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justsmile

15
Nov17

Fala-me de um dia Perfeito (17/20)

(Imagem retirada daqui)

 

      Violet e Finch conhecem-se no parapeito de um edifício alto. Apesar de toda a vida se terem cruzado no liceu, conhecem-se num dos momentos mais íntimos que alguém pode ter, o momento de se querer deixar cair. Sem perceberem bem como salvam-se um ao outro de uma queda vertiginosa e sem retorno. Não passam a ser a vida um do outro, mas Violet sabe que Finch a salvou e guarda consigo esse segredo, já Violet dá a vontade de viver a Finch. Esta é a história de dois adolescentes com depressão, uma identificada, a outra nem tanto. Adolescentes que tiveram vidas conturbadas, adolescentes com problemas mentais que ainda permanecem um mito. E é esta negação do problema, é este desconhecimento de um problema real que os une, que os faz conviverem e no fim apaixonarem-se. Violet vive com a depressão devido à morte prematura da irmã e Finch sofre de um transtorno que ainda não foi identificado e é a incompreensão do mundo para com estes problemas que os faz permanecer juntos. Uma história de amor envolvida num mito, envolvida em dor e no desconhecimento.

      Há muito que este livro de Jennifer Niven me tinha chamado à atenção, afinal quem não deseja um dia perfeito? Mais uma vez aventurei-me sem saber o que me esperava. Não estava à espera de um livro tão forte, de uma história tão presente e de um fim tão triste, mas perfeito. É um livro que nada tem de perfeito, com excepção do fim. É um livro que demonstra os defeitos de cada um, da família e da sociedade. Uma sociedade e uma família em negação para os problemas do fórum mental, como se fosse uma doença que ao ter nome se tornasse contagiosa. É nisto que este livro é tão bom, é ao entrar na pele de Finch e de Violet que a autora é capaz de descrever tão bem os seus sentimentos. É no modo frenético e inquietante com que Finch pensa e faz as coisas que me alerta para o óbvio, mas que aos olhos dos outros parece invisível. "Fala-me de um dia perfeito" é um alerta para os dias que correm. A depressão, as doenças mentais são reais, não é uma questão de idade, é uma questão de simplesmente existirem e à qual não podemos fechar os olhos. Este é um livro que me alertou, alarmou e me chamou à atenção para algo que por vezes ignoro. Este é sem dúvida um excelente livro para pais, amigos e adolescente, pois simplesmente nos deixa mais apurados para esta realidade que está cada vez mais presente.

       Gostei bastante do livro. Apesar da vida que voltou à correria habitual li-o em poucos dias e adorei cada palavra. Palavras que me inquietaram, palavras que me deixaram a reflectir sobre a adolescência e o amor, mas principalmente sobre o mundo que agora vivemos. A autora teve a capacidade de criar um enredo tão real, tão presente que acabamos por o confundir com a história que alguém nos contou um dia. Sem dúvida um livro que aconselho a todos, nem que seja para sensibilizar mais um bocadinho para uma realidade tão 'sombria' e cada vez mais 'banal'.

 

"- Não, estou a falar a sério. É raro encontrarmos cavalheiros. São como virgens ou duendes. Se algum dia me casar, vai ser com um..."

07
Nov17

Mataram a Cotovia (16/20)

(Imagem retirada daqui)

 

      Há muito que a minha curiosidade tinha despertado para este livro. Ouvia falar maravilhas dele e após a morte da autora a curiosidade ficou mais presente. Fui adiando, pois tinha sempre livros na estante e outras prioridades, contudo este ano tinha decidido que seria o ano de ler este livro. Na Feira do Livro apanhei-o numa boa promoção e lá veio ele para casa juntamente com mais uma mão cheia de livros. Assim que terminei de ler Mulherzinhas, sabia que este seria a minha próxima leitura. Sinceramente não sabia muito bem o que esperar, não tinha lido nenhum resumo e nem prestei muita atenção à contra-capa, simplesmente me guiei pelas maravilhas que as pessoas diziam sobre este livro (às vezes faço isso, não leio sequer as contra-capas e vou à descoberta). Peguei no livro, comecei a ler e fiquei imediatamente agarrada à sua escrita. Harper Lee escreve de uma forma envolvente, mas suave, descreve as coisas com tamanha simplicidade que foi impossível não me apaixonar pela sua escrita. Apesar de ser um livro com uma história triste, uma história dura, o livro em si tem uma leveza que me atraiu desde as primeiras linhas. 

