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justsmile

23
Fev18

A Incrível Viagem do Faquir que Ficou Fechado num Armário IKEA (2/12)

(Imagem retirada daqui

 

        Andava a precisar de uma leitura leve e divertida. Andava a precisar de palavras que me fizessem rir e que me deixassem bem disposta e sem dúvida que "A Incrível Viagem do Faquir que Ficou Fechado num Armário IKEA" o conseguiu fazer. Aja (vamos abreviar o nome do senhor senão nunca mais saio daqui), um faquir indiano, dirigiu-se a França com um único objectivo, comprar uma cama IKEA de pregos. Utilizando as suas capacidades psíquicas (ou não) conseguiu marcar a viagem com a ajuda das pessoas da sua aldeia que o viam como um semi-deus, vestiu o fato mais vistoso da loja de alugar fatos e foi por dois dias a França apenas para comprar a maldita cama (que nunca viria a ser uma cama). O que Aja não esperava era apaixonar-se por uma mulher de 40 anos em plena loja IKEA. O que Aja não imaginava é que iria ficar preso num armário IKEA e que a sua viagem iria ser mais longa do que alguma vez imaginara, em apenas 7 dias o Faquir viajou mais pela que eu própria, passando por Inglaterra, Espanha, Itália e a Líbia. Em cada um dos locais teve um azar tremendo que o fez fugir para um novo local e é a combinação dessas peripécias que dá o humor necessário ao livro.

        Este foi um livro bastante agradável de ler e até bastante imprevisível, o que nem sempre acontece num livro. Aja é uma personagem que ludibria as pessoas, mas que tem um coração de manteiga que se vai revelando ao longo do conto. É ao longo do livro que Aja compreende que a sua natureza não é a correcta e que quer mudar, seja pelo Buda seja pelo amor que encontrou. É um livro divertido e cheio de humor, mas que no fundo consegue passar uma boa lição moral sobre o amor, a verdade e a natureza do ser humano. É engraçado como um livro tão humorístico consegue transmitir uma mensagem tão boa no final, não só nos faz focar no enredo da estranha vida do faquir, como nos faz questionar sobre a nossa própria natureza. Já para não falar no aspecto dos refugiados que, de uma forma inesperada, é relatado de uma forma divertida em algumas passagens, mas sem tirar a importância necessária à temática. Este é sem dúvida um livro que vale a pena ler, um livro para se ler quando estamos cansados, um livro quando estamos a precisar de um sorriso e até quando simplesmente não queremos pensar. É um livro leve, com uma escrita fácil e bastante acessível, mas com um enredo cheio de acção, de reflexões, mas também de lições. Para quem não esperava muito do livro acho que foi uma excelente aquisição, principalmente para alguém que ultimamente anda sempre cansada.

         Quem já leu?

 

22
Fev18

Não tenho muita sorte profissional...

(Imagem retirada daqui)

 

       Dei por mim no outro dia a pensar sobre o meu percurso profissional. Terminei a minha licenciatura há quase cinco anos e apercebi-me que tenho uma vasta experiência em situações absurdas, em entrevistas ridículas e em azar profissional. Estou perita nestas três competências e com a capacidade para escrever um bom livro sobre as temáticas. Ora vejamos, no meu primeiro emprego, como terapeuta da fala fiquei extremamente iludida por ter conseguido encontrar uma vaga de trabalho ao fim de cinco currículos. Ingénua na altura, não compreendi o quão desastroso isso poderia um dia ser. Trabalhei cinco meses num gabinete que me manteve ilegal durante o tempo todo, com uma promessa impossível de estágio profissional. Trabalhava a 1h10 de casa, gastava imenso em gasóleo e por estradas bastante escuras. Choramingava pelo meu ordenado, pois o patrão adorava demorar-se a pagar-me fosse o que fosse e ainda tive direito a uma inspecção do trabalho enquanto lá trabalhava. Este foi o momento ideal para sair e acreditei que iria conseguir um emprego com tanta facilidade como tinha encontrado o primeiro. Mas nem tudo foi mau, consegui fazer amizades com quem ainda hoje mantenho o contacto e com um horário de 40h consegui ganhar imensa experiência e preparar inúmeros materiais que ainda hoje me dão imenso jeito.

