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justsmile

13
Jan16

Sou feita de memórias

(Imagem retirada da Internet)

 

Sou uma pessoa feita de memórias.

Há lugares por que passo, coisas que faço, músicas que ouço ou livros que leio que me fazem lembrar coisas. Coisas minhas. Coisas da vida. Estou tão repleta de memórias e ainda assim adoro viver o presente e sonhar com o futuro. Apesar de tudo de bom e de mau que me atravessou na vida sou capaz de viver tranquilamente com as minhas memórias. Sem rancor, sem dor, sem saudade. Apenas uma pitadinha de nostalgia que me presenteia de uma forma tão perfeita que me sinto feliz. É aquele chão que me faz lembrar aventuras. É aquele café, onde já foi uma florista que me faz lembrar palavras tão belas. É aquela estação que me faz lembrar gargalhadas. 

Sou feita de memórias e vivo harmoniosamente com elas. Sem arrependimentos, sem tristeza, sem maldade. Lembro-me de mim, de quem fui e quem agora sou. Do quão orgulhosa estou por ali ter passado e agora ser a pessoa que sempre quis ser. Olho sem saudade, não voltaria a passar por ali, mas fico feliz por um dia o ter feito. Não voltaria a estar com aquela pessoa, mas fico feliz por um dia se ter cruzado comigo. Vivo de bem com o meu passado, vivo de bem com as minhas memórias. Não me trazem fantasmas e muito menos necessidade de mudar o presente ou o futuro. Trazem-me alegria, alegria por ter superado, por já não estar triste, por ter atenuado as más memórias. Por agora ser feliz, mais feliz do que alguma vez fui e por simplesmente ter de agradecer por tudo aquilo que passou. Agradecer por todas as memórias, pois afinal foram elas que me trouxeram a onde estou hoje. Um local feliz, (quase) perfeito, que nunca sonhei alcançar.

Estou de bem com as minhas memórias (até as más) e vocês?

18
Fev15

Future me... 5 anos depois

(Imagem retirada da Internet)

 

A 19 de Outubro de 2010 escrevi uma carta à Just do Futuro, à Just de hoje e ontem, no dia em que completei 24 anos recebi essa carta. 

 

Dear Future me,

Aqui estou eu, sentada no sofá da sala às 21h27 a ver 'Quem sai aos seus' na RTP memória, deveria estar a fazer apontamentos para Otorrinolaringologia, ou até mesmo a tratar do meu trabalho de Análise Fonológica do Discurso, mas como sempre não me apetece depois de uma tarde intensa a trabalhar.
Neste momento tenho 19 anos e estou no 2º ano de Terapia da Fala, espero bem que quando receber o teu email já estejas bem empregada Just Maria, e com o teu Fiat 500. Será que ainda namorarei com o Clementino? Espero bem que sim, porque não me parece que vá encontrar alguém tão especial quanto ele. Espero que já te tenhas mexido perante o voluntariado, espero que já tenhas ido a Paris e que tenhas passado férias com os amigos. Espero que neste tempo realizes tanta coisa. Quem sabe se já não te dedicaste mais à escrita?
Hoje ainda estou a recuperar da noite de ontem, pela primeira vez saí­ com o grupo TF do ano 2009/2009+1 em peso. Foi uma noite cheia de surpresas em que a Clementina disse que não ia com a minha cara quando me conheceu, mas que agora gosta de mim. Uma noite em que me diverti imenso e que uni mais laços às minhas colegas de curso. Quem será a pessoa com quem ainda manténs muito contacto? E a Clementina II do secundário? Que é feito dela? E o quarteto fantástico? O Clementino II tornou-se escultor ou arquitecto? E sobrinhos? Já há?
O que mais espero ter atingido daqui a cinco anos é ter terminado o curso e encontrado emprego, comprar o meu carro, tomar realmente uma atitude perante o voluntariado, viajar e (...).
E a tua pequena  como está? (...) Neste momento tem mais de 1 ano e meio. E a tua irmã? Já terá casa?
Ah! E a casa da tua avó? Sempre será para ti? Espero bem que sim, porque é um dos meus maiores e quase inatingível sonho!
E aqui termino a carta, uma semana antes de começar a semana de recepção aos teus caloirinhos, uma semana antes de baptizares os teus afilhados, uma semana antes do comboio do caloiro, uma semana antes da Serenata, e uma semana antes de te começares a queixar-te dos pés! Espero que a vida te corra bem e que concretizes muitos sonhos pelo caminho, pois afinal, até acho que és uma boa pessoa.
Continua como és e nunca cedas por ninguém!

