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justsmile

30
Mai19

Aceitar o que não podes mudar

(Imagem retirada daqui)

       Quando casei, pensei que o nosso primeiro ano de casamento fosse apenas um ano de adaptação a nós próprios, às nossas coisas, às nossas manias e até rotinas. Pensei que fossemos ter o chamado "período de lua-de-mel" em que pudéssemos concentrar a nossa atenção um no outro, continuarmos a fortalecer a nossa relação que de repente mudou. No meio destas minhas ilusões romantizadas ainda considerei que, após mudar de emprego, seria a altura certa para voltar a estudar, meti-me então numa pós-graduação. Contudo, toda esta ilusão, todo este sonho de quem acha que a vida pode ter alguns tempos tranquilos, durou muito pouco tempo, bastou chegar a casa da lua-de-mel. Desde então que não tivemos nenhum momento de descanso, nenhum momento em que não tivéssemos um problema sobre o nosso colo com o qual tivéssemos de lidar. Desde então que a nossa vida não conseguiu acalmar, criamos uma rotina sobre todas estas loucuras, em cima de todos estes problemas que ainda me consigo admirar de como conseguimos manter a sanidade mental. E sabem o melhor? Todos estes problemas são nos externos, não são problemas intrínsecos, não são propriamente problemas nossos, são problemas que nos relacionam, mas que não estão dependentes de nós para resolução. E isso? Isso é a pior parte. São problemas que nos tiram o sono, que mexem com os nossos sentimentos, mas que não conseguimos fazer valer a nossa opinião e que a decisão final nunca será nossa. 

        O primeiro mês aguenta-se bem, está-se com o coração nas mãos, mas aceita-se que o tempo irá ajudar a resolver a situação e tem-se confiança que a resolução estará para breve. O segundo mês já nos faz questionar mais um pouco, mas a paciência ainda lá está e é ao ver-se algumas melhorias que esperamos que a resolução esteja perto. Ao terceiro mês, quando vemos as coisas a piorarem, as nossas vozes a não serem ouvidas, o corpo a sentir o desgaste extremo das poucas horas de descanso, das preocupações constantes e do trabalho que não tem fim, as forças começam a desvanecer-se. A esperança começa a ser questionada e as lágrimas começam a sair esporadicamente e em silêncio. No início do quarto mês sente-se na pele o desespero de já não saber o que fazer para se ser ouvida, o cansaço já parece entranhado no corpo e a sensação de não se viver parece uma constante na mente. A sensação de estar compenetrada nos problemas surge e torna-se difícil de fazer desaparecer... Até que uma luz surge. O problema mantém-se, o cansaço também, o humor ainda não melhorou de forma significativa e até a rotina de problemas se mantém, mas começa-se a aceitar. E esta semana, cheguei a essa fase, aceitar. Aceitar o que realmente não posso mudar. Como Ele diz, não temos a capacidade de abrir a cabeça de ninguém e lhe incutir juízo, por isso só resta mesmo aceitar. Há poucos dias consegui começar a desligar-me um bocadinho do problema e aceitar que já nada posso fazer, depois de dar voltas e voltas à cabeça, depois de noites sem dormir, refeições sem apetite e a sensação constante de um peso nos ombros, começo finalmente a aceitar. 

       Compreendi que não tenho poderes mágicos, que ao contrário do que gostava de fazer, não consigo mudar o mundo e muito menos alguém. Aceitei que a resolução não está nas minhas mãos, mas nas mãos de outras pessoas e que, em nada, mais posso fazer do que já faço. Aceitei. Aceitar foi a parte mais difícil, porque achamos sempre que podemos fazer mais e melhor, mas por vezes a melhor solução para nós próprios passa apenas por aceitar que nada podemos mudar. Hoje, acredito, que aceitei aquilo que não posso mudar.

23
Mai19

And the Winter has ended!

(Imagem retirada daqui)

         A segunda-feira foi longa, demasiado, demorei a ver o fim da Guerra dos Tronos e comecei a semana cheia de sono devido a um serão daqueles. Mesmo com a HBO não tivemos qualquer tipo de oportunidade de nos anteciparmos, mas lá vimos o fim da badalada série. Demorei alguns dias a digerir a situação e o seu término, discuti com amigos, li opiniões e só agora consigo formar a minha opinião. Afinal foi uma série demasiado complexa para conseguir dar a minha opinião apenas em dois minutos.

