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justsmile

12
Mar19

Esse tempo que nos escasseia

(Imagem retirada daqui)

        Quando Dalí desenhou o quadro do Tempo, no século XX, projectou o futuro da nossa sociedade de uma forma quase precisa. Quem diria que o século que se seguiria seria tão bem descrito através de um quadro feito por si. Hoje o tempo escapa-nos por entre os dedos e mal temos a percepção da sua passagem, só noto que os anos passaram quando seres pequeninos que conheço ou conheci, festejam os aniversários. Na semana passada o meu sobrinho mais velho festejou o seu 7º aniversário e questiono-me como tal coisa foi possível passarem sete anos desde o seu nascimento. Olho para trás e sinto que o tempo voou e que nada consegui fazer, o que não é verdade, muita coisa foi conquistada ao longo destes últimos anos, mas a sensação é essa: um longo espaço de tempo que passou, mas que dá a ideia de que foi simplesmente "na semana passada". Será sempre assim o decorrer dos anos agora? Será este o conceito de "adulto", ver o tempo passar e senti-lo escapar? Será até este o conceito de "envelhecer"?

         Estamos tão absorvidos no nosso dia-a-dia, nos nossos problemas e até nos nossos objectivos que nos esquecemos de parar e pensar no que conquistamos até aqui. Tento fazer este exercício, mas existem épocas em que é tão complicado conseguir fazê-lo, entre estudos, trabalho que não pára de aumentar e até problemas que parecem não parar de surgir, sinto que não tenho tido a capacidade para apreciar essas pequenas coisas, essas conquistas que consegui fazer nos últimos anos. E de longe a longe, venho para aqui escrever estas reflexões que me permitem assentar os pés, sorrir e pensar "porra que já conquistei tanta coisa!", ao contrário daquilo que tanto nos surge na cabeça em dia de maior stress. Porque esta corrida desenfreada que temos todos os dias faz-nos esquecer um bocadinho de quem somos, faz com que os nossos pensamentos partam automaticamente para os problemas que estão por resolver ou para as coisas que ainda faltam fazer. Sinto que o tempo é uma ilusão para a qual vivemos e acabamos por medir a nossa vida nesse tempo, oito horas para isto, trinta minutos para aquilo e nenhuma das vinte e quatro horas do nosso quotidiano é dedicado a simplesmente saborear a vida. Os fins-de-semana, as folgas, acabam por ser essa compensação de toda a restante correria e acabamos por viver de fim-de-semana em fim-de-semana, de férias em férias e assim os anos escasseiam de uma forma invisível. E o agora? Acaba por se perder nas obrigações, nas responsabilidades e nas preocupações.

          Quero viver mais o agora. Quero conseguir mais tempo dentro das vinte e quatro horas. Quero conseguir apreciar ainda mais as pequenas coisas, as pequenas conquistas.

11
Mar19

Time for myself

(Imagem retirada daqui)

        Sempre fui uma pessoa que não se importava de estar sozinha, aliás, ainda hoje não sou uma pessoa que tenha qualquer tipo de problema em estar sozinha, seja na esplanada, seja em casa. Sempre soube apreciar esses momentos e a verdade é que até tenho necessidade deles, de estar um bocadinho sozinha com os meus pensamentos e até a fazer as coisas que gosto sem ter ninguém a observar-me ou a distrair-me das minhas coisas. Estes momentos a sós comigo são me essenciais para desligar do mundo, para reflectir sobre onde estou e aonde quero chegar, momentos para simplesmente recuperar as energias dos problemas do dia-a-dia. São estes momentos comigo própria que me fazem conhecer melhor do que ninguém e que permitem manter o meu equilíbrio emocional e psicológico num mundo cada vez mais corrido, cada vez mais louco e com tantos problemas. E o que faço no "me time"?

        - Gosto de ler, e tentei implementar esta rotina novamente no meu dia-a-dia, os 30 minutos de leitura diária e não é que consegui? Consegui voltar a ter este momento a sós com os meus livros de uma forma mais regular e isso ajuda-me a desligar do mundo, por apenas meia hora, mas faz-me tão bem à sanidade mental como a ida a um spa.

       - Cuidar de mim, seja a ir arranjar as unhas, seja a arranjar as sobrancelhas ou até apenas a ter um banho mais demorado. Admito que em épocas de maior stress estes pequenos momentos acabam por ser um bocadinho esquecidos e quando reparo a coisa já é grave, mas tento obrigar-me a parar e reflectir para conseguir manter-me bela e confortável comigo mesma.

      - Cozinhar, gosto de fazer bolos e admito que até ao longo da semana gosto de fazer as refeições (com raras excepções, principalmente em dias mais cansativos) porque me faz desligar do dia de trabalho que terminou e até me dá um certo prazer sentir o aroma dos alimentos pelo ar, visto gostar tanto de comer.