       No meu segundo emprego fui fazer a substituição de uma grávida, pela primeira vez trabalhei a recibos verdes e compreendi o absurdo da situação. Perdia quase duas horas no trânsito por dia, mas admito que não me custava nadinha, ganhava misérias (se tirei algum mês mais de 700€ já foi uma fortuna rara! E nem estou a falar das despesas associadas...), perdia hora de trabalho quando algum doente decidia faltar e ainda tinha uma coordenadora fantástica (ou não). Esta coordenadora tinha a excelente competência de começar a berrar com as pessoas às 8h30 da manhã quando a sala de espera estava cheia e com os bombeiros a trazerem os respectivos doentes. No entanto, adorava realmente o que fazia, trabalhar com idosos e crianças ao mesmo tempo foi dos trabalhos mais gratificantes que tive até hoje. De resto era tudo muito estranho, durante quase um ano não aprofundei o meu conhecimento com ninguém na clínica, almoçando sozinha e tendo os meus livros como companhia. No início custou-me bastante não fazer amizades, depois compreendi que foi uma espécie de bênção. Quando vim embora, gostariam que eu ficasse a ganhar experiência sem salário o que realmente me deu uma vontade imensa de rir, como se dois anos de experiência não fossem o suficientes.

       O terceiro emprego, apesar de não ter sido como terapeuta da fala, foi o melhorzinho. Trabalhei numa famosa empresa de distribuição, em horário part-time que pouco contacto me obrigava a manter com o pessoal. Entrava a correr e saia a correr. Excessivamente cansativo fisicamente, mas libertador de certa forma. O ordenado não era uma fortuna, nem lá perto, mas ajudou-me a manter a sanidade mental após uma altura demasiado extensa de desemprego.

       O quarto emprego, e actual, desta vez como administrativa, também não tem sido o fundo do arco-irís (imagino que percebam porque não irei dar mais pormenores). Eu sei que nenhum emprego o é, tenho bem experiência disso, mas acreditem que aqui existem coisas que nunca vi na minha vida e isso deixa-me frustrada. Quem me conhece, mas pouco sabe sobre o local onde trabalho, acham que me saiu uma espécie de euromilhões. Aos olhos dos outros é uma sorte grande estar a ganhar o que ganho, não literalmente, mas quase, à porta de casa, com a possibilidade de ir almoçar todos os dias a casa e ainda com a vantagem de gastar pouco em combustível e em tempo. No entanto, ninguém percebe a minha frustração e nunca hão de entender por uma simples, não são eles que estão no meu lugar. A nossa vida aos olhos dos outros é sempre muito melhor, temos sempre mais sorte que os próprios, a questão é que não sabem os sacrifícios que fazemos (também sei que isto tem o outro lado da moeda). Eu não gosto de me queixar sobre o meu trabalho, nunca o fiz, mesmo com todos os contratempos que tive em todos os meus empregos anteriores. Sou a pessoa de dizer que 'sim, está tudo bem, tem as suas vantagens e desvantagens', mas não aprofundo para simplesmente não pensar no assunto e para não ser uma queixinhas. São poucas as pessoas que realmente sabem o que se passa na minha vida profissional, Ele e os meus pais, tirando isso mais ninguém precisa de o saber, mas irrita-me que me achem dotada de uma sorte que não existe. Por vezes penso que até hoje, a nível profissional, o erro foi sempre meu ou se sou demasiado exigente, outras penso que é simplesmente a minha 'má sorte'.

       Agradeço aos céus o facto de ter um emprego. Estou grata por ter fugido do desemprego que tanto me atormentou a alma, mas a verdade seja dita: Estou mesmo a precisar de mudar a minha sorte a nível profissional.

21
Fev18

Ultimamente...

