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justsmile

Qua | 12.04.17

Em que nos estamos a tornar?

(Imagem retirada daqui)

 

Assusto-me a ver as notícias nos últimos tempos. Não um susto momentâneo, não um terror de não conseguir sair de casa, mas uma inquietação de não saber para onde caminha este mundo. Um receio de não saber o que será das nossas vidas amanhã, nem falo do trabalho e da economia, falo apenas da sociedade. A sociedade tem-me assustado de uma forma indescritível, custa-me ouvir as notícias e se tento fugir o mais possível delas acabo sempre por as ouvir no rádio no trabalho ou na primeira página que abro na internet. É impossível sentir-me indiferente a tudo que se tem passado. É o Trump a meter-se com a Rússia e com a Coreia do Norte (mas não era o Trump amigo do Putin?), são os ataques com químicos na Síria, são explosões em autocarros, são espécies de campos de concentração para homossexuais, são homens a tentar afogar as esposas e saírem como se nada tivesse acontecido, são estudantes a destroirem hotéis, são uma infinidade de coisas que me deixam inquieta quando surgem na minha mente ou quando vem uma nova informação.

O mundo está de tal forma virado do avesso (será que não é este o lado certo?) que me faz temer pelo futuro. Talvez não pelo meu futuro, talvez mais pelo futuro dos meus sobrinhos e dos meus filhos. Sinto que evoluímos no sentido contrário dos conhecimentos que possuímos hoje em dia. Sinto que evoluímos cada vez mais rápido para o egoísmo, para o egocentrismos e para os conceitos de 'liberdade' tão distorcidos como os de 'realidade'. Parece que não sei o que se passa na cabeça das pessoas que andam à minha volta, que se atropelam, que matam, que não conseguem lidar com um simples 'não'. Algo tão simples e tão básico como ouvir um 'não' está a ser considerado uma afronta, algo que põe a nossa vida em risco, não só moral como também fisicamente. Estamos cada vez mais impulsivos e menos racionais, estamos a tornar-nos nos verdadeiros animais da selva, a diferença? Não matamos para sobreviver, mas sim para nos fazermos valer. Não pensamos em consequências, seguimos os instintos mais interiores que temos e não pensamos, executamos vidas. Estamos cada vez mais a tornar-nos numa sociedade que não quer saber do outro, o eu, esse sim, é importante. Talvez tenha sempre havido pessoas com estes instintos animais, tenho a certeza que sim, mas parecem ter vindo a aumentar de uma forma assustadora. Não deveríamos estar a evoluir para o processo contrário? Deveríamos estar quase peritos em controlar instintos primários que são apenas conhecidos nos animais, deveríamos estar cada vez mais capazes do auto-controlo, mas parece que a nossa evolução enquanto humanos está a tender para o sentido contrário.

Por muito que me dêem justificações para todos estes actos cruéis, não os consigo compreender. Não consigo compreender porque matamos, mal-tratamos e nada fazemos. Não compreendo o assassino que sai impune. Não compreendo o bancário e o político que roubaram a olhos vistos e que continuam ricos. Não compreendo como não se faz nada para parar com as guerras. Não compreendo naquilo que nos estamos a tornar.

Acredito que enquanto houver pessoas como eu, melhores até do que eu haverá esperança, mas até quando?

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