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justsmile

12
Dez18

Querido Pai Natal,

       Querido Pai Natal,

      Cá estamos nós para mais um ano! Antes demais gostaria de te agradecer tudo o que me ofereceste em 2018, cumpriste com a minha lista de desejos de 2017 e termino o ano com um enorme sorriso no rosto e um coração cheio de boas recordações. Eu sei que a minha lista de desejos nunca foi muito exigente, mas a verdade é que este ano foste um excelente Pai Natal e apenas te posso agradecer por tanta boa graça que me trouxeste. 

       Os sobrinhos estão mais crescidos (acreditas que um já está a aprender a ler e a escrever???), já têm mais juízo e ter conversas com eles é cada vez mais divertido. Sabem bem o que querem e são os miúdos mais decididos que já vi. Lá em casa já tenho os presentes de todos, mas posso sempre acrescentar um pedido ou outro para eles, certo? Ora, para os meus três D's dá-lhes saúde, afasta-os dessas virosos ranhosas que andam por aí o ano todo e dá-lhes ainda mais sorrisos, adoro ver aqueles miúdos sorrir. E já agora? Dá um bocadinho mais de tempo há tia deles (aqui a Just, como é claro) para os poder mimar ainda mais.

       Aos manos? Que posso eu pedir? O meu irmão anda todo satisfeito com a escola onde este ano foi parar, a minha irmã está finalmente a contrato e não se pode queixar, por isso não há muito a pedir. Ao irmão? Pronto, dá-lhe mais um bocadinho de paciência que às vezes aquilo parece estar escasso para aqueles lados. À irmã? Vê lá se arranjas a casa à medida da carteira dela que a mulher já há um ano que anda à procura e ainda não encontrou nada.

        Para os meus pais nem sei bem o que pedir. Este ano foi a concretização de alguns sonhos deles, ver uma filha casar e comprar o carrão que o pai tanto sonhava (e que eu tanto renego...), foi um ano bom. Estiveram mais desafogados e parece-me até que foram mais felizes, seja com os netos como com tudo os que os rodeia. Acho até que a felicidade lhes trouxe mais saúde e tudo! Ainda assim, peço-te que durante o próximo ano lhes continues a trazer saúde, precisam e a idade começa a passar. Dá-lhes também mais sorrisos, só assim sei que estão bem.

        Ele? Ora, nem eu sei bem o que lhe dar, quanto mais pedir-lhe para lhe ofereceres. É um homem complicado para dar presentes, mas uma boa dose de paciência para o trabalho é sempre necessária. Aliás, traz uma dose extra de paciência que o homem está a precisar e, mais um pormenor, ensina-o a desligar o cérebro do trabalho quando chega a casa, gosto deste lado empenhado dele, mas às vezes é demais! No entanto, acho que este ano foste bonzinho com Ele, ficou efectivo no trabalho, casou-se comigo e que mais poderia Ele pedir?

       Já para mim, ora, não tenho muito a pedir. Agradeço-te o bom ano que me deste, porra, foi mesmo um bom ano! Concretizei tantos sonhos! Casei, mudei de emprego e criamos a nossa casinha, que mais podia pedir? Foi um ano fantástico e acabo-o com o coração cheio de boas memórias e muitos sorrisos! Mas pronto, sendo Natal faço o sacríficio de pedir (pelos vistos é normal nesta quadra) e peço-te para me ajudares a construir a minha casa e a poupar muito dinheirinho para ela. É que isto de construir uma casa de raíz é um bocadinho assustador e estou a precisar de uma ajudinha tua, principalmente para começar a dar andamento ao processo. Vá Pai Natal, ajuda aqui a Just que tanto ajuda a sua comunidade, que tanto trabalho de voluntariado faz e que tão bem tem feito à humanidade (cof, cof). Obrigada Pai Natal, por tudo, sinto-me mesmo muito agradecida pelo ano que me deste, que venha 2019 com tantas coisas boas como este ano.

P.S.: Livros e chocolates são sempre bem-vindos, até porque estou completamente proibida de comprar livros...

22
Ago18

Quando os nossos começam a envelhecer....

(Imagem retirada daqui)

 

        Envelhecer não é um processo fácil. Ver o nosso corpo perder capacidades é um dos processos mais complexos para o psicológico do ser humano, mas é natural. Todos sabemos que mais tarde ou mais cedo iremos começar a perder capacidades, por muito que se tenha uma boa alimentação, por muito que façamos caminhadas ou por muito que tentemos manter o nosso lado cognitivo a verdade é que o envelhecimento é inevitável. A memória já não começa a ser a mesma, a vista já não vê tão bem como há vinte anos atrás e até as pernas já não fazem tantos quilómetros. Raras são as excepções em que tais sinais não começam a demonstrar a idade, todos temos consciência disso. E com a idade o que também vêm? As doenças, aquelas coisas chatas, primeiro uma infecção aqui, depois uma queda acolá e assim vai nascendo uma bola de neve de problemas e problemazinhos que parecem aumentar em vez de diminuir. Eu tenho noção de tudo isso, aprendi, estudei, trabalhei com essas pessoas de idade. Sei bem o que é a velhice e a doença, sei o quanto custa para quem envelhece e para quem vê envelhecer, mas aprendi a lidar com a situação, afinal esse era o meu trabalho. Mas e quando é com os nossos?

