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justsmile

11
Out19

Desafio de Escrita dos Pássaros #5

(Imagem retirada daqui)

 

       Estás na fila para o purgatório e Hitler está à tua frente. Ninguém o quer aceitar e a fila não anda. Escreve a tua intervenção para convencer um dos lados a aceitá-lo.

       - Mas a fila não anda porquê? – questiono a tentar perceber porque raio a fila do purgatório estava parada.

     - Oh, é o Hitler, ninguém o quer. Nem o céu nem o inferno, estamos há anos nisto, de vez em quando lá o mandam esperar para deixar entrar algumas pessoas e depois recomeça a discussão. É que nem o Diabo o quer por lá! – respondeu-me um ex-futebolista que estava com a cabeça e a perna em mau estado.

     Farta de estar há dias naquela fila, decidi pegar em toda a minha coragem e falar com os principais responsáveis. Ao fim de 17km consegui chegar ao pé de S. Pedro, que tinha a chave pendurada ao pescoço, e ao pé do Diabo, que até tinha melhor figura do que tinha imaginado. Hitler estava entre os dois, pelos vistos a argumentação de para onde ele deveria ir já se tinha iniciado há horas.

     - Por favor, Lucifer, já sabes que não aceito assassinos que matam em massa. – gesticulava S. Pedro como se tivesse uma pistola na não.

    - Mas ele não matou, S. Pedro, ele simplesmente mandou. Estamos aqui a elaborar uma discussão que não faz sentido, ele MANDOU, não matou. – Hitler olhava para aqueles dois como quem observa uma partida de ping-pong. Pelo que me tinham dito já tinha deixado de intervir na discussão havia também anos.

     - Cof, cof… Não acham que esta discussão já se prolongou demasiado? – disse baixinho tentando intrometer-me do meio daqueles dois que pareciam dois políticos, atirando areia para os olhos um do outro. Ambos me olharam e S. Pedro lá decidiu questionar:

     - Olha lá e tu quem és? Ainda não te tinha visto.

     - Naturalmente, estou aqui há quase duas semanas e a fila com mais de 17km só andou 1km. Sou a Just e morri engasgada com um chocolate e sinceramente estou cansada de estar à espera, eu e todas estas pessoas. – apontei para a fila onde o horizonte era confundido com as nuvens. – Eu sei que temos todo o tempo do mundo, mas estarmos aqui à espera só dá vontade de voltar a morrer outra vez. É que a paciência tem limites! – Olharam-me como se fosse uma espécie de ET e entreolharam-se, Hitler, esse, coçava o bigode e nem abria o bico.

      - Nunca ninguém nos tinha dito isso. – Lúcifer olhou para a cara do S. Pedro, como se pela primeira vez se tivesse feito luz naqueles chifres. – Pronto, a moça tem razão. Deixa que eu fico com o Hitler, pelo menos fica mais quentinho e reencontra alguns amigos, e vamos dar vazão a isto para ver se ainda consigo ter algumas férias!

04
Out19

Desafio de Escrita dos Pássaros #4

A Beatriz disse que não. E agora?

        Olha, agora paciência! Menina mimada que sempre achou que poderia ter tudo quando quisesse. Rais’ma parta a miúda! Vem lá ela, com aquele nariz empinado, dizer que não posso tirar um dia de folga? Ela? Ela que não faz nada da vida, que passa o tempo todo no facebook e de repente vem dizer-me que não posso tirar um dia de folga? Mas quem acha ela que é! Teve sempre tudo de mão beijada e achava que me poderia tirar um direito? Está sempre cheia de mania em cima dos saltos altos que tão bem lhe ficavam espetados na testa. E quando chega naquele BMW topo de gama? É que já nem falo do facto de sair sempre uma hora antes dos outros e de chegar sistematicamente atrasada. Sempre com a mania! Ai, não suporto a miúda. Para além da mania é incompetente! Não percebe nada do que diz, poderia estar um dia inteiro a tentar-lhe explicar os dados estatísticos da empresa que ela abanaria sempre com a cabeça que sim, mas nunca seria capaz de fazer um exemplo que fosse sozinha. Não tem um palmo de testa e tem a mania que é mais inteligente que todos os outros, como raio foi parar a um cargo de chefia? Teve de ser cunhas, só pode! E depois vem lá com o discurso que temos de ser compreensivos, que estes são tempos difíceis e que temos de agradecer a oportunidades que nos dão. Ela poderia era muito bem agradecer o que a gente se esfalfa para levar esta empresa para a frente ou até ter a humildade de que não percebe nada disto e que nós somos a sua salvação. Ao contrário disso, adora dizer que esta é uma empresa na vanguarda, mas não faz nada para que isso aconteça. Salva a sua pele é mais importante do que defender a camisola!

        Rais’ma parta a Beatriz! Ela disse que não? Olha, agora paciência!

27
Set19

Desafio de Escrita dos Pássaros #3

Uma aventura/momento que te tenha marcado

         Just tinha começado o seu dia como um dia totalmente normal (imaginei a voz grave e séria dos locutores de cinema), nada lhe diria do dia que viria a ter. Chegou ao trabalho a tempo e horas, apesar da estrada molhada e de ter passado mais de metade da noite à luta com os mosquitos que não só não a deixavam dormir, como a queriam comer. Sentou-se à secretária, ligou o computador e começou mais um dia de trabalho. Como ela estava enganada. Do lado de fora três carros estacionaram a toda a força, ocupando o lugar dos clientes sem a menor consideração pelo espaço e sairam do carro a correr. Todos homens, todos com ar de poucos amigos e todos preparados para mandar. 'Temos um mandato de busca.', diziam eles com aquele ar de carrancudos. 'Chamem o contabilista.', não era um pedido amigável e muito menos um pedido, era mesmo uma ordem. Just manteve-se quietinha no seu lugar e os homens apoderaram-se com toda a pressa de estantes, capas e computadores, não tendo dó nem piedade da arrumação. Lá fora, tinha começado a trovejar e a chover intensamente deixando, numa questão de segundos, a escuridão dentro do escritório.

          Poderia muito bem ser o guião do próximo filme de Hollywood, com agentes do FBI e a tempestade do lado de fora para tornar todo o cenário mais assustador e intimidante. Pois bem, poder até podia, mas este um dia de trabalho no meu último emprego. Inspectores pouco agradáveis e que reviraram o sítio, quer dizer, quase todo. Não havia, nem há motivos para preocupação, mas que foi um dia bastante desagradável, lá isso não tenho dúvidas. E um tanto ou quanto stressante. Para acrescentar às cenas de acção ainda ficamos sem telefones e incontactáveis. Digam lá que não parecia um cenário de filme?

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