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justsmile

22
Fev18

Não tenho muita sorte profissional...

(Imagem retirada daqui)

 

       Dei por mim no outro dia a pensar sobre o meu percurso profissional. Terminei a minha licenciatura há quase cinco anos e apercebi-me que tenho uma vasta experiência em situações absurdas, em entrevistas ridículas e em azar profissional. Estou perita nestas três competências e com a capacidade para escrever um bom livro sobre as temáticas. Ora vejamos, no meu primeiro emprego, como terapeuta da fala fiquei extremamente iludida por ter conseguido encontrar uma vaga de trabalho ao fim de cinco currículos. Ingénua na altura, não compreendi o quão desastroso isso poderia um dia ser. Trabalhei cinco meses num gabinete que me manteve ilegal durante o tempo todo, com uma promessa impossível de estágio profissional. Trabalhava a 1h10 de casa, gastava imenso em gasóleo e por estradas bastante escuras. Choramingava pelo meu ordenado, pois o patrão adorava demorar-se a pagar-me fosse o que fosse e ainda tive direito a uma inspecção do trabalho enquanto lá trabalhava. Este foi o momento ideal para sair e acreditei que iria conseguir um emprego com tanta facilidade como tinha encontrado o primeiro. Mas nem tudo foi mau, consegui fazer amizades com quem ainda hoje mantenho o contacto e com um horário de 40h consegui ganhar imensa experiência e preparar inúmeros materiais que ainda hoje me dão imenso jeito.

       No meu segundo emprego fui fazer a substituição de uma grávida, pela primeira vez trabalhei a recibos verdes e compreendi o absurdo da situação. Perdia quase duas horas no trânsito por dia, mas admito que não me custava nadinha, ganhava misérias (se tirei algum mês mais de 700€ já foi uma fortuna rara! E nem estou a falar das despesas associadas...), perdia hora de trabalho quando algum doente decidia faltar e ainda tinha uma coordenadora fantástica (ou não). Esta coordenadora tinha a excelente competência de começar a berrar com as pessoas às 8h30 da manhã quando a sala de espera estava cheia e com os bombeiros a trazerem os respectivos doentes. No entanto, adorava realmente o que fazia, trabalhar com idosos e crianças ao mesmo tempo foi dos trabalhos mais gratificantes que tive até hoje. De resto era tudo muito estranho, durante quase um ano não aprofundei o meu conhecimento com ninguém na clínica, almoçando sozinha e tendo os meus livros como companhia. No início custou-me bastante não fazer amizades, depois compreendi que foi uma espécie de bênção. Quando vim embora, gostariam que eu ficasse a ganhar experiência sem salário o que realmente me deu uma vontade imensa de rir, como se dois anos de experiência não fossem o suficientes.

       O terceiro emprego, apesar de não ter sido como terapeuta da fala, foi o melhorzinho. Trabalhei numa famosa empresa de distribuição, em horário part-time que pouco contacto me obrigava a manter com o pessoal. Entrava a correr e saia a correr. Excessivamente cansativo fisicamente, mas libertador de certa forma. O ordenado não era uma fortuna, nem lá perto, mas ajudou-me a manter a sanidade mental após uma altura demasiado extensa de desemprego.

       O quarto emprego, e actual, desta vez como administrativa, também não tem sido o fundo do arco-irís (imagino que percebam porque não irei dar mais pormenores). Eu sei que nenhum emprego o é, tenho bem experiência disso, mas acreditem que aqui existem coisas que nunca vi na minha vida e isso deixa-me frustrada. Quem me conhece, mas pouco sabe sobre o local onde trabalho, acham que me saiu uma espécie de euromilhões. Aos olhos dos outros é uma sorte grande estar a ganhar o que ganho, não literalmente, mas quase, à porta de casa, com a possibilidade de ir almoçar todos os dias a casa e ainda com a vantagem de gastar pouco em combustível e em tempo. No entanto, ninguém percebe a minha frustração e nunca hão de entender por uma simples, não são eles que estão no meu lugar. A nossa vida aos olhos dos outros é sempre muito melhor, temos sempre mais sorte que os próprios, a questão é que não sabem os sacrifícios que fazemos (também sei que isto tem o outro lado da moeda). Eu não gosto de me queixar sobre o meu trabalho, nunca o fiz, mesmo com todos os contratempos que tive em todos os meus empregos anteriores. Sou a pessoa de dizer que 'sim, está tudo bem, tem as suas vantagens e desvantagens', mas não aprofundo para simplesmente não pensar no assunto e para não ser uma queixinhas. São poucas as pessoas que realmente sabem o que se passa na minha vida profissional, Ele e os meus pais, tirando isso mais ninguém precisa de o saber, mas irrita-me que me achem dotada de uma sorte que não existe. Por vezes penso que até hoje, a nível profissional, o erro foi sempre meu ou se sou demasiado exigente, outras penso que é simplesmente a minha 'má sorte'.

