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justsmile

14
Set17

Os primeiros passos no Minimalismo

      Desde que me dediquei a ler, a interessar-me e a envolver-me pelo minimalismo que tenho sentido que criei à minha volta uma pequena bolha das coisas que me fazem bem. Tenho conseguido pensar nas coisas com mais clareza, mais tranquilidade e até tenho sentido uma paz interior que me preenche de felicidade. Eu, tão céptica como sou, tenho-me deixado envolver por um 'rótulo' que me tem trazido, aos bocadinhos, uma qualidade de vida melhor. Impressiono-me como é que coisas tão simples, que nem me pareciam incomodar, me têm feito tão bem. Tenho lido, todos os dias um bocadinho das experiências dos outros sobre o minimalismo, sobre como alterou as suas vidas e tenho conseguido rever-me nas suas palavras, noutros casos simplesmente pretendo alcançar o que aquelas pessoas alcançaram. Parecem estar de tão bem com a vida, tão em paz consigo mesmo que lhes invejo essa capacidade. E aos poucos, sem dar por isso, tenho sentido essas mesmas sensações em mim. Como é que algo que me parecia tão abstracto me tem feito tão bem?

      Deixei o minimalismo entrar na minha vida por hábitos antigos, mas ultimamente, com uma ambição e consciencialização de melhorar a minha qualidade de vida. Sentia-me cansada, esgotada e sem conseguir gerir todas as minhas responsabilidades, queria simplesmente conseguir organizar-me e sentir-me melhor com aquilo que a vida me dava. Decidi então começar por algum lado e se a parte que nos leva a poupar já estava implementada, comecei a tentar implementar tudo o que o minimalismo defende, mas a nível mental. Tenho aprendido e compreendido que o minimalismo é muito mais do que nos separarmos das coisas físicas, mas também organizar e limpar a nossa mente. A transformação em mim tem sido muito ao nível da mente, de como lidar com o stress e de como me conseguir organizar, do que simplesmente arrumar, limpar e poupar. Compreendo que talvez todos os passos anteriores me tenham ajudado nas transformações mentais, mas tenho a certeza que estas têm sido as mais evidenciadas e as mais sentidas no meu corpo. Numa sociedade que nos impinge horários rigídos, que nos obrigada a correr a toda a hora, a lidar com o descartável em tudo o que são bens materiais, eu tenho tentado lidar com isso mas de uma forma mais serena. Não deixo de ter horários, problemas e frustrações, mas lido com elas de uma forma muito mais suave, dando-lhes menos importância e focando-me no que realmente já tenho e me faz feliz. Focando-me naquilo que sei que me trará a felicidade e ir atrás dela. Mas que passos dei eu para deixar o minimalismo entrar na minha vida?

       1. Ler sobre o minimalismo. Antes de fazer o que fosse, depois de me ter deparado com um artigo sobre as pessoas minimalistas, decidi que queria saber mais. Queria saber em que consistia o minimalismo, quais os seus objectivos e compreender se algum dia o conseguiria adaptar à minha vida. Afinal eu não queria ir viver para uma roulote com meia dúzia de objectos, nem queria largar o meu emprego a tempo inteiro, apesar de admirar muito quem o fez. Investiguei, li muitos testemunhos e só depois comecei a compreender os passos que queria dar, passos que fui dando ao meu ritmo sem ninguém me impôr. Afinal o minimalismo não é um conceito rígido e é isso que tanto aprecio, é um conceito que se adapta às necessidades de cada um, o objectivo final é simplesmente ser-se feliz. (Estes foram alguns dos blogs que comecei por ler.)

      2. Reorganizar o guarda-roupa, pareceu-me ser um dos passos mais simples desta caminhada. Em todos os blogs, em todas as descrições, um dos primeiros passos que vejo as pessoas a darem é reorganizar o guarda-roupa. Faz-se uma selecção daquilo que se pode dar, do que devemos deitar ao lixo e fica-se apenas com o que realmente gostamos e que está em bom estado. Para mim foi simples, pois todos os anos acabo por fazer uma selecção da roupa que tenho no armário, mas acredito que para muita gente seja um passo complicado.

