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justsmile

28
Ago17

Vamos dar o nó #8 O vestido de noiva II

      - Clementina? És mesmo tu? - questionou a costeira do outro lado da rua enquanto ainda estacionava o carro. Não, a observação não era para mim, era para a minha mãe, cuja costureira tinha feito o primeiro vestido de noiva há quase quarenta anos. - Como me podia esquecer de ti? Foste a primeira cliente depois de ter começado a trabalhar por conta própria, depois vieram as tuas irmãs. E como estão elas? E como está a tua sobrinha?

      Como já tinha partilhado com vocês aqui, se alguma coisa estava decidida quanto ao vestido de noiva era de que seria feito numa costureira para manter a tradição de família. Assim, antes de ir experimentar vestidos fui falar com a senhora, não fosse ela já ter entrado para a reforma ou simplesmente ter deixado de investir o seu tempo em noivas. Tive a sorte de ainda reconhecer a minha mãe, iniciando uma conversa fiada sobre as suas vidas, em que eu fui mera espectadora. Falou-se de tudo e mais alguma coisa e até de divórcio se falou, até que a minha mãe usou as palavras sábias e cheias de orgulho "e agora estamos aqui porque é a vez dela casar.". Cheguei lá com uma ideia mais definida do que queria, levei as minhas inspirações afirmando que achava que este era o estilo mais apropriado para mim e que uma das coisas tinha a certeza, eu queria renda! Mostrei-lhe as minhas inspirações (como podem ver aqui a baixo) em que o Pinterest foi o meu melhor amigo.

    A senhora disse-me que sim, que já tinha feito deste género e até me mostrou alguns modelos já realizados. Informei-a então de que antes de escolher um vestido iria a duas provas de noivas experimentar alguns modelos quando para minha surpresa disse aquilo que muitas de vocês me tinham dito "experimenta vários modelos!". Na minha cabeça, sabia que este modelo era mais a minha onda de simples, relaxado, divertido e tinha tudo a haver com a minha cara, no entanto disse que sim e na primeira prova de vestidos fiz exactamente o que me tinham dito."Vais ver que vais com uma ideia e vens com outra", dizia-me toda a gente, mas estava realmente confiante que já tinha decidido mais ou menos aquilo que queria.

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       Cheguei à primeira loja, onde fui super bem atendida, por uma menina extremamente simpática e ela própria sugeriu-me experimentar alguns vestidos fora da minha zona de conforto. "Tem de experimentar tudo menina" disse-me ela quando falou num vestido em princesa e até num véu. Esta insistência de toda a gente usar a mesma frase estava-me a deixar confusa, até porque se há algo que costumo ser é muito decidida. Lá concordei e experimentei o primeiro vestido de noiva, antes de mais, as sensações que me percorreram o corpo foram do mais estranho que podem imaginar "Eu? Just, de noiva? Sou mesmo eu?". Há primeira vista não me consegui reconhecer no espelho, aquela não era eu, metida num vestido justo, com uma cauda e de saltos altos. De repente, caiu-me nos ombros a realidade. "Estou noiva. Vou casar." e ali, pela primeira vez senti-me nervosa. Um nervosinho por imaginar a cara da minha irmã e da minha mãe quando abrisse a cortina. Um nervozinho por realmente me ir casar. E um nervosinho por imaginar o noivo ao ver-me um dia assim vestida. O misto de pensamentos e emoções que me percorreram foram tão estranhos que só sorri quando os olhos da minha irmã e da minha mãe brilharam ao me ver.

      Depois da consciencialização do que tinha vestido, depois de interiorizar um bocadinho à força de que estou realmente noiva (acho que pela primeira vez uso tanto esta palavra) é que comecei realmente a reparar no vestido. Tinha a renda, que tanto desejava, mas o resto nada tinha a ver com aquilo que estava semi-idealizado na minha cabeça. Tinha a cauda que sempre tinha negado e estava tão justo ao meu corpo que realmente não dava para disfarçar que sou magra. No entanto, para grande surpresa minha apaixonei-me pela silhueta. Um sorriso surgiu-me no rosto, a renda era simplesmente maravilhosa, tinha um encanto diferente no próprio vestido, algo de que não estava à espera e apesar de não gostar de um ou outro pormenor, o vestido encaixava no meu corpo bem melhor do que algum dia tinha imaginado. Experimentei mais um e mais uns quantos vestidos, mesmo aqueles que tinha levado como referência, mas nenhum me fez ter a sensação que aquele. Adorei dois que estavam dentro do meu estilo, mas o primeiro vestido ficou-me na cabeça. Foi então que o caos se instalou, aquilo que tinha imaginado para mim era giro, ficava-me bem, mas não me tinha atraído tanto assim. Contudo, teimosa como sou estava na dúvida daquilo que queria, estava indecisa, não propriamente entre vestidos, mas entre modelos.

