, sou secretária da assembleia da associação que faço parte e de um dos núcleos que organiza actividades (este cargo é minimamente recente, mas era algo que já costumava fazer algumas vezes por ano), faço parte de um partido político que tomou posse da junta (e ainda bem que são poucas as actividades anuais que me envolvo) e ainda escrevo e faço Publicidades do Coração para a Revista Inominável. Isto tudo para além de que mantenho este blog que tanto adoro! (E ainda ando com mais uns projectos em mente... Digam lá se não sou louca?). A verdade é que quem lê acha coisa pouca ou porque umas coisas têm uma frequência reduzida ou porque são cargos e funções relativamente simples, mas a verdade é que apesar de ser simples, de eu gostar mais ou menos, é que tudo isto obrigada dedicação, tempo e atenção. Já para não esquecer que tenho de cuidar de mim, das pessoas que me rodeiam e tenho um casamento para preparar e obras para começar. Quando converso com algumas pessoas, umas desvalorizam totalmente as minhas funções outras simplesmente me questionam como consigo fazer tudo! A palavra-palavra chave é: organização.

       Por norma, sou uma pessoa bastante organizada, aliás, até já deixei aqui umas dicas e os aspectos que andava a tentar melhorar na minha organização. Contudo, a organização pessoal é um aspecto totalmente diferente. A organização pessoal prende-se com a gestão de tempo, seja a nível profissional como laboral. E como o faço?

       1º Escrever: o meu telemóvel está cheio de anotações de coisas que tenho para fazer, para escrever no blog, coisas que não me posso esquecer ou até contactos que preciso de realizar. O telemóvel é a forma mais rápida e eficaz de registar no momento aquilo de que não nos queremos esquecer, no entanto, admito que não sou mulher de agenda electrónica e assim que tenho oportunidade passo tudo para a minha agenda e tento enquadrar as tarefas ao longo da semana ou mês, de forma a conseguir a sua concretização.

      2º Gerir prioridades. É importante saber o que precisamos de fazer hoje ou para a semana. Se há prazos a cumprir há que os apontar, senão é procurar aquele dia em que estamos mais livres e realizar a tarefa.

       3º Cumprir com os planos, talvez a dica mais difícil de cumprir para a maioria das pessoas. Eu sou muito focada e quando tenho algo escrito na agenda adoro ver à sua frente uma cruz que representa realizada, não gosto de olhar para o dia de ontem e ver que deixei algo por fazer, é o facto de estar escrito e visível diariamente aos meus olhos que me mantém concentrada e motivada para a concretização da tarefa. E não vale apagar a atarefa, é deixá-la lá até ter uma cruz.

      4º Dar margem para o erro. Eu sei, há aqueles dias que é impossível concretizar tudo a que nos propusemos ou porque o carro não pegou à primeira ou porque o computador não estava ao nosso agrado ou simplesmente porque nos deu um daqueles ataques de preguiça. Também tenho disso. O que faço para tentar não sair muito ao que tinha planeado é não deixar nada para a última da hora, isso só me deixa mais stressada. Tento por isso nunca encher totalmente os meus dias com tarefas, a não serem as estritamente necessárias para a data ou próxima de algum prazo.

       5º Arranjar tempo para nós, e por vezes é aqui que mais falho. As tarefas são tantas que a parte que sai prejudicada somos nós próprios, a nossa vida pessoal. Nos últimos tempos senti que tinha realmente perdido este ponto na minha gestão de tempo, por isso o defini como objectivo para Março de forma a manter-me mais concentrada em encontrar tempo para mim mesma. É tão importante como comer e beber, nem sempre é possível, mas há pelo menos a vontade de o tornar mais frequente e quase numa obrigatoriedade.

      Não é fácil cumprir estes pontos, mas tento manter-me motivada para o conseguir. Sei que às vezes não dá de todo, demasiadas tarefas obrigatórias para tão pouco tempo, mas quando estamos motivados, só o corpo sente o cansaço e a sensação de concretização e realização supera tudo o resto. Aceitam-se mais dicas de como gerir o tempo!