     3. Destralhar as áreas da casa, ainda vivo com os meus pais e por isso apenas fiz este passo com as minhas coisas e acreditem que já foi muito. Limpei tudo o que encontrei e apercebi-me que se não usava há mais de um ano não valia a pena manter na minha vida. Mandei imensa coisa para a reciclagem e só dei coisas de crianças que tinha guardadas nos armários. De resto limpei os armários e dei-lhes um novo ar, mais espaço, menos coisas e menos pressão para arrumar as coisas.

      4. Reorganizar as memórias, este foi um dos passos mais difíceis, mas que me fez muito bem. Partilhei com vocês esse momento aqui e a sensação de leveza que tive fez-me levar a um novo passo. Guardei para mim as coisas que realmente me faziam feliz e aquelas que não tinha outra forma de guardar. Enchi uma pequena caixa com essas memórias e todas as que já não me faziam sentido foram enviadas para o lixo mais próximo.

      5. Destralhar a vida social. Este foi um enorme passo e que me levou a remexer em coisas que não via à anos, nomeadamente a minha lista telefónica no telemóvel e o Facebook (aqui está esse passo). Fazer desaparecer da minha lista telefónica nomes de pessoas que não me diziam nada foi das sensações mais libertadoras que tive. Senti-me mais leve, mais corajosa e com mais esperança. Havia nomes que apenas me traziam más memórias, maus agoiros e energias negativas. Basta olhar e ver aquilo que não é 'usado' há mais de um ano.

      Estes foram os primeiros cinco passos que dei, coisas que se prendem mais aos aspectos materiais mas que sem dar por ela nos libertam a vida. Ficamos com mais espaço na casa, nos armários, mas também na mente. Deixamos de nos sentir atolados, pressionados pela rotina e até pelas coisas. Hoje olho orgulhosamente para o armário, para a estante e para a minha vida e vejo apenas as coisas, as pessoas e as situações que valem a pena. Gradualmente fui-me libertando das energias negativas das coisas que me faziam mal (ainda esta semana falei disso aqui). Fui deixando mais espaço para as coisas boas. Inevitavelmente o que me era mau, o que estava a mais foi-me saindo da vista e do pensamento, dando-me mais tempo para ler, para cuidar de mim e para estar com quem amo. Trago em mim uma leveza que pouco conhecia. Tenho em mim uma tranquilidade, apesar de tudo o que anda à minha volta, que não esperava ter nesta altura do campeonato e só me sinto bem. Porque o minimalismo é isso mesmo, é estarmos bem na nossa pele.

25
Ago17

Uma entusiasta pelo minimalismo

      Esta curiosidade pelo minimalismo entrou na minha vida em 2013, quando pela primeira vez me apercebi de que muito daquilo que tinha vindo a fazer na minha vida afinal poderia ter um nome, apesar de estar muito longe de me considerar uma minimalista. No entanto, o tempo foi passando, fui mantendo alguns hábitos comigo e foi quando dei comigo a pensar em grandes projectos de vida que comecei a ficar mais interessada no minimalismo. Em agosto de 2016 comecei a estar mais consciente dos meus planos para o futuro e daquilo que realmente me fazia feliz. Tinhamos começado a procurar casa ou um terreno para construção e foi quando a palavra 'casamento' começou a surgir mais nas nossas conversas. Foi aí que me apercebi que para a concretização de tais desejos teria de melhorar os meus hábitos de poupança e até definir melhor as minhas prioridades. Aos poucos, com alguma pesquisa e com o auxílio fantástico do Pinterest fui-me apercebendo que poupança muitas vezes está aliada a um estilo de vida minimalista, um estilo de vida que cada vez mais começou a ser parecido com aquilo que imaginava para mim. Mas foi em 2017, pouco depois do ano ter começado e de ter começado a definir objectivos de poupanças, que tomei a real consciência de que o que queria na minha vida era realmente algo muito próximo do minimalismo. O ano começou, foi passando e só nos últimos dois meses me dediquei realmente a investigar, a ler testemunhos, a aprender dicas de como conseguir uma melhor qualidade de vida seguindo algo como o minimalismo.

      O que é o minimalismo?