         Percebo que meio mundo anda indignado com o fim da Guerra dos Tronos, talvez pela traição do Jon Snow, talvez pela parvoíce da Danerys ou pelo odiozinho de estimação pela Cersei, mas no fundo acredito que esta foi a forma mais imprevisível de terminar uma grande série, algo que foi continuo durante todas as temporadas. Em todas as temporadas aconteceu o inesperado, algo que ninguém estava à espera. As nossas personagens favoritas foram desaparecendo aos poucos e os acontecimentos não eram, definitivamente, os esperados. O fim da Guerra dos Tronos cumpriu com todos esse requisitos que nos manteram presos ao ecrã durante 8 temporadas. Daí não compreender tamanha indignação, a criação de petições e não sei que mais para que se altere o fim de uma grande série. Se há algo que aprendemos com esta série é que aquilo que prevemos nunca acontece, nunca conseguimos entrar na cabeça dos realizadores, e isso foi precisamente o que nos mostraram neste último episódio. Jamais imaginaria Jon Snow a matar Danerys de uma forma tão cobarde, sempre mantive a esperança de que a Arya o fosse fazer. Nunca me tinha passado pela cabeça que nenhum dos herdeiros do trono não se fosse sentar nele. E é que nem imaginaria que o Drogon fosse sequer destruir o trono de ferro. Imaginava sim que Sansa ficasse com Winterfell, mas pouco mais poderia prever.

      Esta foi sem dúvida uma das melhores séries de sempre, que nos deu voltas ao cérebro e que nos provocou o mais variado tipo de emoções e este fim inesperado, que até não foi muito do meu agrado, mas que compreendo, só manteve o registo em que nos habituou desde do início. O inesperado pode sempre acontecer. E assim, após 1h15 Winter has ended. 

        Foi assim tão mau?

21
Mai19

Admirável Mundo Novo (4/12)

(Imagem retirada daqui)

        Quando peguei neste livro tinha a plena consciência de que não seria um livro de leitura ligeira. Sabia perfeitamente que não seria o tipo de livro de desligar o cérebro, algo que ando a precisar, mas o tipo de livro que me levaria a questionar a vida. Não sabia bem do que se tratava, mas tinha suficientemente o conhecimento de que estava relacionado com uma visão futurista da nossa sociedade. Não me enganei em nada, apenas subestimei a minha capacidade para o ler e o conteúdo que este livro poderia conter.

       Pensar sempre foi uma coisa assustadora para muitas pessoas, principalmente para os poderosos, verem 'seres inferiores' pensarem e terem uma opinião levou à queda de grandes governadores e de grandes impérios. Esse livro baseia-se bastante na teoria de 'a ignorância é uma benção', não tanto como Fahrenheit 451, mas com um paradigma muito semelhante. "Admirável Mundo Novo", talvez não seja num futuro tão longínquo quanto isso, uma sociedade preparada para nascer formatada, já com uma hierarquia definida no sangue e preparada para ser feliz com aquilo que tem sem ambicionar nada mais. Uma sociedade em que qualquer homem e mulher é formatado para ter uma determinada função em que sentimentos negativos não entram, e quando tal acontece, uma droga preparada para não ter consequências negativas, devolve a felicidade que é impossível de deixar de sentir. Uma sociedade sem princípios nem valores, mas em que tais coisas não são necessárias, pois o pensamento não existe. O vocabulário é limitado e até a sua utilização já está formatada, uma sociedade onde não há dor, nem problemas e quando isso acontece são enviados para longe, não vá terminar com o equilíbrio da sociedade. 

      Este livro, mais que ficção, parece ser um visionamento do futuro que não irei conhecer, mas que não duvido que um dia chegará. É um livro forte que assusta verdadeiramente aqueles que pensam, aqueles que se questionam, pois parece estar tão próximo da realidade futura que deixa de parecer ficção. É um livro fantástico, escrito num outro século, mas que verdadeiramente parece predizer o futuro. Não é um livro fácil, mas necessário.

        Quem leu?

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