      Saímos da loja para almoçar no Food Corner e depois da minha irmã gozar com Ele ao dar-lhe como resposta, à questão "como era o vestido", que iria usar calças e camisola , apercebi-me que estava realmente indecisa e que na prova da tarde queria tomar uma decisão. Lá fomos as três para uma famosíssima loja de vestidos de noiva, em que não apreciei tanto o serviço, e voltei a experimentar os dois géneros de vestidos e voltei a ficar no meio da ponte. Um era aquilo que toda a gente esperava de mim, que era completamente a minha cara, mas o outro era diferente, ficava-me lindamente e era mais inesperado. Após várias experiências apercebi-me que não conseguiria optar por um modelo, iria dormir sobre o assunto, como disse a minha irmã.

      Cheguei a casa desiludida, sempre achei que iria encontrar O vestido à primeira e que quando o tivesse no corpo que saberia que era O Tal. Isso não aconteceu e senti-me desanimada, seria por isso uma noiva diferente? Experimentei vários vestidos, gostei de me ver com alguns deles e no fim fiquei indecisa entre um da manhã e outro da tarde. Não me parecia certo, até porque cada um deles tinha coisas que eu gostava e que desgostava. Terminei o dia a dizer que não tinha escolhido nenhum vestido e que teria de ir novamente em busca do vestido perfeito.

      Na manhã seguinte, depois de uma noite em que cada vez que acordava pensava em vestidos de noiva, acordei com o meu sobrinho a fazer barulho e do nada sabia como queria o meu vestido. Na minha cabeça, numa questão de (praticamente) segundos tinha conseguido visualizar o meu vestido de noiva. Era sem dúvida o primeiro que tinha escolhido mas com menos renda aqui, menos cauda ali, as alças assim-assim e o resto exactamente como estava. De repente o meu vestido estava decidido. Falei com a minha irmã e a minha mãe, partilhei a minha ideia e ambas disseram que seria perfeito. E foi depois de uma noite mal dormida, depois de um dia de provas de vestidos de noiva, que consegui 'desenhar' o meu vestido de noiva. Fiquei mais que feliz com a minha decisão, senti-me leve e decidida. Tive a sensação de "menos um problema" e, ainda, que finalmente estava a sentir-me uma noiva.

      Hoje, mais de uma semana depois de ter feito esta decisão, fico feliz por nenhum vestido se ter encaixado naquilo que idealizava, assim quando a costureira o tiver feito, tal como eu o imagino, terei a verdadeira sensação de uma noiva de "este é O vestido". Agora? Agora é só ir partilhar esta minha visão com a senhora que há quarenta anos fez o vestido de noiva da minha mãe.

      Agora sim, sou definitivamente uma noiva.

 

24
Ago17

A experiência Food Corner

Sabem aqueles dias em que tu queres um hambúrguer e a pessoa com quem vais jantar quer uma pizza? Ou até aqueles dias em que sais com as amigas e uma quer sushi, mas a outra comia mais facilmente uma massa? Então sem dúvida que o Food Corner é o lugar ideal para esses dias! 

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Há muito que andava para experimentar ir ao Food Corner. Já tinha ouvido falar no conceito inovador de ter restaurantes por piso e de se poder comer em qualquer parte, como uma espécie de praça da alimentação de um shopping, mas tudo num só edifício e numa rua paralela à Rua de Santa Catarina. Aproveitei o dia em que fui experimentar vestidos de noiva (como já devem ter reparado no Instagram) e fui com Ele, a minha mãe, irmã, cunhado e sobrinho experimentar as delicias deste espaço tão criativo.

O espaço é composto por cinco restaurantes, no rés-do-chão o Abacate com uma oferta de tostas saudáveis, café e fruta fresca. Poucos degraus a baixo encontra-se o Maza, um espaço de massas que deixavam a boca a salivar apenas de ver, a minha mãe e a minha irmã adoraram a frescura das massas, já para não falar do pequeno de dois anos e meio que devorou a massa à bolonhesa em prato de adulto. No primeiro andar encontra-se o Temako com uma variedade de sushi que fiquei na dúvida em experimentar, mas foi no segundo andar em que me perdi. O Munchie já estava na minha lista há um bom tempo e achei aquele dia a altura ideal para experimentar um novo tipo de hambúrguer (está visto que ando numa de experimentar hamburguerias). No andar a cima ainda havia a Forneria Invicta, um espaço inteiramente dedicado a pizzas de massa fina, que tenho a dizer tinham um aspecto de comer e chorar por mais.

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Cinco espaços completamente distintos e eu decidi lá experimentar o hambúrguer Ganância da Munchie. Um hambúrguer muito bem servido, com uma qualidade de carne enorme e com um sabor a fresco delicioso. O molho pesto deu-lhe a frescura ansiada num dia quente como aquele e as batatas estavam no ponto, enormes, mas no ponto. O pão era fresco, não era duro, nem seco, muito pelo contrário. O drama de tudo isto? O hambúrguer é enorme e é difícil de o comer, é uma verdadeira aventura tentar chegar ao fim sem ter pedaços de hambúrguer no cesto. Apesar de ter um palito enorme para ajudar a manter tudo no sítio a verdade é que tal coisa não acontece. Ainda assim, na esplanada do Munchie, mesmo na rua a baixo de onde andava a experimentar vestidos de noiva, numa tarde de sábado quente deliciei-me com uma limonada fresca e com um delicioso hambúrguer.

