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justsmile

29
Jan16

Contrato, um mito dos tempos modernos

(Imagem retirada da Internet)

 

Ontem, num acto já de desespero e de fadiga pela minha condição de desempregada, falei com Ele da possibilidade de emigrar (nem comento o que adveio daí, porque não é disso que venho falar). Durante a conversa surgiram-me alguns argumentos que até agora não tinha realmente estado consciente, um deles é que na minha área já nem acredito na existência de contratos. Quando respondo a um anúncio ou envio uma proposta de trabalho para qualquer entidade, imagino imediatamente que as condições passem pelos degradantes Recibos Verdes. É que aqui a Just já nem sequer coloca em questão que poderá existir alguma entidade na minha área a procurar trabalhadores para os colocar a contrato. Digam-me o quão deprimente é a situação.

Em três anos de que terminei a licenciatura um deles foi a recibos verdes e os restantes meses de experiência apenas tiveram contrato porque houve uma inspecção no gabinete do patrão, senão até hoje teria na Segurança Social a informação de que nunca tinha tido um contrato. Na minha área já desisti de sequer pensar que virei a encontrar um emprego a tempo inteiro e se conseguir conciliar part-times já terei muita sorte. Referência importante, estou na área da saúde, sou Terapeuta da Fala e não vejo sequer a ínfima possibilidade de brevemente (vá, prazo de 5 anos) conseguir um contrato que seja, a não ser que caia um santo do altar. Ao falar-lhe na possibilidade de emigrar fiz exactamente esta referência e Ele apenas acenou e à minha questão de 'Mesmo que consiga mais que um trabalho na área a recibos verdes, como poderemos avançar na vida com a instabilidade e inconstância de um ordenado?', nada me respondeu sabendo que tinha razão.

A área da Saúde é uma das mais importantes da sociedade, mas a mais subestimada. Não há apoios, nem aos pacientes nem aos profissionais, e somos tratados de uma forma tão descartável que somos capazes de ganhar BEM menos que uma empregada doméstica (já me propuseram ganhar, 1,98€ por sessão e 2€ à hora). Na área d'Ele, Engenharia, já não é bem assim e, além da contínua procura, não existem estas propostas absurdas como na área da Saúde. Recibos verdes não são a palavra do dia e Ele nem conhece tal situação. E agora questiono-me, porquê tal discrepância?

Para mim a palavra contrato é um paraíso num horizonte longínquo. Um mito antigo em que os meus pais possuíam contratos duradouros. Uma palavra para todas as áreas excepto a da Saúde. Contrato é uma palavra que ainda não faz parte da minha área profissional.

 

P.S.: Há excepções e tenho alguns amigos a contrato, mas são tão poucos que se contam pelos dedos de uma mão.

12
Jun15

Paradigmas dos Recibos Verdes

(Imagem retirada da Internet)

 

A trabalhar há 8 meses com recibos verdes começo-me a aperceber dos verdadeiros paradigmas que existem de volta desta temática. Um misto de emoções que me deixa como 'o burro no meio da ponte', se hei de caminhar para o sorriso ou se para a tristeza. Nomeadamente:

 

1. É feriado. Iupi! Feriado para descansar. Ai descansar descansas, mas também não recebes. Zás! No ordenado ao final do mês!

2. Último doente da manhã ou tarde falta. Mas que maravilha, assim descanso um bocadinho e até saio mais cedo! Uma ilusão de felicidade, porque no final do mês tens mais um Zás!.

3. Férias. Ai que estou mesmo a precisar de férias, ainda bem que em Agosto vou tirar uns dias para descansar. Traz! Estalada dos recibos verdes, pois não há qualquer tipo de subsídio nas férias, ficas é com o ordenado minguado.

4. Estar doente. Estou mesmo mal, não devia ir trabalhar. Se não tiver febre e conseguir falar, levanto o cu da cama, porque nem da baixa se recebe alguma coisa!

5. Subsídios inexistentes. Subsídio? Mas o que é isso? Nem duodécimos, nem umas amostras de cêntimos extras, ganhas o que trabalhas e lixas-te quando falta um doente ou tens férias.

6. Dar altas ao doente. Que bom, o senhor/a está realmente melhor e está na hora de ir para casa. Contradição de sentimentos, felicidade imensa por ver alguém melhorar nas nossas mãos e um pequeno aperto porque o ordenado continua a diminuir.

7. IRS. Até devo receber algum, porque tive despesas e não recebi assim tanto. Isso era o que querias, se fazes retenção na fonte ainda há a possibilidade de receberes, senão pagas a dobrar que te lixas.

8. Descontos para a segurança social. Mãezinha... Já não chega receber pouco, receber de forma irregular e ainda levas um abanão todos os meses para a segurança social (cerca de 20% do ordenado).

 

Agora digam-me, há meses que ganho mais que o ordenado mínimo e outros que bem menos que o ordenado mínimo. Como quer este governo que os jovens saiam de casa dos pais e se tornem independentes se é este o tipo de apoio que recebemos? Em momentos que devia estar em pleno descanso, lembro-me sempre que estou a levar um corte no ordenado! 

Arre para os recibos verdes.

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