      "Então, o minimalismo é um estilo de vida, em que a procura pela felicidade se foca naquilo que nos deixa felizes e não na quantidade de coisas que nos rodeiam em casa e na própria vida. O que se pretende é que se consiga viver com menos posses e menos responsabilidades em relação a elas, menos consumo, menos atribuições no dia-a-dia e menos confusão na rotina. Assim, sobra energia para a família, amigos e passatempos. A ideia suporta-se em limpar a casa e retirar tudo aquilo que não é utilizado, criar listas de tarefas e agendas semanais, comprar menos coisas (unicamente as essenciais) e em obter os prazeres da vida." Acho que neste post de 2013 consegui explicar melhor o minimalismo do que imaginava.

      Porque gosto do minimalismo?

       Admito que inicialmente, quando me deparei com o primeiro conceito de minimalismo, achei demasiado para mim. Separar-me de todas as minhas coisas, móveis e deixar uma casa branca e estéril me parecia demasiado 'hippie', mas foi agora com novas pesquisas que me apercebi o quão ridícula estava a ser. O conceito que tinha de minimalismo era demasiado extremo e o minimalismo não precisa de ser nada disso. E é o que me faz gostar do minimalismo, cada um pode desenvolver o seu próprio estilo de minimalismo sem deixar de lado as coisas que mais gosta, basta ter o espírito de viver com menos e procurar a felicidade naquilo que não é material que já podemos ser considerados minimalistas.

       Este conceito de precisarmos de pouca coisa para sermos felizes sempre se encaixou naquilo que tenho como conceito de felicidade. Fui aprendendo ao longo da minha idade adulta que para ser feliz não preciso de coisas, mas sim de momentos. Assim como aprendi que isso apenas vem de nós próprios e nada mais. Não deixo de querer os meus livros comigo, mas isso faz-me feliz. Não deitei as minhas caixas de fotografias fora, porque adoro que a minha história não seja digital. E nem sequer me livro de pequenas recordações que me enchem o coração, mas simplesmente porque me fazem feliz. E esse é o conceito do minimalismo, simplificar e procurar sempre a felicidade. É fantástico como o minimalismo transformou algo que me parecia tão básico, como manter a casa arrumada, em algo que me irá dar tempo para ser realmente feliz.

      Porque quero abraçar o minimalismo?

    Como já referi, inconscientemente, quando comecei a definir os meus principais objectivos para os próximos quatro/cinco anos percebi que poupar teria de ser uma prioridade de forma a conseguir conquistar aquilo que tenho idealizado para mim. Foi nesta definição de prioridades, nesta organização interior da pessoa que sou, do auto-conhecimento que tenho desenvolvido nos últimos anos, em que me comecei a definir como uma pessoa simples, que me apercebi que não sou feliz por ter isto ou aquilo, mas sim por ter feito isto ou aquilo. Foi dentro desse conceito que compreendi que queria menos, para conseguir mais. Com o minimalismo tenho aprendido que ao destralhar a minha vida, ao eliminar focos de atenção e de distracção do meu dia-a-dia, vou conseguir concentrar-me mais e melhor naquilo que quero atingir e conseguir ser feliz durante esta viagem.

        Odeio limpar a casa, odeio fazer tarefas domésticas e tenho aprendido que ao ter poucas coisas, ao manter uma casa arrumada, ao manter-me organizada não preciso de perder horas em tarefas que não gosto. Basta manter-me organizada, que aquilo que não gosto de fazer passa de uma tarefa de três horas para hora e meia. É também ao ter menos coisas que vou conseguir manter-me mais arrumada. É ao desligar-me de objectos que nada me dizem que vou dar espaço para entrar coisas novas que me trazem a felicidade. É ao ser um bocadinho egoísta, porque no fundo acaba por ser um pouco disso, que vou ter tempo para cuidar de mim, para fazer as coisas que realmente gosto.