       Agradeço aos céus o facto de ter um emprego. Estou grata por ter fugido do desemprego que tanto me atormentou a alma, mas a verdade seja dita: Estou mesmo a precisar de mudar a minha sorte a nível profissional.

11
Jan18

Estagnar não é uma opção

(Imagem retirada daqui)

 

       Em tempos imaginei-me uma mulher activa, que nunca parava, que tinha sempre muita coisa para fazer e que continuava a evoluir na sua carreira. Tudo isto a nível profissional. Este era o sonho para mim mesma, para a minha concretização pessoal. Imaginava-me nesta fase da vida a viajar, a ter um apartamento pequeno mas confortável, a continuar a minha formação profissional e conseguir ter uma verdadeira carreira. Apesar de a vida me ter dados as voltas, apesar de não viajar tanto como desejava, apesar de estar na profissão que não imaginava para mim, apesar de tantas coisas, apercebo-me que o que imaginava para mim continua a estar nos meus sonhos. A vida trocou-me as prioridades, não viajei tanto no último ano quanto desejava, mas o casamento surgiu. Não tenho aceite empregos em que ganhe abaixo do meu actual ordenado porque neste momento o dinheiro faz falta. Não voltei a fazer formações porque não só preciso de poupar como trabalhar cinquenta horas por semana não me deixa muito tempo livre. Percebo que neste momento estou focada apenas em duas coisas, em pagar o nosso casamento, a nossa lua-de-mel e as nossas obras, e em conseguir ganhar dinheiro para tais coisas. Pagar tudo do nosso bolso não tem sido fácil, tem exigido muitos sacrifícios, e noto que tenho sacrificado um bocadinho de mim, dos meus sonhos, dos meus ideais ao longo do caminho. As viagens ficaram para última prioridade, a minha formação profissional também e o risco de mudar de emprego torna-se demasiado elevado para o momento que atravesso. A nível racional e algum emocional sei que é a atitude certa, coloquei em prioridade alguns sonhos em vez de outros. Uma decisão minha e de mais ninguém, eu própria decidi este caminho e não me arrependo. A única coisa que neste momento penso é no passo que quero dar depois de conseguir atingir estes grandes objectivos que estão em grande plano, porque estagnar a nível profissional não é uma opção. Para mim, estagnar não é realmente uma opção.

       Neste momento sinto-me extremamente realizada com o rumo que a minha vida pessoal está a tomar. Estamos a meio ano do casamento e sentimos algum conforto em saber que estamos preparados monetariamente para isso. Finalmente sentimos que financeiramente estamos a atingir o nosso objectivo e que sem pedir nada a ninguém conseguimos concretizar os nossos sonhos, realizar aquilo que temos vindo a planear no último ano. Sinto que vou ligar-me à outra parte de mim, à pessoa que me completa. Sinto que esta é uma das melhores decisões da minha vida e a mais acertada, não levanto qualquer tipo de dúvida e sinto-me realmente feliz com todos estes planos, com todos estes passos para a concretização de um sonho que me acompanhou ao longo da vida, casar-me com o amor da minha vida. É o lado profissional que se torna mais sombrio dentro de mim, é esta falta de concretização, de realização que sinto que se abate em mim, de longe a longe, como uma nuvem negra. É o lado profissional, associado ao meu receio de arriscar financeiramente, que me deixam imensas dúvidas, que me fazem ficar indecisa quanto ao caminho a tomar. Para 2018 decidi que queria procurar o meu lugar ao sol no mercado do trabalho, mas neste momento não sei bem que caminho tomar. Mentalmente defini que até ao casamento não tenho tempo, nem disponibilidade mental e financeira, para pensar no assunto, no entanto o vento traz de vez em quando pensamentos que me deixam a ponderar o caminho profissional que estou a tomar. Neste momento sei que não é a altura ideal para tomar decisões neste campo, preciso se calhar de estabilizar um bocadinho a minha vida, que tem andado demasiado preenchida, e. talvez, só depois consiga ver claramente aquilo que preciso de fazer com a minha vida profissional.

