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justsmile

Qua | 11.11.15

Vida de desempregada 12#

(Imagem retirada da Internet)

 

Tempo de desemprego: 60 dias.

Número de anúncios: 9 (talvez menos?).

Número de entrevistas: 1 (fora da área).

Número de currículos entregues em mão e via online: 225.

Respostas: 17

 

Faz precisamente hoje, em dia de São Martinho, dois meses que estou desempregada. Se aqui vos questionei até quando deveria procurar trabalho unicamente na minha área, a esta altura do campeonato já 'disparo para todos os lados' como alguém comentou. Os anúncios na minha área desapareceram (quase) totalmente e os que surgem são part-time para Lisboa, fora da área aparecem três grandes vertentes: vendedores com comissões, agentes imobiliários e call-centers. A única entrevista que tive em dois meses foi para uma destas últimas áreas e foi simplesmente espectacular, saí de lá a rir e de bom humor.

 

- Então o trabalho consiste em ir de porta-a-porta para mudar contratos de gás. - diz-me um senhor de fato e aparelho nos dentes.

- Pois, eu quando respondi para o anúncio realmente não sabia que era para este tipo de comercial. - eu já imaginando as condições precárias que me iriam oferecer.

- Mas ouça as condições, porque este é um trabalho maioritariamente de comunicação. O primeiro mês só ganha à comissão, ou seja, o número de contratos que fizer é o que receberá e tem de usar o seu carro sem ajuda de custos. Depois de ficar, faz-se contrato com o ordenado base e temos aqui pessoas a trabalhar há 3 meses que recebem 2500€ mensais. - enquanto falava fazia uma sarrabiscada no verso do meu currículo.

- Pois, mas eu realmente não estou interessada, não tenho jeito para vendas. - tentava eu já terminar por ali a entrevista.

- Mas a senhora é terapeuta da fala, tem de certeza competências para tal e a nossa empresa permite subir de posição. Se quando for administradora não ganhar mais de 5000€ mensais, não ganha nada e mais vale ir embora. - mantive-me imparcial e nem responder consegui. - Sabe? Isto está difícil e tenho amigas minhas licenciadas em casa que preferem continuar desempregadas a ganhar 2000€ por mês a trabalhar para mim ou a trabalhar fora da área.

- Não está a perceber, quando respondi ao anúncio sabia perfeitamente que não era a minha área, mas não sabia que era para este tipo de trabalho senão não tinha respondido. Não me importo de trabalhar fora da área, mas tenho fugido de tudo o que é vendedores porque nunca fui boa a 'vender o meu peixe', nem um calendário consigo quanto mais contratos. - A insistência do homem em ordenados milionários começou a irritar-me e quando implicou que eu só não trabalhava porque não queria já me aparecia bater-lhe.

- Venha à experiência uns dias e logo verá como é fácil! - saí da porta e nunca mais dei notícias.

 

A verdade é que realmente não sou boa vendedora de seja o que for, já passei por aí e vi que as minhas competências para tal são muito reduzidas, admiro quem trabalha nessas áreas e quem o faz, mas eu não sou pessoa para isso.

E após a primeira entrevista em dois meses, penso que depois disto só não sou milionária porque não aceitei este emprego tão aliciante.

 

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