(Imagem retirada daqui)

 

       Ando cansada. Cansada mais fisicamente que até psicologicamente (apesar de o melhor mesmo é não pensar muito no assunto). Desde que o ano se iniciou que a minha saúde tem andado fragilizada e o sistema médico não me tem ajudado em nada, rigorosamente nada. Terminei o ano com umas valentes dores de garganta e comecei a primeira semana do ano novo a ir ao médico. Após uma receita de medicação demasiado básica, acreditei que não iria servir para nada. Bingo! Passadas nem duas semanas estava lá novamente para uma nova consulta e cheia de dores de garganta. Só nesta segunda ida ao médico, em que afirmei que esperava lá não voltar lá tão cedo, não imaginei que em Fevereiro repetisse a proeza.

       De dores de garganta passei para problemas intestinais, novamente. Entre Novembro e Fevereiro é a terceira vez que tenho uma crise enorme, de me deitar fisicamente a baixo (apesar de tentar nunca faltar a este emprego). Achando que bastava, ontem fui novamente ao médico, ainda nem dois meses o ano tem e já fui parar três vezes à sala de espera do posto médico da minha área de residência. Partilhei a minha história e a primeira coisa que a médica me diz, sem sequer ter ainda olhado para o meu rosto, "mas se é recorrente, isso tem de ser com a médica de família, eu não posso fazer nada.". Comecei logo a fervilhar um bocadinho por dentro, mas mantive-me calada, até porque tinha tentado marcar consulta com a médica de família, que não estava, e pensei se seria possível marcar uma crise destas para daqui a dois meses quanto teria uma vaga para consulta com a mesma. Calei-me e segui a doutora que me levou até à sala de enfermagem, que me deu uma injecção (mesmo à carniceira que hoje tenho o braço todo dorido!), e deixou-me ali deitada durante vinte minutos sem aparecer. Já a ficar sem paciência, ainda sem saber como estava a urina, fui atrás da médica. Estava agradavelmente a conversar com a sua estagiária e quando me vê questiona-me se já não tenho dores. "Tenho.", ficou a olhar para mim admirada, como se o seu diagnóstico tivesse falhado, mas afirma que me ia sentir melhor e que me dava a receita para dar exactamente a mesma medicação oralmente, isso e um protector gástrico, ao que ainda afirmei que se calhar precisava era de algo para regular o intestino, mas não, a senhora achava mesmo que era estômago. Respirei e ainda perguntei como tinha sido o resultado da urina "Ah, não fiz, já me esquecia, vamos lá ver!". Ao fim de quase duas horas, depois de uma hora de trabalho perdido que ninguém me paga, depois de uma injecção que ainda hoje me dói o braço e no fim ainda continuar com dores, vim-me embora com uma frustração tremenda. Com a sensação de que não fui ouvida, com a sensação de que o diagnóstico saiu todo ao lado e com a sensação de que fui totalmente ignorada. O mais giro? Ainda me questionou se não seria uma crise de lactose, ao que respondi prontamente que não, que as crises de lactose são bem mais fortes que aquelas, mas ainda ficou a olhar para mim com ar de dúvida. A minha mãe tem uma justificação para tamanha frustração e, infelizmente, vou ter de concordar com ela, o meu problema é saber demasiado. Se não fosse da área da saúde, se não percebesse nada do corpo humano e de como funciona, a verdade é que vinha feliz e contente do posto médico com a medicação que a "sô dôtora" tinha dado.

       Estou cansada, ultimamente ando desconfortável, cansada e sempre com receio de comer as coisas que quero. Não tenho conseguido manter a rotina de ida à piscina que tanto quero porque ando fisicamente debilitada. Não sei se é o cansaço que me tem deitado a baixo, se é inconscientemente o stress, a frustração profissional ou o facto de ter tanta coisa na minha cabeça. Estou cansada de ir ao médico e de não obter resultado nenhum e de nem valorizarem as nossas queixas, eu que só vou quando realmente compreendo que preciso de ajuda. Ultimamente ando mesmo cansada, tenho imensa coisa que me traz felicidade, tenho-me aguentado bem com os problemas e com as decisões, mas quando mexe com a saúde parece que tudo o resto fica mais cinzento. Arre para a minha sorte!

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