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justsmile

Qui | 15.03.18

Começou a guerra das mudanças

(Imagem retirada daqui)

 

       Em tempos as nossas dúvidas persistiam em qual o melhor sítio para viver logo a seguir a casarmos. Bem, talvez não se depara-se com o melhor sítio para viver, mas sim qual o mais económico. Era impossível construir uma casa em tão pouco tempo e ainda mais irrealista seria pensar que nos dariam um crédito para tal, não pelos ordenados, mas sim porque nenhum dos dois está num quadro da empresa. Ambos estamos em situações de contrato a termo o que não nos beneficia em rigorosamente nada. Por isso tínhamos de encontrar uma alternativa, de preferência a mais económica. Admito que foi uma questão que nos deu voltas e voltas à cabeça até tomarmos a decisão final, se por um lado preferíamos alugar, de cada vez que víamos rendas decidíamos imediatamente fazer obras no andar superior da casa dos meus pais e ficar por lá alguns anos. A casa precisa de algumas obras, nomeadamente transformar um quarto em cozinha, mas tirando isso ficávamos completamente independentes dos meus pais (vantagens de ter dois andares).  A proposta foi feita pelos meus pais, claro que as despesas seriam nossas, e foi aprovada pelos meus irmãos, no entanto, eu e Ele ainda tentamos dar a volta à situação, mas foi impossível, o preço e as condições das casas da zona para alugar são realmente ridículas. A nossa esperança? Poupar muito dinheirinho para conseguirmos construir a nossa casa o mais rápido possível, coisa que confio antecipar-se aquilo que tínhamos estimado no início de todo este processo.

       Com a decisão tomada sabíamos que a guerra de obras e mudanças algum dia teria de começar e a verdade é que comecei a empacotar coisas durante o último fim-de-semana de Fevereiro e neste fim-de-semana que passou arrumamos tudo. Juntamente com os meus pais, o meu irmão e Ele conseguimos tirar TUDO do andar superior. Neste momento a minha roupa está espalhada pela casa, as minhas coisas estão todas empacotadas e o caos instalou-se. Um ponto positivo? Lembram-se de ter andado a destralhar a minha vida no verão passado? Verificou-se este fim-de-semana a utilidade desta mudança na minha vida. Foi bastante fácil guardar as minhas coisas, as memórias couberam em duas pequenas caixas, a minha roupa coube em duas portas dos guarda-fatos (e estou a falar de roupa para todas as estações), assim como todos os meus objectos de dia-a-dia couberam numa caixa, não ela muito grande. Os livros, tantos os de lazer como os da faculdade, foram os que ocuparam mais espaço, ainda assim consegui metê-los em duas únicas caixas grandes. A opção de dar início ao minimalismo na minha vida demonstrou agora mais um dos seus benefícios, torna as mudanças uma coisa mais rápida e bastante mais acessível, o mesmo não acontece com os meus pais. Dei por mim a sorrir da facilidade com que arrumei as minhas coisas, dei por mim a sorrir de cada vez que deitava mais alguma coisa ao lixo e senti-me mais leve. Já disse que adoro esta sensação de leveza?

       Neste momento tenho realmente a minha vida empacotada, durmo num colchão e os meus pais já no seu quarto novo. As obras? Deviam ter começado na semana anterior, mas o São Pedro não ajudou muito, pelos vistos esta semana também não está de bom humor e já me estragou os planos e continuo a ver o tempo passar sem saber bem quando vou dar por esta fase de obras terminada ou até mesmo iniciada. Admito que agora começo a stressar um nadinha com o tempo, apenas porque não quero deixar tudo para a última da hora (odeio fazer tudo sobre pressão!) e gosto de fazer tudo com calma e tranquilamente. Contudo, e apesar do caos que neste momento está na minha casa (uma desarrumação total!), sinto-me satisfeita e ao mesmo tempo estranha. No domingo à noite, já depois de tudo aspirado, já depois de todas as divisões estarem vazias e de todos os nossos objectos terem desaparecido, senti que seria o último momento em que via a minha casa tal como cresci. Eu sei, sou naturalmente uma nostálgica. Naquele momento sorri, guardei as recordações de uma outra vida, guardei-as no coração, memorizei o que lá havia e as histórias que ali aconteceram, mas agora está na hora de dar vida a um novo lugar, a uma nova vida. Que comece a saga (e rápido de preferência)!

 

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