        Uma certeza eu tenho, estagnar não é uma opção.

05
Jun17

1 ano de 'Administrativa'

(Imagem retirada daqui)

 

Há um ano a minha vida deu uma volta gigantesca. Deixei de ser desempregada a tempo inteiro, deixei o meu trabalho no armazém em que trabalhava em turno nocturno (há pouco mais de um mês) e vim para uma empresa da minha terrinha que nem sabia que existia. Depois de uma entrevista, um tanto ou quanto estranha, fiquei nesta empresa, onde hoje faço a primeira renovação de contrato da minha vida. Antes de para cá vir tive de fazer o luto da minha profissão de sonho, tive de pensar em primeiro na minha sanidade mental e nas minhas questões financeiras e só depois nos meus sonhos. Tive de compreender, consciencializar-me de que a vida nem sempre segue o caminho que imaginamos, que sonhamos ou planeamos e que por vezes é preciso dar um passo atrás para conseguirmos dar dois na direcção que tanto pretendemos. Sei que a nível profissional esta profissão não foi nada de encontro ao que imaginava para mim e até sei que não me assenta que nem uma luva, mas por incrível que pareça sinto-me bem. Não totalmente feliz, totalmente feliz sou ao sábado quando consigo ser terapeuta da fala a part-time, mas não sou infeliz no que faço. Por mais que me surpreenda, para já, sinto-me bem no que faço. Durante o último ano aprendi sobre contabilidade, gestão, organização e planeamento, se por um lado já tinha algumas competências, por outro todas elas foram reforçadas e ainda novas adquiridas, o que para uma terapeuta da fala pode ser insignificante, para mim tornou-se importante. Nunca na vida me imaginei rodeada de números, logo eu que odiava matemática, mas agora sinto-me confortável no meio deles e percebo mais de contabilidade do que Ele que tanto gosta de números. No último ano também aprendi que sou mais resiliente do que imaginava, sempre me vi como uma pessoa lutadora, mas é agora ao ver que mudei de profissão, ao ver que consegui pôr em stand-by alguns sonhos para dar atenção a outros, que compreendi que eu consigo sempre tudo. Basta meter alguma coisa na cabeça que mais tarde ou mais cedo, com mais percalços ou com menos, eu consigo sempre o que desejo. 

Admito, não foi fácil. Ainda hoje tem dias em que não é fácil. Não foi fácil adaptar-me a estar sentada numa secretária o dia todo ou a estar permanentemente a um computador. Mas consegui e se ao início custou, hoje já passa o tempo sem dar por ela. O trabalho foi vindo a aumentar, a confiança em mim também e noto que o meu trabalho (apesar de não ser muito valorizado) é importante. Não é um mar de rosas, nada o é na vida, mas sinto-me bem e penso que isso é o mais importante. Desde que cá estou que já tive de recusar ofertas na área, não por não as querer, mas simplesmente porque 'ser escrava de recibos verdes' deixou de ser uma opção para mim. A verdade é que sempre desejei alcançar uma certa estabilidade financeira, talvez pelo meu passado e pelas dificuldades financeiras que passei, e hoje vejo essa estabilidade como uma das minhas prioridades em relação ao meu emprego de sonho. Posso estar incorrecta, posso mais tarde vir a pensar no que perdi, mas hoje sei que tomei a opção certa em negar voltar à área a recibos verdes para receber 3 ou 4€ à hora. Afinal foi esta sensação de estabilidade que me permitiu começar a pensar em casa, terreno e casamento, foi esta sensação que me permitiu avançar com a minha vida pessoal e o quão estava desejosa por isso!

Há um ano que sou administrativa. Há um ano que vi os meus sonhos começarem a ganhar movimento. Há mais de um ano que deixei de ser terapeuta da fala, mas para já, enquanto nada de melhor surge, sou feliz a ser terapeuta da fala a part-time.

A mim mesma, os parabéns por um ano de uma nova vida e uma nova profissão.

 

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