6 comentários

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    Just_Smile

    06.03.18

    As pessoas subestimam o tempo que perdemos nessas actividades, esquecem-se que temos de elaborar, reler, corrigir, criar... Enfim, até ao produto final existe uma inúmera lista de passos que é necessário cumprir, mas quando vêm acham que demorou meia hora. 'Ah na junta nem fazes nada!' já me disseram, o que é mentira, na altura do Natal é a actividade que mais tempo me ocupa, mas a resposta é sempre 'porque tens tempo'. Não é fácil gerir tudo, mas também tenho noção que algumas destas actividades são temporárias, assim como o trabalho ao sábado em que um dia terei de dar alta a crianças, por isso aproveito enquanto há ou enquanto me dá prazer. Ainda assim, voltamos ao mesmo, aos olhos dos outros tenho imenso tempo e não valorizam minimamente quando digo 'estou cansada' e às vezes isso irrita-me profundamente, não sabem é que trabalho nove horas por dia, chego a casa e ainda estou duas horas a fazer um relatório (como aconteceu ontem). Não sabem que abdico do meu descanso de sábado até às 17h para trabalhar no que realmente gosto. Para os outros a vida é fácil, mas admito que me tem costado imenso... Só no último meio ano (com uma excepção ou outra em que andei mais em baixo) é que consegui organizar-me para conseguir fazer tudo...
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    Psicogata

    06.03.18

    Perdoa-me a expressão mas "pimenta no cu dos outros é refresco" as pessoas acham sempre que a vida delas é mais complicada que a dos outros.

    Pelos teus textos percebo que sofres um pouco do mesmo que eu sofro, as pessoas acham sempre que está tudo bem comigo, que não tenho problemas, que é tudo flores, não sei se é porque raramente me queixo, se é porque sorrio muito, sei que quando me queixo raramente me levam a sério.
    Há ainda outra coisa que me tira do sério como não temos a despesa de um crédito acham que somos ricos.
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    Just_Smile

    06.03.18

    É mesmo isso... 
    Acho que tens toda a razão, e estupidamente sinto-me um bocadinho injustiçada com isso, o que não deixa de ser absurdo porque não deveria ligar rigorosamente ao que dizem. Se calhar é como dizes, raramente me queixo (acho que o sítio que mais o faço é mesmo aqui pelo blog e às vezes até tenho receio de o fazer demasiado), raramente ando de trombas... E quando andam acham que é pura parvoíce. Talvez por isso não tenha assim pessoas tãoooo próximas de mim. Mas pronto..
    Ah essa é outra! Soubessem lá os sacrifícios que fizemos e fazemos para pagar tudo, já nem ao cinema vamos!!!
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    Psicogata

    06.03.18

    Não devemos ligar ao que dizem, mas custa um bocadinho que menorizem os nossos problemas só porque não andamos sempre a lamentarmo-nos da vida.
    Até a nível familiar sofro com isso, porque nunca me queixo, não gosto de preocupar as pessoas com situações que elas não podem resolver, desabafo às vezes com uma ou outra amiga, tirando pessoas que me conhecem bem e sabem que quando me queixo é a sério, os outros tendem a desvalorizar, mesmo pessoas próximas e que se preocupam comigo.
    Não tenho explicação lógica para isto, penso que tem mais a ver com a perceção que as pessoas têm da nossa vida e de nós do que propriamente com a nossa vida, às vezes creio que algumas pessoas acham que sou resistente e de certa forma imune, outras já me apercebi como sabem que tenho apoio do marido não se preocupam tanto, outras ainda que como olham para mim e me veem bem-disposta acham que o queixume é mais um devaneio.
    O que é certo é que raramente as pessoas se preocupam comigo, porque é preciso muito, mesmo muito para eu andar triste ou cabisbaixa, só a minha mãe às vezes nota qualquer coisa no olhar, mas até isso eu aprendi a disfarçar.
    Talvez a culpa também seja minha, não gosto de dar parte fraca e de me queixar, a única coisa que me deixa queixosa é estar doente.
    Talvez por isso desabafe muito no blog, porque fora dele aparentemente está tudo bem.
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    Just_Smile

    06.03.18

    Acho que sofro do mesmo problema que tu. Raramente me queixo, até com familiares pouco falo das minhas frustrações, dos meus problemas e dos meus receios, tal como tu não quero preocupar ninguém com coisas que ninguém consegue resolver. Sei que são pessoas que se preocupam comigo, mas sei lá, não gosto de falar nos meus problemas, não sei se é para não querer dar parte fraca, ou simplesmente para não os tornar tão reais. Mas quando existem parece que não são importantes, quando co-argumento alguma situação por que passam ou passaram, a minha é sempre insignificante porque se calhar na altura simplesmente me fechei em copas. No fundo, mesmo não falando parece que espero que as pessoas saibam que a minha vida não é tão cor-de-rosa assim quanto isso, que não valorizem o esforço que faço para ter o que tenho e para chegar onde cheguei. E o blog sofre com isso, sofre com a minha frustração, com os meus planos furados, com estas coisas reais que só Ele parece perceber...
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