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justsmile

13
Mar19

Como nos colocamos em tal posição?

(Imagem retirada daqui)

       Admito que o meu guilty pleasure é o canal da TLC, aquele canal onde dão reality shows como Say Yes to the Dress ou 90 days to wed, ok, admito que são programas em que nada consigo aprender, mas que me fazem desligar do mundo. Ultimamente até pouco tenho visto, por falta de tempo e até de paciência, e quando vejo utilizo a timeline para avançar mais um pouco. Contudo, eu que até gosto destes programas não consigo compreender a essência dos reality shows que passam nos canais portugueses e o pior? Não percebo como nós mulheres nos sujeitamos a tamanhas coisas para conseguirmos aparecer na televisão cinco minutos.

       O mundo lá fora tem falado e criticado Quem quer casar com o meu filho? e Quem quer namorar com o agricultor? e ontem, num momento de loucura, decidi voltar para trás na box e ir verificar do que meio mundo fala e que outro meio mundo critica. E a conclusão que tirei? Não censuro as mães que sempre trataram os filhos como barões e que agora querem que continuem a ser tratados como reis, não censuro os homens que lá estão porque sabemos que os homens, principalmente os que participam nestes programas não são muito dotados de sensibilidade, apenas de estímulos visuais e hormonais (já para não falar na idade dos meninos que participam, maioritariamente, nestes programas), mas censuro todas as mulheres que se colocaram nessa posição ridícula de serem avaliadas para agradar a um homem. Desculpem, mas não me cabe na cabeça como é que qualquer mulher se coloca na posição de tentar agradar a um único homem, que possivelmente nem escolheu, para conseguir ganhar seja o que for. Nestes programas os homens são vistos como o apogeu da espécie humana em que têm de ser servidos, agradados e até conquistados pela melhor candidata, a decisão será dele e das mãezinhas e a opinião da mulher não existe, simplesmente tem como objectivo conquistar um homem que até nada lhe pode dizer (sim, digam-me quantos casos de sucesso há nestes programas...).

        Numa época em que cada vez mais se fala no equilíbrio de direito entre os géneros, numa época em que cada vez mais se fala nos direitos da mulher e na sua independência, como é possível que nós próprias nos coloquemos em tal posição? Nós próprias conseguimos ridicularizar tudo aquilo que tem sido dito e pelo qual tantas outras mulheres lutam. Nada tenho contra as mulheres que querem apenas ser donas de casa e criar os filhos por opção, mas muito tenho a dizer sobre as mulheres que não pensam nos seus direitos enquanto mulheres, por muitas opções diferentes que possam fazer. Mais do que a insensatez de tal programa fiquei demasiado preocupada com a auto-estima daquelas mulheres, com o seu conceito de direitos e deveres, mas também a necessidade de agradarem a alguém só porque sim. Nós, mulheres, somos o nosso próprio maior inimigo e acabamos por denegrir a nossa própria imagem. Nós, mulheres, colocamo-nos em posições ridículas e não consigo perceber porquê, parece que tudo o que tem sido dito nos últimos tempos não tem qualquer tipo de valor. Não consigo perceber porque nos entregamos a tamanho ridículo.

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