        No fundo, o que quero alcançar com o minimalismo é um escape ao stress que a sociedade nos impõe. Quero fugir ao consumismo frugal de que só ao ter me sinto feliz. Quero ficar livre de problemas financeiros por gastar naquilo que não devia ou devo. Quero principalmente sentir-me livre, livre de coisas que me fazem mal, livre de situações desagradáveis e livre de pessoas e situações sociais que nada me dizem. Porque o minimalismo não se prende ao físico, mas a tudo o que envolve a nossa vida. Sei que é uma longa caminhada, sei que estou no início e que o que fiz até agora não é suficiente, mas tenho aumentado a minha consciência sobre o assunto e agora tudo o que faço faz-me questionar se realmente o faço para ser feliz. E penso que esta será uma caminhada ao longo da vida, sem um final em concreto, mas que me fará levar a caminhos felizes.

         Estou mesmo entusiasmada com isto do minimalisto, até já me sinto mais leve!

 

 

18
Ago17

Destralhar as memórias

(Imagem retirada daqui)

 

Sempre fui uma pessoa que se agarrou às memórias, desde bem novinha. Sempre me imaginei sentada na cadeira de baloiço, no alpendre da casa, com o cabelo já grisalho e a pegar numa caixinha de memórias que tinha vindo a acumular ao longo da vida. Desde que me lembro que fui acumulando cartas do dia dos namorados, bilhetes de passeios escolares, fotografias dos amigos da primária e até aquela folha que um dia encontrei no chão já no regresso a casa. Quando dei por mim, nas últimas arrumações que tenho abraçado nesta viagem pelo minimalismo, já tinha três ou quatro caixas de memórias. Como era possível com 26 anos já ter tantas caixas de memórias? Pareceu-me algo surreal. Completamente absurdo, afinal ainda não tinha vivido tanto assim! Há anos que não mexia naquelas caixas, estavam para lá atiradas ao pó e a ocupar espaço desnecessariamente. Decidi abri-las, uma a uma e investigar o que nelas havia. E encontrei coisas desde a época em que andava na primária. O meu primeiro diário, bilhetes da minha primeira viagem, o papel de candidatura à universidade. A primeira rosa, a primeira carta de amor, as fotografias de amigas da época, conchas e até recortes de jornais. No meio de tanta coisa havia outra tanta que já nada me significava. Em tempos, na esperança de nunca me esquecer de nada, guardei aquelas pequenas preciosidades como sendo parte de mim, hoje ao vê-las pareciam-me vazias e insignificantes. Algumas, trouxeram-me uma saborosa nostalgia. As cartas em código trocadas com as amigas. O postal de natal da mãe. A carta da avó e até aquele passeio da escola a Barcelona. Decidi então que estava mais que na altura de seleccionar aquilo que eram realmente memórias, daquilo que simplesmente tinha o vazio em si. Lixo, encontrei muito lixo nessas três caixas e do nada, no meio de uma vontade de destralhar, de me livrar do que não interessa e do que não faz parte de mim separei-me de muitas coisas que um dia achei que viria a querer recordar. Enchi dois sacos de lixo e muito papel foi parar à reciclagem. E voltei a sentir aquela sensação de leveza que tanto tenho apreciado com esta minha aventura no minimalismo. De três caixas passei a uma, há coisas que eram impossíveis de desaparecer da minha vida, mas outras para nada serviam. Porque raio ia querer guardar o meu primeiro relógio todo partido e que nem funcionava? E o meu primeiro terêrê? Se em tempos não sabia o que valia apenas guardar como memórias, hoje sei.

Sou feita de memórias, sempre o disse, mas ontem aprendi que posso seleccionar as memórias que quero que continuem a fazer parte de mim. Quero as memórias boas, quero as memórias daquelas pessoas que saíram sorrateiramente da minha vida, mas que deixaram a sua marca. Quero manter a parte boa de mim. Quero manter os meus diários que nunca deixaram de ser escritos desde os sete anos. Quero manter aquele postal da mãe que me traz uma lágrima boa. Quero guardar aquele bilhete daquele dia memorável da queima. Quero apenas guardar o que me faz bem, o que me faz sentir completa. O resto? O resto pouco importa. O resto não precisa de ocupar espaço, prefiro um dia vir a preenchê-lo com coisas ainda melhores.

Hoje sei que quando for velhinha e estiver no alpendre, com um chá na mão e a brisa do fim do verão me remexer os cabelos grisalhos, ao abrir aquela caixa, vou só encontrar coisas boas.

 

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