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justsmile

Ter | 18.10.16

Dicas para um desempregado, de quem tem experiência

(Imagem retirada daqui)

 

Aqui há uns dias recebi um email no blog de alguém que se reviu nas minhas palavras sobre a época em que estive desempregada. Sei bem o que é ser desempregada, senti-o mais que uma vez na pele e cada uma delas foi pior que a outra. Essa pessoa em questão pediu-me alguns conselhos de como procurar emprego e fez-me pensar. Pensar em como não há uma fórmula correcta para se encontrar um emprego remunerado e digno de uma pessoa, é simplesmente preciso luta e sorte. Não há um site milagreiro, não há um currículo que nos abra imediatamente as portas e muito menos um IEFP que nos auxilie seja no que for (se fosse por eles, continuaria eternamente à espera de um emprego). Não tenho conselhos de como procurar emprego e muito menos de como nos prepararmos para essa procura incessante. No entanto, tenho algumas dicas de como se ser desempregada, algumas ajudas que me permitiram manter a esperança, manter a sanidade mental (apesar de esta ir reduzindo à medida que os dias de desemprego aumentam) e fazer ouvidos moucos a pessoas que insistem em dizer que ‘só não trabalham porque não querem’. Também esta não é uma equação milagreira, porque uma coisa vos garanto, os dias maus não deixam de surgir, contudo podem ver-se reduzidos. São dicas simples, dicas que necessitei de criar para mim própria, dicas que se tornaram úteis no meu dia-a-dia de desempregada.

Criar rotinas, todos os dias tinha determinada rotina, ou passar a ferro, ou ver determinada série, ou até simplesmente ir tocar café com uma amiga, fazer caminhadas ou uma ida semanal à piscina e viver os fins-de-semana como tais. Enviar currículos, todos os dias visitava todos os sites de emprego, enviava currículo para tudo e mais alguma coisa, mesmo que achasse que o meu currículo não serviria para nada, mas se me parecesse um trabalho digno enviava. Fazer de conta, sim, esta foi uma estratégia a que recorri com regularidade a pessoas que me diziam que eu é que era picuinhas com o que queria, só não trabalhava porque era muito selectiva (parece que não querer ir para call-center e para vendas é ser-se selectivo), que tudo iria passar e que iria ter um final perfeito, ou até que devia aproveitar o desemprego para isto e para aquilo. Simplesmente me dediquei a fazer de conta que ouvia essas pessoas, pois se há coisa que aprendi foi que só percebe o desemprego por quem lá passou, por quem sentiu o desânimo, por quem teve de dizer não a propostas absurdas mesmo querendo dizer sim apenas para se sentir útil. Pode-se chorar, pode-se rogar pragas aos céus pela nossa situação, pode-se sentir vergonha de se ser desemprego (como comecei a sentir ao fim de alguns meses), pode-se perder a esperança por um dia, mas pode-se chorar, aliviar a alma, sozinho (de preferência) para não se ouvirem as mensagens positivas que naquele momento tanto irritam e tanto enervam. Não se pode perder a esperança, até se pode, mas não mais que um dia seguido, a esperança é a força que nos faz continuar a enviar currículos, que nos faz continuar a lutar pelos nossos sonhos e por um lugarzinho que nos queira como trabalhador. Aproveitar para se fazer aquilo que ficou parado no tempo, para mim foi organizar os meus álbuns de fotografias, os meus livros, as minhas recordações e pôr a leitura em dia, que era uma das minhas maiores fontes de sanidade mental. Aceitar qualquer oportunidade digna, pode não ser o emprego de sonho, pode não ser o salário de sonho, mas se der lucro e não prejuízos, é aceitar, apenas por uma questão: sanidade mental. Claro que trabalhar num armazém nunca foi o meu sonho, mas na altura senti-me como se me tivesse saído o euromilhões, e o meu humor mudou da noite para o dia. Não desistir de procurar, mesmo depois de conseguir algo, nem que seja temporário, continuar a procurar algo que se adeqúe mais às nossas capacidades e ambições. Isso foi o que me trouxe até aqui, ao que tenho hoje.

Estas são as dicas de alguém que passou pelo desemprego, de alguém que sabe o quanto custa estar em casa sem se crescer profissionalmente, mas também as dicas de alguém que conseguiu um emprego justo e que continua em busca do lugar ideal.

Força para todos os desempregados que andam por aí à procura do lugar ao sol.

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