     - Ver as minhas séries, Ele não é fã de séries de comédia e ver uma boa série que nos faça rir é a melhor forma de relaxar e desligar de todos os problemas, por isso, quando Ele não está, aproveito esses momentos para me rir um bocadinho. Ultimamente até tenho revisto a série Friends enquanto cozinho, assim junta-se o útil ao agradável.

       Estes momentos, por muito curtos que sejam, por muito espaçados que sejam entre si, são momentos essenciais para o equilíbrio de cada ser humano. A vida é tão exigente, os problemas são tantos que senão encontrarmos espaço para estarmos sós, acabamos por nos perder no meio da correria e a essência de quem somos começará lentamente a desvanecer-se.

18
Jan19

Vamos lá reorganizar a vida!

(Imagem retirada daqui)

       O conceito de Minimalismo não se prende unicamente com a organização física das coisas e nem só com o número de coisas que possuimos. Para mim o minimalismo acaba por ser uma espécie de estado mental para aceitarmos a vida e conseguirmos tirar o melhor proveito dela. É verdade que manter um método de arrumação e manter o menor número de coisas possível acaba por simplificar a nossa vida e dar-nos mais tempo para as coisas boas que ela nos dá. O exemplo mais básico que posso dar e o mais perceptível é: imaginem o balcão de uma cozinha cheia de coisas, máquina do café, fruteira, cápsulas do café, torradeira e um sem número de coisas à vista, é claro que a limpeza desse balcão será mais demorada do que um balcão que apenas tenha a máquina do café e a fruteira (imaginemos, mas por acaso é a realidade da minha casa), logo teremos mais tempo para fazer outras que coisas que não sejam limpar. Tudo isso é verdade no minimalismo, mas é muito mais que isso, é uma capacidade de nos organizarmos para sermos mais felizes e conseguirmos definir as nossas prioridades.

       No início do ano passado consegui atingir um bom nível de equilíbrio nesse aspecto. Conseguia cumprir todas as minhas obrigações e ainda conseguia ter meia hora por dia dedicada a mim mesma, fosse um livro, fosse a escrever no blog ou até a ver uma série só minha. Contudo, desde que mudei de emprego (nem é desde que casei, é desde que mudei de emprego) que ainda não consegui atingir esse equilíbrio. A vida de casa já se conseguiu equilibrar nos últimos meses, eu e Ele já criamos a nossa rotina e já temos conseguido estar mais tempo um com o outro, o que aqui há uns meses parecia ser extremamente complicado. O que ainda não consegui implementar na minha rotina foi o meu momento, aqueles minutos só para mim, o que até se torna ridículo visto existirem quase quatro noites por semana em que Ele chega mais tarde que eu. Ou seja, o problema não está em abdicar de tempo a dois para ter o meu momento, mas sim, em organizar o meu tempo quando estou só. Apercebi-me então que está na altura de reorganizar e rentabilizar o meu tempo, aquele que tenho quando estou sozinha em casa ou até mesmo na hora de almoço. E como me vou reorganizar?

       - Ver os horários já definidos: 7h00 levantar da cama e às 18h30 é suposto estar a chegar a casa, isto de segunda a sexta-feira (o que não acontece assim com tanta frequência). Definir os meus horários habituais é importante para conseguir compreender onde posso encaixar o tempo para mim mesma, para as minhas pequenas coisas.

      - Verificar o horário disponível para o 'me time': depois de verificar o meu horário definido, aquele que não há muito por onde escapar, preciso de verificar o bocadinho de tempo disponível para concentrar-me nas coisas que me fazem bem. 

       - Utilizar esse tempo como se fosse um horário obrigatório: tal como tenho um horário todos os dias para me levantar, tal como tenho a obrigatoriedade de entrar ao trabalho todos os dias às 8h30, é necessário ver este horário do 'me time' como um horário que só em caso extremo não poderá ser cumprido (a previsão para a semana é de só ter um desses dias para o 'me time'). É necessário definir-me como uma prioridade e é necessário reorganizar o meu tempo para as cosias que me fazem bem.

     - Manter a casa organizada para me sobrar mais tempo: quando chego a casa é o momento de arrumar lancheiras e de as preparar para o dia seguinte, de arrumar roupa e de arrumar o sofá que normalmente tem as mantas espalhadas e até o calçado que fica um aqui e outro ali. O objectivo neste momento vai ser evitar este momento, ao manter sempre as coisas arrumadas, assim, quando chego a casa vai ser mais fácil de organizar aquilo que realmente não tem outra possibilidade de horário.

       Esta reorganização de horários irá ter aplicação imediata, é claro que sábado e domingo são excepções e as sextas-feiras com aulas também o serão, até talvez o dia de ir à piscina complique o meu horário, mas durante a última semana de Janeiro irei tentar aplicar este horário de uma forma minuciosa. Só não começa já na próxima semana porque tenho formação três dias à noite, senão a coisa já seria melhor ponderada. Tenho de me colocar como prioridade na minha vida e se há alguém que tem sido colocada para canto sou eu mesma, por isso está na altura de me reorganizar!

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