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justsmile

22
Mar19

"Está tudo bem"

(Imagem retirada daqui)

     Por detrás de um "está tudo bem" estão sempre camuflados demasiados sentimentos, demasiados pensamentos e até problemas.   Um "está tudo bem" não quer dizer que a vida nos corre da melhor forma, não quer dizer que a vida de alguém é um mar de rosas e que até a vida lhe sorri a toda a hora. No entanto, um "está tudo bem" pode muitas vezes transmitir o desejo de que realmente gostávamos de estivesse tudo bem, que apesar dos percalços, apesar dos buracos na estrada, temos uma esperança de que tudo passe e que chegue finalmente a bonança. As pessoas não são todas transparentes, por vezes é necessário perceber algumas das suas camadas para interpretar um "está tudo bem", mas esse termo pode significar tanta coisa.

      Não sou uma pessoa de começar imediatamente a falar das suas desgraças, não sou uma pessoa de partilhar os meus problemas com toda a gente, mas sou a pessoa que num primeiro contacto diz sempre "está tudo bem", mesmo que não esteja. Só depois, se o momento se tornar oportuno, é que partilho o que tiver a partilhar, não com qualquer um, para esses o "está tudo bem" é mais do que regular e aceite. No fundo, não podemos aceitar o "está tudo bem" de alguém como sendo uma premissa verdadeira, apenas como uma frase socialmente aceite que esconde muito mais por detrás das suas palavras. Pode simplesmente ser uma frase automática à questão principal, pode até nem ser algo verdadeiro ou até o ser, mas a verdade é que deve ser vista como algo mais profundo, mais complexo. 

      Sou uma pessoa de "está tudo bem", dessas que sorri mesmo tendo o mundo a desabar às suas costas, não o considero uma mentira, não o considero uma resposta automática, mas sim uma esperança de que tudo fique bem muito em breve. "Está tudo bem" é muito mais do que três simples palavras.

15
Mar19

Será Déjà vú?

(Imagem retirada daqui)

       Ultimamente os meus sentimentos, os meus pensamentos e até o meu corpo parecem estar a reviver o ano de 2018 ou será tudo apenas uma espécie de Déjà vú? A necessidade de leveza que pedia em 2018, a necessidade de desacelerar a minha vida e até o rol de doenças parecem ter ressurgido neste novo ano. Olho para mim e parece que voltei ao ano de 2018 e apesar dos problemas serem outros, as circunstâncias serem diferentes e até a vida ter dado uma volta de 180º, a sensação que tenho é que os pensamentos são exactamente os mesmos de há um ano atrás. Algo parece estar a falhar nestes inícios de ano, parece que tudo e mais alguma coisa acontece, que o tempo se escasseia e que a saúde se ressente de uma forma que nem eu consigo explicar. Sinto-me novamente cansada, corpo e mente, sinto que o mundo me tem caído nos ombros e a vontade de ter férias em breve é imensa (e ainda estou à espera da aprovação das férias da Páscoa...)! Depois, paro para pensar, e tudo me parece ridículo, principalmente este tipo de pensamentos. Tenho tudo o que sempre quis, um lar, uma vida a dois, um trabalho que adoro e ainda assim parece que o tudo de desmorona à minha volta. Contudo, os sentimentos de há um ano atrás voltam a fazer-se sentir, o cansaço, a falta de paciência, este peso que teima em desaparecer, tudo me transmite uma estranha sensação de déjà vú "Porra, parece que já vivi isto".

      Ingenuamente considerava que ao alcançar os meus objectivos, ter uma casa, casar e até mudar de emprego, tudo seria perfeito à minha volta e até certo ponto é, sinto-me extremamente feliz com isso, mas... O raio deste "mas" teima em surgir e trazer consigo os sentimentos negativos. Apesar de todas as conquistas e sonhos realizados em 2018, estou com a sensação que 2019 está a tornar-se numa replicação do ano que passou, de todos os seus momentos menos bons e assim-assim. A correria mantém-se, as loucuras também e o excesso de trabalho não diminuiu nem um bocadinho, digam se não é exactamente a mesma coisa de que me queixava no ano passado? Como vou eu dar a volta a esta situação?

 

22
Fev19

Dos dias que enchem o coração

(Imagem retirada daqui)

      Ser Terapeuta da Fala, como em tantas outras profissões, nem sempre é fácil. Por vezes temos casos em que não vemos a melhor evolução, por muito que demos voltas para atingir um objectivo. Não somos propriamente uma profissão bem remunerada (longe disso, na verdade), por vezes não nos oferecem boas condições de trabalho e até se torna complicado de gerir horários e adaptar-se aos mais variados contextos. Temos trabalho que chegue para dar, vender e até arrendar, mas nem sempre somos reconhecidos, mesmo com todos os nossos esforços. Somos por vezes desvalorizados pela sociedade, pelos nossos clientes e até pelos seus familiares. É duro trabalhar-se com e para pessoas, mas raro é o dia em que não me sinto grata por este trabalho. É verdade que há dias maus, muito maus. Ainda há poucos dias senti a paciência esgotar, senti que os meus esforços não me estavam a levar a qualquer tipo de lugar, até mesmo que a situação era um perdido. Contudo, quando paro para pensar e compreender tudo o que envolve aquilo que faço diariamente, sinto apenas uma gratidão enorme no peito.

        Não são todos os dias sorridentes e cheios de raios de sol, mas pelo menos todos os dias tenho uma prova de que o sol pode realmente brilhar. Aquele miúdo que já dá menos um erro. Aquela criança que já consegue fazer uma história com pernas e cabeça. A professora que diz notar já alguma diferença e até aqueles miúdos que querem é ir para a terapia, mesmo que não seja sempre cheia de jogos. São esses pequenos pormenores, aquelas pequenas gargalhadas com erros superficiais que me fazem sorrir. Aquele miúdo que pela primeira vez diz o som /s/ em condições, aquele que ao fim de anos de Terapias diz pela primeira vez o som /l/ e até aquele que é o terrorista no intervalo e que em Terapia é uma das crianças mais motivadas. São estas pequenas vitórias que me fazem adorar a minha profissão, são estas pequeninas conquistas (que aos olhos dos outros parecem insignificantes) que dão um verdadeiro significado à minha profissão, à minha vida profissional. Foi disto que senti saudades nos dois últimos anos em que trabalhei como administrativa, foi destas pequenas conquistas, dos pequenos reconhecimentos, dos sorrisos e das pequenas vitórias. Foi desta sensação de ter o coração cheio que senti tantas vezes saudades. Nem sempre é fácil, existem dias terríveis, mas em todos eles termino o dia com um raio de sol dentro de mim. Posso garantir que em 98% dos meus dias termino-os com o coração cheio. E há dias, em que o coração fica ainda mais cheio, não pelas nossas conquistas, mas as deles e isso? Isso é ser-se Terapeuta da Fala.

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