      Esta é a história de um preto (desculpem os mais sensíveis, mas irei usar os termos do livro) que é acusado injustamente da violação de uma jovem. Para compreenderem melhor, a história passa-se nos anos 30 em pleno Alabama. Esta é a história de Scout e Jem, duas crianças que se vêem envolvidas nesta história apenas porque o pai é o advogado de defesa. No fundo é uma história simples, sobre a perspectiva de duas crianças ao redor de uma história trágica, mas que nunca deixam de ser elas próprias. É a história de dois irmãos que crescem juntos, mas com feitios completamente diferentes e que conta a história da sua infância com tal clareza, com tal simplicidade que é impossível não ficarmos agarrados à sua história. Apesar de tudo o que os envolve é o mistério do vizinho da casa ao lado que os deixa com a imaginação a trabalhar, o vizinho que nunca sai de casa.

     Este foi sem dúvida um dos melhores livros que li este ano, se calhar já o disse com outro livro, mas este marcou-me de uma forma especial. Achei o livro simplesmente genial e a forma como um tema tão controverso é transmitido de uma forma tão simples torna este livro num dos melhores livros que já li. Já para não falar do final que me supreendeu, deixando-me com uma sensação de satisfação que muitos livros não conseguem.

      Este foi sem dúvida uma das grandes surpresas na leitura este ano. Já estou ansiosa por ler o próximo de Harper Lee.

 

"-És muito nova para perceber - disse ela -, mas por vezes a Bíblia nas mãos de um homem é pior do que uma garrafa de wisky nas mãos do... olha, do teu pai!"

 

19
Out17

Mulherzinhas (15/20)

 

      Há muito que desejava ler este livro de Lousa May Alcott, este ano, para não me desviar dos meus objectivos, coloquei-o na minha lista de livros a ler em 2017. Objectivo concretizado, mais um clássico adquirido, mais um clássico lido.

      "Mulherzinhas", um daqueles clássicos americanos tão referido em filmes e em livros, que se tornou para mim um livro de leitura obrigatória. Estava bastante entusiasmada quando o comecei a ler, toda a gente falava bem dele e além do mais era um clássico. Logo para mim que adoro clássicos! No entanto, demorei quase um mês a ler o livro e nunca lhe apanhei muito bem o ritmo, a verdade é que só o acabei de ler porque na minha cabeça defini que isso aconteceria, fosse de que maneira fosse, no fim-de-semana passado. Lá peguei no livro e vou admitir uma coisa, apenas me apaixonei pelo livro nos últimos capítulos. Aí sim, agarrei-me ao livro e devorei-o com bom gosto. Até àquele momento não tinha conseguido criar nenhum tipo de ligação com o mesmo. As personagens apenas me pareciam demasiado infantis, demasiado mimadas, pareciam-me apenas personagens com muitos 'demasiados' negativos. No entanto, nos últimos capítulos consegui encontrar-lhes a virtude, o bom coração e a maturidade que lhes faltava para me prender ao livro.

       Este é um livro sobre uma casa cinco mulheres, onde o único homem foi destacado para a guerra. Ficaram entregues a si próprias e a uma mãe carinhosa, motivadora e esperançosa. Uma mãe que as ajuda a superar os seus defeitos, as suas dificuldades e a controlar as suas virtudes. Um livro em que cada capítulo ensina uma moral, um livro muito bem escolhido para o Plano Nacional de Leitura, pois realmente a adolescência é a idade ideal para aprender um bocadinho sobre respeito, moral e educação. Um livro que apesar de juvenil nos fala sobre todos os aspectos da vida, sobre todas as dificuldades, mas também a essência de se ser jovem e criança. Não é um simples romance, mas um livro de aprendizagens, sobre o amor, sobre o auto-conhecimento e sobre a amizade. A força é uma constante, a esperança aparece e desaparece, tal como na vida de todos nós, mas a essência mantém-se e foi isso que me agradou no livro.

      Não foi, definitivamente, um dos meus livros preferidos, mas gostei. Gostei de ler as "Mulherzinhas", mas gostei ainda mais de finalmente ficar a par de um dos livros mais falados da literatura americana.

 

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