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justsmile

25
Abr16

O Prisioneiro do Céu (10/25)

(Imagem retirada da Internet)

 

Depois de A sombra do vento e O jogo do anjo, veio O prisioneiro do céu. Ao terminar a última página deste livro, o primeiro pensamento que me passou pela cabeça foi 'Só isto?'. Zafón habituou-me a uma leitura intrigante, impossível de parar, sempre rodeada de mistério, acção e um romantismo a envolver toda a história. Este último livro da saga não me transmitiu nenhum destes sentimentos.

As personagens do primeiro livro voltaram ligadas a David, o protagonista de O jogo do anjo. É a primeira vez que compreendemos realmente a ligação entre eles e a forma como as suas histórias se cruzam e apesar de obtermos algumas respostas que ficaram a pairar no ar nos últimos livros, não há nada neste livro que me tenha prendido como nos anteriores. As personagens estão mais maduras, mantém os seus segredos, mas falta-lhes a essência que lhes foi dada nos livros anteriores. A verdadeira sensação que tenho é de que foi um livro escrito à pressa para terminar a trilogia de 'O cemitério dos livros esquecidos', pareceu-me algo feito sobre pressão que deixou pelo caminho o encanto que antes tinha tido ao ler Zafón. 'O cemitério dos livros esquecidos' é um local apenas de passagem neste livro, não lhe dando o verdadeiro significado que lhe foi conferido nos livros anteriores e tudo termina assim. Nem a verdadeira essência o sabor que me fez apaixonar por Zafón.

 

30
Mar16

O Jogo do Anjo (8/25)

(Imagem retirada da Internet)

 

Há livros que nos fazem querer perder nas suas páginas, ler horas seguidas sem termos de parar. Há livros que nos apetece devorar em questão de horas e que cada vez que paramos ficamos a pensar naquilo que estávamos a ler. E depois há ainda aqueles livros que nos dão um nó no cérebro, tão emaranhado, que nos obriga a o ler até às 3h da manhã para conseguirmos desenlaçar as linhas e dormir descansadamente. Foi o que me aconteceu com este livro e com o anterior da saga, A sombra do Vento.

O Jogo do Anjo, volta-nos a levar à Barcelona do início do século XX. Uma cidade envolvida por velhos casarões abandonados e outros que se mantém intactos no tempo. David, é um escritor que tenta vencer no mundo da escrita, mas é ao 'vender a sua alma ao diabo' para a escrita de um livro religioso que todo o seu mundo se começa a desmoronar e a envolver-se num mistério negro que traz consigo mortes e perguntas para as quais não encontra respostas. É com o surgimento do editor misterioso que a sua vida se vê do avesso, o amor da sua vida casa-se com outro, descobre que o seu melhor amigo o atraiçoou estes anos todos, mantendo um segredo importante, e que todos os que de alguma forma se cruzam com ele surgem sem vida. Mil e uma incógnitas surgem ao longo do livro, sendo apenas desvendadas nas suas últimas páginas, ainda assim, há ali uma última questão para a qual não obtive resposta, deixando ao leitor a capacidade de criar possibilidades para o desfecho e explicação de uma única questão.

O mais interessante é voltarmos a envolver-nos no Cemitérios dos Livros Esquecidos reencontrando Isaac, o seu guardião. É óptimo ver como David se envolve com o livreiro Sempere e na importância dessa personagem na vida do jovem escritor e é ainda mais saboroso ficarmos a saber pormenores da vida de algumas personagens do livro A Sombra do Vento, num livro posterior em que se passa décadas antes. Principalmente um que deixou voltade de ler mais sobre ele.

Esta trilogia, O Cemitério dos Livros Esquecidos de Carlos Ruiz Zafón é sem dúvida uma das melhores trilogias que já li, por isso não há dúvidas de que vos aconselho. Mas se gostei mais deste livro ou A Sombra do Vento, definitivamente que o primeiro livro me agarrou de uma outra forma, talvez por ter simpatizado mais com as personagens. Talvez por o fim ser mais claro e sem asos a tanta imaginação. Ainda assim, é um livro que vale a pena.

 

"O meu pai pôr-me uma mão no ombro e olhou-me como se, por um breve instante que nunca mais se repetiria, estivesse orgulhoso de mim, embora fôssemos tão diferentes, embora eu gostasse dos livros que ele não podia ler, embora ela nos tivesse deixado aos dois, um contra o outro. Naquele instante acreditei que o meu pai era o homem mais bondoso do mundo e que todos compreenderiam isso se a vida, por uma vez, se dignasse a dar-lhe uma boa mão de cartas."

 

P.S.: Este foi um livro lido com a MagdaNathyM*Pandora, Me, Myself and I e a JP.

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