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justsmile

Qua | 22.11.17

Seca, parece um mito mas é realidade

(Imagem retirada daqui)

 

      Ultimamente têm surgido muitas notícias sobre a época de seca extrema que se vive em Portugal, mas ainda parece uma realidade muito distante para quem vê e não o sente na pele. "Oh há sempre de haver água!", "Havemos sempre de arranjar uma solução", "É só mais um passeio que precisamos de limpar, não vai ser por isso que vamos ficar sem água!". A verdade é que só percebemos o valor das coisas quando as perdemos e eu estive mais de um mês sem água e neste momento a água é racionada para não corrermos o risco de ficar novamente sem ela. 

      Vivo a apenas 18km da cidade do Porto, mas o meu município não acha uma prioridade termos água da companhia, sendo assim desde sempre que só tem água quem tem poço. O poço da minha casa, feito ainda no tempo do meu avô, distribui para a casa da minha avó, a minha, a da minha tia e a da minha prima, no total distribui água para oito pessoas e duas crianças. No mês de Setembro ficamos mesmo sem água, nenhuma, zero. Eu que sempre me considerei ecológica e poupada, apercebi-me que afinal ainda tinha muito por onde mudar os meus hábitos. Na altura a solução foi usar uma piscina de divertimento como reservatório e ir buscar água em depósitos a outro lado e assim o fizemos. No entanto, apercebemo-nos que foi a altura obrigatória de aprendermos a racionar a água para diminuirmos as nossas viagens e fazer a água do reservatório durar o máximo de tempo possível. Admito que não foi fácil aprender a ir tomar banho sempre com um balde para aproveitar a água fria do chuveiro. Não foi fácil usar sempre uma bacia para lavar a fruta. Nem foi fácil ficar sem roupa para vestir porque estava à espera de puder ir para uma máquina de lavar cheia. Ainda mais complicado foi para os meus pais que deixaram de plantar os legumes da época para não desperdiçarem água a regá-los. Os carros já não vêem água há meses e o chão da entrada está cheio de pó. É uma realidade que para mim dura há três meses.

      É triste, mas é a verdade da realidade humana, só valorizamos as coisas quando nos faltam e eu não sou excepção, mas esta falta, esta necessidade de poupar água levou-me a ter mais consciência dos meus erros, dos meus desperdícios. Este ano tem sido um ano de excepção, não chove. Por muito que adore o sol, peço neste momento chuva, eu que até não gosto muito dela, mas agora compreendo a sua necessidade, a necessidade que eu e tantos outros temos de chuva. Acredito que a excepção deste ano, mais tarde ou mais cedo, vire regra e isso sim, é assustador. Mais assustador ainda são as pessoas que não têm consciência disso, as pessoas que continuam a desperdiçar litros e litros de água a lavar passeios e estradas. As pessoas que continuam a tomar os longos duches (e como sinto a falta deles) e aqueles que continuam a lavar a louça sem qualquer poupar tipo de água. Pior ainda são aqueles que pensam "a mim nunca me vai faltar a água".

       A água é um bem essencial à sobrevivência humana e isso sim, precisamos de conseguir encaixar na nossa cabeça!

 

 

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