Um pormenor que adorei, que eleva este conceito, é o facto de quando fazemos o pedido do nosso prato nos darem uma espécie de despertador que apenas toca quando o nosso prato estiver pronto. Adorei a ideia de poder esperar pela comida junto do meu sobrinho e apenas ter de a ir buscar quando o dito despertador começou a tocar. Não nos obrigam a ficar parados em frente a um balcão e permitem uma espera mais agradável e com menos confusão.

Sem dúvida alguma que é um sítio a voltar.

 

P.S.: Fotografias de Just Smile

 

04
Ago17

Vamos dar o nó #7 O vestido de noiva

A contagem decrescente para o dia do nosso casamento já começou. Hoje digo que é difícil de acreditar que estou a menos de um ano do dia do casamento, amanhã de certeza que direi que não acredito que estou a menos de um mês do grande dia. É assim que o tempo tem passado para estes lados, sem darmos bem por isso, apenas com o cansaço a acumular-se no corpo e com problemas a precisarem de serem solucionados. O tempo tem voado e nós, apesar de tudo, continuamos relaxadinhos com o casamento (talvez mais eu que Ele). No entanto, a pouco menos de um ano da grande data decidi começar a ver vestidos de noiva. Durante os últimos meses era a primeira pergunta que as amigas, as tias e as primas me faziam 'E o vestido? Já sabes como vai ser?', pelos vistos, anormalmente, respondia que faltava mais de um ano e que ainda não tinha pensado muito no assunto. Contudo, hoje não posso dar essa resposta e decidi iniciar a minha saga pela procura de vestidos de noiva.

Uma coisa tenho decidida quanto ao vestido, vou manter uma tradição de família. Desde o tempo da minha mãe que o vestido foi feito por uma determinada costureira, depois foi a minha madrinha, depois as tias e as primas. Quase todos os vestidos de noiva da família foram feitos pela mesma costureira e já que não posso usar o vestido da minha mãe, que apesar de bonito só me serva por volta dos 15 anos, decidi que o vestido vai ser feito na mesma costureira. O que, de uma forma ou outra, aumenta um bocadinho a minha ansiedade. 1. Não sei se o vestido que mandar fazer vai ficar ao idealizado; 2. Será que a costureira vai compreender aquilo que realmente pretendo?; 3. Será que vai ficar ao preço de um vestido numa loja normal?, 4. Como vou levar algo para fazer se nem eu sei o que quero?; por outro lado sei que vou manter uma tradição de família e por outro, como não me imagino com algo muito complexo, acredito que vá ficar dentro de um bom orçamento.

A minha ideia de vestido de noiva desde jovem que esteve definida na minha cabeça, um vestido pelos joelhos e uns sapatos altos vermelhos (nem costumo ser muito diferente no que toca a modas, mas sei lá, imaginava algo irreverente). No entanto, esta ideia tem-se vindo a alterar dia-a-dia (menos os sapatos!). A mãe não concorda com o vestido curto, o noivo não concorda com o vestido curto e nem a sogra e a tia, por isso aos poucos decidi começar a procurar os famosos vestidos compridos de noiva. Não que me imagine com algum, aliás, não me imagino sequer vestida de noiva, mas esta busca não me tem sido fácil. Tenho dedicado parte do meu dia a procurar vestidos de noiva, com cauda, sem cauda, à sereia, à princesa, à deusa grega e a mil e quinhentos nomes que não me consigo recordar. Tenho visto vestidos com renda, com brilhantes, com laços, com flores e até cheios de tule. E no fim só sei aquilo que não quero e ainda não decidi o que quero. Na minha cabeça continua a ser difícil de me imaginar como noiva, toda aperaltada, de salto alto e maquilhagem com um vestido comprido. Eu, que nunca sonhei com o tipo de casamento de princesa, faz-me confusão sequer imaginar-me como tal. (Cada vez mais a ideia do piquenique me parece aliciante!). E esta procura do vestido de noiva tem-me feito confusão, aliás, apesar de ter um modelo que é mais ou menos o meu gosto, sei que pode não ser do agrado do noivo ou quen nem me fique bem e depois? Depois, com tantos vestidos que já vi cheguei ao ponto de me parecerem todos iguais....

Ainda assim, em breve vou fazer provas de vestido para tentar perceber o que realmente quero, mas quando me dizem que esta é a parte mais gira de preparar um casamento eu não me consigo convencer. Procurar o vestido está a ser a parte menos interessante deste processo todo e a mais aborrecida, até porque não a posso partilhar com o noivo...

Será que sou a única coisa com esta sensação?

P.S.: A quem é ou foi noiva, como fizeram para esconder todos os pormenores do noivo? É que ainda por cima Ele é bastante curioso quanto ao meu vestido!

 

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