         A avó que me ajudou a criar tem 87 anos. É a avó em que acordava de manhã e ia a correr dar-lhe um beijinho. É a avó que sempre me mimou e que fazia o melhor arroz de polvo do mundo. É a avó que todos os netos procuravam para fazer o leite com café com o pão integral na hora do lanche. É avó que montava o presépio na beira da janela, mesmo depois do avô ter partido. É a avó que cuidou do avô quando ele acamou. É a avó que ficou viúva há mais de quinze anos e que viveu na sua casa pelo menos mais sete. Mas também é a avó que há muitos anos que não cozinha. É a avó que há quase 10 anos vive de lamentos, que se foca nos seus problemas e que apesar do carinho, revive todos os dias os seus pequenos problemas sem pensar em mais nada e em mais ninguém. É a avó que se isola, que reza o dia inteiro e que pouco gosta de confusões. É a avó que tira a paciência a um santo, sempre com os mesmos problemas que aos nossos olhos nos parecem insignificantes. É avó que se queixa do joelho, da mão e dos gases, é a avó que vive de queixumes. É a avó que está quatro meses por ano em nossa casa, é a avó que vive com todas as filhas ao longo do ano. Mas é a minha avó. A idade transformou-a numa pessoa diferente, envelheceu-lhe a mente e a alma acabou por ir atrás. Pouco a reconheço da avó que conheci na infância, a velhice da mente transformou-a e apesar de não haver um nome para tamanha situação, sabemos que apenas a podemos atribuir à velhice. É verdade que nos tira a paciência, é verdade que é muito difícil lidar todos os dias com os queixumes de alguém que não consegue apreciar o que tem de tão bom na vida, mas nunca deixará de ser a nossa família. Nos últimos meses, desde Junho, tenho-lhe visto os sinais de envelhecimento surgirem com maior frequência e intensidade. A memória falha-lhe mais, dormita demasiado e, apesar de não ter sido em casa da minha mãe, as quedas nos últimos meses foram recorrentes, assim como a ida a hospitais de urgência. E é aqui que a alma se parte. Sabemos que a velhice é inevitável, sabemos que a idade traz dessas coisas e que a minha avó com 87 anos viveu imenso, talvez não sempre feliz (devido às nossas suspeitas de depressões), mas viveu com uma boa família. Tudo isso deveria dar-me um sorriso, mas tenho tido a alma apertada. A racionalidade não tem conseguido actuar sobre o meu coração de neta e pareço ter esquecido todas as lições que aprendi com o meu trabalho e com os meus estudos.

        Ver a minha avó cada vez mais frágil tem-me feito fraquejar. Evito-o demonstrar, evito-o verbalizar, mas admito-o perante mim que não estou a saber lidar muito bem com a situação. Talvez porque a alma da minha outra avó partiu comigo, talvez por ter tido de lidar com a morte da minha outra avó me faça agora estar mais sensível. Talvez seja tudo isso e mais alguma coisa, mas tenho tido o coração apertado e não tenho conseguido aliviá-lo. Vê-la tão longe, tão distante de quem era tem doído. Sei que pode recuperar e irá recuperar, mas o lado racional também sabe que a partir de agora vai ser sempre a piorar, a sua fragilidade irá só aumentar e irá necessitar cada vez mais de nós. Na teoria sei todo o procedimento, vi mais que um caso assim, sei quais são os próximos passos e sei que é necessário mentalizar a família para tal, mesmo com as recuperações, os males irão continuar a aparecer. Mas na prática? Na prática estou a ser apenas uma neta que vê a fragilidade da avó aumentar de dia para dia.

05
Jul18

Receios de uma noiva II

(Imagem retirada daqui)

 

       A uma semana do meu casamento não estou nervosa, nem um bocadinho. Estou apenas com uma gestão de tempo bastante apertada para terminar os últimos pormenores do casamento. Falta limar os meus votos, falta terminar os cones, ir buscar o vestido, terminar a decoração para a quinta, enfim, uma quantidade de pequenas coisas para o grande dia, mas que abdicam de muito do meu tempo. No entanto, e apesar deste corre-corre, tenho conseguido manter-me calma. Esta semana obriguei-me a deitar um dia mais cedo, pois senti que o cansaço já estava a prejudicar o meu desempenho no trabalho e nos preparativos e essa coisa, mesmo com apenas mais meia hora de sono, foi regeneradora. Enchi um bocadinho as baterias, mas a verdade é que neste momento só tenho na minha cabeça as coisas que ainda preciso de fazer. Mas receios? Os que tinha há algum tempo começaram a dissipar-se, agora parecem-me coisas banais que se acontecerem terei de lidar com elas, mas há um que na última semana me tem preocupado, mesmo eu já tendo verificado mil vezes a lista de convidados: E se nos esquecemos de meter alguém nas mesas?

       As mesas já estão feitas e ontem terminei os marcadores de mesa e mesmo tendo verificado tudo mais que uma vez, eu e Ele estamos com o ridículo receio de nos termos esquecido de alguém. Eu sei, é absurdo, mas não sei como o insconciente criou este receio. E se vai alguém que nos esquecemos de apontar? E se nos esquecemos de meter alguém das mesas? Este receio sem fundamento tem-nos atormendado todas as vezes em que falamos de convidados. São tantos que temos medo de nos perder nas contas, de nos perder a gerir tanta gente (já disse que temos famílias enormes? Vá, mais eu que Ele...). Este é o único receio que tenho a uma semana do grande dia. Não estou preocupada com os pormenores, nem sequer estou muito preocupada com o tempo (apesar de ansiar por um dia de sol), mas o raio da lista infinita de convidados tem-nos atormendado a alma. Só espero no dia confirmar que este nosso receio vá para lém do ridículo e que não passava simplesmente disso, de um receio absolutamente ridículo. Serei eu a única noiva com este receio?

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