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justsmile

Qua | 26.04.17

Não comprei um terreno, comprei uma selva

(Imagem retirada daqui e representativa)

 

Compramos o terreno em Fevereiro e desde então que Ele anda desejoso por ver aquilo limpo, precisamos ainda de tirar as medidas e dividi-lo com os nossos vizinhos. Sabem aqueles terrenos planos que só têm erva? Definitivamente não é o nosso. Nós não compramos exactamente um terreno, compramos sim uma espécie de selva cheia de lixo. Compramos um emaranhado de silvas, troncos a apodrecer, árvores e mais árvores de troncos grossos que contam com décadas e décadas, compramos buracos, desníveis, socalcos e ainda lixo. Toneladas e toneladas de lixo. Garrafas de vinho, assadeiras, latas de spray e até de Pronto, latas de tinta, lavatórios, sanitas, esfregões, partes de armários, mármore, chapas, cds e outros tantos afins que nunca imaginaria perdidos no meio das silvas. 'Com jeitinho, de juntássemos este entulho todo já tínhamos o enxoval feito e até podíamos começar a construção da casa.', dizia eu de cada vez que me apareciam coisas estranhas. No último mês, enquanto eu trabalhava ao sábado, Ele  dedicava-se a cortar árvores, limpar lenha e arrumar aquilo que podia do terreno com dois amigos. Podem ter passado pouco tempo lá, mas a verdade é que no primeiro dia já se notou a diferença e a paisagem que passei a ver foi fenomenal. Já não via só árvores e silvas, mas passei também a ver o monte à nossa frente. Apesar de todo o esforço d'Ele e dos amigos a verdade é que continuávamos a ter pouca percepção do que seria o nosso terreno, as silvas eram em demasia e sabíamos que precisávamos de ajuda. De forma a conseguirmos a poupar alguns trocos decidimos que com a ajuda da minha família e dos amigos d'Ele o 25 de Abril seria a data ideal para uma reunião familiar para limpar o terreno. Assim, ontem fomos para o terreno, sem saber bem o que nos esperava, armados com luvas, máquinas de cortar erva, trator, serras, motosserras, ansinhos e umas Minis na geladeira para dar de beber a tanto homem. Eu, a única mulher lá perdida no meio, bebi a águazinha e fiquei feliz.

Não foi um dia fácil, desde as 9h da manhã até às 18h que foi sempre a carregar lenha, cortar silvas, apanhar lixo, fazer montes de lixo e ervas. As minhas pernas, de tão arranhadas que estão, são a prova viva de que não foi uma tarefa fácil. As minha costas são aprovava viva de que trabalhei arduamente, de tão doridas que estão. Todos os que participaram neste aventura pelo meio de um monte que, dizem os vizinhos, nunca tinha sido limpo sentiram na pele o cansaço. A tarefa não ficou terminada, nem lá perto, mas estou tão orgulhosa da família que tenho, daquilo que fizeram por nós, por terem deixado de lado um feriado para conseguirem ajudar. Sei que a feijoada e o lanche são sempre um reforço, mas estou extremamente orgulhosa daquilo que conseguimos.

Ontem, apesar de todo o cansaço, apesar do trabalho que ainda temos para fazer, deixamos de ter uma selva e temos um terreno. Sinto-me orgulhosa de nós!

 

P.S.: Orgulhosa, mas terrivelmente dorida, nossa!

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