Para sempre a tua,
Just Smile do Passado"

 

Foi uma sensação bastante estranha deparar-me com palavras do passado, questionando-me como seria o futuro, agora meu presente. No fundo ainda me encontro a meio do caminho, depois de ler esta carta, apesar de ter emprego, ter carro e ter conseguido completar o curso. O Clementino passou a ex-namorado ao fim de 3 anos depois desta carta, o quarteto fantástico tem estado mais vezes trio, o Clementino II é escultor, a irmã conseguiu a casa e eu nem me dediquei à escrita nem ao voluntariado imaginado na altura, apesar de ter feito outro tipo de voluntariado. Lembrei-me daquelas semanas do 2º ano do curso e lembrei-me desta data e a melhor sensação se todas é não ter saudades, apenas boas memórias, pois ao longo dos últimos anos encontrei a felicidade em pequenas coisas. É maravilhoso deparar-me com o 'eu' de 2010.

 

P.S.: Voltei a usar Clementino e Clementina, apenas porque não me lembrei de outros nomes.

08
Jan15

De luto pelo mundo

(Imagem retirada da Internet)

 

Dou por mim a ouvir as notícias dos últimos dias e fico assustada. Não assustada com o agora, nem com o que se passou ontem, mas assustada com o amanhã. Não o amanhã, dia 9 de Janeiro, mas com o amanhã dos meus futuros filhos, com o amanhã de quando eu for mulher de meia idade ou idosa. Em que lugar se está a transformar este mundo?

Se durante anos lutamos incondicionalmente pela liberdade de expressão, agora lutamos pela vida, como os nossos antepassados lutaram há centenas de anos atrás. Mas mais que a vida, voltamos a lutar pela liberdade de expressão, pela liberdade de sair à rua sem medo, pela liberdade de falar sem represálias, pela liberdade de dizer 'não' quando todos dizem 'sim', pela liberdade de viver sem estas políticas hipócritas que 'só querem fazer o bem pela sociedade'.

A verdade é que tenho medo. Medo deste amanhã em que a batalha terá de ser travada por todas estas liberdades, novamente. Se um dia as conquistamos, vê-las agora desmoronarem-se à frente dos nossos olhos e que por qualquer jogo de interesses não consigo reagir. Talvez pela nossa família, talvez pela esperança em que tudo vá melhorar, talvez pela vontade cega de não ver o inevitável.Tenho medo. Medo deste mundo louco egocêntrico, em que primeiro eu e depois eu e só bem no fim da lista o outro. Medo das crianças que agora crescem com um conceito de liberdade do quero-posso-e-mando, afinal elas serão o meu futuro e o de todos nós. Tenho medo de não poder dizer aquilo que penso sem ter uma arma apontada à cabeça ou pior, à minha liberdade. 

Estes dias têm tornado estes meus medos cada vez mais reais. Este fanatismo, este 'eu tenho razão e mais ninguém pode ter'. Esta descrença na vida do outro e igualdade do direito à vida. Esta incompreensível situação em Paris. Esta incompreensível situação que dura décadas na Korea, ou até na Rússia. Esta incompreensível desigualdade entre homem e mulher ainda em tantos países. Este ridículo monopólio de bancos e países em busca de petróleo. Todas estas coisas parecem ter vindo a ganhar uma nova força, a criar um novo medo. Um medo que evito pensar, mas que tem sido impossível nos últimos dias. Esta inumanidade que tem existido cada vez mais frequentemente e que parece aumentar à medida que o tempo vai passando.

Tenho medo do mundo de amanhã. Tenho medo do percurso que ele está a tomar e sinto-me apenas um ser insignificante que começa a ficar amedrontada com todas estas coisas e que nada consegue fazer para reagir.

Hoje sinto-me assim de luto. De luto pelas vitimas em Paris. De luto pelas mulheres que não conhecem a felicidade. De luto por todos aqueles que não podem partilhar os seus pensamentos. De luto pelos que são diariamente manipulados por políticas egocêntricas. De luto por todos os que partiram devido fanáticos doentes por uma religião e que não conseguem ver para além deles próprios.

Hoje estou de tudo por todos. Hoje estou de luto pelo mundo.

 

P.S.: Liberdade: direito de nos comportamentarmos de acordo com as nossas crenças e valores, desde que não choquem com a liberdade de outrem. (Dicionário de Língua Portuguesa).

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